sexta-feira, dezembro 04, 2009

Não se morre do mal morre-se da cura



Isto de não andar de BTT como deve ser há uns meses tem um efeito que todos devem saber, sobretudo os que conhecem a difícil adaptação ao selim do início de cada época.
Saído de uma lesão e de um longo período de preguiça desportiva ( com outras prioridades a imporem-se) eis-me de regresso aos treinos e às competições. Como não faço as coisas pelo meio, defeitos de ser um pouco "excessivo", inscrevi-me na Maratona de BTT de Canha e logo na prova maior, os 100km! Certo, certo, vai ser o desconforto da referida adaptação ao componente da bicicleta onde sentamos o rabioque e uma dor de pernas garantida para recuperar na semana que vem. Como diz o ditado popular "não se morre do mal,morre-se da cura", ao que o meu irmão contrapõe com o antídoto, " eh pá, treina que isso passa"!

Até breve.

quarta-feira, dezembro 02, 2009

MIUT 2009 da Encumeada até ao Machico


Não apareço aqui há mais de um mês e o MIUT 2009 já se realizou vai para 3 meses. De maneira que, se não acabo o relato dos 105km pela pérola do atlântico agora, corro o risco de me esquecer de pormenores que podem ser interessantes contar, além de importantes dicas para quem quiser dar-lhe uso. Contudo agora vou ser mais breve, ou seja, menos "literário".

Depois do bonito troço da Bica da Cana cheguei à Ecumeada -CP5 na companhia do António, Esmeralda e Ângela. Vinha deveras impressionado com toda a paisagem natural que até agora desfilara pelos meus olhos e com a consciência que ainda me faltava mais de metade do percurso para chegar ao fim. Talvez a metade mais dura de roer, pois se no último troço tinhamos descido dos 1500mts para os 1000mts, agora em pouco mais de 10km iríamos subir destes até aos 1780 do Pico Ruivo e com o maior desnível de toda a prova 1176mts(!). À chegada à Ecumeada houve quem dissesse " a prova começa aqui", pude comprová-lo!
Seria para ai 18hrs quando nos fizemos ao caminho "atacando" o Pico Ruivo depois uma boa canja com canela(?) oferecida pela organização. Nos primeiros metros tomei a consciência que este seria, não o derradeiro, mas o grande teste à resistência em toda a prova, pois os degraus que íamos subindo não paravam de surgir, além de que nenhum era igual ao anterior o que aumentava a dificuldade. Segui neste troço na companhia do Rui e de outro camarada que agora não recordo o nome e assim pudemos ir trocando "impressões de viagem". Todos concordávamos que estávamos numa espécie de paisagem "himaliana", faltando só a neve. Se olhávamos para cima viamos os imponentes picos que ainda tinhamos de conquistar, se olhávamos para baixo víamos de um lado os pontinhos luminosos da povoação de "Curral das Freiras" que já se ia iluminando e do outro um pôr-do-sol por cima de um manto de nuvens que cobria toda a face norte da ilha, simplesmente belo!
Foi já com a noite a cerrar e com frontais acessos que chegámos ao Pico Ruivo. Encontro ai a Analice ( uma senhora ultramaratonista de 63 anos de idade) desesperada porque o seu frontal havia avariado, empresto-lhe um que trazia como "suplementar" e pude ver a sua enorme alegria pelo meu gesto, queria fazer os restantes 50km, desse por onde desse, que grande senhora!Depressa a Analice "fugiu" para o Pico do Arreiro e nós também que o frio e o vento aquela altitude já nos gelava o corpo, o que não é nada desejável por esta altura da competição.
Os 8km que se seguiam até aos 1800mts o ponto mais alto da ilha foram para mim o primeiro grande momento de dificuldade ( os piores viriam a seguir). Atraso-me relativamente aos meus companheiros para poder recuperar, sinto dores nas pernas e alguma sonolência. A paisagem é soberba, estou entre penhascos num sobe e desce estonteante, a lua avista-se a espaços dando uma tremenda força natural a toda a paisagem, um momento inesquecível! Ao transpor os últimos metros até ao local onde estava o CP5 - Pico do Ruivo- reparo numa placa evocativa da morte de alguém aquela altitude, não pude deixar de pensar que apesar das boas condições destes trilhos, o vento forte que sobra frequentemente, o nevoeiro e o frio imprevistos, a irregularidade do piso, as faces escarpadas que em caso de quedas serão no "abismo" e a falta de experiência de muitos que se traduz pela falta do equipamento básico para aquelas condições, podem ter ocasionado este e os muitos acidentes que sabemos acontecerem na montanha. A prova disso é que nas notícias de há pouco só neste mês nos bonitos trilhos que esta prova percorreu já morreram três pessoas.

