domingo, julho 12, 2009

UTSF 2009 - Ultra Trail Serra da Freita 60km






Foto:João Alves UTSF 2009

Comprei pela segunda vez o bilhete para a melhor prova do trail nacional, o Ultra Trail Serra da Freita. Se na 1ª viagem em 2007 os 50km foram feitos em pouco mais de 10 horas com muitas desilusões pelo meio, agora em 2009 com 60km e aumento do desnível positivo a expectativa com o que se iria passar desta vez era muita. Uma coisa sabia ser certa, iria novamente mergulhar numa das mais belas e inóspitas paisagens portuguesas, um quadro fantástico que merece transformar-se em Parque Natural.
Mas se em 2007 não fui feliz, um ano depois ( 2008) foi bem diferente, com mais e melhor treino e numa modalidade diferente ( Corridas de Aventura) a minha equipa CAB/Terra Livre/Elite subimos ao lugar mais alto do pódio naquela que foi considerada a prova mais dura da Taça dessa época (2007/2008). Estava empatado, o UTSF 2009 seria a oportunidade para vencer definitivamente os "fantasmas" de 2007!
Depois do fim da época de corridas de aventura a 13 de Junho, o objectivo seria nas três semanas que faltavam para o UTSF fazer uma boa recuperação e um ou outro treino acima das 3hrs. O 1º foi atingido com algumas sessões de natação, o 2º, uma arreliadora inflamação no nervo ciático e muita solicitação profissional e familiar deixaram apenas espaço para uma sessão de treino acima das 2hrs e uma ou outra de pouco mais de 1h, o que seria insuficiente para uma prova como esta. O mais importante passou a ser então acabar a prova amealhando o slot que esta oferece dos 3 necessários para participar no UTMB 2010 ( ULtra Trail Mont Blanc), o grande projecto do próximo ano. Contudo, sabia que apesar destas contrariedades dificilmente excederia as 12h30 de tempo limite de prova, pois apesar de algumas lesões e altos e baixos durante a época de corridas de aventura, encontrava-me razoavelmente bem mesmo sem grandes treinos de corrida.
Foi com este pensamento confiante que comecei a prova às 6 da manhã entre mais de 100 participantes envoltos no já habitual manto de nevoeiro característico das zonas serranas. Digo comecei mas não foi ao mesmo tempo que o restante pelotão, enquanto eu o António e a Ângela fomos beber um café era dado o sinal de partida e zás, eis que de repente toda aquela gente tinha sido engolida por aquele manto branco enquanto nós ainda estavamos a satisfazer o habitual viciozinho matinal.
Lá bebi a respectiva droga apressadamente e amachuquei o copo de plástico que guardei na mochila e começo finalmente a correr para a desejada aventura. Durante uns bons metros não vimos vivalma, parecia que todos tinham arrancado para uma prova de 10km, o que não era bem assim. Depois da subida inicial encontramos a Esmeralda e o Velez que tinham feito um compasso de espera para que fossemos juntos de início e reconheço de forma inesperada mas feliz o "fotografo" Joaquim Margarido de quem recebo um abraço fraterno ( obrigado camarada, foi como nos conhecessemos desde sempre). Depedidas feitas e promessas de bebermos o tal tinto alentejano num convívio oportuno algures no mundo, lá fomos os 5 a respirar o ar fresco mas suave do planalto da Freita absorvidos pela forte impressão mítica do espaço, esperava-nos 60km e muito mais para sentir... (continua)

quinta-feira, julho 02, 2009

UTSF - Ultra Trail Serra da Freira



Foto: em 2007 com o João Martins no final dos 50km do UTSF

A Confraria Trotamontes liderada pelo seu confrade José Moutinho vão organizar já no próximo dia 5 de Julho a 3ª edição daquele que para mim é até este momento a melhor prova de Trail Nacional, o Ultra Trail Serra da Freita.
Nesta edição a distância passou de 50 para 60Km aumentando a já considerada extrema dureza do percurso que decorre nos habituais trilhos mineiros e de pastorícia da Serra da Freita. Uma paisagem de grande beleza, com vales profundos cavados pelos afluentes do Vouga, Paiva e Caima e aldeias remotas totalmente construidas em xisto onde os seus habitantes e respectivos modos de vida nos fazem embarcar numa viajem etnográfica ( e claro antropológica) bem como histórica que nos ajuda a perceber melhor como evoluiu a sociedade portuguesa através dos tempos.
Paisagem, convívio, cultura, competição, esta última para tentar melhorar a má prestação de 2007 ( antepenúltimo com um tempo acima das 10h) e ganhar "slots" para o UTMB de 2010. A condição física é melhor a preparação, nem por isso.

