Caros amigos
O blog e os projectos desportivos, ficam adiados até o autor resolver questões fundamentais da sua vida pessoal.
Obrigado a todos os que "frequentaram" este blog e que me deram força para continuar nos trilhos.
Até breve, breve, mas mesmo "breve".
Abraços
sexta-feira, agosto 20, 2010
sexta-feira, julho 23, 2010
No trilho do Monte Branco ( Parte I)
No trilho do Monte Branco ( Parte I)
As conversas são como as cerejas, na nossa equipa ( O CAB), não é difícil sobretudo quando falamos de aventuras. Perco a conta a quantas vezes já viajamos num avião feito de sonho pelo mundo a fazer provas de BTT, Ultramaratonas, corridas de aventura... e sei lá que mais que nos levem a estar envolvidos por natureza e a conviver. Quando o “combustível” se esgota, “aterramos” na realidade dos nossos condicionalismos pessoais mas também numa “possibilidade” (para que possamos descolar de novo no tal avião). A ideia de viajar até ao Monte Branco para fazer um dos ultratrails mais duros e conhecidos do mundo nasceu desta forma, na possibilidade de podermos viajar até à Suiça em Agosto de 2010.
A ida ao Monte Branco é um desejo antigo, daqueles que precisa de um “empurrão” para pegar. Este foi dado pelo crescente numero de portugueses que tem vindo a participar na prova, sobretudo por amigos ligados ao clube e pôs-se em marcha depois de uma época de competição saudável em diversas provas de aventura, uma delas o Estoril XPD Race que durou 5 dias consecutivos. O mais curioso disto, é que a ideia consolidou-se definitivamente após uma participação “acidentada” no Campeonato Nacional de Corridas de Aventura, prova de final de calendário e para a qual nos tínhamos preparado arduamente obtendo o título de vice-campeões nacionais de Corridas de Aventura 2008/09 no escalão de elite mista. Não sei se foi a frustração de não ter atingido o lugar cimeiro, o projecto que já era embrionário ou se foi o facto de queremos transferir o que sabemos para uma prova de outra natureza, decidimos avançar com o projecto UTMB 2010 com todas nossas energias, isto sem que o trail ou as ultramaratonas sejam propriamente a nossa “especialidade”... ( continua)
quinta-feira, junho 10, 2010
O dia começa cedo.
Na Arrábida em 2006 com o dia a começar.
António e Ana, existem linguagens que só nós entendemos! Obrigado pelas vossas palavras.
O dia começa cedo. Há muitas coisas para fazer ao longo deste, será preciso arrumá-las para que não fique a sensação que somos derrotados pelo tempo. Uma delas é treinar para uma prova de 166km. Não se adivinha uma tarefa fácil, mas tenho de a levar a cabo. São 04h20m e já estou acordado, são 05h00 e já estou a treinar, objectivo, um treino pedestre com mais de 4h. Não defino muito o percurso, vou um bocado como gosto de ir, " ao sabor do vento". A zona que tenho para treinar, nas imediações da minha casa, é o espaço descontinuado entre a urbanização selvática e o que felizmente se protegeu desta.
Se escolhêssemos o "rio da nossa vida" eu escolhia o Tejo, todos os meus sentidos estão-lhe associados, faz parte da minha identidade e julgo que já da minha genética. O outro seria o rio da terra do meu pai, o Nabão, do qual guardo memórias felizes da infância.
Vou com duas horas de treino, primeiro junto ao rio, depois Dafundo, Cruz Quebrada e agora aproveitando o perímetro do Estádio Nacional (explorado tem bons trilhos para treinar).Ainda não vejo vivalma, sinto-me um bocado "único", oiço apenas carros, o rumor característico da cidade.
Três horas de treino, cruzo a antiga "Pedreira dos Húngaros", um dos maiores e mais perigosos bairros de lata dos arredores de Lisboa nos anos 80 e 90, agora um descampado prestes a ser "invadido" por condomínios privados da classe média. Irrito-me com os muros, as grades, os sinais de "proibida a passagem". Antes, era recebido a tiro, mas progredia bairro acima, de vez em quando ainda conseguia beber uma cerveja e comer uns torresmos num bar "crioulo", agora não, não arrisco, ainda posso ser atingido por um segurança zeloso em "legítima defesa" pela "invasão da propriedade". Os "muros" culturais e sociais, deram origem... aos mesmos muros culturais e sociais, mas em tons cor-de-rosa.
