terça-feira, novembro 12, 2013

[O Homem da Maratona] SERRA DA ARRÁBIDA - 2006

Posted by Zen to O Homem da Maratona at 9/14/2006 08:34:00 AM


Na noite calma,
a poesia da Serra adormecida
vem recolher-se em mim.
E o combate magnífico da Cor,
que eu vi de dia,
e o casamento do cheiro a maresia
com o perfume agreste do alecrim;
e os gritos mudos das rochas sequiosas que o Sol castiga
passam a dar-se em mim.
E todo eu me alevanto e todo eu ardo.
Chego a julgar a Arrábida por Mãe,
quando não serei mais que seu bastardo.

Sebastião da Gama ( O poeta da Arrábida)
in: Serra Mãe

Por vezes penso: " o que me faz gostar tanto de ti"? Será o teu sensual dorso branco de calcário? Será o teu colo a cheirar a perfumes silvestres? Será a forma como sensualmente mergulhas o corpo no mar? Não sei! Observo-te da minha janela todos os dias, enquanto tu brincas distraída com o sol e a chuva e usas chapéus de nuvens. Um dia, já lá vão alguns anos, fui ter contigo durante a Primavera, era eu jovem curioso, pueril e insignificante, tu, uma bela e imensa fêmea, milenar e fecunda. Fascinado, acariciei-te meigamente a terra, e tu quem sabe, se maternalmente, ou deleitada com a doçura do gesto, olhaste-me com um olhar tão vivo, tão doce, tão apaixonado, que eu disfarçando o embaraço com ares de macho impetuoso perguntei-te: " queres namorar comigo para sempre"? Tu muda de voz mas grávida sentidos, rebolaste comigo entre alecrins, estevas, urzes, aroeiras, zambujeiros e murtas celebrando uma união que desde então nos torna inseparáveis, mesmo quando viajo por outras serras igualmente belas, tu és a mais bela delas todas e eu tenho sempre muitas saudades tuas.
Um destes dias saí mais uma vez para ir ao teu encontro. Desta vez de mochila às costas uns "batons" novinhos em folha, farpela de caminhada e sapatinho a condizer para a ocasião. Estacionei o carro em Palmela, sítio onde tu permitiste há muito tempo que os Homens te povoassem os flancos e onde por vaidade talvez, também deixaste que construíssem um castelo para que te pudessem admirar, só que traiçoeiramente afinal dali apenas veneram aquilo que construíram avidamente para si com a pedra arrancada das tuas entranhas, numa cupidez excessiva que te devora lentamente. Ah se tu ao menos cuspisses fogo e expulsasses estes seres malévolos! Mas não, submissa ficas e generosa vais morrendo... 
Dizia, hoje decidi subir lentamente por um dos teus braços: a Serra do Louro. Lá cima encontro os moinhos com os mastros nus abertos, outrora cobertos de pano e à bolina dos ventos serranos amigos do pão e inimigos da fome. Mais acima ainda o " Castro de Chibanes" da idade em que os Homens amavam "deuses essenciais" como tu e que por compaixão tu abrigavas nas tuas rochas, sabendo quão frágeis eram aos elementos e a si próprios ( e continuam a sê-lo). Chego ao cume e observo toda a vastidão da terra irmã que se perde no infinito da curva do meu olhar. Sinto a tua altivez nos pequenos dos detalhes lá em baixo, oiço os sons que chegam em forma de eco parecendo como os de um sonho. Agora cheira a uvas acabadas de colher nas plantas que ajudaste a nascer, transformadas por amor dos Homens à transcendência, primeiro em mosto, depois em vinho. Tudo isto faz-me encher o peito de ar para inesperadamente ser tomado por uma sensação de liberdade quase opressora e sentir-me momentaneamente perdido nesta realidade excessiva, bela, única, funda, carnal, primordial e de onde eu por medo e cobardia fujo para regressar a uma cidade onde por companhia tenho o inútil.
Fugimos sempre da verdade, fugimos sempre Amor...Mas a ti por mais que doa os sentidos, regressarei sempre.






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Posted by Zen to O Homem da Maratona at 9/14/2006 08:34:00 AM

segunda-feira, novembro 11, 2013

[O Homem da Maratona] EU A WONDER WOMAN E O SCHWARZENEGGER - 2006

Continuo a republicar o meu antigo blogue ( apagado).

