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quarta-feira, maio 04, 2016

FATALISMOS E FENIXISMOS




Os últimos meses não sei bem quantas linhas:

Da irregularidade dos treinos já me ia habituando. Do sofrimento neuromuscular quando fazia treinos de corrida, sobretudo em trilhos, já tinha tomado consciência há muito. Do sempre "peso elevado" já estava conformado ( gosto de comer e não tenho idade para "privações"). Além disso, os meus 1,82cm de "constituição forte" nunca farão de mim um tipo propriamente "elegante". Dos treinos de bicicleta, há muito que perdi a tertúlia da "margem sul" e a vontade de arranjar outras por Lisboa. Posso dizer que gosto de pedalar, mas a motivação para arrancar sozinho para o mato ou para a estrada ou até para a cidade ( aquelas voltas circulares em ciclovia a Lisboa), estava nos últimos tempos próxima de 0. Com isto e face à ameaça de "não fazer ponta de corno" depois dos exigentes e longos turnos do trabalho, há seis meses virei as agulhas para um "ginásio", onde confesso, contra os preconceitos que tinha destes espaços, até me dou por lá muito bem. Primeiro maravilhei-me com as aulas de Pilates e de Bodybalance, por fim não perdia um RPM ao som da música tecno, depois fazia umas máquinas de musculação,  dava umas braçadas na piscina e para finalizar um jacuzzi ou um banho turco, estava mesmo numa nova fase da minha vida desportiva e estava a gostar! Mas a vida de um homem como eu, apelidado de "fatalista" desde tenra idade ( tenho uma lista de "fatalidades" que me perseguem desde que me lembro), esforçado em contrariar o "desígnio" e a consequente mistificação da realidade, é cheia de inesperados. Costumo parafrasear várias vezes o ditado: " não acredito em bruxas, mas que elas existe, lá isso é verdade" Primeiro comecei em Janeiro com uma dor na virilha que se alastrava pelo quadricipe a baixo. O diagnóstico mal feito ( até pelo ecografista), estava já a atira-me para a mesa de operações com uma hérnia inguinal, quando sofri a crise que me mantêm em casa de baixa vai para três meses. Um dia normal ( de stress claro está), idas aqui e ali e um treino intenso no ginásio, que me recordo ter corrido muito bem, daqueles dias em que estava com força e muita vontade para treinar. No final do dia dor intensa no quadricipe e costas, o primeiro a contrair-se involuntariamente, parecendo que tinha bichos sobre a pele que o percorriam e uma dor, uma dor simplesmente enlouquecedora! Vou a uma urgência hospitalar, cada vez pior, mal podia andar e manter-me em pé ( caminhava dobrado e agarrado à perna). Raio X, analgésicos intravenosos e saio de lá praticamente na mesma. Dois dias depois, nova urgência, novos medicamentes e dores, dores, horríveis, como nunca tinha tido e eu que até tenho uma boa colecção delas. Segunda, nova urgência, já a tomar um opiáceo. Tentativa para fazer uma ressonância que não consigo fazer, paesar de estaruUm dia inteiro em SO a tomar todo o tipo de porcarias ( das quais paguei um dinheirão num hospital particular). Três dias depois, novo Hospital, desta vez das forças armadas, onde consigo fazer uma TAC e sou encaminhado para o neurocirurgião na semana seguinte. Os opiáceos atenuavam a dor, os relaxantes musculares permitiam-me dormir melhor, mas a dor mantinha-se insuportável. A primeira consulta com o referido cirurgião foi surreal. Não me queria receber porque os funcionários tinham marcado mal a consulta. Quase implorei, dizendo-lhe " não está a ver o sofrimento em que estou?". Ai senti que a minha "fatalidade" é em grande parte a de viver num país onde a empatia é um "bicho estranho", salvo saudáveis, mas raras, excepções. Acedeu contrariado. Na análise, hérnia foraminal, coisa rara 5% a 10% dos pacientes, mais mulheres que homens ( isto de ter coisas de gaja deixa-nos sempre cheios de medo:-). Sentença: cirurgia! 
Não fosse o anestesista, estar de férias e a lista de pacientes ser grande, a esta hora já tinha uma facada nas costas. Em vez disso, procurei recompor-me, fugir à operação e aos 5 comprimidos que tomava todos os dias. Fui a um osteopata e fiz acupunctura. Não sei ainda quais os resultados evidentes disto, porque piorei nos dois dias seguintes, embora que tenha sentido mais "desbloqueado". Assim que pude comecei a fazer pequenas caminhadas na praia e depois aqui ao pé de casa e  mesmo com dores no durante e no depois lá continuei. Fui informando o referido clínico que estes esforços estariam a resultar, já caminhava mais direito, menos dorido, menos coxo e mais animado. Deu-me por isso mais tempo. Até agora, onde finalmente já lhe posso dizer para adiarmos essa operação por tempo indefinido. Sei que não me escapo de um destes dias estar numa sala de operações, ambiente que abomino. Mas as duas hérnias que tenho e uma artrose num disco e uma antro retro listese não me dão muita margem de manobra. Tenho uma lombar de velho e uma cervical de jovem disse-me o médico! Entretanto voltei ao ginásio com exercícios de reforço abdominal e lombar, bicicleta e natação. Correr está quieto, a minha perna esquerda perdeu 80% da força e os reflexos. Quando me batem com um martelo no joelho e a perna não responde nem um milimentro. Provavelmente ficarei com estas sequelas e outras para sempre, nomeadamente alguma atrofia muscular ( que melhorei nos últimos tempos), mas estou na luta!
Agora imagino caminhadas, aqui e ali, um pouco por todo o lado, PR's, GR's, por esse país fora e montanhas: Pirinéus e regressos aos Picos da Europa e Alpes. Lá vou idealizando também uma tiradas de longo curso em bicicleta "turística", talvez Caminhos de Santiago um dia. Não faz mal um tipo sonhar um bocadinho pois não?! Afinal sou um miúdo próximo da casa dos 50, ainda há muito para curtir. Trails, corridas de aventura, Triatlos e afins, estão fora de questão, talvez só mesmo as habituais travessias de natação em águas abertas, mas devagarinho ( também já assim eram).
Resumindo e baralhando, esta é a minha "história" dos últimos meses, de outras histórias, nem vale a pena contar-vos, senão diriam comigo em coro: " não acreditamos em bruxas, mas que elas existem, lá isso é verdade"!