Próximo das quatro horas de treino e depois de fazer a " Mata de Caselas" ( sobras de Monsanto), bebo um café no Hospital São Francisco Xavier. Reforço a ideia de que nos hospitais não há noites, toda a vida decorre como num longo dia.
Depois um salto à Decatlhon desbravando trilhos cortados por Autoestradas e IC´s e o regresso por Monsanto a casa onde chego com quase cinco horas de um misto de marcha/corrida ( mais da primeira). A perna dói-me, mas os alongamentos, água quente e uma massagem ajudaram a aliviá-la.
Esta semana depois de dois treinos de 2hrs de corrida, este pedestre, um curto de BTT e três de natação, encerrará amanhã com mais um longo de corrida. UTMB allez, allez!
terça-feira, junho 08, 2010
Uma determinação do tamanho do Monte Branco
Fonte: UTMB
Caros amigos,
Obrigado pelas palavras que escreveram aqui, muito me sensibilizaram.
Pois é, voltei aos trilhos porque nem só de pão vive o homem ( só falo assim porque pertenço à parte do mundo que pode satisfazer outras necessidades que não as vitais). Eu, apesar do carrossel da vida com o seu vertiginoso quotidiano, nunca deixei de correr, pedalar e dar umas braçadas. Momentos houve em que pouca vontade tive de o fazer, mas lutei contra esse "comodismo" cerebral que nos está sempre a apontar o "caminho mais fácil" para a resolução de um dilema. Em tempos e durante uma fase má na vida, lembro-me de correr várias vezes com um nó na garganta, contrariando um corpo que em obediência ao cérebro queria deitar-se e nunca mais se levantar. Nos dias que correm, tenho os "altos e baixos" de sempre, mas tenho igualmente a determinação de sempre! E ainda, nos dias que correm e outros que já correram ( vai para 1 ano) tenho uma lesão na perna que faz estremecer a vontade e ir pelo atalho da preguiça. Estremece.... como já disse, não cai! Voltei a correr, tenho Ultratrail do Monte Branco para fazer,166km e mais de 9000mts de desnível para vencer e tenho uma determinação tão grande que já está a cortar a meta!
Até breve.
Até breve.
quarta-feira, abril 21, 2010
ATÉ BREVE
Não tem sido o meu blog mais conseguido. O Homem da Maratona foi-o, mas foi "deletado" num acesso fugaz de fúria por ter trilhado caminhos que considerei não estarem de acordo com os objectivos da sua criação. Hoje estou arrependido da sua prematura "morte" ( com 1 ano atingiu na altura mais de 7000 visitas).
Nasceu depois aqui o "trilhos", com a vontade de dar asas à escrita e à memória das aventuras que tanto sentido dão aos meus dias. No entanto, nunca teve a vivacidade do anterior por motivos que contrariam o óbvio ( a sinceridade é assim). Em tempos quase foi vítima da mesma emoção destrutiva, salvou-se, está novamente, diria, em estado "vegetativo". Pondero se valerá a pena insuflá-lo de vida ou deixá-lo na eternidade do universo virtual, pontualmente encontrado por quem navega na busca de uma palavra ou imagem que lhe sirva como "interesse". Quem sabe se num futuro mais distante seja gratamente recordado e elevado à categoria de algo com interesse histórico ( é a vantagem dos objectos ante os sujeitos se bem que este desejo tem a presunção de um mortal quando julga que só ele na natureza tem direito ao divino).
Até sempre.
Até sempre.
Abraços.
PS . Inspirei-me no botão do "desligar" do blog do AB Tartaruga.
domingo, abril 04, 2010
CRÓNICA DO MIUT NO FÓRUM O MUNDO DA CORRIDA EM 2009
Estava a ler o Fórum O Mundo da Corrida e um bocado inesperadamente dei com o que tinha escrito em 2009 acerca do Madeira Ultra Trail Island. Apeteceu-me "colá-lo" aqui.
Olá a todos.
Depois de tratadas as bolhas e a preguiça, aqui estou para escrever algumas linhas acerca do MIUT 2009.
