sábado, agosto 01, 2009

SEGUE-SE O MIUT - 105km


MIUT ( clicar para ver o site da prova) - Madeira Island Ultratrail

Com o objectivo UTMB 2010 ( Ultratrail du Mont Blanc) o pessoal vai em Setembro até à Ilha da Madeira tentar conquistar os 3 pontos que faltam para conseguir uma pré-inscrição no afamado trail dos Alpes. Pelo gráfico de altimetria não vai ser pêra doce trazer para casa os referidos slots, mas também porque os treinos tem sido os possíveis numa altura em que temos de dar muita "assistência à familia" ( eu penso que todos sabem porquê).

Como preparação competitiva, segue-se o Trail Nocturno Lagoa de Óbidos 38km no próximo sábado.

Na sequência da assistência, lá vou eu a caminho da praia da Torre ( sem direito a contestar a decisão da maioria), treinos só mesmo fora de horas, bye, bye.




quinta-feira, julho 30, 2009

41º 66 José Neves Lebres do Sado M-40 09:11:47








Fotos: Joaquim Margarido - AMMA Magazine

Mais de nove horas em prova no UTSF não são o meu recorde de permanência em competição, nem o mais longo que tive numa actividade pedestre. No entanto o UTSF foi uma das mais duras e igualmente uma das mais bonitas em que já estive.
Acerca do tempo de permanência em provas, faço aqui o "histórico": comecei em 96 com uma 1/2 maratona em 2hrs ( já não fazia uma prova de corrida desde os meus 13 anos), depois e no mesmo ano fiz um triatlo "Olímpico" em 3h30 ( 1550mts x 40km x 10km). No ano seguinte um triatlo longo em Odemira fez-me "gastar" mais de 7hrs ( 3100mts x 120km x 25km). Atingi o máximo já neste século em 2001 em Ibiza no Iromman "Hombre de Hierro" com 13hrs25m ( 3800mts x 180km x 42,125mts). Mas a descoberta das corridas de aventura em 2006 e depois o retorno em 2008 com raids de 2 dias e mais de 26hrs ( a maioria interrompidos durante a noite para descanso dividindo este tempo em 2 dias, ou mais recentemente em versões non stop por mais de 22hrs ) continuam a "pulverizar" tempos. O mais recente recorde foi no Estoril XPD Race 2008 no qual estive mais de 42hrs (!) consecutivas em competição, isto é, sem descansar ( apenas travado por uma indisposição, se continuasse chegaria até próximo das 60hrs, mas isso é uma história que ainda está por contar). Aonde e como será o próximo?

Mas vamos lá finalizar esta série com o último episódio.

