quinta-feira, outubro 13, 2011

SAIR DA "ZONA DE CONFORTO"

 XPD 2009 - Com aproximadamente 30hrs de prova em Santana - Sesimbra
XPD 2009 A "união faz a força" - ao 4º dia em Valada do Tejo - Cartaxo

Nestes dias em que se ouve e reflecte intensamente as palavras "crise", "austeridade", os cortes nos (parcos) rendimentos e as opções de muitos ( eu incluído) em nos mantermos ( ou porque é que nos mantivemos, acreditando) neste país aferrolhado por uma "lógica" ( é claro que existem termos mais concretos, mas para mim a "lógica" deriva da aceitação dessa mesma realidade) de funcionamento social tão desigual, vem a propósito, quase em jeito de metáfora, discutir aquilo que poucos ouvem falar, menos reflectem e raros sentem: sair da "zona de conforto". 
Não me vou alongar muito... Hoje com faço na maioria das vezes vim para o trabalho de bicicleta. A minha "Mustang", uma bicicleta de estrada do princípio dos anos 90 que equipei com alforges para poder trazer, livros, roupa e a lancheira com o almoço ou o jantar aqui para o trabalho entre outras coisas que me fazem falta, conquistou o espaço da minha GT nas frenéticas estradas aqui da capital. À hora que venho, aproximadamente 19hrs, o trânsito costuma "infernal", o ar irrespirável e o perigo criado pelos meus "homicidas de estimação": taxistas muito parecidos com as caricaturas dos homens de Neandethal e outros "hominídeos" de telemóvel em punho falando ou a enviando SMSs isto além de estarem também a conduzir, aumenta! 
Mas pronto, estou a desviar-me do essencial, ou talvez não. Continuando... cheguei então ao meu trabalho que fica no final de uma espécie de contagem de 2ª categoria, suado, hoje muito por culpa do calor abrasador que fez e do "final da etapa" e tomei uma banhoca rápida ( é um privilégio não é?). No vestiário cruzei-me com os colegas que vou substituir e meto a habitual conversa de caserna, "então meu, como é que correu o dia?", um deles diz-me, "está calor", eu digo, "é verdade, um bocado anormal para a época" ele diz com uma voz que me pareceu de desalento, " isto está mau, espero bem que não aconteça nada de grave", eu digo-lhe, " pois... a continuar podemos ter problemas de seca, é tramado para todos, sobretudo para os agricultores", ele " não, grave no sentido de acontecer algum desastre terrível para a humanidade, isto é estranho", eu reformulo o meu raciocínio tentando aproximar-me mais do dele, " pois... se estás a falar de que os nossos estilos de vida estão a provocar  desequilíbrios sociais e alterações ambientais, eu concordo, a continuar assim..." ele interrompe-me, talvez achando que as minhas palavras não estavam a ir de encontro às dele, " não pá, há qualquer coisa, vai acontecer qualquer coisa de muito grave", eu desdramatizo " bem, acontece sempre qualquer coisa... umas boas outras más e o mundo ( nós) avança", ele faz um silêncio que eu aproveitei para rematar "é preciso que as pessoas saiam da zona de conforto, tenham vontade de mudar, de experimentar, de aprender, depois tudo o resto vem por acréscimo", o silêncio agora dura mais tempo, talvez porque espere que ele comente o que acabei de dizer, questionando ou enriquecendo este ponto de vista, mas em vez disse ouvi um lacónico, tão inconsistente e na moda "é complicado"! 
Pois é, "complicado" é sair da "zona de conforto".

quarta-feira, outubro 12, 2011

CA Serra da Estrela e Sabugal II

Vídeo da prova emitido no passado Sábado na RTP2 programa "Desporto 2". PS - O homem da canoa sou eu ;-)

CA Serra da Estrela e Malcata

 Solo duro em Manteigas - a dormir umas preciosas 2hrs
 Na aldeia do Sabugueiro - ponto de troca de elementos da 1ª etapa pedestre
 Na segurança da natação na Barragem do Rossim - aqui a "salvar" um atleta com cãibras
 Idem
 Junto à Barragem do Sabugal ( rio Côa) no ponto de troca da etapa de canoagem do 2º dia
O Dream Team que ajudou a dois dias de muita aventura

sexta-feira, outubro 07, 2011

TRAVESSIA DA BAÍA DE SESIMBRA


E lá fui eu mais uma vez atravessar a Baía de Sesimbra a nado, prova que funciona como rentrée para os meus tímidos treinos de piscina todos os anos. Perdi a conta às vezes que já fiz esta travessia, mas recordo-me de algumas circunstâncias "insólitas", como fazê-la com nevoeiro cerrado, chuva, frio de rachar, água gelada e muita malta a sair dela a "tremelicar", boa companhia, entre outras "particularidades" que ficam na memória melhor que a contagem das vezes que ali estive. O prazer é sempre o mesmo e a certeza fica, "para o ano estarei cá outra vez"! No ano passado isso não foi possível, mas este foi-o e ainda por cima coincidiu com um bonito dia de verão tardio português, que muito agrada a quem tem tempo e dinheiro para fazer praia, comer umas belas sardinhadas e dormir a sesta ( sim porque aqui nesta jardim à beira mar maltratado começa a ser para muitos uma "preciosidade").
Muitos atletas na partida, a maioria malta da natação de competição e uns quantos "cromos" como eu pouco fit(s), muito pelo na peitaça ( e branco) e pouca vaselina para "deslizar" na água, no meu caso nenhuma que aquilo só polui a água. A minha habitual "técnica da força" e o estilo misto, costas de remada simultânea e crawl, foi mais uma vez suficiente para transpor os 1500mts ( mais coisa menos coisa) com a alegria de me ver momentaneamente peixe. O tempo a rondar os 38m ( 38.08) no relógio da chegada, 37m no meu, ligado só quando entrei na água no fim do "pelotão" evitando assim os pontapés dos quase 400 que entraram à minha frente.
Curiosidade: não entrava numa prova desportiva desde AGO2010 (UTMB), o que mesmo sem treinar não deixa de ser um excelente indicador de saúde e de que alguma coisa está a mudar, para melhor claro!
De resto, desejo uma boa época desportiva, e não só, a todos os que por aqui vêm espreitar o Trilhos. Abraços.