Em primeiro lugar quero reafirmar que o que é nacional é bom ( as massas também ;-)! Este ano assistimos a alguns bons eventos de trail nacional, se investirmos com a nossa participação eles certamente que crescerão tornando-se ainda melhores. Só temos vantagens em "ir para fora cá dentro" ( julgo que me estão a perceber...), é bom, mais barato e valorizamos o que é nosso!
Em segundo, o MIUT teve uma organização que pela sua excelente qualidade global merece que se perdoem algumas pequenas falhas que julgo serão corrigidas numa futura edição. Isto porque a organização soube na altura certa ouvir as críticas dos participantes, e quem sabe ouvir, sabe fazer melhor!
Em terceiro, a chamada "Pérola do Atlântico" ( Ilha da Madeira) faz juz do apelido, cada quilómetro mesmo desde duro trail é feito com o prazer de se estar a percorrer um património natural de inigualável beleza e com uma excelente conservação dos trilhos e das heranças do passado. Palavras para quê, vão até lá.
Com isto tudo até parece que estou comprometido com a organização ou com a região de turismo da Madeira, mas não, o meu único compromisso é de alguma forma transmitir-vos o que vivi e possibilitar através da minha experiência outras.
Vamos a alguns pormenores...
Secretariado, transportes de atletas, convívio inicial ( em conjunto com o aniversário do observatório de Porto Moniz), marcação de percurso diurno e nocturno, percurso, simpatia e disponibilidade e assistência aos atletas na grande maioria dos elementos do Clube de Montanha do Funchal, abastecimentos, locais de abastecimento ( espero não ter esquecido nada), foram aspectos que estiveram muito bem, o que demonstra uma organização que esteve no terreno, que conhece a modalidade e se mobilizou para bem receber todos aqueles que quiseram descobrir o MIUT09, parabéns!
Menos conseguido esteve a questão dos "cut offs", a meu ver demasiado apertados para os atletas mais lentos, a distância mal medida em algumas das etapas finais, sobretudo entre o 8º e 9º CP´s e a alteração do regulamento no final da prova que classificou quem passou "fora de tempo" ou chegou além da hora limite de prova ( eu incluído). Esta benevolência talvez se tenha ficado a dever aquilo que acabei de enunciar,mas pronto, "tudo está bem quando acaba bem" e o futuro certamente irá reservar-nos finais ainda mais felizes.
Relativamente à minha participação, reservo pormenores para o meu blog, mas deixo aqui um esboço.
Sexta-feira, eu e a equipa estudamos a táctica durante uma massada de bacalhau regada com um " Coral Tónica" na Pousada da Juventude de Porto Moniz. De tarde relaxamos com uns mergulhos nas piscinas naturais da cidade e ganhamos reservas com uns croquetes e bolo de mel no beberete da organização ( os elementos masculinos exercitam também uma zona do cérebro olhando para uma bonita e sensual madeirense que por ali esvoaçava). Regressamos ao Machico na galhofa ( a boa disposição ajuda à digestão).
Sábado, o despertador toca depois de 3 horas de mau sono. O primeiro pensamento é " onde é que me vim meter, não treinei para isto". Resignado avanço para o transporte que nos leva a P. Moniz.
Partimos... um café aberto, ufa, vou matar o vício. Sou o último e lá vou apanhando os lentos na subida posicionando-me com aqueles com quem fiz a maior parte da prova...
( continua, agora vou apanhar fresco na varanda).
II PARTE
A 1ª parte da prova tem uma subida muito inclinada até deixarmos as belas vistas de Porto Moniz e a imensidão marítima que a abraça. A partir dai, um pouco de estrada e depois o contacto com a 1ª levada. Os trilhos paralelos a estes cursos de água feitos pelo homem são fantásticos. Vou com o meu grupo, ou um pouco mais à frente sozinho. Ora ultrapasso ora sou ultrapassado pelos mesmos rostos, uns mais simpáticos e descontraídos, outros mais concentrados na competição. Paro frequentemente e tiro fotografias, dá-me um certo gozo ir ali um pouco ao sabor do meu ritmo a fazer uma prova descomprometida. Sei que não estou em forma e por isso nada de loucuras, fruir do espaço e chegar ao fim são os grandes objectivos.
