quarta-feira, novembro 07, 2012

Pedalar em Lisboa com os olhos em Amesterdão

A recuperar da entorse, já consegui ontem, pela primeira vez em 10 dias, treinar qualquer coisa. Uma natação ligeira e exercícios de reforço muscular de manhã e uma volta de bicicleta em Lisboa de tarde, puseram-me bem disposto para o resto da semana e deram-me alento para vir hoje e espero que amanhã ,para o trabalho também a pedalar. Regresso assim à normalidade depois de várias tentativas com sucessivas lesões ( antes da entorse, um problema muscular, antes desse uma cirurgia de urgência, and so on, and so on... com pouca vontade à mistura é certo).
Ainda a propósito de pedalar em Lisboa, a cidade tem cada vez mais ciclistas, o que a torna mais alegre e "primeiro mundista". Assim os lisboetas já se  parecem com os habitantes de Amesterdão no video em baixo, cidade onde eu também espero pedalar para a semana. Uma coisa é certa, "parecemos, mas não somos", isto de pedalar sem ciclovias, na irregularidade dos paralelos da capital, inesperados buracos e carris escorregadios e largos "tem muito que se lhe diga". A propósito, ontem ali para os lados do Poço dos Negros só não dei um "tralho" memorável depois de enviar a roda num carril porque me tornei um especialista em "equilibrismo". Pudera depois de tantos acidentes, já aprendi qualquer coisa :-) Ainda bem, que isto de estar sempre no "estaleiro" já cansa.


sábado, novembro 03, 2012

ECOVIA DO ALGARVE - PARTE III

Depois de Armação Pêra, tive mais uma vez dificuldade em acertar com a rota da "Ecovia" porque esta aparecia e desaparecia e sempre em estradas com demasiado trânsito. Quem me manda não ter um GPS ou um mapa mais pormenorizado?! Por estes e pelos motivos que tenho vindo contar, fartei-me de "andar às cascas" nesta travessia do Algarve litoral e decidi apontar definitivamente para junto do mar. Desci, primeiro por estrada alcatroada depois por terra batida e dei com esta praia deserta. Achei que isso seria impossível no Algarve, ainda por cima aqui, onde há mais turistas e menos espaço para banhos. A visão do mar, o sossego do final da tarde e o cansaço fez-me ter vontade de dar um mergulho como se fosse um troglodita feliz fundido com a natureza, ou o livre ( acho que me percebem) Adão antes de se preocupar em alimentar o estômago, mas a hora já era tardia e eu tinha de estar em Portimão a horas decentes de apanhar o comboio de volta para Tavira onde iria pernoitar. O problema foi sair dali, pois tive de carregar a bicicleta um bom bocado às costas por um trilho marcado como PR. Cá em cima pude finalmente ir apreciado o conjunto de praias recortadas em rocha, trilhos mais "técnicos" e cheiro a natureza ( aquele cheirinho algarvio único no universo), "finalmente BTT"!

Mais uma praia deserta... Antes de Adão tratar do estômago, conheceu Eva, provavelmente num sítio destes.

A erosão tem os seus caprichos.
A erosão tem aqui os seus caprichos II

Que final de tarde!
Gaivotas em terra nem sempre significam tempestade no mar. Provavelmente fazia o mesmo que eu, contemplava...
Antes de chegar ao Carvoeiro o sol pôs-se para os lados da Serra de Monchique.
Passo pelo Carvoeiro depois por Lagoa e já é de noite. Não tenho luzes, nem vejo grande coisa. Acelero pela berma da N125 na direcção de Portimão, os carros encandeiam-me em sentido contrário, ainda por cima há obras que me obrigam a ter muito cuidado. Sei que a ciclovia passava por Ferragudo e atravessava a ponte antiga de Portimão. Mas tenho de optar por este lado que fica mais próximo da estação. Achei que se chegasse antes das 22hrs teria comboio de regresso, puro engano, quando chego a estação já está fechada, o último passara próximo das 19hrs. Janto numa tasca em frente da estação de comboios, estava morto de fome. Depois, procurei sítio para pernoitar em Portimão, terra onde em 1973 passei pela primeira vez férias no Algarve, desde ai a transformação foi profunda. Não foi difícil encontrar cama, mesmo sem lençóis, nem tomar um banho retemperador sem sabão e toalha. Quanto à roupa, tinha uns calções e uma camisola na mochila que troquei para dar um salto com sapatos de ciclismo à Praia da Rocha onde comprei uns  "confortáveis" chinelos em saldo e bebi mais uma "bejeca" fresquinha ( que grande beberrolas:-).
Adormeci profundamente e acordo de madrugada com o barulho das muitas gaivotas sobre a cidade, são 6hrs. Penso se vale a pena seguir viagem até Sagres correndo o mesmo risco de não chegar a horas de apanhar o comboio de volta para a minha casa em Tavira. Sei que ainda me faltavam aproximadamente 80km até ao Cabo mais a sul da Europa mais o retorno para Lagos, o que feitas as contas seriam para ai uns 120km. Conclui: "tenho tempo, volto ainda esta semana para fazer o resto, agora estou cansado". Não voltei nessa semana, mas voltarei em breve. Apesar do desencanto com a Ecovia do Algarve, o prazer de viajar de bicicleta superou a desilusão de um traçado que não é uma verdadeira mobilidade alternativa, só a espaços.
Apanho o primeiro comboio para Faro onde tomo o pequeno almoço já com o familiar cheiro da eterna Ria Formosa. A cidade de manhã é encantadora!