Wish me luck!

quarta-feira, junho 17, 2009

Campeonato das CA´s – A expectativa


E lá se passou o fim-de-semana para o qual eu, o Iron e a Green tanto treinamos nestas ultimas semanas, o momento em que competimos no II Campeonato Nacional de Corridas de Aventura. Em retrospectiva posso dizer que fizemos nestes últimos tempos “ das tripas coração” e entre lesões, afazeres profissionais, compromissos familiares e viroses inesperadas, conseguimos a forma física capaz de disputar nesta competição os lugares cimeiros. Foi com esta convicção que rumamos na direcção do Gerês e com a certeza que os bons resultados que fomos alcançando durante a época, apesar de termos mudado de elementos na equipa por 3 vezes, foram fruto do nosso trabalho, mérito e forte espírito de equipa que abrange todos os elementos do CAB. Em todas elas alcançamos o 2º lugar, à excepção do XPD, mas isso foi outra “conversa”.
O calendário deste ano não fora tão generoso como o do ano passado no qual todas as provas foram de boa ou razoável qualidade ( no top a Costa Vicentina e a Serra da Freita). Este ano, as duas primeiras provas foram razoáveis, mas tiveram alguns percalços organizativos e meteorológicos e só a prova de Sesimbra me encheu verdadeiramente as medidas e à qual pela primeira vez atribuo um “excelente”.Saltamos a de Alcobaça (que pelos vistos também teve algumas situações menos agradáveis) porque a equipa precisava de recuperar o “efeito XPD” e apontámos baterias à final, o Extreme Challenger! Esperavamos que a derradeira prova da época fosse uma “cereja em cima do bolo” tanto mais que a designação “extreme” e o local em que iria decorrer (baixo Gerês e Serra D`Arga) deixavam adivinhar o ingrediente mais desejado, desafio físico! Este, quando bem dimensionado pelas organizações, também significa desafio estratégico e técnico, a “salada rica” à qual habitualmente se dá o nome de Corrida de Aventura.
(continua)

Comentário nos fóruns PEA e FPO acerca do Camp. Nacional das CA´s

Companheiros de aventuras
Confesso que ando por aqui há relativamente pouco tempo. Contudo a minha experiência de praticante desportivo ao longo de alguns anos e em diferentes modalidades, dá-me algum espaço para me pronunciar acerca do que se passou no passado fim-de-semana mas também do que julgo passar-se actualmente nas corridas de aventura.
Começando pela prova do Gerês, o essencial já aqui foi dito pela maioria de vocês. Resumo numa palavra esta “espécie de corrida de aventura” – aldrabice! Não nos resultados que presumo terem sido produzidos por uma melhor interpretação da “marosca” por parte das equipas vencedoras, antes sim, na forma como todo o staff organizativo quis convencer pessoas que por aqui andam há muitos anos de que “aquilo” era uma corrida de aventura. Teria sido melhor ter posto de lado os mapas e usar meios de progressão de moto 4, jipe, burro e outras actividades que servem para entreter alguns grupos urbanos ávidos de “desporto radical” e assim provavelmente até vínhamos mais satisfeitos se bem que sem a nossa amada “corrida de aventura”.
Depois de uma brilhante demonstração de organização que foi a prova de Sesimbra ( não fui a Alcobaça, nem quero retirar mérito ao esforço das organizações que a antecederam), esperava que a derradeira e talvez a mais decisiva prova da época até pudesse melhorar relativamente a alguns aspectos menos conseguidos no campeonato do ano passado ( na qual faltou a meu ver uma estratégia que premiasse as equipas mais fortes física e tecnicamente, bem como a capacidade de antecipação das consequências de algumas etapas de risco como foi o caso da canoagem em S. Cruz). Mas não! Cedo se percebeu que alguma coisa “não estava bem”, a falta de actualização do site ( apesar de nos querer encher os olhos com a profusão de menus, estes nunca foram actualizados e ainda hoje nada tem), o reduzido numero de equipas, a escassez de “newsletters”, entre outras informações que íamos recolhendo aqui e ali e que nos deixavam cada vez mais de “pé atrás” . No entanto como apaixonados que somos lá partimos em direcção ao Gerês até para justificar junto dos nossos o sacrifício das inúmeras horas em que estão sem a nossa companhia a cuidar dos filhotes e/ou a jantar sozinhos, enquanto nós por vezes com inúmeras responsabilidades adiadas e “rotos” depois de um dia de trabalho vamos treinar até às tantas. Sabemos que esta contabilidade entre o prazer e a responsabilidade não tem fórmula que a explique, mas as paixões são mesmo assim, irracionais. Escusado será dizer o que se passou a partir de Ponte da Barca, a única coisa que digo é que nas provas que fiz com uma das pessoas mais experientes deste pelotão, nunca o vi tão desiludido e olhem que ele não quebra assim tão facilmente!
Responsabilidades? Muitas! Para mim sobretudo de quem avalizou esta prova para que integrasse o calendário nacional de Corridas de Aventura, já para não dizer, quem a tornou campeonato nacional e também de todos aqueles que ao aperceberem-se de que as coisas estavam menos bem não tiveram a coragem de interromper o processo, por amizade, conveniência e/ou talvez ( o que é grave) por laxismo.
Soluções? Devem ser debatidas em reunião com todos os interessados. Não sou apologista de “abandonar o barco” quando este parece estar a afundar, quem o abandona normalmente são os ratos, ou aqueles que depois querem aparecer como salvadores no meio dos destroços ( refiro-me aos que dizem “nunca mais cá apareço” e aos “apologistas da desgraça”- alheia). Os que gostam das Corridas de Aventura (às quais alguns velhos do Restelo teimam em não chamar de disciplina da “orientação” sendo que o que difere das restantes disciplinas são apenas os meios de progressão e por vezes a cartografia, de resto tem por base sólidos conhecimentos de orientação aprendidos ao longo dos anos em muitas provas do calendário FPO), devem constituir a tal “massa crítica” necessária á valorização de uma modalidade de enorme beleza e tão desafiadora dos limites e competências humanas como são as corridas de aventura.
Sem parecer presunçoso pela pouca experiência que tenho, avanço com o meu contributo:
Credibilização das organizações através da constituição de uma comissão avaliadora constituída por elementos da federação e outros com experiência e interesse demonstrado pela modalidade e/ou forte contributo para o desenvolvimento da mesma.
Apoios financeiros e técnicos à organização do Campeonato Nacional, sobretudo a clubes com sucessos organizativos anteriores.
Estabelecimento de protocolos com outras entidades para apoio à modalidade ( e ai podem estar as empresas).
Relativamente aos escalões, a maioria não sabe o trabalho que é constituir equipas mistas. Não proponho o seu fim, antes sim e se necessário, reformular-se o seu modelo participativo.
Quanto às inscrições, compreendo que se os mapas fossem mais acessíveis ( como? Perguntem à FPO, IGOE, etc), o preço destas podia baixar mais um pouco.
Convívios: não são umas bifanas e um caldo-verde que fazem o “rombo” no orçamento da prova.
Abraços.
José Neves
CAB - Clube Aventura do Barreiro