Depois do Covelo do Paivô, atacamos o difícil trilho de pedra a meia encosta que vai até Regoufe. Já o tínhamos feito em 2008 na prova das CA´s de boa memória ( 1º lugar elite mista). É um trilho técnico e duro que vai subindo, para depois descer até se avistarem as primeiras casas da Aldeia. A partir desta entra-se no trilho que nos leva a Drave e as perspectivas da Serra abrem-se a cada passada. Percebe-se que estamos num cenário único e vasto que contrasta com a pequenez que habitualmente nós os portugueses por defeito cultural, tratamos tudo o que é nosso. A Aldeia de Drave descobre-se numa súbita viragem do trilho para a esquerda. Parece que o tempo parou ali e se não fosse ser despertado pelas cores garridas da roupa e aplausos dos escuteiros que tomaram recentemente o espaço para refúgio permanente e exercitarem os ensinamentos do Baden Powell, diria que era naquele instante um viajante do tempo a entrar numa aldeia do séc. XII.
A partir daqui começa o chamado "empeno", sobe-se a garra que vai até próximo do alto de Drave e voltamos a descê-la até à Aldeia da Coelheira. Esta mais uma aldeia abandonada que parece "hibernada" na história ( a espera que alguém lhe devolva a vida, sem esquecer a vida de outrora). Daqui segue-se num trilho fantástico junto a uma ribeira para depois começar a maior subida continua de toda a prova. Nesta, fomos passando por malta que nitidamente havia estoirado e amaldiçoava a prova e respectivo organizador com palavras feias, algumas impreceptíveis ditas entre a tomada de fôlego o cansaço e a surpresa da encosta que tinham pela frente. Ria-me dos impropérios e incentivava os mais desanimados quando ainda falavam mais de 25km, mas falar da distância em falta, era tabu naquele momento.
O bastão que levei e que arrumo rapidamente quando não preciso dele, ajudou-me bastante a poupar o desgaste que já ia sentindo nos joelhos e músculos após estas duas subidas. No entanto sentia-me animado, o facto de estar a fazer a prova com o meu irmão e de estarmos quase sempre a conversar, impedia-me de "tropeçar" em maus pensamentos. Desta forma a impressão foi a de que chegamos depressa ao abastecimento dos 40km, onde pouco estivemos apesar da abundância de petiscos que nos convidavam a ficar mais um pouco. Ali apenas descalcei as meias para tirar as pequenas pedras que ainda trazia da travessia do rio, comi umas bolachas e "enchi-me" da mistura de coca-cola com água que nos abastecimentos anteriores já tinha provadoe que me estava a saber muito bem sem provocar a habitual azia da bebida causada pelo excesso de gás.
Uns quilómetros mais à frente começa uma descida pedregosa que se tornou mais dolorosa que as subidas anteriores, era a Freita a deixar a sua marca! Depois do abastecimento dos 50, juntamo-nos a um grupo com o qual fizemos todo o planalto serrano até quase à meta. Isto sem antes dar mais uma queda sem consequências de maior, apenas um joelho ensaguentado , sou um tipo com sorte. Reparo que no meio de tanto calhau já não levanto muito as pernas para transpor os obstáculos mais altos, as pernas já pesam cada 1 tonelada cada! Um curva, outra, a Frecha da Mizarela aos nossos pés e a certeza que estamos próximos da meta. Ei-la com o som ambiente de muitas palmas que me souberam tão bem como a sopa quente que depois me foi servida pela organização. Um abraço ao meu irmão e agradecimentos aos meus recentes companheiros de prova deixaram transparecer a enorme alegria que sentia, não por ter acabado, mas por ter estado durante mais de 9hrs num ambiente "naturalmente" fantástico.
Até para o ano!

À Esmeralda, Ângela, António e Velez, obrigado, são excelentes companheiros para estas andanças ( nada que eu já não soubesse).
Ao Joaquim Margarido, aquele abraço.
Ao Zé Moutinho - a coisa desta vez estava bem esgalhada!

PS - Desculpem se há imprecisões, mas isto de escrever decorridas mais de 15 hrs de trabalho não é pêra doce, serão corrigidas em breve, agora não há tempo.