Até breve

sexta-feira, outubro 16, 2009

REGRESSO COM O TEJO EM FUNDO



FOTO: No final do MIUT no Machico e após mais de 25hrs de prova.

Eu sei que não há maneira de acabar o relato do MIUT, mas ando um bocadito preguiçoso....e pouco inspirado.

Finamente voltei a treinar corrida e BTT com a regularidade de um adrelinodependente ( sim pertenço à categoria dos tóxicoindependentes, porque este "material" não se compra a nenhum traficante) e portanto esta semana além dos treinos diários de natação anárquica, corri duas vezes e hoje pedalei pela primeira vez depois da aparatosa queda em Agosto. O que posso dizer? Que a maleita ou ainda cá está, ou então está o fantasma dela, porque ainda dói, sobretudo após os treinos ( e isto do pensar que dói quando não dói também acontece, buuuuu).
Certo, certo, é que ando "em baixo" com isto, não há maneira de voltar a ter aquela força, bem-estar e motivação de outrora.Depois, porque com isto perdi a primeira prova da época de corridas de aventura, ainda por cima quando esta até parece que está bem organizada com multiactividades quanto baste e etapas pedestres e de BTT durinhas em mais de 20hrs de prova ( voz embargada e aperto na peitaça enquando escrevo isto). Enfim, não há mal que sempre dure... e bem que não comece ( alterado ao provérbio original;-).
Uso a máxima do meu irmão, "Epá, treina que isso passa"! É o que parece...

Mais duas coisas, a primeira um forte abraço para os meus companheiros do CAB que vão estar em prova este fim-de-semana em Lamego, a segunda, pedalar na nova ciclovia à beira do Tejo entre Belém e Xabregas numa manhã soalheira de Outono é um prazer que gostava que experimentassem, não pelo treino em si ( o meu teve de ser esticado até ao Estádio Nacional e Monsanto para que rendesse), mas pela enorme beleza deste estuário iluminado com uma luz tão única como a que se nos oferece em Lisboa uma boa parte do ano.

Segue-se um interregno forçado e uma ida para sul onde espero encontrar uns trilhos porreiros para treinar.

Até breve.

quarta-feira, outubro 07, 2009

BACK TO BASICS



Depois de mais de um mês parado e alguns meses com limitações, hoje recebi ordem do médico para voltar a treinar.

Um regresso ao essencial!

terça-feira, outubro 06, 2009

Travessia da Baía de Sesimbra 2009



Interrompo o relato do MIUT para escrever umas linhas acerca da já mítica "Travessia da Baía de Sesimbra".

Mítica porque fez no dia 4 de Outubro 54 anos ( 1946) que se realizou a sua primeira edição com a participação de 22 atletas, 20 homens e 2(!)mulheres. Remonta portanto a uma época na qual as piscinas rareavam e as águas abertas seriam os espaços de treino de eleição, época de gente que aprendeu a nadar no Tejo ou nas praias por este país fora, época em que ver duas senhoras a nadar a este nível e esta distância ( 1500mts) era de facto uma "ousadia" deste género numa sociedade fortemente "masculinizada". Mítica ainda porque fica numa praia (para mim outrora), de rara beleza e forte cultura ligada ao mar e da qual guardo memórias felizes desde que me conheço.