Estação de Portimão.
Ao chegar a casa, o meu vizinho algarvio oferece-me umas amêijoas que apanhara de manhã na ria. Preparo-as ao jantar com esparguete enquanto abro um tinto alentejano. Ponho depois a mesa no quintal e acendo uma vela para criar ambiente no lusco-fusco algarvio. De barriga cheia as recordações do dia anterior tornavam-se agora mais nítidas e a cabeça enche-se de novos projectos de liberdade.

quinta-feira, novembro 01, 2012

ECOVIA DO ARGARVE - PARTE II

Depois de Vilamoura sigo por um estradão de terra paralelo à Praia da Falésia com demasiados carros e poeira. Mais à frente a alternativa é seguir pela estrada dos Olhos de Água na direcção de Albufeira. Não descubro o caminho junto à costa nem a ecovia, mas descubro um "Alisuper" com cerveja fresca. Compro duas(!) e um pacote de cajus e sento-me a beberricar e a imaginar que se as horríveis urbanizações que tenho em frente do outro lado da estrada não tivessem sido construídas por um qualquer pato-bravo, eu pedalava numa verdadeira "ecovia" a ver o bonito mar algarvio. Tenho a consciência que estou a ser injusto, se estas urbes "farinha âmparo" não tivesse surgido ao longos das últimas décadas, seria difícil alojar todos os agora pequenos burgueses suburbanos daqui e do norte da Europa, despejados aos "montes" pelos charters "low-coast" no aeroporto de Faro ou desembocados na A2 ou IC1, ávidos de um bocadinho de calor, descanso e umas bebedeiras de caipiroskas e gins tónicos. Afinal, "quando o sol nasce é para todos", já dizia não sei bem quem, mas com razão, até um dia destes!
Chego passado pouco tempo a Albufeira depois de um "up and down" em estradas que se cruzam aparentemente sem sentido e os "tais" prédios também chamados "clubs" ou "quintas", entremeados com "fast foods" de menus "british", bares de de "Karaoke", "folk" e "irish",num verdadeiro "arraial" para as massas que gostam de viver a vida "cocktail" ou "loca", como dizem os nuestros hermanos. Gosto de Albufeira, cicla-se bem porque muitas ruas são fechadas ao trânsito, tem uma arquitectura de inspiração mourisca e "bifas" mal passadas de olhinos verdes e azuis que ajudam a quebrar a monotonia das morenas daqui o ano todo.

"Al Buhera" ao final de uma tarde de Julho


"Portas do Mar" ou o que resta de uma antiga povoção muralhada. Por aqui passaram Fenincios, Gregos, Cartagineses, Romanos, Mouros, até ser portuguesa... ou, espera, será agora inglesa? Alemã? Holandesa? Brasileira? Não interessa, "o mundo é a nossa casa"! Que o digam os donos  das "lojas chinesas" e dos "supermercados paquistaneses" que vejo aqui, como já vi além fronteiras. Como diz Thomas Friedman, o mundo agora "é plano"!
Qual "ecovia" qual quê. Dou com ela novamente depois de sair de Albufeira, próximo do Porto de Abrigo, para a perder novamente mais adiante. Procuro então a linha de costa, fazendo trilhos sinuosos em rocha junto das arribas, numa versão mais do agrado da minha GT. São muitas as bonitas praias de enseada que já se vão esvaziando ao final da tarde.

Depois os areal estende-se com a Praia da Galé até Armação de Pêra. 


Antes a bonita zona dos Salgados, com uma duvidosa floresta de palmeiras que daria para o Coppola fazer mais um remake do Apocalipse Now 


Encontro a Ecovia e logo da melhor forma, viva a CEE! 


