quarta-feira, abril 20, 2011

Deambular por Lisboa é um excelente treino!

 A 227mts de altitude, lá em baixo as "Torres do Restelo" e mais longe a foz do Tejo. No espaço aberto um reflorestação de sobreiros.

 Linhas Cruzadas - Sete Rios
 As nossas "Twin Towers"
"Que mundo é este que se alimenta da nossa amargura e sustenta o seu progresso com a nossa penúria", túnel de acesso a habitação social junto da Av das Forças Armadas.
As papoiolas também nascem na cidade
Monsanto, junto à Serafina
O "deambulador"
Aqueduto e Amoreiras lá em baixo.
Calçada da "Boa Hora"
Canteiro junto a habitação social na Ajuda.

Faço com alguma frequência isto, deambular pela cidade! Quando ainda corria com alguma frequência não era raro ir treinar para a Lisboa à noite e fazer o "circuito dos elevadores" ( Bica, Lavra e Glória) entre outros "sobes e desces". Gostava da nocturna Lisboa fervilhante e além do treino podia também beber uma cervejinha com prazer na Trindade ( aconselho a Bohemia) sem que me acusassem aqui em casa de " ir para os copos". Outras vezes ia do Barreiro a correr para o trabalho ( com a travessia de barco pelo meio claro) e já morando em Lisboa, de Belém a uma dessas "sétimas colinas" onde me fixei na rotina do "ganha pão" há 13 anos ( para onde é mais frequente deslocar-me bicicleta).
Quando me dizem que na cidade não há espaço para "fazer desporto", eu contraponho, "é onde há mais", refiro-me à malha diversificada da cidade de Lisboa onde não há monotonia e de boas infra-estruturas municipais subaproveitadas.É claro que eu prefiro a vastidão do pinheiral da Mata da Apostiça, o percurso no areal da Costa da Caparica à boca da Lagoa de Albufeira ou os trilhos sinuosos da Serra da Arrábida, onde o silêncio, a qualidade do ar que respiro não se comparam à desta cidade constrangida pela "ditadura do automóvel". Contudo, temos de aproveitar o que temos à mão e eu tenho o "privilégio" de ter Monsanto,a  frente imensa do Tejo que trilho muitas vezes até me perder no mar de Cascais e apanhar o comboio de regresso  e uma cidade generosa em detalhes que já referi, mesmo poluída, é fantástica!
Recentemente inaugurei duas rotas "deambulantes", uma aqui de casa para a Av de Berna onde ainda vou estudando há 12 anos com pausas na Univ. Nova de Lisboa e outra até ao Estádio Universitário onde dou umas braçadas, ambas com a travessia de Monsanto ( de noite e de dia). O melhor disto, além do exercicio é a descoberta de novos trilhos e perspectivas, é parte desses que dou aqui parte em parte ;-).
Até breve.

segunda-feira, abril 18, 2011

Quando caímos, a solução é levantar-nos

Hoje é o meu primeiro dia de férias. Adiada a ida para o Algarve e sob o efeito de um fim-de-semana no qual ouvi frases como "estás mais gordo", " que grande barriga"e "pai gordito", entre outras alusivas ao meu "volume", resolvi pegar na BTT e ir até Monsanto fazer um "treinito" de 20km. De facto a minha vida nos últimos tempos faz lembrar aquela anedota de um avião que cai no deserto e no qual sobrevivem apenas dois pilotos e uma hospedeira. No meio do desespero da situação e da solidão da paisagem decidem fazer uma sucessão de orgias os três até a mulher morrer de causas naturais. Sobram os dois homens que continuam a vida "excessiva" e depravada até que fartos da sua situação... desenterram a mulher! Bem, não sei que analogias tiram disto, mas julgo que a maioria dirá que a anedota é uma perfeita idiotice ( e para isso que serve). Concertando-nos nos pormenores, os seus "personagens" decidiram-se por uma vida desregrada para a qual a "solução" parece estar... na total "imoralidade", talvez perante o desespero a grande maioria de nós haja assim, será?

Até breve.