Já fiz esta travessia algumas vezes não sabendo precisar quantas, mas é raro o ano em que não proponho à malta do CAB uma ida a Sesimbra. Quando fiz o convite, ainda estavam gravadas na minha memória as imagens do ano passado em que rimos do Velez porque não conseguia parar de tremer após a saída da água ( uma maldade claro está). Desta vez compareceu apenas a Esmeralda com a sua habitual determinação no dia do seu aniversário, formando assim equipa para enfrentarmos as habituais águas frias de Sesimbra entre mais 245 nadadores, dos quais 30% ( longe dos 5% de há 54 anos) eram senhoras de todas as idades.
Apesar de estar a nadar com alguma regularidade,tive dificuldades em me adaptar ao meio e ao esforço nos primeiros 500mts. Ia muito ofegante e implicava frequentemente com os óculos ora porque os achava embaciados, ora porque tinham gotas de água o que me obrigou a parar algumas vezes. As causas desta dificuldade em regular a respiração ( e talvez irritação), atribuo-a há falta de exercício nestes últimos tempos ( por lesão) e a uma consequente redução da capacidade cardiorespiratória. Juntando a isto, o facto de estar no pico das minhas crises de rinite frequentes nesta época do ano e que me fazem estar permanentemente a "soprar". Depois deste momento mais "trapalhão"lá consegui meter um ritmo regular de crawl esquecendo a minha técnica de costas especial pela falta da pinça para o nariz . Apesar de achar que este ano a corrente até à fortaleza era mais forte ( penso que o tempo dos primeiros explica um pouco isso) o tempo final até nem foi mau com 36m55s (a 16m do 1º classificado). Outro aspecto positivo, foi estar sempre acompanhado o que se torna motivador e não quebra o ritmo. Fazendo o balanço final, o desempenho ficou um pouco aquém das minhas expectativas pois pensava em tirar uns 4m ao tempo final(estou a nadar próximo de 1k=20m), no entanto, este foi um bom teste para os 3000mts da Travessia Batista Pereira já no próximo fim-de-semana, esta sim, uma distância de meter respeito...sem fato de neopreno e com correntes a sério!
Quanto há minha camarada fez uma bela prova atingindo o 3º lugar no seu "agegroups", duplos parabéns, pelo resultado e aniversário!
Um excelente dia desportivo rodeado paisagem, movimento, beleza e alegria.

Até breve com o que falta contar do MIUT.

quarta-feira, setembro 30, 2009


Travessia do túnel até ao CP3


Do CP 2 ao CP 3 ( 34km) subia-se outra vez dos 1000 até aos 1200mts para depois descer 300mts mergulhando novamente na floresta de Laurissilva. Aqui atravesso os primeiros túneis que trazem as levadas e permitem progredir naquele relevo acidentado, são fantásticos! Por serem compridos, alguns até perto de 1km, tenho de acender o frontal e lá vou eu a exercitar a imaginação com outras épocas, outros mundos, outras realidades nomeadamente o labor duro de quem escavou aquelas passagens, terão sido escravos? Colonizadores da ilha na ânsia de domar uma paisagem extremamente agreste? Trabalhadores? De onde? Escavaram com picaretas? Explosivos? Enfim, os meus pensamentos vagueiam entre os livros de história e os do Tim-Tim.
Chego então ao CP3 e espero novamente pelo resto da equipa. Até então sabia-me bem progredir sozinho,tirava fotografias, fazia pequenos filmes e sobretudo insuflava a beleza da paisagem. O resto da malta também não estava nada atrasada, ainda eu mordiscava o primeiro pedaço de pão e eis que chegam e logo com vontade de arrancar para o CP4 na Bica da Cana (48km). Por lapso na mensagem anterior, referi a zona entre a Fonte do Bispo e o Rabaçal como a do "Paúl da Serra", mas não, este começa após a curta e desnivelada subida de aproximadamente 2km do Rabaçal até à Bica da Cana.




CP3 a "parede" até ao Paúl da Serra

Como disse sobe-se. A partir do CP3 vamos dos 950mts até aos 1550mts da Bica da Cana numa paisagem mais inóspita de planalto montanhês, mas fresca, arejada e de vistas largas. Diria não ser tão deslumbrante como a anterior que para mim era mais ou menos uma novidade ( pelos pequenos e variados detalhes nunca vistos), mas era igualmente bela pois identifico sempre esta com o facto de me encontrar já a uns bons metros do nível do mar e assim poder admirar tudo em profundidade.
Do CP 4 ao CP5 da Encumeda (58km) passamos dos 1550 para os 1000 mas através duma paisagem inesquecível. Quedas de água, escadas que descem sem fim, túneis, levadas, verde, verde, verde. Foi dos trechos mais belos da "música" madeirense! As referidas escadas levavam-nos quase em espiral para o coração verde da Madeira. A espaços, quando a vegetação era mais aberta, via o que me rodeava e sentia estar numa espécie de "mundo perdido", remoto, ideia que se adensava pela neblina que cobria o vale e remetia para imagens só vistas em ecrã, em filmes da National Geografic sobre o Bornéu, a zona andina da Amazónia e outras zonas tropicais e equatoriais nas quais o verde, a água, os cheiros, o barulhos as aves, a neblina e os mistérios e o imprevisto excitam os sentidos como as 4 estações do Vivaldi!
Depois de uma crescente dor de pernas causada pelo efeito "descida íngreme em escadas e trilhos irregulares" e a impressão que as primeiras bolhas estavam a chegar, chegamos também à Encumeada CPnº4 aos 58km de prova, foi aqui que nos disseram que a prova só agora iria começar!