100k e 10mts, um bocadinho mais atrás e as contas eram "redondas".
Para não dar a volta à Riberira de Alcantarilha numa estrada cheia de trânsito, opto por arastar a bicicleta entre dunas até à praia onde a referida ribeira morre antes de chegar ao mar. Já estou em Armação de Pêra após 7hrs a percorrer os Algarve com muitos enganos e paragens pelo meio. Apesar da desilusão de não econtrar uma verdadeira "Ecovia", pedalo, descubro, viajo, sonho e bebo umas cervejas frescas ao sol dourado do sempre sul... e por lá sigo.


sábado, outubro 27, 2012

UMA RÁPIDA SAÍDA DE CENA


Ele há dias que um gajo não devia sair de casa...
Depois da chuva incessante desta semana, hoje o dia prometia um solinho morno que fez renascer a vontade que desde a semana passada tinha de fazer a rodagem aos meus novos "Salomon pechincha" ( uns Neon Trail GTX Gore Tex). Dito e feito! Compras matinais na feira de trocas da Decatlhon com  uns patins para a gaiata a 5€ e uma nova corda da roupa ( que por enquanto ainda vou tendo com o direito ao "pacote" cama e comida e sem o "slot" rolo da massa) e bute para um Monsanto escorregadio com lama e poças de água, num cenário ideal para o "test drive" aos novos calcantes de trail. 
A coisa estava a correr de feição que até os meus actuais 90kg pareciam os do Gebrselassie, tal era a leveza da passada, tal era o prazer na "souplesse", alimentada também por um revigorante cheiro a terra húmida, que tinha apontado para 1h30 o limite do treino. Estava portanto nesta onda rolls rock, tilho aqui, trilho ali, pedras aqui, pedras ali, raiz aqui, raiz ali, até que aos 45m de liberdade, embrenhado em pensamentos carregados de boas vibrações, numa zona  acidentada de pista de BTT para downhillers, pumba, torci o pé. Além da dor aguda, senti um calafrio e uma náusea próxima do ir ao gregório, nada digno de um master em trambolhões como eu ( mariquices). Mas foi ao tirar o sapato que vi o estrago, tinha já o tornozelo e o pé num trambolho. Regressei para o carro a 5km dali quase ao pé coxinho, o que demorou mais do que o treino planeado e um sofrimento inesperado com decorativos palavrões.
Bem, e agora estou esticado com o pé enfaixado de ligaduras e gelo, depois da "pedra" de um antinflamatório. A ver vamos qual o tempo de recuperação. Para já saio de cena depois de uma recente entrada  e logo cheio de vontade de voltar a brilhar, enfim, há dias...Até breve.

quarta-feira, outubro 24, 2012

NOVAS PANTUFAS, MAS A PREÇO DE CRISE


Os Salomon XT Wings que me acompanharam por muitos trilhos de norte a sul da nossa bonita terrinha, uma "internacionalização" no UTMB e que custaram o "simbólico" preço de 10€ há quatro anos, morreram de velhos numa recente prova em Cascais. Na época dos "saldos todo o ano", lojas "oulet" a cada esquina e habituado a comprar umas "pechinchas", vasculhei os habituais circuitos na tentativa de encontrar uns substitutos dignos de honrar os defundos. Tarefa difícil pois o máximo que via nos escaparates eram a 50% do preço original que no caso da Salomon as contas nunca são feitas por menos de 60 a 70€. "Ao menos ao preço dos meus XA Pro 3D por 30€ há dois anos atrás", rezei. Já estava disposto a cometer a loucura de comprar um par de ténis por metade, até que numa volta pouco habitual dei de caras com estes, ainda por cima em "gore tex" e pasme-se, a um "preço de crise".
Calçam que nem uma "luva" e mais não digo que os quero estrear em breve, de preferência ali para os lados de Miranda do Corvo.

terça-feira, outubro 23, 2012

AS LEBRES E OS CARACÓIS A PEDAL


Qual colinas intransponíveis de Lisboa, qual cheiro a suor para os que não possam tomar banho no emprego ( eu felizmente posso), qual dores nas pernas e no rabiosque, qual pequeno almoço entre a garganta e o estômago. Para quem viaja de bicicleta para o emprego, há alternativas que serão o futuro da mobilidade na nossa amada cidade "up and down x 7" de Lisboa. Isto a propósito de que hoje fui ultrapassado por uma bicicleta eléctrica e parecia que estava parado, embora fosse a uma (boa) velocidade de 24km/h ( com vento off shore). Lá fiz um esforço, meti a "talega" e passados uns metros "colei-me à bomba". Resposta do condutor ( com pinta de hippie yuppie e bandeira de portugal no cestinho da frente, " não vale a pena pedalares tanto, eu por muito menos ando mais depressa". Apeteceu-me responder-lhe, " seu burguês convencido!" mas num remoque de orgulho pensei "ao menos eu ainda faço um treino logo pela fresca". E lá cheguei ao emprego a suar as estopinhas, sobretudo por causa da quase inexpugnável colina da Penha de França, pelo menos ao "ataque" das bicicletas "tradicionais".

À VOLTA DO SANTIS ( PARTE I)

Como o planeado saí de Konstanz para passar uns dias com um amigo nos arredores do cantão suiço de Sankt Gallen. Não tinha...