quinta-feira, julho 16, 2009

UTSF - Mergulho na serra



Perguntava há dias a uma amiga quando para mim ainda era difícil descer 5 degraus seguidos: "então, já recuperaste?" ela " nem queiras saber, agora compreendo o que passam as pessoas com limitações físicas, ir para o trabalho de transportes públicos é um tortura e depois quando lá chego, idas à casa de banho ou para almoçar são a 2ª parte da tortura". Fartei-me de rir, imaginei-a agarrada às paredes nas galerias do metro, a subir penosamente os três degraus do autocarro, ou a descer de "mansinho" as escadas de acesso ao refeitório do seu local de trabalho. Eu estava com melhor sorte, tinha ido de carro para o trabalho e quando lá cheguei sentei-me e até levei o almoço, sorte a minha, não passava pela mesma compremetedora pantomina que a minha amiga. O que originava isto explicava-se com o facto de ela e eu termos feito 60km de marcha/corrida uns dias antes. Se esta distância já é "muita fruta", imaginem se adicionarmos um desnível positivo acima dos 4000 mts então a "fruta" torna-se um pouco ácida. Se a isto juntarmos ainda a travessia de um leito de rio pedregoso com 3km de extensão, trilhos de pastores forrados a xisto e granito onde a cabras são atletas de alta competição, ribeiros de águas cristalinas e frias, aldeias com o pavimento abundantemente "estrumado" pelas rotinas do pastoreio e outros "complementos circunstanciais de lugar" que se deduzem do ambiente serrano e ajudam a construir a prosa do espaço, então, a fruta além de ácida, fica também um pouco azeda e esta chama-se “Ultra Trail Serra da Freita”. Para que a fruta volte a ser agradável ao paladar, tem os intervenientes de "adocicá-la". Como? Com muito prazer pela prática desportiva, convívio, amor pela natureza e liberdade que esta oferece e ainda nutrir um espírito sagaz e aventureiro capaz de explorar o incerto. Só assim as longas e difíceis provas de corrida e aventura serão uma rica salada de frutas, esta foi-o! Percebe-se depois desta descrição porque é que ambos tinhamos um "andar novo".

(já me estou a perder em “rococós”)

Perto dos 7km passo a Célia numa ultrapassagem irregular e dou a 1ª queda. Nada de anormal, nas corridas de aventura são raras as etapas em que não vou “ao tapete” uma ou duas vezes. Acho até que estou a ficar um perito no "tralho". Nesta, depois de escorregar na rocha, apoie-me com uma mão que ajudou a impulsionar-me para a frente e “voilá”, estava em pé de novo! Continuamos a correr num pequeno grupo de forma lenta e descontraída. A paisagem é soberba, paro algumas vezes para a admirar e lamento não termos feito um Canyon no dia anterior como tínhamos combinado há uns meses atrás. Passamos a Aldeia de Frades e encontro a senhora que me serviu um “café de saco” na edição de 2007. Desta fez não o tem feito, vai fazê-lo, se quisermos esperar… Agradecemos e continuamos, o café feito na cafeteira demoraria perto de 20m, não é que não fosse agradável estar a li a conversar com alguém que vive num lugar tão especial como este, mas estamos em prova.
Competição é competição e tomo definitivamente consciência que estou numa quando dizem a minha posição antes de entrar no trilho do rio “101º”. Sei que estão em competição aproximadamente 120 atletas e penso, “tenho de fazer a minha prova”. Chegado ao rio, começo a que eu chamo de “progressão agressiva”. As corridas de aventura dão-nos a capacidade de progredirmos em diferentes terrenos, este era muito difícil. Tínhamos de frequentemente saltar para a água, ultrapassar enormes pedras e zonas muito escorregadias. Presenciei alguns acidentes, felizmente menos graves e vi e senti a entreajuda ( ajudei e fui ajudado a transpor obstáculos) entre os atletas nestas circunstâncias. Acima da competição o factor humano, aspecto que nunca devemos esquecer na vida. O que presenciei ali renova a minha convicção na condição do homem traduzida num dos seus mais nobres valores, a solidariedade.
O meu irmão segui-me nesta decisão de acelerar a corrida, os restantes companheiros foram ficando para trás. Ultrapassamos com a nossa progressão experiente ( talvez até mais a dele que tais vivências de montanha que eu), dezenas de atletas neste trilho e chegámos ao 1º abastecimento no Covelo de Paivô.
(continua)