A partir do CP da Encumeada começa a Encumeada, o trilho mais difícil e técnico do MIUT até ao Pico do Ruivo. Agora estou com o Rui Marques e o Duarte e vamos progredido entre muitos dedos de conversa que ajuda a aligeirar o esforço de percorrer centenas de escadas assimétricas que descem e sobem entre cumes. Vou observando uma paisagem de altitude que me deixa perplexo pela sua dimensão e profundidade. Observo um mar de nuvens a norte num horizonte que parece infinito e que me remete para as fotografias que vejo frequentemente das expedições ao Tibete que tanto admiro. A sul a povoação de Curral das Freiras emparedada pela altivez da rocha que a circunda e imersa numa ligeira penumbra que acentua a quietude do espaço.
Tivemos sorte, o dia foi fantástico com sol, boa temperatura e sem muito nevoeiro. Chegamos ao Pico Ruivo de noite. Encontro a Analice com quem já me havia cruzado noutros CPs, está desesperada. Não tem luz e a organização impediu-a de continuar em prova. Empresto-lhe o meu 2º frontal, ao qual mudo as pilhas explicando-lhe o seu funcionamento. Parte feliz e ligeira, que mulher corajosa!Quase a 1700mts de altitude e em trilhos que exigem apuro técnico e com 78km nas pernas, eis que esta senhora de 64 anos se lança ao desafio com uma determinação exemplar. A senhora não tem ainda uma idade profética, mas se todos nós com esta idade fizermos o que ela faz... os nossos netos vão adorar ter um avozinho radical e os nosso filhos vão andar com o coração nas mãos, ehehehe.
O trilho do Pico do Ruivo ao Areeiro é fabuloso. Está uma lua cheia que quase dispensa a utilização do frontal nas vertentes que ilumina. Cá mais em cima muito vento que nos obriga a agarrar à balustrada para não cairmos no abismo, uma visão de cortar a respiração e a sensação de ter conquistado o 3º ponto mais alto de Portugal ( continental e insular). Aqui sinto-me já cansado e a impressão que os pés não estão bem começa a afectar-me, mesmo após ter trocado de meias 2 vezes.
"Conquistado" o Pico do Arreiro ficam a faltar pouco menos de 30km, agora a descer. Parece fácil, mas não é. As bolhas que tenho na planta dos pés junto aos dedos pioram a descer. Começo a ter ser dominado pelo terrível pensamento de "isto nunca mais acaba". A ajudar a isso, estivemos de acordo em que houve etapas esticadas e por isso estávamos a fazer mais uns quilómetros extra. Na etapa final quebro definitivamente com dores nos pés, tornaram-se insuportáveis sobretudo a descer. Tenho a companhia da Esmeralda que está na mesma. Na última grande descida que além de inclinada estava cheia de obstáculos, levamos uma eternidade. Com isto atrasamos o grupo que pacientemente esperou por nós. Tínhamos ainda pela frente uma levada que circundava toda a zona Machico. Amanheceu ai, num trilho que parecia não ter fim. De repente todos tomamos consciência que estávamos em o risco de não concluir dentro do tempo limite ( que raio tínhamos entrado em todos os cut-off com larga margem e agora...). Começaram todos a correr, excepto eu, não dava mais, os meus pés escaldavam, deviam estar uns "trambolhos". A Esmeralda um pouco mais à frente, também estava em sofrimento. Os outros seguem e desaparecem depois duma descida que não lembra o diabo e que nos fazia sentar a cada passo. Dava vontade de rebolar por ali a baixo para não termos de assentar os pés nós chão. A Esmeralda trazia no rosto alguma desilusão, a prova tinha-lhe corrido bem, mas os pés traíram-na. O UTMB, o seu projecto de 2010 estava agora longe. Eu estava igual, mas talvez um pouco mais desligado da realidade. Só pensava que tinha acabado de atravessar a Madeira de lés-a-lés e que me apetecia um bom pequeno almoço inglês e um sono que não tinha há largas horas.
Bem espero que os erros não tenham sido muitos.
Parabéns aos meus companheiros de aventura mais próximos, Rui, Esmeralda, António e Angêla e também ao Duarte que nos "traiu" e fugiu na última etapa.
Abraços
Olá a todos.