quarta-feira, abril 20, 2016

RECOMEÇAR

Nas memórias do Facebook... Já vou tendo saudades.

Um dia (quase) perfeito: correr cerca de 10km no areal de Carcavelos, com um sol e temperatura fantásticos e principalmente longe dos malditos poléns que nesta altura do ano estão por todo o lado e me põem em poucos dias num consultório médico! Ou seja, correr respirando de plenos pulmões a maresia fresca desta bonita praia que tenho o privilégio de ter a "dois passos" de casa ( cada vez mais sinto-me feliz por viver na Califórnia cá da terrinha). E só não foi perfeito (o dia), porque apesar de ter levado o fato de neopreno para uma natação de "águas abertas" na Praia da Torre, a maré demasiado vazia e com ondulação não mo permitiram. Tive pena de não saber surfar, em linguagem indígena: "estavam umas ondas porreiras apesar do offshore fraquinho ( as ditas rebentavam depressa)". Vinguei-me na piscina de tarde, 1500mts "livres", de tempo, estilo e principalmente de malta que só vai à piscina por o rabiosque de molho, numa pista só para mim!
Recomeçar, mas desta vez mais devagar

sexta-feira, abril 08, 2016

ALMOUROL 2014

Descobri este texto nas "memórias do facebook", acho que não o postei aqui. Os tempos agora são muito diferentes. Tenho uma hérnia discal, estou de baixa há mais de um mês e não treino vai para muito tempo. A operação cirúrgica está eminente e estas actividades, de maior impacto como o Trail, farão inevitavelmente parte do passado. Recordemo-lo...

"Nada de fotografias por favor", o gesto e a expressão pouco amigáveis, parecem o de uma vedeta surpreendida por um paparazzi indiscreto. Não foi nada disso, em legenda, caso não tenham reparado está escrito: " qualquer semelhança com a realidade é pura ficção". A outra "realidade" é que no momento desta fotografia estava certamente no primeiro terço do pelotão usando a minha habitual estratégia de "trás para a frente, a mesma "ficção" foi achar que podia durante 44km manter-me assim. Trocando isto por "miúdos": a partir dos 30km "dei o berro", "finito", "kaput", acabou-se o "combustível", "morri"! Renasci, mas ainda com os pés "prá cova" lá para os trinta e tal quilómetros, não com os dois "gel energéticos" que engoli ao longo do percurso, mas só depois de encontrar uma fonte no meio da floresta para me refrescar e meditar acerca, não do "sentido da vida", mas do significado de estar ali depois de 16 horas de trabalho ininterrupto com duas horas de sono mal dormidas e pensar que me faltavam mais 16 horas de trabalho e uma noite em branco depois de acabar aquele empeno. Conclui: só podia ser um tolo e nem precisava de "papa e bolo" para estar naquele rebanho. Depois da minha longa paragem, esta foi a quarta ultramaratona no espaço de 6 meses, nada mau para quem parou durante tanto tempo. Mas o sofrimento ainda é demasiado para ser convertido em "prazer" ( isto parece uma frase de um masoquista refinado smile emoticon, mas quem gosta de longas distâncias sabe do que estou a falar. Seguem-se os 100km de Portalegre em Maio, seduzido pelo desafio e pela beleza da Serra de São Mamede ( conversa de masoquista refinadíssimo). Acerca dos "Trilhos de Almourol", apesar da boa organização não fiquei "cliente" da prova. Ah, já me lembro do que disse ao fotografo: " quando quiser que o seu filho coma a sopa, mostre-lhe uma fotografia minha a fazer uma prova de trail".

