sábado, maio 17, 2008

MUDAR DE VIDA





Irra, como me apetece...

Muda de Vida (!)

Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se a vida em ti a latejar

Ver-te sorrir eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi
Será te ti ou pensas que tens... que ser assim

Ver-te sorrir eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi
Será te ti ou pensas que tens... que ser assim

Olha que a vida não, não é nem deve ser
Como um castigo que tu terás que viver

Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito


Original: António Variações

Cantado pelos "Humanos"

domingo, maio 04, 2008

UMA GLÓRIA MAIS AGRESTE II PARTE



Depois da pedestre com desnível acumulado de 1000 mts, seguía-se uma etapa de BTT mais "suave" que a primeira apesar dos 31km de distância máxima ( 850mts acumulado). Tinha também um ingrediente diferente, 2cps facultativos que deveriam ser feitos com mapa pedestre, ou seja, os participantes tinham de deixar as bicicletas num parque de transição onde lhes era distribuído um novo mapa, regressando depois para retomar o BTT. Estes 2cps eram na realidade 4 balizas, ou seja, só era contabilizado 1cp se a equipa fizesse um par de postos de controlo ( A1+A2 e/ou B1+B2). Abdicámos do 2º cp, pois chegámos à conclusão que estávamos a perder tempo que podia ser precioso para os cps que ainda podíamos controlar no BTT.
Percorremos nesta etapa o planalto da Freita com chuva, frio e raros momentos de sol num percurso de sobe e desce constante que alternava entre o estradão, o trilho pedregoso de montanha e as estradas alcatroadas que atravessavam algumas aldeias onde as casas eram construídas com enormes blocos de granito e/ou finas camadas de xisto de aparência tosca. Os habitantes destas trabalhavam nos campos em redor e acenavam a nossa passagem ou cumprimentavam-nos com um tradicional "ide com deus" ( sobretudo as mulheres). Cabras, ovelhas e vacas deambulavam sem pastores por perto compondo o cenário rústico que a primavera ajudava a colorir. Esta sucessão de imagens fez crescer em mim uma estranha sensação que vivia num anacronismo, tal era a impressão de que havia recuado inesperadamente no tempo. Não fossem as bicicletas e os nossos equipamentos modernos acordar-me para o presente, quase diria que era um viajante medieval.
Até aí tudo corria bem. O nosso capitão/navegador continuava em grande forma mantendo uma sábia estratégia sem erros e a equipa mantinha a força, o espírito de união e a moral elevada. Não sabíamos ainda qual a nossa posição na tabela classificativa, mas estávamos certos de estar a fazer uma boa prova apesar da contrariedade inicial Esta impressão ( fazer uma boa prova) passou a constatação aquando da transição para a pedestre seguinte. O nosso elemento da assistência disse-nos que estavámos em 1º, mas que as equipas que estavam nas posições seguintes nos "mordiam os calcanhares", ou seja tinham poucos cps de diferença.
A etapa que se seguia prometia ser uma das mais duras pedestres que já tínhamos feito na época, tinha "apenas" 16km, mas um acumulado de 1100mts. Começamos com um frio de rachar e chuva miudinha, o que digamos não foi lá muito agradável para quem já trazia o corpo gelado ( odeio o frio desde a tropa, pois por maldade obrigaram-me a suportá-lo até quase ao insuportável) . Contudo, com o passar dos quilómetros o tempo foi melhorando, a disposição também ( as más memórias também se esfumaram) o que nos permitiu saborear um fim de tarde com planos de serra fantásticos, alguns já meus conhecidos, como o trilho dos Incas e o Covêlo de Paivô e descobrir outros, como as minas de Regoufe e a aldeia histórica de Drave. Foi portanto uma dura mas lindíssima etapa na qual atravessamos rios agitados, ribeiras e lameiros, subimos e descemos montes cobertos de flores e aromas e percorremos aldeias, pontes, minas e ruínas cheias daquela história que pertence apenas aos homens e fica quase sempre por escrever( refiro-me aos que nunca são heróis, reis, ou pertencem a qualquer outra categoria que os "entroniza"). Num dado momento, pelas equipas que nos passaram pensamos que estávamos a perder o controlo da prova, mas não estava tudo bem e nas contas finais somámos mais cps do que as equipas concorrentes reforçando assim a nossa liderança. Nada estava ganho, seguía-se a etapa de BTT mais dura do dia ( 45km - 1700mts de acumulado). Dureza esta agravada pelo facto das condições climatéricas se tem agravado, o desgaste já ser muito e o lusco fusco anunciar uma noite escura que sobre nós iria inevitávelmente cair ( continua)

terça-feira, abril 29, 2008

SERRA DA FREITA - UMA GLÓRIA MAIS "AGRESTE" I parte



Um mês após a Glória de Odemira a próxima etapa era a Serra da Freita. Percebeu-se pela consulta às informações disponibilizadas pela organização que esta iria ser uma prova muito próxima à de Chaves- Montealegre, ou seja,com muito desnível.