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

A(S) DOR(ES)



Acordo de manhã com dores nas costas, passo o dia com dores nas costas, deito-me com dores nas costas. Quando vou correr ou nadar também me dói as costas e se estou durante mais de 2 hrs em cima da bicicleta também. Em pé não consigo estar mais de 10m e e sentado aqui no trabalho é uma tortura. É assim há muitos anos, mas não como nos últimos dois.
Sugerem-me especialistas, tratamentos, operações... Não sei, já não sei, tudo o que fiz até agora parece-me ter sido em vão e a minha "fé" no serviço médico português ( não conheço outro embora me afiancem que há gente mais competente sobretudo a norte da Europa) tem descido ao longo dos anos ao ponto de me tornar permanentemente desconfiado cada vez que vejo uma bata branca.
Hoje, desesperado, pedi mais uma vez a opinião dos meus colegas que vivem, ou viveram experiências semelhantes. Notícias contraditórias, uns ficaram assim-assim, outros pior, outros tem o mesmo horror que eu às "batas brancas". Fiquei na mesma e a indecisão entre a fisioterapia e a neurocirurgia ou nenhuma delas aumentou, como a dor...
Certo, certo é que ( e ainda hoje o disse a um amigo) nem no pior momento da minha vida há uns anos atrás me senti tão desmotivado. Aliás as corridas e as pedaladas que fazia nas matas ou a natação em águas livres que fazia na Lagoa de Albufeira foram melhores terapias do que qualquer que encontraria portas a dentro de um consultório. Mas agora é diferente... o interruptor parece ter-se desligado "apagando" muito da força de vontade. Mas será só a dor nas costas? Continuo na(s) duvida(s)...

segunda-feira, janeiro 31, 2011

UMA CRÓNICA QUE FICOU POR PUBLICAR

António Neves, Fernando Feijão e José Neves)

(A propósito de uma crónica que ficou por publicar em 2007 - Sem revisão)

Não é fácil trabalhar com uma autêntica “fábrica de ideias” como é o meu irmão. E não o é, porque frequentemente a superprodução dá origem à acumulação de stocks de ideias por falta de “escoamento”. Boas ideias arrumadas na prateleira, é triste de se ver, especialmente para quem aprecia a criatividade. Os responsáveis disto não são os membros do clube, nem os amigos que frequentemente se empenham nas “linhas de montagem dos produtos das suas ideias”, os responsáveis talvez sejam … os que estão pouco habituados a que para além deles outros também tenham ideias. O que é chato nisto tudo, é que estes também têm o chamado “capital” (sobretudo o social e o simbólico), ou seja aquilo que é caro a todos os homens: o poder! É preciso lutar portanto para que a distribuição deste seja mais equitativa ( e não um poderzinho para ti, dois para mim).
Divagações sociológicas irónicas à parte, a ideia de fazer um quadriatlo já é antiga e “desenpoeirou-se” quando alguns membros do CAB empenhados em treinar para as corridas de aventura, mas também para um halftriatlhon quiseram fazer um treino mais competitivo que incluisse os vários ingredientes das duas modalidades. Desta forma surgiu o “Quadriatlo Terra Livre Aventura com 1.200mts de natação, 8km de canoagem, 68km de BTT e 10km de corrida. Tratou-se ainda de aprimorar o acontecimento com um almoço convívio, troca de presentes e prémios aos 1ºs classificados feminino e masculino e o dia tornou-se por direito próprio pertencente à galeria dos “inesquecíveis”.
Fazer os relatos na primeira pessoa, dá-me sempre um “gozo do caraças”. O contrário, é sempre para mim um “parto difícil”, pois a “coisa” tem de ter ares de notícia e francamente apesar de um dos meus sonhos de adolescente ser o de me tornar jornalista em adulto (projecto que resultou apenas em fazedor dos pasquins aqui de casa), confesso que acho que tenho mais jeito para os “géneros literários”, naturalmente para os mais “caseiros” diga-se.
Bem, então aqui vai o relato da minha participação no quadriatlo:
A preparação específica foi pouca, mas confesso que apesar das duas últimas semanas terem sido catastróficas por motivos de doença, tenho vindo a treinar “alguma coisa”. Nado pelo menos uma vez por semana, corro duas a três vezes, pedalo duas e de vez enquando aproveito a borla” num ginásio e vou lá tratar do caparro. Além disso, como e bebo “à vontade”, respiro e sorrio e lá me chateio de vez em quando. Perante este quadro faltava qualquer coisa para se ser quadriatleta: a canoagem. Apesar de não a treinar (confesso que por preguiça e porque normalmente fico meio empenado das costas) arrisquei confiando na minha experiência anterior e na actual boa condição física, não me enganei.
No dia D, lá estava eu com 11 “gandas malucos” que após o gong das 10hrs se lançaram à água da Lagoa de Albufeira. A ideia era atravessar a dita lagoa, contornar uma bandeira na outra margem, agarrar um puxo que estava junto à referida bandeira e nadar na direcção da “partida” e aí iniciar a canoagem. A natação como sempre para mim é o momento em que substituo a força da técnica pela técnica da força. Normalmente o resultado é que chego sempre ao fim com a sensação de que, apesar de ser um tosco, lá me aguento à “bomboca”. Cheguei em 3º ainda com a imagem do Pedro Roque a fazer a travessia de colete e a pensar que ele iria demorar uma eternidade a chegar à margem da partida, enganei-me, pois passados alguns minutos ei-lo a iniciar a canoagem, que técnica! Claro que a esta altura já eu ia embalado na cola dos estavam à minha frente: o Velez e o Silva. Durante os 8km fui olhando por cima do ombro na expectativa de quanto tempo aguentaria até ser ultrapassado pelos prós que seguiam atrás: o meu irmão e o Feijão. Mas tal não aconteceu e ainda consegui ultrapassar o Velez, isto apesar do desconforto e dormência das pernas, não há maneira de me habituar ao barco, chiça!
O BTT começou com estas 4 feras a partir a “loiça toda” nos primeiros quilómetros. Aguentei-me, afinal não estava nada mal! O pior foi quando começou a orientação ( vulgo desorientação). Os primeiros pontos ainda fui bem sucedido, mas a partir de Sesimbra, nicles! Aí o António e o Feijão apanhando-me “distraído” no controlo intermédio com um problema de corrente deram uma grande “sapatada”. Pensei que o mini pelotão iria ficar partido a partir daí, mas não, pois tiveram um rebate de consciência e reagruparam o grupo. Contudo, essa “boa vontade” não durou muito, no pinhal entre a Quinta do Peru e a Cotovia o andamento era de “TGV” e o Silva ficou para trás. Três “sobreviventes” chegaram portanto ao parque de transições para a disciplina final, a corrida, eu, o Velez o António e o Feijão. Mais uma vez distraí-me e estes dois últimos saíram a todo o gás do parque de transições ( a ratice fruto da experiência). Fiquei eu e o Velez que me disse estar a passar mal com as cãibras. Despedi-me dele na tentativa de alcançar os líderes, mas o esforço cedo se revelou em vão quando me deparei com a dificuldade do percurso, areia da praia dunas e até uma travessia por água a nado ( 5mts). Para mim um percurso fantástico, original, belíssimo, mas o cansaço já fazia das suas e além disso estavam na frente dois bons atletas… que também tinham partido à minha frente. A prova acabou, obtendo eu um honroso 3º lugar, o 1º foi do Feijão e o segundo do meu irmão. É claro que quando for com malta mais competitiva ainda, este pódio será apenas uma miragem.
A prova terminara para mim, mas não para a maioria. O Velez foi o 4º, o Silva o 5º o Ricardo o 6º e a Esmeralda a 7º (vencedora feminina). Os restantes ( Os Ruis, a Filomena, o Roque, a Ângela) sentiram que os 10km de corrida seriam um empeno que poria em risco as provas que se avizinham e portanto não fizeram a totalidade do percurso de corrida.
No convívio final o Roque ficou com o epíteto de “lambão”, pois foi surpreendido com uns bigodes de chocolate em resultado de um saboroso bolo “abandonado” á mercê dos gulosos. Eu safei-me de pertencer ao "clube", fui mais discreto, usei um guardanapo.
Abraços a todos e obrigado pelo excelente dia que me proporcionaram.