sexta-feira, março 18, 2016

BOLETIM CLÍNICO

E o "cenário" é este ao fim de duas semanas de sofrimento muitas horas de urgências hospitalares e drogas em "overdose". Vai levar mais algum tempo até estar recuperado para um dia-a-dia normal, mas há mudanças de hábitos a fazer e terapia, holística sobretudo!

Um fonte acerca do problema: aqui

domingo, fevereiro 21, 2016

NOTÍCIAS

Diagnóstico: Hérnia inguinal (pequena ainda). Causa: rompimento dos tecidos pélvicos por esforço abdominal. Tratamento: cirurgia com prazo de recuperação até 3 meses.
Decisão: começo amanhã com pequenos esforços e depois logo se vê. Se conseguir levar uma vida normal com algum condicionamento físico ( natação, reforço muscular, bicicleta) é adiar a intervenção médica até não poder mais

domingo, novembro 08, 2015

AMIZADE




Não é preciso ser um "monge budista" para se chegar a esta simples conclusão: cuida dos amigos e eles cuidarão de ti! O problema é que tendo consciência disso, o "ruído" com que abafei a minha vida, preenchendo-a muitas vezes de rotinas inúteis, alimentando o trivial, endeusando o material e consumindo a energia afectiva em relações superficiais, passei muito tempo a esquecer-me da importância que a amizade tem na felicidade. Eu sei que esta, tal como todas as relações que exigem reciprocidade e espontaneidade, em suma, um genuíno sentimento empático ( eu só conheço a este nível o amor), têm as suas vulnerabilidades. Impostas sobretudo pelo tempo e distância e outras, as internas, das "teias" com que por vezes enredamos o pensamento, tornando difícil libertá-lo para o autêntico, a tal "norma primordial" para a entrega a quem gosta de nós. 
Mas este último aspecto não é fácil. Fácil é escrevê-lo e imaginar que quem o lê, pensa: " este tipo tem uma forte consciência de si e por isso dos outros". Isso não é verdade, disse-o já no primeiro parágrafo deste texto. A vida, tal como dizem os peregrinos, "é um caminho que se faz caminhando". Vou aprendendo ( acho que melhor agora) a importância de algumas pessoas e vivências. 
Já perdi amigos. Conservo poucos. A maioria vindos desse período tão importante das nossas vidas que é a adolescência. Comentava ontem com estes dois, a quem me uni nos últimos anos através deste gosto comum de andar por ai a fazer umas coisas às quais damos o nome de "desporto", que me é difícil "fazer amizades", que tenho muitos "conhecidos", mas poucos amigos e por isso tenho  sempre muitas saudades da sua companhia. Sentimento que nem sempre expresso da forma mais "autêntica". Mas quando há oportunidade para isso ( e felizmente ainda há, o que é sinal de que temos saúde emocional), os reencontros são momentos  únicos, como foi o de ontem. O local ( Cabo Espichel) e um dia radioso de sol, colori-o ainda mais!

PS - Espero que me perdoem a "inconfidência" da publicação desta fotografia.

Abraços












terça-feira, setembro 15, 2015

20 ANOS E 20 QUILOS DEPOIS

Foto: MBM Run&Foto TeAM/ Miguel Batista



Foto: Paula Fonseca/Carlos Fonseca


20 anos e ( quase) 20 quilos depois de fazer a minha primeira meia-maratona, ainda por cá ando, perdão, corro. "Foi bonita a festa pá" da Meia Maratona de São João das Lampas!


Seguem-se os 51km do Trail da Lousã, mas antes, a minha 13ª Travessia da Baía de Sesimbra a nadar.

"O tempo corresponde a regular o presente a partir do futuro deduzido do passado."
August Comte ( Sociólogo)




quinta-feira, fevereiro 25, 2010

AS DUAS ÚLTIMAS SEMANAS - O INVERNO DO NOSSO DESCONTENTAMENTO.


Durante o "Quadriatlo Terra Livre" (natação, canoagem, BTT/orientação e corrida) - Lagoa de Albufeira 2008 - Antes da partida para o segmento de natação da esquerda para a direita - Fernando Feijão,Rui, Filomena, Ricardo, Pedro, Velez, Silva, A. Neves, Rui Marques, J. Neves, Ângela e Esmeralda.