domingo, julho 12, 2009

UTSF 2009 - Ultra Trail Serra da Freita 60km






Foto:João Alves UTSF 2009

Comprei pela segunda vez o bilhete para a melhor prova do trail nacional, o Ultra Trail Serra da Freita. Se na 1ª viagem em 2007 os 50km foram feitos em pouco mais de 10 horas com muitas desilusões pelo meio, agora em 2009 com 60km e aumento do desnível positivo a expectativa com o que se iria passar desta vez era muita. Uma coisa sabia ser certa, iria novamente mergulhar numa das mais belas e inóspitas paisagens portuguesas, um quadro fantástico que merece transformar-se em Parque Natural.
Mas se em 2007 não fui feliz, um ano depois ( 2008) foi bem diferente, com mais e melhor treino e numa modalidade diferente ( Corridas de Aventura) a minha equipa CAB/Terra Livre/Elite subimos ao lugar mais alto do pódio naquela que foi considerada a prova mais dura da Taça dessa época (2007/2008). Estava empatado, o UTSF 2009 seria a oportunidade para vencer definitivamente os "fantasmas" de 2007!
Depois do fim da época de corridas de aventura a 13 de Junho, o objectivo seria nas três semanas que faltavam para o UTSF fazer uma boa recuperação e um ou outro treino acima das 3hrs. O 1º foi atingido com algumas sessões de natação, o 2º, uma arreliadora inflamação no nervo ciático e muita solicitação profissional e familiar deixaram apenas espaço para uma sessão de treino acima das 2hrs e uma ou outra de pouco mais de 1h, o que seria insuficiente para uma prova como esta. O mais importante passou a ser então acabar a prova amealhando o slot que esta oferece dos 3 necessários para participar no UTMB 2010 ( ULtra Trail Mont Blanc), o grande projecto do próximo ano. Contudo, sabia que apesar destas contrariedades dificilmente excederia as 12h30 de tempo limite de prova, pois apesar de algumas lesões e altos e baixos durante a época de corridas de aventura, encontrava-me razoavelmente bem mesmo sem grandes treinos de corrida.
Foi com este pensamento confiante que comecei a prova às 6 da manhã entre mais de 100 participantes envoltos no já habitual manto de nevoeiro característico das zonas serranas. Digo comecei mas não foi ao mesmo tempo que o restante pelotão, enquanto eu o António e a Ângela fomos beber um café era dado o sinal de partida e zás, eis que de repente toda aquela gente tinha sido engolida por aquele manto branco enquanto nós ainda estavamos a satisfazer o habitual viciozinho matinal.
Lá bebi a respectiva droga apressadamente e amachuquei o copo de plástico que guardei na mochila e começo finalmente a correr para a desejada aventura. Durante uns bons metros não vimos vivalma, parecia que todos tinham arrancado para uma prova de 10km, o que não era bem assim. Depois da subida inicial encontramos a Esmeralda e o Velez que tinham feito um compasso de espera para que fossemos juntos de início e reconheço de forma inesperada mas feliz o "fotografo" Joaquim Margarido de quem recebo um abraço fraterno ( obrigado camarada, foi como nos conhecessemos desde sempre). Depedidas feitas e promessas de bebermos o tal tinto alentejano num convívio oportuno algures no mundo, lá fomos os 5 a respirar o ar fresco mas suave do planalto da Freita absorvidos pela forte impressão mítica do espaço, esperava-nos 60km e muito mais para sentir... (continua)

quinta-feira, julho 02, 2009

UTSF - Ultra Trail Serra da Freira



Foto: em 2007 com o João Martins no final dos 50km do UTSF

A Confraria Trotamontes liderada pelo seu confrade José Moutinho vão organizar já no próximo dia 5 de Julho a 3ª edição daquele que para mim é até este momento a melhor prova de Trail Nacional, o Ultra Trail Serra da Freita.
Nesta edição a distância passou de 50 para 60Km aumentando a já considerada extrema dureza do percurso que decorre nos habituais trilhos mineiros e de pastorícia da Serra da Freita. Uma paisagem de grande beleza, com vales profundos cavados pelos afluentes do Vouga, Paiva e Caima e aldeias remotas totalmente construidas em xisto onde os seus habitantes e respectivos modos de vida nos fazem embarcar numa viajem etnográfica ( e claro antropológica) bem como histórica que nos ajuda a perceber melhor como evoluiu a sociedade portuguesa através dos tempos.
Paisagem, convívio, cultura, competição, esta última para tentar melhorar a má prestação de 2007 ( antepenúltimo com um tempo acima das 10h) e ganhar "slots" para o UTMB de 2010. A condição física é melhor a preparação, nem por isso.

