Contava a minha avó, que eu era o neto mais difícil de todos. Sei que entre outras tropelias que faziam o meu "cadastro", ao qual a minha mãe ia dando substância e que duraram até à adolescência, altura em que faleceu, estavam as suas bem intencionadas mas infrutíferas tentativas de me tornar num bom cristão com idas dominicais à missa. Momento beatífico que depressa se transformava num rol de queixas e repreensões porque eu, na irreverência da minha meninice e perante a vista do espaço, fugia a sete pés, como um "diabo foge da cruz". A velhota guardou até ao fim dos seus dias a memória desses dias em que não podia rezar o terço sossegada por causa de um neto que se recusava a ser pio e sei que partiu um bocado zangada comigo.
Nunca fui bom, nem mau cristão, nem crente nem descrente. Para mim "a verdade libertadora" é um ponto de vista humano e gosto agora de igrejas pela sua monumentalidade, frescura no verão e cheiro a incenso. Tenho igualmente pelas…