quinta-feira, dezembro 27, 2012

PEDALAR POR BERLIM ( PARTE III)

Levantei-me cedo no único dia inteiro para visitar Berlim ( no dia seguinte partiria a meio da tarde). A manhã estava tão gelada como a noite anterior e o nevoeiro persistia, mas agora esburacado por um sol que se afirmava radioso. Tinha ficado na zona de Mitte, a dois passos da Alexander Platz, local de muito comércio e onde não seria difícil encontrar uma loja de aluguer de bicicletas ( "Mitte", curiosamente o mesmo sítio onde moravam os ficcionados protagonistas de um dos meus filmes preferidos - Goobye Lenin). As lojas só abriam às 10h e por isso tive de esperar dando umas voltas pela zona. Perto, um grupo de jovens "punks" tomava o "pequeno-almoço" de vodka em algazarra e um pouco mais à frente, num local do passeio coberto de velas, flores, recortes de jornais e fotografias, assinalava-se o local onde um jovem tailandês tinha sido assassinado meses antes por neo-nazis. Lembrei-me que estava talvez na zona da cidade onde 60 anos antes os combates entre os russos e o exército nazi teriam sido dos mais encarniçados e mortíferos da "Batalha de Berlim". O resultado do delírio hitleriano, foi só na cidade, a morte de mais de 600.000 pessoas, a maioria de origem alemã. Os demónios pelos vistos continuavam à solta e muitos ainda impunes.
Foi numa loja gerida simpaticamente por uma segunda geração de imigrantes turcos que aluguei uma "pasteleira" por 11€ com uma caução de 20€ a devolver aquando da entrega. A partir daí dei início à exploração da cidade, começando pela famosa e movimentada "Unter der Linden", onde tive de contornar as muitas obras ( Berlim é por estes dias um estaleiro que beneficia de um crédito baixo concedido à Alemanha) e autocarros de turismo. Toda a área circundante é designada pela "Cidade dos Museus", laboriosamente reconstruidos após a segunda guerra pelo antigo poder comunista antes da queda do muro ( curioso não é?!). Na zona encontram-se ainda muitas Universidades, bibliotecas e sobretudo "monumentos memória" dos quais destaco a céu aberto o do Holocausto, uma vasta topografia fúnebre dos 6 milhões de judeus assassinados pelo regime nazi! Dou mais à frente uma rápida vista de olhos ao Checkpoint Charlie que está cheio de turistas americanos, canadianos e franceses e retorno para atravessar as bonitas Portas de Bradenburgo e visitar o antigo "Reichstag", agora transformado no novo parlamento de uma Alemanha unificada que jura democracia ( mas onde pelos vistos alguns continuam a fazer figas a esta). Embrenho-me no lindíssimo e extenso  Grober Tiergarten fascinado pelo largos e tranquilos caminhos, lagos e sobretudo pelas tonalidades castanho dourado das árvores no Outono berlinense. Perco-me ai por instantes, sinto-me um pássaro longe de casa, mas muito feliz. Nas imediações há também bonitos monumentos da época prussiana, os que se reconstruiram, outros foram irremediavelmente perdidos nos bombardeamentos.
Certamente com bastantes quilómetros nas pernas, apercebo-me que metade do dia já tinha passado ( sabia que iria anoitecer por volta das 16h30). Esqueço a conhecida Kufurstendamm, centro da "Berlim Ocidental" e por onde tantas vezes li que a Christiane F. deambulou entre artistas  e os seus companheiros do vício da heroína e volto para trás ao longo do Rio Spree para a zona Oriental da cidade. Descubro um antigo cemitério militar cortado por uma das secções do antigo "Muro de Berlim", e onde na tarde solarenga algumas crianças brincavam tranquilamente. Pedalo por zonas industriais abandonadas que ostentam antigas marcas alemãs que lembro ver em Portugal na minha infância ( a Telefunken uma delas), igrejas protestantes,  prédios de aspecto "social" e "terras de ninguém" que impunham o "vazio entre "berlinenses democráticos" e "federais". Detenho-me numa das zonas mais simbólicas do antigo "muro", a Bernauer Strasse e o Mauer Park e nos muitos testemunhos ao ar livre ( torres de vigia, grandes partes do muro, centros documentais, monumento às vítimas do muro, etc). Observo que anoitece ( neste época do ano, demasiado depressa), tenho de entregar a bicicleta. 
Berlim é uma cidade monumental que merece muitas visitas. A próxima espero que acompanhado, satisfazendo a necessidade de poder trocar impressões, aqui é necessário, de preferência com alguém que esteja identificado com a história da cidade. Em Berlim a bicicleta não é rainha como em Amesterdão, mas permite viajar por toda a cidade, isto apesar de uma boa rede de transportes públicos. Não tendo muitas ciclovias é bastante ciclável, pois existem muitos espaços que o permitem, evitando as largas e movimentadas avenidas. Em Berlim destaca-se sobretudo o que resultou da da 2ª Grande Guerra ( muito visível nos estilhaços que muitos edifícios ainda ostentam) e as suas consequências, como a divisão da cidade, separando os seus habitantes por um muro  de mais 100km de extensão. Mas apesar desse passado ser lembrado em cada esquina, (re) nasce agora uma Berlim grandiosa com muitos edifícios de uma bonita arquitectura modernista.
Entrego a bicicleta e procuro jantar, por cima de mim os mesmos corvos e a sua desgraçada sinfonia. Ataco na estação de comboios, uma sopa vietnamita insípida, mas quente que me recupera do frio que já vou sentindo e bebo mais uma saborosa "Berliner". Sinto-me bem na cosmopolita Berlim!