A equipa não se preparou para este desafio com um treino específico para a altímetria anunciada pois o tempo entre uma e outra jornada de aventura era curto. Tinhamos por isso de recuperar da anterior e estar em forma para a seguinte. Recorremos como sempre ao nosso espaço de eleição, a Serra da Arrábida. Aí fizemos uns quantos trails, BTT e orientação que julgámos ser os treinos mais do que necessários, eu diria antes, os possíveis.
Não foi sem algum nervosismo que começamos a 1ª etapa de BTT na Freita. O estatuto de vencedores na prova anterior dava-nos uma responsabilidade acrescida. Sabíamos também que tínhamos fortes concorrentes. Uma destas equipas havia-se constituído para esta prova com elementos muito experientes em orientação e corridas de aventura. Seria portanto aquela que nos parecia estar em condições de disputar o lugar cimeiro do pódio connosco. Contudo, para aqueles mais habituados a estas andanças, sabem que aquilo que estou a dizer pode ser uma grosseira afirmação. Nas corridas de aventura não há favoritos à partida, grandes equipas vão do "céu" ao "inferno" em poucas horas. O que há de fantástico nesta modalidade ( se pudermos chamar assim) é que as variáveis e as imprevisibilidades são tantas que necessariamente impõem alguma modéstia aos que são reconhecidamente mais "competentes" para este tipo de aventuras.
Dizia eu que nos primeiros instantes da 1ª etapa de BTT parecia termos entrado com o pé esquerdo na prova. No meio de muitos atletas que iniciavam os 13km de subida contínua, acabamos por nos "desligar". Até nos juntarmos outra vez levou cerca de 20m. A densa mata e a trama de trilhos tardava o reencontro e nem os gritos e assobios pareciam resultar. O desespero finalmente deu lugar ao alivio e o "bora lá recuperar" foi o "soar do clarim" para atacar a Serra, sem recriminações, culpas, ou outros "engulhos" capazes de arrasar a moral da tropa, perdão da equipa.
Up, up, up até ao Parque do Merujal, os cerca de 25km de BTT com 1400mts de desnível acumulado, muita pedra mas fabulosas vistas de montanha estavam vencidos, seguia-se uma O-pedestre de 19km circular a passar por um dos mais belos locais da Freira, a frecha da Mizarela, uma queda de água de 70 mts, um postal que ilustra a beleza agreste e única do espaço.
Trilhos de montanha lindíssimos, descida ao vale do Caima, subida dolorosa entre uma vegetação cerrada que libertava perfumes através chuva que já caía copiosamente, muitos cps´s acumulados e um final de etapa a "queimar", foram as imagens que marcaram esta etapa.

segunda-feira, abril 28, 2008

MAIS "SENTIMENTO"




Há algum tempo uma visitante habitual deste blog e de mútua estima dizia-me qualquer como o facto deste espaço não ter o "sentimento" de outros projectos anteriores como o "deletado" "ohomemdamaratona", "está demasiado profissional", dizia. Fiquem sem resposta, ou melhor, de resposta ambígua do tipo, "concordo mas discordo". Eu justifico: concordo porque o "homem da maratona" ( blog que chegou às 8000 visitas), exprimia mais directamente as muitas faces da minha vida quotidiana, apesar da sua vocação "desportiva"; discordo, porque aqui o trilhos apesar de não ter a actualização do anterior, trás coisas novas, como o trail e o desporto aventura e está sempre em mutação ( "roda" ao gosto do autor pelas experiências que vai tendo). Mas para compensar a eventual falta de "sentimento", prometo duas coisas: a primeira postar mais neste espaço a segunda "ressuscitar" o meu outro blog ( que morreu como CAUSA ADVERSA e nasceu como AS VERDADES DA MENTIRA http://asverdadesdamentira.blogspot.com/), esse sim, mais "sentimental"... assim espero!
Quanto ao "trilhos", brevemente a crónica da vitória na Freita ( TPCA 4º etapa e 2ª vitória concessutiva) e o relato dos treinos para o campeonato nacional de corridas de aventura, o objectivo principal da época desportiva. Ah... e prometo também mais "sentimento".
Obrigado pelas visitas. Apesar dos poucos comentários ( se eu fosse uma "gaiata" disponível tinha muitos eu sei... marotos ;-), o "counter" ai em baixo já vai nas 4500 "estreitadelas".
Abraços e beijinhos.

À VOLTA DO SANTIS ( PARTE I)

Como o planeado saí de Konstanz para passar uns dias com um amigo nos arredores do cantão suiço de Sankt Gallen. Não tinha...