segunda-feira, setembro 06, 2010

UTMB Turísmo nos Alpes - Estar na partida - Parte II

Genéve ( Suiça) vista da cidade e do lago Le Man

Annecy ( França) também chamada a "Veneza dos Alpes"

A cidade de Genéve não deslumbrando tem aspectos que muito me fascinam nas cidades do centro e norte europeu, muitas ciclovias, espaços verdes, transportes públicos "ecológicos" e gente que não sendo "exuberante" parece "bem com a vida". Percorri agradado a cidade numa bela tarde soalheira com temperatura de verão, gente nas esplanadas e muitos ciclistas. A visão da "transparência" do lago Le Man que banha a cidade, deu-me logo vontade de dar um mergulho, o que fiz assim que tive oportunidade numa praia fluvial da cidade com muitos banhistas. Assim que entrei na água percebi que esta teria acabado de descongelar de um qualquer glaciar da zona de tão fria que estava, mas, para mim que ansiava há meses alguma liberdade e equilíbrio, o espaço e o momento foram o primeiro passo ( os pequenos passos são o inicio dos grandes).
Chegado a Chamonix de noite não percebi a beleza sobranceira ao sítio onde eu e os companheiros de viagem iríamos ficar instalados. Só na manhã seguinte percebi que estava aos pés do ponto mais alto da Europa Ocidental, o Monte Branco. Não me cansava de olhar para tamanha imponência, tanto mais que o dia limpo de sol permitia ver o cume de 4800 mts coberto pela neve e mais abaixo, um pouco acima da cota a que estávamos ( mais 600mts), um dos glaciares que dele "escorre". Uma visão lindíssima de alta montanha que não esqueço e desejo repetir!
A cidade de Annecy foi nos dias que antecederam o UTMB um dos nossos destinos turísticos. A chamada "Veneza dos Alpes", assim apelidada porque os braços do Lago Annency e do rio Thiou que lhe dá origem "obrigaram" a que cidade ainda com muitas características medievais fosse construída sobre as suas águas dando por isso origem a inúmeras pontes, canais, açudes e cais "particulares", em muito parecida à conhecida cidade de Itália mas em ponto muito mais pequeno e claro salvando as devidas diferenças arquitectónicas e culturais. Uma cidade decorada com flores de muitas cores, característica de muitas povoações dos Alpes, com um ambiente moderno, alegre e descontraído. A juntar a este facto, o "trânsito" ininterrupto em redor do lago na ciclovia ali existente de ciclistas, patinadores(as) ( mães a patinar e a empurrar carros de bebé), corredores e de muitas pessoas em plena actividade física e de lazer, uma "roda viva" que deu gosto ver! Lembrei-me da beira Tejo entre Belém e o Cais do Sodré e pensei que o nosso ainda tímido passo rumo a esta "qualidade de vida" poderia um dia adquirir a dimensão que agora via em Annency, um dia, quem sabe...
A viagem inesperada aos Alpes estava a fazer cada vez mais sentido, estava a adorar e sentia-me agora muito mais "leve" da "carga" trazida de Portugal ( continua).

sábado, setembro 04, 2010

UTMB Mudança de Planos - Estar na partida ( Parte I)


Foto 1 Hugo Velez ( amanhecer no UTMB)  Foto 2 Maindrufoto ( na ascensão ao primeiro cume o Délevret a 1800mts entre milhares de atletas enquanto a noite do 1º dia já caia).

Sabia que as condições para fazer o UTMB eram... nenhumas. Tinha esta impressão há muito tempo e passou a certeza no último mês, quando fiz raros esforços para treinar para tamanho empreendimento. Pior, a cabeça não estava "sintonizada" para a participação num dos trails mais duros e fascinantes do mundo, o que para mim é o elemento principal, mesmo quando não "há pernas".
Em Janeiro, principalmente ( e não só) por causa da lesão que me afectava ( e afecta), havia dito, "este não é o meu ano" e pensei em voltar atrás na minha então "candidatura". Mas já era tarde, o sorteio no final desse mês ditou a minha "sorte", seria portanto um dos 2800 atletas à partida do UTMB 2010 entre mais de 4000(!) pré- inscritos. "Bora lá" pensei eu, ainda faltavam uns meses, podia recuperar do que me impedia de estar bem e em Agosto estaria a ver o ponto mais alto da Europa ocidental, o Monte Branco. Mas não foi assim...
Vou não vou, uma viagem marcada para outro ponto da Europa na mesma data e uma súbita ( na véspera já ao final do dia) decisão de ir, pelo menos, apanhar ar para a montanha e pensar um pouco na "vida", fizeram-me voar até Genéve ( continua).



sexta-feira, agosto 20, 2010

UTMB - ADIADO

Caros amigos

O blog e os projectos desportivos, ficam adiados até o autor resolver questões fundamentais da sua vida pessoal.

Obrigado a todos os que "frequentaram" este blog e que me deram força para continuar nos trilhos.

Até breve, breve, mas mesmo "breve".