Posted by Zen to O Homem da Maratona at 8/20/2006 11:14:00 AM



Depois de umas férias sem fazer "ponta de corno" decido seguir a sério os conselhos do fisioterapeuta e fazer reforço dos músculos que suportam o joelho. Para isso procurei o ginásio de musculação mais afamado cá da aldeia e decidi inscrever-me num programa misto denominado de "cardiovascular e exercícios de reforço muscular". Um "mix indoor" com um cocktail de exercícios numa gaiola de aparelhos complexos, música "tecno" e seres parecidos com o Capitão América e " Wonder Woman", ou as mais "reias" personagens cinematográficas: Scharznegger e Sheena.
Bem vindo ao "admirável mundo novo", assim que abro a porta para entrar no referido ginásio, encaro com a "Wonder Woman" loura, vestida com um top e calções que perguntei a mim mesmo não serem o número abaixo daquele efectivamente devia usar, embora concorde com a observação do mafarrico soprada aos ouvidos ( o tal que leva a consciência ao doce pecado) que tal indumentária assentava-lhe muito bem! Duraram pouco os pensamentos lúbricos, pois embato numa parede de músculos, ai estava o Scharznegger, o tal que despacha " maus da fita" como quem despacha tremoços, um bom rapaz capaz de pôr fim às minhas aspirações de indígena em terra de bons selvagens.
Afinal nada disso se passou. A "Wonder Woman" ( ou a Sheena como queiram) mostrou-se muito simpática ( o que me fez pensar se afinal ela não usava dois números abaixo daquele que devia usar) e o Scharznegger chamava-se Jorge e têm-me ensinado a usar aquelas máquinas infernais que produzem músculo.
Após as formalidades da inscrição entrei na sala de musculação para o primeiro treino. Pela primeira vez na vida senti-me um tipo enfezado. Eu que com 1.83 e com uns agora bem nutridos 86 kg, achava que era um "tipo forte", naquele momento pensei se não tinha sofrido de raquitismo na infância, pois por todo o lado vejo a treinar: "tipos capazes de despacharem maus da fita como quem despacha tremoços". Pensei e prometi a mim mesmo não fazer comentários acerca das mãezinhas, namoradas, clube de futebol ou qualquer outra convicção, destes rapazinhos, não fosse ser também ser despachado como um tremoço, algo que já vinha a recear deste que achei que o Scharznegger tinha adivinhado os meus pensamentos libidinosos com a " Wonder Woman".
Faço o circuito das ditas maquinetas, um "chest fly", um "press leg", outros com nomes mais familiares: uma "remada do puxador" uma "aducção da coxa" etc, etc, remato com 15m de bicicleta elíptica e uma sessão de alongamentos e "see you later" pessoal que não sei se cá me apanham outra vez. De caminho ainda passo pelo bar onde vejo uma Shenna e um Capitão América ( que confusão!) sorridentes a beber por palhinhas uma bebida cor-de-rosa que identifico lendo numa embalagem colocada em cima da mesa onde estavam sentados as duas "Marvellicas" personagens( eu sei que a Shenna não é mas passa a ser) como o " Mega Mass Pro 3000", porção que torna enfezados em super-heróis. Apesar de me sentir o"Asterix" entre "Obelixes" não fui tentado a experimentá-la, naquele dia não queria bater em romanos, queria antes bater em retirada.
Tenho feito sessões duas vezes por semana desde então ( já lá vão uns seis treinos) e afinal sinto-me muito bem. Até já corri, mas na passadeira mas poucos minutos! A " Wonder Woman" é minha amiga ( acho que usa três números abaixo daquele que devia usar), o Scharznegger também ( é bom ter amigos que despacham "maus da fita como tremoços") e eu até já me sinto um tipo cheio "cabedal", se bem que não chego ( e duvido se algum dia chegue) aos calcanhares dos meus "colegas" lá do ginásio. Agora, de correr é que sinto umas saudades do "caraças"!


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Posted by Zen to O Homem da Maratona at 8/20/2006 11:14:00 AM

sexta-feira, novembro 08, 2013

RAID AVENTURA AZEMÉIS 2013 - O FILME




Excelente realização!

TRILHOS DOS ABUTRES - INSCRITO


Apesar de alguns trilhos comuns, começa do lado oposto aos "Trilhos da Lousã" ( AX Trail) - Castanheira de Pêra. Explora a Serra da Lousã pelo lado do concelho de Miranda do Corvo e Lousã e dá a conhecer a bonita aldeia de Xisto do Gondramaz e a serrana Srª da Piedade. São 47km, com 2300mts de desnível positivo a vencer no dia 25 de Janeiro de 2014. Uma boa maneira de começar mais um ano que se adivinha difícil para a maioria de nós. Correr em natureza será uma boa maneira de nos tornarmos mais resilientes!

quinta-feira, novembro 07, 2013

RAID AVENTURA AZEMÉIS - NO TRÓPICO DO MOSQUITO


Depois do "estoiro" na penúltima etapa ( canoagem na Ria de Aveiro) e sabendo que não poderíamos realizar a seguinte ( um BTT em linha com mapa de orientação), finalmente a fotografia da "equipa". Da esquerda para a direita, Jorge Baltazar, Zé Carlos, Zé Neves e António Neves. Falta a Carolina, autora da foto e excelente "assistente".