PS - A crónica de 2009
http://trilhosmiticos.blogspot.com/2009/10/travessia-da-baia-de-sesimbra-2009.html

domingo, outubro 02, 2011

MASSA CRÍTICA - FELL ALIVE


Há dias da nossa vida em que na simplicidade (re)encontramos algumas dos fundamentos da nossa existência colectiva e apetece-nos gritar de plenos pulmões - sinto-me vivo! Eu tive essa impressão na sexta-feira passada quando mais uma vez participei na Massa Crítica.
O nome para alguns pode parecer estranho, mas denomina em linhas gerais, um movimento mundial pacífico e apolítico ( no sentido ideológico do termo, não no de participação na vida pública) que congrega espontaneamente pessoas de diferentes condições, idades e profissões e que fundamentalmente reivindicam uma utilização segura da bicicleta em espaço urbano, e não só... Se reflectirmos um pouco "criticamente", percebemos facilmente que o uso da bicicleta impõem-se nos dias que correm com a grande pertinência dos seus argumentos: melhor e maior e preservação ambiente, estilos de vida saudável, utilização racional e funcional dos espaços colectivos e por ai fora. Se continuarmos a "cavar" nesta reflexão abrem-se múltiplas perspectivas de discussão: a "ditadura do automóvel" que transformou e descaracterizou as nossas cidades com "rios de alcatrão" e outras infraestruturas nas quais se gastou em grande parte o dinheiro que hoje obriga a vermos reduzidos os salários, a protecção social, os apoios à educação, projectos de construção de zonas verdes e incremento de transportes públicos na "gaveta", isto além do consumo excessivo e catastrófico do petróleo e, mais uma vez, por ai fora... 
Podia passar dias a fio a escrever sobre isto. Sobre a certeza de que a grande maioria de nós foi condicionada a estilos de vida perniciosos sobretudo associados ao consumo que comprometem o frágil equilíbrio entre nós, nas relações que estabelecemos em comunidade e sobretudo com o mundo natural.
Na questão mais específica, a utilização da bicicleta em espaço urbano, a postura reivindicativa é de uma legitimidade que muitos dos que buzinaram "contra" os ciclistas na sexta-feira deviam corar de vergonha se pensassem que os custos da utilização intensiva do "seu" automóvel ( poluição, acidentes e as suas horríveis consequências, infraestruturas, segurança, etc, etc) que pesa muito nos seus bolsos de contribuintes, pesa ainda mais naqueles que utilizam a bicicleta frequentemente nas suas deslocações diárias, porque o " custo benefício" é substancialmente reduzido nestes! Quantas ciclovias há em Lisboa?! Poucas, más, inseguras! Eu sei porque já circulei na maioria delas. Não pergunto quantos túneis, vias rápidas, estacionamentos, etc, etc, etc, vi surgirem entretanto. Podemos apelidar isto de um grosseiro défice democrático.
Imaginemos pois uma cidade das pessoas para as pessoas, e nesta quase utopia, cabem certamente as nossas bonitas bicicletas e a sua simbólica liberdade.
MASSA CRÍTICA, andar de bicicletas todos os dias, celebrarmos juntos uma vez por mês.
Parabéns a todos, I fell alive!

sexta-feira, agosto 26, 2011

Hoje é dia de Massa Crítica


http://massacriticapt.net/

Disse-me um amigo há dias a propósito de eu lhe ter dito " epá nunca estive em tão má forma. Não treino, estou gordo e pior estou sem vontade para treinar e quando o faço não tenho o prazer que tinha antes". Ele simplesmente respondeu-me: " tem calma, primeiro vem a vontade e depois o prazer. Será bom que consigas a primeira (lembro-me que para isso é necessário uma forte disciplina), a segunda vem por acréscimo". Pois... bem, para já estabeleci alguns objectivos: conseguir fazer alguma actividade física pelo menos três vezes por semana a partir de agora ( Ciclismo, Natação e Corrida/Caminhada). Depois tentar (re) socializar-me, isto é (re)encontrar grupos para treinar e ir a provas pelo prazer de conviver, depois... bem, o resto vem por acréscimo. Para já hoje vou treinar BTT para Monsanto e depois dar um salto ao encontro mensal da "Massa Crítica" aqui em Lisboa no Marquês de Pombal às 18hrs. Se não estou de regresso, pelo menos estou com vontade e enquanto dura... pode ser que o prazer a subsidie durante muito tempo ;-). Abraços


À VOLTA DO SANTIS ( PARTE I)

Como o planeado saí de Konstanz para passar uns dias com um amigo nos arredores do cantão suiço de Sankt Gallen. Não tinha...