Depois de tratadas as bolhas e a preguiça, aqui estou para escrever algumas linhas acerca do MIUT 2009.
Em primeiro lugar quero reafirmar que o que é nacional é bom ( as massas também ;-)! Este ano assistimos a alguns bons eventos de trail nacional, se investirmos com a nossa participação eles certamente que crescerão tornando-se ainda melhores. Só temos vantagens em "ir para fora cá dentro" ( julgo que me estão a perceber...), é bom, mais barato e valorizamos o que é nosso!
Em segundo, o MIUT teve uma organização que pela sua excelente qualidade global merece que se perdoem algumas pequenas falhas que julgo serão corrigidas numa futura edição. Isto porque a organização soube na altura certa ouvir as críticas dos participantes, e quem sabe ouvir, sabe fazer melhor!
Em terceiro, a chamada "Pérola do Atlântico" ( Ilha da Madeira) faz juz do apelido, cada quilómetro mesmo desde duro trail é feito com o prazer de se estar a percorrer um património natural de inigualável beleza e com uma excelente conservação dos trilhos e das heranças do passado. Palavras para quê, vão até lá.
Com isto tudo até parece que estou comprometido com a organização ou com a região de turismo da Madeira, mas não, o meu único compromisso é de alguma forma transmitir-vos o que vivi e possibilitar através da minha experiência outras.
Vamos a alguns pormenores...
Secretariado, transportes de atletas, convívio inicial ( em conjunto com o aniversário do observatório de Porto Moniz), marcação de percurso diurno e nocturno, percurso, simpatia e disponibilidade e assistência aos atletas na grande maioria dos elementos do Clube de Montanha do Funchal, abastecimentos, locais de abastecimento ( espero não ter esquecido nada), foram aspectos que estiveram muito bem, o que demonstra uma organização que esteve no terreno, que conhece a modalidade e se mobilizou para bem receber todos aqueles que quiseram descobrir o MIUT09, parabéns!
Menos conseguido esteve a questão dos "cut offs", a meu ver demasiado apertados para os atletas mais lentos, a distância mal medida em algumas das etapas finais, sobretudo entre o 8º e 9º CP´s e a alteração do regulamento no final da prova que classificou quem passou "fora de tempo" ou chegou além da hora limite de prova ( eu incluído). Esta benevolência talvez se tenha ficado a dever aquilo que acabei de enunciar,mas pronto, "tudo está bem quando acaba bem" e o futuro certamente irá reservar-nos finais ainda mais felizes.
Relativamente à minha participação, reservo pormenores para o meu blog, mas deixo aqui um esboço.
Sexta-feira, eu e a equipa estudamos a táctica durante uma massada de bacalhau regada com um " Coral Tónica" na Pousada da Juventude de Porto Moniz. De tarde relaxamos com uns mergulhos nas piscinas naturais da cidade e ganhamos reservas com uns croquetes e bolo de mel no beberete da organização ( os elementos masculinos exercitam também uma zona do cérebro olhando para uma bonita e sensual madeirense que por ali esvoaçava). Regressamos ao Machico na galhofa ( a boa disposição ajuda à digestão).
Sábado, o despertador toca depois de 3 horas de mau sono. O primeiro pensamento é " onde é que me vim meter, não treinei para isto". Resignado avanço para o transporte que nos leva a P. Moniz.
Partimos... um café aberto, ufa, vou matar o vício. Sou o último e lá vou apanhando os lentos na subida posicionando-me com aqueles com quem fiz a maior parte da prova...
( continua, agora vou apanhar fresco na varanda).
II PARTE
A 1ª parte da prova tem uma subida muito inclinada até deixarmos as belas vistas de Porto Moniz e a imensidão marítima que a abraça. A partir dai, um pouco de estrada e depois o contacto com a 1ª levada. Os trilhos paralelos a estes cursos de água feitos pelo homem são fantásticos. Vou com o meu grupo, ou um pouco mais à frente sozinho. Ora ultrapasso ora sou ultrapassado pelos mesmos rostos, uns mais simpáticos e descontraídos, outros mais concentrados na competição. Paro frequentemente e tiro fotografias, dá-me um certo gozo ir ali um pouco ao sabor do meu ritmo a fazer uma prova descomprometida. Sei que não estou em forma e por isso nada de loucuras, fruir do espaço e chegar ao fim são os grandes objectivos.