Wish me luck!

quarta-feira, junho 17, 2009

Campeonato das CA´s – A expectativa


E lá se passou o fim-de-semana para o qual eu, o Iron e a Green tanto treinamos nestas ultimas semanas, o momento em que competimos no II Campeonato Nacional de Corridas de Aventura. Em retrospectiva posso dizer que fizemos nestes últimos tempos “ das tripas coração” e entre lesões, afazeres profissionais, compromissos familiares e viroses inesperadas, conseguimos a forma física capaz de disputar nesta competição os lugares cimeiros. Foi com esta convicção que rumamos na direcção do Gerês e com a certeza que os bons resultados que fomos alcançando durante a época, apesar de termos mudado de elementos na equipa por 3 vezes, foram fruto do nosso trabalho, mérito e forte espírito de equipa que abrange todos os elementos do CAB. Em todas elas alcançamos o 2º lugar, à excepção do XPD, mas isso foi outra “conversa”.
O calendário deste ano não fora tão generoso como o do ano passado no qual todas as provas foram de boa ou razoável qualidade ( no top a Costa Vicentina e a Serra da Freita). Este ano, as duas primeiras provas foram razoáveis, mas tiveram alguns percalços organizativos e meteorológicos e só a prova de Sesimbra me encheu verdadeiramente as medidas e à qual pela primeira vez atribuo um “excelente”.Saltamos a de Alcobaça (que pelos vistos também teve algumas situações menos agradáveis) porque a equipa precisava de recuperar o “efeito XPD” e apontámos baterias à final, o Extreme Challenger! Esperavamos que a derradeira prova da época fosse uma “cereja em cima do bolo” tanto mais que a designação “extreme” e o local em que iria decorrer (baixo Gerês e Serra D`Arga) deixavam adivinhar o ingrediente mais desejado, desafio físico! Este, quando bem dimensionado pelas organizações, também significa desafio estratégico e técnico, a “salada rica” à qual habitualmente se dá o nome de Corrida de Aventura.
(continua)