Abraços

sexta-feira, julho 23, 2010

No trilho do Monte Branco ( Parte I)

No trilho do Monte Branco ( Parte I)

As conversas são como as cerejas, na nossa equipa ( O CAB), não é difícil sobretudo quando falamos de aventuras. Perco a conta a quantas vezes já viajamos num avião feito de sonho pelo mundo a fazer provas de BTT, Ultramaratonas, corridas de aventura... e sei lá que mais que nos levem a estar envolvidos por natureza e a conviver. Quando o “combustível” se esgota, “aterramos” na realidade dos nossos condicionalismos pessoais mas também numa “possibilidade” (para que possamos descolar de novo no tal avião). A ideia de viajar até ao Monte Branco para fazer um dos ultratrails mais duros e conhecidos do mundo nasceu desta forma, na possibilidade de podermos viajar até à Suiça em Agosto de 2010.
A ida ao Monte Branco é um desejo antigo, daqueles que precisa de um “empurrão” para pegar. Este foi dado pelo crescente numero de portugueses que tem vindo a participar na prova, sobretudo por amigos ligados ao clube e pôs-se em marcha depois de uma época de competição saudável em diversas provas de aventura, uma delas o Estoril XPD Race que durou 5 dias consecutivos. O mais curioso disto, é que a ideia consolidou-se definitivamente após uma participação “acidentada” no Campeonato Nacional de Corridas de Aventura, prova de final de calendário e para a qual nos tínhamos preparado arduamente obtendo o título de vice-campeões nacionais de Corridas de Aventura 2008/09 no escalão de elite mista. Não sei se foi a frustração de não ter atingido o lugar cimeiro, o projecto que já era embrionário ou se foi o facto de queremos transferir o que sabemos para uma prova de outra natureza, decidimos avançar com o projecto UTMB 2010 com todas nossas energias, isto sem que o trail ou as ultramaratonas sejam propriamente a nossa “especialidade”... ( continua)

quinta-feira, junho 10, 2010

O dia começa cedo.


Na Arrábida em 2006 com o dia a começar.

António e Ana, existem linguagens que só nós entendemos! Obrigado pelas vossas palavras.

O dia começa cedo. Há muitas coisas para fazer ao longo deste, será preciso arrumá-las para que não fique a sensação que somos derrotados pelo tempo. Uma delas é treinar para uma prova de 166km. Não se adivinha uma tarefa fácil, mas tenho de a levar a cabo. São 04h20m e já estou acordado, são 05h00 e já estou a treinar, objectivo, um treino pedestre com mais de 4h. Não defino muito o percurso, vou um bocado como gosto de ir, " ao sabor do vento". A zona que tenho para treinar, nas imediações da minha casa, é o espaço descontinuado entre a urbanização selvática e o que felizmente se protegeu desta.
Se escolhêssemos o "rio da nossa vida" eu escolhia o Tejo, todos os meus sentidos estão-lhe associados, faz parte da minha identidade e julgo que já da minha genética. O outro seria o rio da terra do meu pai, o Nabão, do qual guardo memórias felizes da infância.
Vou com duas horas de treino, primeiro junto ao rio, depois Dafundo, Cruz Quebrada e agora aproveitando o perímetro do Estádio Nacional (explorado tem bons trilhos para treinar).Ainda não vejo vivalma, sinto-me um bocado "único", oiço apenas carros, o rumor característico da cidade. 
Três horas de treino, cruzo a antiga "Pedreira dos Húngaros", um dos maiores e mais perigosos bairros de lata dos arredores de Lisboa nos anos 80 e 90, agora um descampado prestes a ser "invadido" por condomínios privados da classe média. Irrito-me com os muros, as grades, os sinais de "proibida a passagem". Antes, era recebido a tiro, mas progredia bairro acima, de vez em quando ainda conseguia beber uma cerveja e comer uns torresmos num bar "crioulo", agora não, não arrisco, ainda posso ser atingido por um segurança zeloso em "legítima defesa" pela "invasão da propriedade". Os "muros" culturais e sociais, deram origem... aos mesmos muros culturais e sociais, mas em tons cor-de-rosa.
Próximo das quatro horas de treino e depois de fazer a " Mata de Caselas" ( sobras de Monsanto), bebo um café no Hospital São Francisco Xavier. Reforço a ideia de que nos hospitais não há noites, toda a vida decorre como num longo dia.
Depois um salto à Decatlhon desbravando trilhos cortados por Autoestradas e IC´s e o regresso por Monsanto a casa onde chego com quase cinco horas de um misto de marcha/corrida ( mais da primeira). A perna dói-me, mas os alongamentos, água quente e uma massagem ajudaram a aliviá-la.
Esta semana depois de dois treinos de 2hrs de corrida, este pedestre, um curto de BTT e três de natação, encerrará amanhã com mais um longo de corrida. UTMB allez, allez!

 
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terça-feira, junho 08, 2010

Uma determinação do tamanho do Monte Branco


Fonte: UTMB


Caros amigos,
Obrigado pelas palavras que escreveram aqui, muito me sensibilizaram.

Pois é, voltei aos trilhos porque nem só de pão vive o homem ( só falo assim porque pertenço à parte do mundo que pode satisfazer outras necessidades que não as vitais). Eu, apesar do carrossel da vida com o seu vertiginoso quotidiano, nunca deixei de correr, pedalar e dar umas braçadas. Momentos houve em que pouca vontade tive de o fazer, mas lutei contra esse "comodismo" cerebral que nos está sempre a apontar o "caminho mais fácil" para a resolução de um dilema. Em tempos e durante uma fase má na vida, lembro-me de correr várias vezes com um nó na garganta, contrariando um corpo que em obediência ao cérebro queria deitar-se e nunca mais se levantar. Nos dias que correm, tenho os "altos e baixos" de sempre, mas tenho igualmente a determinação de sempre! E ainda, nos dias que correm e outros que já correram ( vai para 1 ano) tenho uma lesão na perna que faz estremecer a vontade e ir pelo atalho da preguiça. Estremece.... como já disse, não cai! Voltei a correr, tenho Ultratrail do Monte Branco para fazer,166km e mais de 9000mts de desnível para vencer e tenho uma determinação tão grande que já está a cortar a meta!
Até breve.

À VOLTA DO SANTIS ( PARTE I)

Como o planeado saí de Konstanz para passar uns dias com um amigo nos arredores do cantão suiço de Sankt Gallen. Não tinha...