A partir do CP da Encumeada começa a Encumeada, o trilho mais difícil e técnico do MIUT até ao Pico do Ruivo. Agora estou com o Rui Marques e o Duarte e vamos progredido entre muitos dedos de conversa que ajuda a aligeirar o esforço de percorrer centenas de escadas assimétricas que descem e sobem entre cumes. Vou observando uma paisagem de altitude que me deixa perplexo pela sua dimensão e profundidade. Observo um mar de nuvens a norte num horizonte que parece infinito e que me remete para as fotografias que vejo frequentemente das expedições ao Tibete que tanto admiro. A sul a povoação de Curral das Freiras emparedada pela altivez da rocha que a circunda e imersa numa ligeira penumbra que acentua a quietude do espaço.
Tivemos sorte, o dia foi fantástico com sol, boa temperatura e sem muito nevoeiro. Chegamos ao Pico Ruivo de noite. Encontro a Analice com quem já me havia cruzado noutros CPs, está desesperada. Não tem luz e a organização impediu-a de continuar em prova. Empresto-lhe o meu 2º frontal, ao qual mudo as pilhas explicando-lhe o seu funcionamento. Parte feliz e ligeira, que mulher corajosa!Quase a 1700mts de altitude e em trilhos que exigem apuro técnico e com 78km nas pernas, eis que esta senhora de 64 anos se lança ao desafio com uma determinação exemplar. A senhora não tem ainda uma idade profética, mas se todos nós com esta idade fizermos o que ela faz... os nossos netos vão adorar ter um avozinho radical e os nosso filhos vão andar com o coração nas mãos, ehehehe.
O trilho do Pico do Ruivo ao Areeiro é fabuloso. Está uma lua cheia que quase dispensa a utilização do frontal nas vertentes que ilumina. Cá mais em cima muito vento que nos obriga a agarrar à balustrada para não cairmos no abismo, uma visão de cortar a respiração e a sensação de ter conquistado o 3º ponto mais alto de Portugal ( continental e insular). Aqui sinto-me já cansado e a impressão que os pés não estão bem começa a afectar-me, mesmo após ter trocado de meias 2 vezes.
"Conquistado" o Pico do Arreiro ficam a faltar pouco menos de 30km, agora a descer. Parece fácil, mas não é. As bolhas que tenho na planta dos pés junto aos dedos pioram a descer. Começo a ter ser dominado pelo terrível pensamento de "isto nunca mais acaba". A ajudar a isso, estivemos de acordo em que houve etapas esticadas e por isso estávamos a fazer mais uns quilómetros extra. Na etapa final quebro definitivamente com dores nos pés, tornaram-se insuportáveis sobretudo a descer. Tenho a companhia da Esmeralda que está na mesma. Na última grande descida que além de inclinada estava cheia de obstáculos, levamos uma eternidade. Com isto atrasamos o grupo que pacientemente esperou por nós. Tínhamos ainda pela frente uma levada que circundava toda a zona Machico. Amanheceu ai, num trilho que parecia não ter fim. De repente todos tomamos consciência que estávamos em o risco de não concluir dentro do tempo limite ( que raio tínhamos entrado em todos os cut-off com larga margem e agora...). Começaram todos a correr, excepto eu, não dava mais, os meus pés escaldavam, deviam estar uns "trambolhos". A Esmeralda um pouco mais à frente, também estava em sofrimento. Os outros seguem e desaparecem depois duma descida que não lembra o diabo e que nos fazia sentar a cada passo. Dava vontade de rebolar por ali a baixo para não termos de assentar os pés nós chão. A Esmeralda trazia no rosto alguma desilusão, a prova tinha-lhe corrido bem, mas os pés traíram-na. O UTMB, o seu projecto de 2010 estava agora longe. Eu estava igual, mas talvez um pouco mais desligado da realidade. Só pensava que tinha acabado de atravessar a Madeira de lés-a-lés e que me apetecia um bom pequeno almoço inglês e um sono que não tinha há largas horas.
Bem espero que os erros não tenham sido muitos.
Parabéns aos meus companheiros de aventura mais próximos, Rui, Esmeralda, António e Angêla e também ao Duarte que nos "traiu" e fugiu na última etapa.
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