domingo, janeiro 30, 2011

MEMÓRIAS...


"Epá, quanto tempo tem esta fotografia? Três anos! Três anos?! Como o tempo passa..." 
Esta fotografia foi tirada não sei por quem, o Rui mostrou-ma há uns dias através do Facebook. Lembro-me perfeitamente da situação em que foi tirada, estávamos no mês de Janeiro de 2008 no final de uma corrida de aventura chamada "I Caminho da Egitânea" e era a segunda vez que a equipa ( Eu o António e a Esmeralda) estávamos a competir juntos, a primeira tinha sido numa prova gélida em Trás-os Montes (Chaves - Montealegre) dois meses antes com, alguns vão achar exagerado mas há testemunhos que corroboram,-14º, isso mesmo! Desta vez a prova apesar das temperaturas baixas do mês não fora tão "agreste", ainda assim...
A prova teve poucas etapas, no 1º dia um ortofotomapa para cada elemento da equipa com um percurso urbano distinto, a seguir uma pedestre durinha de 42km, uma canoagem na Barragem de Idanha e a acabar um BTT acima dos 70km. O segundo dia foi mais "soft", começou com 35km de BTT e terminou com 20km pedestres se não estou em erro ( posso estar enganado mas estou lá perto).
Guardo na memória a longa e dura pedestre na qual picamos no último minuto o fim da etapa e a entrada para a etapa seguinte ( um final quase dramático) e do BTT nocturno, longo, longo, com frio e chuva e no qual rebentámos por... cansaço, pois estávamos dentro do tempo para o fecho da etapa, mas tivemos um lapso colectivo de memória acerca do regulamento de prova. Recordo também a sopa quente que nos serviram após quase sete horas em cima da bicicleta e o madeiro que me aqueceu os pés que julguei já não ter, tal era o estado de dormência em que estavam; recordo as infindáveis cercas de arame farpado que tivemos de saltar e que deixaram algumas marcas intemporais no corpo; recordo a atitude da equipa que soube no dia seguinte dar o seu melhor esquecendo a "derrota" de umas horas antes que muito provavelmente nos levaria ao pódio; recordo o companheirismo, o "odioso" sono, e as dores que se mitigam com a vontade de ultrapassar "limites" e uma dose certa de boa disposição; recordo tudo isto com muitas saudades de estar ali de novo a "dar tudo" e a mergulhar os sentidos na natureza numa liberdade inigualável. 
Curioso que nesta fotografia estou com um equipamento que já não tenho, o Buff foi engolido num "despiste" de canoa na praia de S. Cruz em Torres Vedras ( que ia engolindo o dono do Buff e &), os calções foram rasgados durante uma queda num calhau do Minho e os Supernova TR da Adidas ( um verdadeiros "todo o terreno") "morreram de velhice" depois de terem calcorreado muitos trilhos e ribeiros.
E depois deste exercício de escrita mas sobretudo de (boa) memória, até sempre camaradas!