Comentário nos fóruns PEA e FPO acerca do Camp. Nacional das CA´s

Companheiros de aventuras
Confesso que ando por aqui há relativamente pouco tempo. Contudo a minha experiência de praticante desportivo ao longo de alguns anos e em diferentes modalidades, dá-me algum espaço para me pronunciar acerca do que se passou no passado fim-de-semana mas também do que julgo passar-se actualmente nas corridas de aventura.
Começando pela prova do Gerês, o essencial já aqui foi dito pela maioria de vocês. Resumo numa palavra esta “espécie de corrida de aventura” – aldrabice! Não nos resultados que presumo terem sido produzidos por uma melhor interpretação da “marosca” por parte das equipas vencedoras, antes sim, na forma como todo o staff organizativo quis convencer pessoas que por aqui andam há muitos anos de que “aquilo” era uma corrida de aventura. Teria sido melhor ter posto de lado os mapas e usar meios de progressão de moto 4, jipe, burro e outras actividades que servem para entreter alguns grupos urbanos ávidos de “desporto radical” e assim provavelmente até vínhamos mais satisfeitos se bem que sem a nossa amada “corrida de aventura”.
Depois de uma brilhante demonstração de organização que foi a prova de Sesimbra ( não fui a Alcobaça, nem quero retirar mérito ao esforço das organizações que a antecederam), esperava que a derradeira e talvez a mais decisiva prova da época até pudesse melhorar relativamente a alguns aspectos menos conseguidos no campeonato do ano passado ( na qual faltou a meu ver uma estratégia que premiasse as equipas mais fortes física e tecnicamente, bem como a capacidade de antecipação das consequências de algumas etapas de risco como foi o caso da canoagem em S. Cruz). Mas não! Cedo se percebeu que alguma coisa “não estava bem”, a falta de actualização do site ( apesar de nos querer encher os olhos com a profusão de menus, estes nunca foram actualizados e ainda hoje nada tem), o reduzido numero de equipas, a escassez de “newsletters”, entre outras informações que íamos recolhendo aqui e ali e que nos deixavam cada vez mais de “pé atrás” . No entanto como apaixonados que somos lá partimos em direcção ao Gerês até para justificar junto dos nossos o sacrifício das inúmeras horas em que estão sem a nossa companhia a cuidar dos filhotes e/ou a jantar sozinhos, enquanto nós por vezes com inúmeras responsabilidades adiadas e “rotos” depois de um dia de trabalho vamos treinar até às tantas. Sabemos que esta contabilidade entre o prazer e a responsabilidade não tem fórmula que a explique, mas as paixões são mesmo assim, irracionais. Escusado será dizer o que se passou a partir de Ponte da Barca, a única coisa que digo é que nas provas que fiz com uma das pessoas mais experientes deste pelotão, nunca o vi tão desiludido e olhem que ele não quebra assim tão facilmente!
Responsabilidades? Muitas! Para mim sobretudo de quem avalizou esta prova para que integrasse o calendário nacional de Corridas de Aventura, já para não dizer, quem a tornou campeonato nacional e também de todos aqueles que ao aperceberem-se de que as coisas estavam menos bem não tiveram a coragem de interromper o processo, por amizade, conveniência e/ou talvez ( o que é grave) por laxismo.
Soluções? Devem ser debatidas em reunião com todos os interessados. Não sou apologista de “abandonar o barco” quando este parece estar a afundar, quem o abandona normalmente são os ratos, ou aqueles que depois querem aparecer como salvadores no meio dos destroços ( refiro-me aos que dizem “nunca mais cá apareço” e aos “apologistas da desgraça”- alheia). Os que gostam das Corridas de Aventura (às quais alguns velhos do Restelo teimam em não chamar de disciplina da “orientação” sendo que o que difere das restantes disciplinas são apenas os meios de progressão e por vezes a cartografia, de resto tem por base sólidos conhecimentos de orientação aprendidos ao longo dos anos em muitas provas do calendário FPO), devem constituir a tal “massa crítica” necessária á valorização de uma modalidade de enorme beleza e tão desafiadora dos limites e competências humanas como são as corridas de aventura.
Sem parecer presunçoso pela pouca experiência que tenho, avanço com o meu contributo:
Credibilização das organizações através da constituição de uma comissão avaliadora constituída por elementos da federação e outros com experiência e interesse demonstrado pela modalidade e/ou forte contributo para o desenvolvimento da mesma.
Apoios financeiros e técnicos à organização do Campeonato Nacional, sobretudo a clubes com sucessos organizativos anteriores.
Estabelecimento de protocolos com outras entidades para apoio à modalidade ( e ai podem estar as empresas).
Relativamente aos escalões, a maioria não sabe o trabalho que é constituir equipas mistas. Não proponho o seu fim, antes sim e se necessário, reformular-se o seu modelo participativo.
Quanto às inscrições, compreendo que se os mapas fossem mais acessíveis ( como? Perguntem à FPO, IGOE, etc), o preço destas podia baixar mais um pouco.
Convívios: não são umas bifanas e um caldo-verde que fazem o “rombo” no orçamento da prova.
Abraços.
José Neves
CAB - Clube Aventura do Barreiro

À VOLTA DO SANTIS ( PARTE I)

Como o planeado saí de Konstanz para passar uns dias com um amigo nos arredores do cantão suiço de Sankt Gallen. Não tinha...