segunda-feira, junho 15, 2009

Nota de imprensa do CAB

Clube Aventura do Barreiro é Vice Campeão Nacional de Corridas de Aventura

E equipa de Elite do CAB subiu ao 2º lugar do pódio no Extreme Challenger, disputado este fim-de-semana na região minhota do vale do Lima, prova que apurou os campeões nacionais da época 08/09 e encerrou o ranking da Taça de Portugal de Corridas de Aventura.
Esta corrida de aventura teve início em Ponte da Barca pelas 13 horas de sábado e terminou em Viana do Castelo às 12 horas de domingo, depois de percorridos ininterruptamente cerca de 190 km em BTT, Orientação pedestre, Canoagem e Canyoning.
A equipa barreirense apenas foi superada pela forte equipa do “Exército 1” (que curiosamente se classificou em toda a época no lugar imediato ao “CAB-Elite”) e deixou o 3º lugar do pódio para a equipa da “Desnível”.
José Neves, Esmeralda Câmara, Ângela Cruz e António Neves foram os protagonistas desta façanha e referiram com agrado o formato no stop, a inclusão do canyon do rio Âncora, talhado na serra de Arga, e a descida nocturna dos rios Vez e Lima, entre Arcos de Valdevez e Ponte de Lima, onde apesar do risco assumido, se experimentou pela primeira vez saltar “às cegas” os inúmeros açudes que ainda existem nestes rios.
Com registo menos positivo esteve o traçado das etapas pedestres e em BTT, onde as equipas mais confiantes foram penalizadas ao aventurar-se num terreno extremamente desnivelado, iludidos por uma organização que não fez o “trabalho de casa”, facto reconhecido por todos os participantes. Ao entrar em primeiro nos longos 27 km de orientação pedestre que compunham a 3ª etapa, a equipa barreirense atacou confiante a montanha por entre mato cerrado e pedregoso, mas pôde comprovar tardiamente que a etapa não fora testada, pois seria impossível cumprir qualquer opção de traçado razoável. Depois de digerir o mau humor provocado pela desclassificação na etapa e consequente perda de todos os CP’s obtidos, José Neves gracejava: “... ainda gostava de saber que foi o super-homem que organização contratou para testar a etapa!”, aludindo o facto de ser impossível realizar a etapa na janela temporal proposta. António Neves por sua vez, referiu: “As poucas equipas que terminaram esta etapa correram por asfalto directamente para a meta e sem controlar nenhum CP, o que obviamente não pode ser confundido com estratégia...”
Ao culminar de mais uma época na modalidade, o Clube Aventura do Barreiro reforçou a sua posição no seio das equipas mais competitivas no panorama nacional, ao posicionar-se em 2º no ranking da Taça de Portugal, ladeado pelos “profissionais” do Clube de Praças da Armada e do Exército Português, respectivamente o 1º e 3º classificado.