Não sei se este será o dia em que estou mais inspirado para escrever sobre Corridas de Aventura ou o que quer que seja, talvez não seja, deve ser do dia cinzento de Outono que me contagiou de melancolia ( pior, de nostalgia). No entanto, para que o tempo não encurte a memória imediata, deixo aqui algumas linhas sobre o que foi o meu "regresso" à aventura no Raid Aventura Azémeis, também Campeonato Ibérico da modalidade. Digo "regresso" porque a "regularidade" nestes últimos três anos foi a de "meia prova" por época, o que significa que houve anos de "zero", outros ao "pé coxinho" - fazendo apenas algumas etapas menos exigentes -  e outros ainda, assistindo ou estando na organização. Não foi o caso desta, em que, com muita saudade do formato e do desafio que acarreta, confesso, fizemos a prova no escalão de "elite", ainda por cima em "campeonato" ( ibérico), o que significa que os elementos estão "non-stop" em prova, ou seja, no conjunto dos dois dias, tivemos 18 horas de duro e exigente exercício físico ( aproximadamente 13 horas no primeiro dia e 5 horas no segundo).
Começo pela evidências: não tinha treinado para aquilo, apesar de ter feito uma ultramaratona de montanha 15 dias antes. A "sorte" foi a de que os restantes elementos da equipa estavam nas mesmas condições e por isso não sofremos muito ( só um bocadinho:-). Outra evidência, mas constatada no terreno, é que esta prova, apesar da boa organização, tinha mapas complexos e nem sempre em zonas que deslumbrassem ( falo por mim que não sou o orientador da equipa, apenas apreciador de paisagens concretas): redes de caminhos semi-urbanos confusos de traduzir no mapa, os de floresta, retalhados pela sivicultura, actividade intensa da zona, pejados de restos de matéria florestal e de "falsos caminhos", desactualizações que foram apenas corrigidas pela fotografia do terreno e não no terreno, o que levou a algumas incorrecções e ainda outras pequenas incongruências ( como foi o caso da explicação da etapa de canoagem, relativamente às marés e "desenho" da ria), deixaram-me um pouco "desencantado" ( eu que desejava a Serra da Freita como cenário para a prova).
Outro aspecto que marcou a prova, foi a insistente chuva durante todo o primeiro dia que nos ensopou até aos ossos, fazendo esgotar o stock da roupa seca. Isto já para não falar das nuvens de mosquitos que nos devoravam cada vez que fazíamos uma paragem, parecia que estávamos a competir numa floresta tropical! 

As etapas propriamente ditas, foram a versão do costume: pedestres "entremeadas" com BTT´s e outras pequenas "nuances" que não chegaram para deslumbrar ( a escalada, o slide, o tiro com arco). A canoagem seria o "desenjoar", até porque somos habitualmente fortes na disciplina, mas azar o nosso, deu-nos apenas para a "azia", pois foi a etapa em que rebentámos, como refiro na legenda da fotografia acima.
Poupo-vos aos pormenores ( caros leitores :-), mas repito para que não sobre equívocos, a prova foi muito bem organizada, sobretudo por pessoas que sabem da "poda". Infelizmente não me "encheu as medidas", talvez pelo excesso de expectativa ou pela falta de treino para andar a "sério" o resto são pevides, ninguém é perfeito e para os romanos e gregos, nem os deuses o eram.

Bem... e a próxima não sei quando é que é. Ao ritmo que a crise devora o nosso dinheiro e o das organizações e clubes, será difícil regressar tão cedo. Outra consequência, de certa forma ligada a estas últimas, é encontrar pessoas motivadas e dispostas a gastar tempo e dinheiro para apanhar uma valente tareia durante um fim de semana, estragar ( e comprar) material caro e não se encantar com a paisagem, como foi o meu caso. Mas uma coisa afirmarei sempre, eu que até já fiz um pouco de tudo, as CORRIDAS DE AVENTURA SÃO A MODALIDADE MAIS FASCINANTE/DESAFIANTE DO UNIVERSO!

Abraços

PS - Desculpem-me os desacertos.

sexta-feira, novembro 01, 2013

A LOGÍSTICA DAS CORRIDAS DE AVENTURA


Parte da Tralha que preparamos para levar para uma Corrida de Aventura e onde ainda falta muito material. Poupo-me à sua descrição para já, vou ter de a arrumar e ainda tratar da alimentação.

Até breve.

À VOLTA DO SANTIS ( PARTE I)

Como o planeado saí de Konstanz para passar uns dias com um amigo nos arredores do cantão suiço de Sankt Gallen. Não tinha...