sábado, janeiro 22, 2011

Raid Transpeninsular - OTV RTP2

Prova organizada pelo Clube Aventura do Barreiro e GDU Azóia, camaradas de clube e aventuras!



Passou hoje na RT2.

sexta-feira, janeiro 21, 2011

NÃO HÁ ALMOÇOS GRÁTIS

Finisher na Maratona de Lisboa 2007
(Fotodesporto)

Depois de duas consultas no CMD ( Centro de Medicina Desportiva) com RX´s e ressonâncias na mão e algumas horas de espera, sou recambiado para uma consulta no Hospital da Cuf com o argumento de que o meu problema era "complexo". Habituado às "complexidades" da vida e sobretudo a perceber como estas alimentam as diferenças de poder e "afirmam" crenças, neste caso de que todas as opiniões médicas são prescritivas ( entre outras opiniões de "especialistas"), pensei, "já vou ficar a arder com mais uns tostões". Mas fui, não fujo ao grupo dos "crentes", mesmo que tenha consciência dos dogmas de uma ciência quase transformada em religião, e confesso que os referidos especialistas são para mim ( e para mais) uma espécie de pastores evangélicos que nos libertam sempre um "aleluia", afinal, algo existe além desta enfadonha ignorância quotidiana na qual a maioria de nós chafurda e com as dores, não se brinca!
A linguagem da medicina do segundo especialista, erudida diga-se, fez-me perceber entre linhas que tinha de ir à faca imediatamente se é que quisesse ter alguma qualidade de vida nos próximos anos e voltar a praticar desporto como antes. A linguagem do dinheiro é que me pareceu mais do "senso comum", "é uma operação cara". Ah pois... saiu o novo modelo do "Porsche Cayenne" o "Tróia Resort" é o que está a dar e as acções do Grupo Melo estão bem cotadas em bolsa! Bem... adiemos a "operação" para quando eu quiser reformar-me por "invalidez", pode ser?!
Procurei outras alternativas, outras leituras, outras abordagens, quem sabe, outros "especialistas",dos médicos vou estando farto, os resultados em dois anos são... os de que pareço um "bocado de carne" que pode render uns cobres, seja no fisiatra, no ortopedista, entre outros, e a dor, ah a dor, mantêm-se. Penso em consultar um Xamã de uma tribo de índios mexicanos e passar uma semana com eles no deserto, um conhecido triatleta americano diz que isso lhe mudou a vida, why not?! Um chá de peyote talvez me faça bem...
Bem, em sentido prático, corro, nada e pedalo entre os meus afazeres que vão sendo muitos, embora o rendimento destes não chegue para um Mercedes C220 em segunda mão com mais de 10 anos ( adoro este ideário burguês). Ah e faço alongamentos, tento perder peso e vou ver se consigo encontrar um massagista, baratinho. Outra coisa, sinto-me mais motivado quando corro, pedalo e nado, o que me parece ser o principio da cura da maior doença, a da "alma".
Bem...e talvez o próximo post seja mais "desportivo" que este. Até breve.

À VOLTA DO SANTIS ( PARTE I)

Como o planeado saí de Konstanz para passar uns dias com um amigo nos arredores do cantão suiço de Sankt Gallen. Não tinha...