quarta-feira, dezembro 26, 2012

"Arrábida da Serra ao Mar"



Um filme de Luis Quinta e Ricardo Guerreiro.

"Arrábida da Serra ao Mar :: Terminado

O Filme de 50' com o nome de "Arrábida - Da Serra ao Mar" está terminado. Foram anos de trabalho e com um esforço final de filmagens e edição neste ano de 2012. Mas o projecto chegou ao fim e estou muito satisfeito com o produto final. Este filme, não tem pessoas, nem actividades humanas, apenas aborda a vida selvagem que vive na região da Arrábida. É uma história positiva, com o que de bom existe naquele território. TODOS os animais são SELVAGENS 100%. Para já aqui fica oteaser com 1' - apresentação do filme! Em breve darei notícias sobre a sua exibição na integra."
In Lusitanicus
http://www.lusitanicus.blogspot.pt/
Autor: Luis Quinta

segunda-feira, dezembro 24, 2012

BOM NATAL


Que o desporto seja apenas o pretexto para descobrir o valor da fraternidade!
Bom Natal.
Beijos e abraços.

quinta-feira, dezembro 20, 2012

APRENDIZ DE MARUJO

Vento, vagalhoça, "mar da palha" encrespado. Tejo com baía de abrigo, melão maduro e vinho tinto de resgate a nado em terra firme. Salada de atum e tomate, sol e sal de curtir, boa conversa e  lição para muito marear.


Baía de Seixal a bordo do Peter Rabbit- Julho de 2012 - Foto tirada por António Neves

Inspirem-se!

terça-feira, dezembro 18, 2012

Pedalar por Lisboa

Pedalar por Lisboa ao domingo é descobrir os recantos improváveis que o diabólico trânsito torna difícil durante os dias da semana. É ver uma cidade como só a bicicleta permite: "cidades" dentro da "cidade veloz", intimas, a cidade das pessoas.


Nos "trilhos" do antigo Casal Ventoso. "Casas fantasma" onde ainda moram alguns fantasmas, vivos. Todo o bairro foi abaixo, sobraram as deterioradas casas "legais" do Casal Viúva Teles sobranceiro à Rua Maria Pia, mas esvaziadas de habitantes. Estão agora "arrumados" nas "casas caixa" da Quinta da Cabrinha no vale de Alcântara.
A "meia laranja", a antiga "porta do bairro" e ainda centro da economia "marginal" ( como as offshores) da zona ( além dos cafés, clubes e mercearias) é ali mais à frente.


Se rebaptizasse o sítio, chamar-lhe-ia agora "Casal Vistoso ou da "Bela Vista". Imagino a original toponímia, os ventos dominantes de noroeste vindos do mar, que nem a Serra de Monsanto travava, a soprarem sobre os telhados e paredes frágeis do bairro.

"Casal Ventoso de Baixo", o epicentro do antigo Bairro. Mais abaixo a "nova" Quinta da Cabrinha.

O Centro Social do Vale de Alcântara  ladeado de uns alinhados cedros e pinheiros.
As impressões das antigas casas encostadas a um muro. Atrás de mim situava-se o palco dantesco da vida recente do Bairro, o "muro das lamentações" onde muitos toxicodependentes consumiam dia e noite as drogas compradas na então pujante economia dominante do bairro. Ao longo da encosta depois do muro, habitavam os que "vício" já não dava forças para sair dali, os que andavam aos "algodões", a fazer "lavagens", utilizando o que restava das seringas deitadas fora por outros. Ao espaço falta memória, mesmo trágica, é sempre necessária. 

Umas escadas que em tempos ligavam ao vale e aos caminhos que o atravessavam, agora "cortadas" por muitas estradas, viadutos, linhas de comboio...

Já não se pode ir de Campolide ao Bairro da Liberdade a pé. Os carros criaram ilhas na cidade, insularizaram pessoas, romperam laços de vizinhança.


Pilar do Aqueduto das Águas Livres. Quem é afinal Danielle? Podemos imaginar porque é que um dia quis escrever num lugar público ( pena tê-lo feito num monumento nacional): " e nós faremos do mundo a nossa cama".


Criam-se agora novas "proximidades".











À VOLTA DO SANTIS ( PARTE I)

Como o planeado saí de Konstanz para passar uns dias com um amigo nos arredores do cantão suiço de Sankt Gallen. Não tinha...