O "Mundo Perdido"

quinta-feira, setembro 24, 2009

A Partida - Entre a face norte e a sul da ilha


Briefing no observatório de Porto Moniz


Porto Moniz depois da partida e ao amanhecer

A partida deu-se às 7h00 na vila de Porto Moniz. Tínhamos pela frente 105km ( diria quase de certeza que foram mais) e um desnível acumulado de 3880 mts para vencer. Guardávamos na memória os relatos de alguns participantes na edição anterior e da dificuldade de alguns troços do percurso como também dos "humores" do clima em altitude. A manhã estava fresca mas não fria e o céu ameaçava chuva (que acabou por cair logo após a partida). Chegara a minha vez de atravessar a Madeira ao longo do seu paralelo!
O pelotão de imediato se alongou, seleccionando os mais afoitos que enfrentaram logo as primeiras subidas a correr e os mais cautelosos que as faziam a marchar. Eu estava nestes últimos, preferi dar logo uso aos meus bastões para que também pudessem "aquecer", iria utilizá-los na maioria do percurso porque "cautela e caldos de galinha"... sabia que tinha muitos quilómetros pela frente.
O primeiro café aberto e toca a "matar o bicho", fazem-me companhia os camaradas de vício e lá vamos nós outra vez na cauda do pelotão como na Freita o que não nos chateia nada pois começar a prova de "trás para a frente" começa a ser uma estratégia motivadora. Vamos ultrapassando os mais lentos, admirando a paisagem ao amanhecer, tirando fotografias, em suma, estamos mais em turismo desportivo que em competição, melhor assim para quem não planificou o desafio de forma mais "competitiva".
De Porto Moniz até ao 1º CP na Fonte do Bispo distavam 17km que subíamos praticamente do nível do mar até aos 1250mts. Se numa 1º fase o percurso cruzava estradas de alcatrão e caminhos regulares, passados poucos quilómetros entramos na 1º levada e tivemos o contacto com a paisagem luxuriante da floresta autóctone da face norte da ilha, a Laurissilva. Para quem não sabe, é uma flora que remonta até à cerca de 20milhões de anos, numa fase em que esta floresta de características subtropicais ocupava toda a bacia do mediterrâneo. Com as sucessivas alterações climáticas e movimentos tectónicos ( glaciações, avanço do deserto africano, formação definitiva do mar mediterrâneo) este tipo de espécies vegetais de uma época tão remota acabou por "sobreviver", com as naturais adaptações é certo, em apenas 3 regiões do planeta, Canárias, Madeira e Açores. A partir da visão desta massa verde já podem imaginar porque é que os primeiros descobridores lhe chamaram "Madeira". Um paraíso que felizmente é agora património mundial da humanidade para bem da conservação da biodiversidade e transmissão de riquezas às gerações futuras.
Do CP1 descíamos para o CP2 aos 26km e a 1000mts de altitude no chamado "Paúl da Serra", uma zona semidesértica de pastagens e muitas vacas indolentes. Daí avistava-se a "face sul" da ilha e o mar, um oceano azul a perder de vista, tapado apenas por algumas nuvens que abaixo de nós emprestavam mais beleza à paisagem, dir-se-ia que era como estar na Serra da Estrela com vistas de Arrábida...

Até já.

( Ainda não passei do CP 2 ;-)






A visão da face sul até ao mar



Face sul, serra e mar

À VOLTA DO SANTIS ( PARTE I)

Como o planeado saí de Konstanz para passar uns dias com um amigo nos arredores do cantão suiço de Sankt Gallen. Não tinha...