Fonte: http://clubeaventuradobarreiro.blogspot.com/



segunda-feira, junho 08, 2009

II CAMPEONATO NACIONAL DE CORRIDAS DE AVENTURA


Score 100 Urbano
BTT em Linha

Trekking + Natação + Mergulho

Trekking
Canoagem
BTT
Trekking
Canyoning
BTT
10ª Urbano

É já nos dias 13 e 14 de Junho que se realiza o II Campeonato Nacional de Corridas de Aventura. Também será decidido nesta prova os vencedores da Taça de Portugal 2008/2009.

As inscrições estão abertas até ao próximo dia 08 de Junho, por isso faz já a tua inscrição em www.extremechallenger.com

A prova terá 10 Etapas, várias modalidades (BTT, Canoagem, Trekking, Canyoning, Multi-Actividades, etc.) e passará por 4 Concelhos (Ponte da Barca, Arcos de Valdevez, Ponte de Lima e Viana do Castelo), num total aproximado de 180km, 6500m de desnível acumulado e 23 horas non-stop (Valores máximos para a categoria de Elites, na Aventura será aproximadamente 80% destes valores).

As categorias decidem os Campeões Nacionais são as Elites Masculinas e Mistas, mas os menos experientes podem optar por participar em Aventura (80% do percurso das Elites) ou em Promoção (Apenas em algumas etapas, seleccionadas pelas equipas).

Inscreve-te e vêm participar nesta grande aventura no coração do Vale do Lima e na fronteira do Gerês e da Galiza.

domingo, junho 07, 2009

DREAM TEAM






Foto: Hugo Velez mais conhecido no meio nacional como "O Espanhol" e no internacional como "The Spanish" ( pois, pois... ;-)

Pois é, longas ausências aqui no blog nem sempre significam grandes treinos. Aliás muitas das vezes significam o contrário, que tudo bem arrumadinho no quotidiano sobra pouco tempo para aquilo que mais gosto, treinar e escrever ( também gosto de dormir umas sestas na praia, mas isso tornou-se nestes últimos anos um momento raro). Ainda assim não me posso queixar, a uma semana do Campeonato Nacional de Corridas de Aventura o grande objectivo desta época, encontro-me em razoável forma.
Rebobinando... após a CA de Sesimbra em Março senti-me cansado, as provas da época sobretudo o XPD trés meses antes ainda "pesavam" (também o rabioque, mas isso é outra conversa) e além disso tinha algumas "maleitas" que ameaçavam tornar-se "crónicas". Decidi então parar umas semanas e ir a um médico que senteciasse aquilo que já julgava ser os efeitos precoces do PDI. Entre análises, prova de esforço e tratamentos de fisioterapia a duas tendinites ( ombro e braço) lá recomeçei a custo a treinar, ao princípio ainda com sintomas de cansaço, depois cada vez com mais energia e motivação e finalmente a "morder-me todo". Procurei fazer aquilo que rende mais para este tipo de provas, o treino de conjunto, sobretudo os de BTT ( os mais longos) nos quais se conseguiram ritmos próximos da competição e muita e boa conversa. O restante dividi entre excelentes e recuperadoras sessões de natação, passeatas de 5hrs em Sintra e na Arrábida, corridas em Monsanto e uma ou outra prova para afinar os platinados. Ficaram por fazer as sempre difíceis sessões de reforço muscular e os "saborosos" treinos de canoagem. Foi o possível não o desejável, não se pode ter tudo, se assim fosse era o Cristiano Ronaldo das corridas de aventura... "penso que"... "acho que"... ehehehe.
O DREAM TEAM nesta foto foi o mesmo que na época passada ganhou 2 provas em 5 ficando em 2º lugar do ranking nacional na categoria de Elite Mista, à esquerda o capitão Iron, ao meio a powergirl Green e à direita vocês já sabem quem é o cromo, não da bola, mas destas andanças.
Which us luck!

À VOLTA DO SANTIS ( PARTE I)

Como o planeado saí de Konstanz para passar uns dias com um amigo nos arredores do cantão suiço de Sankt Gallen. Não tinha...