" O Inverno do nosso descontentamento" a par de " Vinhas da Ira" do John Steinbeck fazem parte dos livros da "minha vida" ( o segundo para mim mais marcante que o primeiro).
Rebusco o titulo retirando-o da história do livro para que dê sentido ao que eu e muita gente tem vindo a sentir este inverno. Desgraças à parte, para quem gosta de fazer uns treinos fora de portas, sobretudo de bicicleta, isto está mesmo um "descontentamento". Raras são as vezes em que saio de casa para dar "umas pedaladas" e não comece a chover. Na corrida suporta-se, agora a treinar BTT é mais complicado, caminhos intransitáveis, roupa ensopada, frio, perde-se depressa a "pica". Salva-me a natação e as minha sessões tri-semanais.
De facto esta meteorologia deixa-me com uma lassidão que se não contrario, evolui para uma preguiça vegetativa perigosa. Estas duas últimas semanas são o exemplo disso, alternei fases regulares de treino com outras "mais para menos" ;-). Bem, além dos condicionalismos climáticos existem outros é claro, estes talvez até mais importantes como o trabalho a família e a "lesão de estimação" que tenho de avaliar correctamente, pois disseram-me os entendidos através da palpação da zona dolorosa que isto "deve ser uma fibrose". O facto é que esta mói, dói e chateia, chiça!!! Em resumo: continuo a rolar e a treinar para os objectivos de época; para já daqui a 3 semanas em Idanha ( TP CA ADFA) depois lá mais para Maio com o Camp. Nac. de Corridas de Aventura... buga!

1ª semana:

3x natação - aprox. 4000mts
2X BTT - aprox 90km ( metade do que na semana anterior)
1X Ginásio
2x corrida - 1h30/ outra 2h30 + 30m marcha ( a penar da perna)

2ª semana

3X natação - aprox. 4.500mts
1x BTT - 50km
1X Ginásio
2X Corrida - total 2h30
1X marcha - 3h30

Locais: Monsanto, Restelo, Passeio Marítimo Álges - Carcavelos, Arrábida Serras do Louro e S. Francisco, Lisboa by night ( com direito a uma cervejola na Trindade - treinar e beber uns copos 2 em 1 ;-).
Música: David Bowie, Bob Dylan, Humanos, Cocteau Twins.
Maleitas: Nádega/ perna/ quadril e joelho direito ( controlado com glucosamina)
Peso: a comer como sempre mas a "derreter" qq coisa.

Oração para fazer parar a chuva:

"Senhô meu Jesus, amado de todo meu coração, trago-vós. A chuva que vóis mandô, pra nós já chega, agora peço, peço pra vóis uns dias de sor pra tempero da chuva (pede-se o número de dias de sol que se quer: 10 ou 15) e depois o Senhô Amado meu Jesuis vós sabe do meu coração e eu não sei do coração de vóis, pela santa fé que tenho em vós, tenho certeza que vóis me favorece, por este meu pedido que peço pra vóis. Pelas dores de vossa mãi, pelo amô da Virgi Santíssima nossa soberana, pelo amô de vóis que este meu pedido será aceito que vóis está aqui no meu coração guardado e vóis me favorece Sinhô Deus de Misericordi."

In- Jangada Brasil Almanaque.

Ehehehehehehehe ;-)

sexta-feira, janeiro 15, 2010

ORI BTT Grândola 16 e 17 Janeiro



Próximo fim-de-semana com dose dupla num regresso à Orientação onde não tenho estado com a regularidade que gostaria e devia para melhorar outros desempenhos desportivos, sobretudo nas Corridas de Aventura.
Um mês que está a  ser de regularidade nos treinos, mas com muita falta dos de bicicleta ( maldita chuva). O balanço é até agora o de alguém depois de uma paragem longa e uns quilos a mais, tudo pesa, tudo dói, mas, "estou aqui" ( faz-me lembrar a expressão habitual de uma camarada de clube nas corridas de aventura durante as etapas pedestres mais longas e com mais declive nas quais estávamos um bocado mais "desligados" uns dos outros, eu como elemento do meio e de "ligação" chamava-a com frequência pelo nome e de imediato ouvia uma voz determinada, "estou aqui"!. Sim, "estamos aqui" camarada!
Para a semana o sorteio UTMB, depois, volume, volume, volume! Ah, e uma prece zangada ao ao S. Pedro " chega de água pá" ;-)!


À VOLTA DO SANTIS ( PARTE I)

Como o planeado saí de Konstanz para passar uns dias com um amigo nos arredores do cantão suiço de Sankt Gallen. Não tinha...