terça-feira, dezembro 17, 2013

FIM DE SEMANA EM CHEIO








As redes sociais, a par do renascimento e/ou aumento do fenómeno popular da corrida ( e da prática desportiva em geral em Portugal), trouxeram nestes últimos tempos um aspecto curioso que considero positivo e que julgo contrariar de certa forma a tendência moderna da insularização do individuo, de um narcisismo exacerbado ou ainda da exibição pública da intimidade, reduzindo o reduto da identidade individual e das relação afectivas ( que se tornam mais fluídas), que é a criação de grupos informais de corredores que combinam treinos em conjunto no "espaço virtual". Não há uma condição objectiva para admissão a estes grupos  ( se bem que as podemos discernir essa condição nas intersubjectividades), basta partilhar o mesmo interesse, que neste caso é correr e aparecer no local e hora combinados, de preferência com um petisco e umas cervejas para dar no final ao treino a dimensão maior de "convívio", reforçando laços em redor de uma mesa imaginária.
É sobretudo no Facebook que podemos encontrar a maioria destes "grupos informais" de corredores que desde a madrugada, hora a que muitos podem treinar antes de ir para o trabalho, noite dentro (como será o caso do treino onde irei participar hoje), durante a semana e no seu final, combinam correr em conjunto celebrando o seu "estilo de vida" e existência em sociedade. Os locais são diversos, vão desde as ruas e passeios das cidades, até aos parques, matas, serras e praias, todos os espaços são palcos privilegiados para desfrutar do prazer que é correr e, como referi, contrariar a tal "individualização" pela proximidade que assim passa de virtual, a física, adquirindo uma dimensão mais "humana".
Os Portugal Running são um destes grupos e têm sido com os seus membros que tenho treinado nos últimos tempos, retomado lentamente a boa condição física e o prazer da prática desportiva além de "níveis saudáveis" de socialização :-)
Um dos bons momentos que nos últimos meses a companhia deste grupo me proporcionou, foi o treino do passado  fim-de-semana nas arribas de Sintra! Com partida da Praia da Adraga, local de explorações na minha infância durante as caminhadas a pé promovidas pela colónia de férias dos trabalhadores da Cuf em Colares, local onde passava parte das férias de verão, passando pelo já muito conhecido Cabo da Roca, os ainda inexplorados trilhos além deste na direcção do Guincho, a conhecida e dura subida até à Peninha, a descida vertiginosa para Colares continuada até ao local de partida, este foi um daqueles momentos que ficam registados para a "posteridade", pela beleza da paisagem mas também pelo desafio técnico e físico e claro pelo saudável convívio. Bendito "Facebook" e mentores dos Portugal Running, obrigado!

No domingo, marcação do percurso do "Trail do Espichel", prova que se irá realizar no próximo fim-de-semana no bonito espaço do Cabo Espichel, organizada pelo GDU Azóia, um grupo "formal" ( Clube) que têm responsabilidades acrescidas na comunidade e que neste momento difícil para a existência dos movimentos associativos, tão importantes para a cidadania e afirmação de estilos de vida saudáveis, necessita de galvanizar pessoas e meios para que muitos jovens em idade escolar continuem a beneficiem do contacto com a prática desportiva, nomeadamente a Orientação ( principal secção do clube).

Dois dias magníficos de sol e bonitos espaços entre o Cabo da Roca e o do Espichel. Um fim-de-semana em cheio!



sexta-feira, dezembro 13, 2013

[O Homem da Maratona] RUMO AO TRAIL: SEMANA Nº 5 - HONRA, MORTE E MESQUINHEZ - 2006


Posted By Zen to O Homem da Maratona at 12/19/2006 04:54:00 AM

( Foto de Bruno de Carvalho)

Nesta semana aconteceu muita coisa, mas será que tem interesse?

A meio da semana durante o jantar do meu clube, as Lebres do Sado, sou distinguido com uma "Menção Honrosa" por (segundo a direcção) ter ajudado a promover a imagem do clube e a sua prova de atletismo o " Grande Prémio da Arrábida". Para mim é uma honra, mas nenhuma das minhas acções teriam sido possíveis sem o espírito cooperativo e humilde da grande maioria dos membros das "Lebres", uma "cultura" individualizada na pessoa do seu presidente Alberto Carolino a quem eu agradeço profundamente as simpáticas palavras que me dirigiu no seu discurso de entrega do referido prémio.

Na sexta -feira a notícia triste do falecimento da minha Tia Lurdes ensombrou mais um ano que tem sido na sua generalidade "negro".
o vou fazer o "elogio fúnebre" da minha Tia, mas quero aqui publicamente dizer que foi uma das pessoas com maior coragem e resignação que conheci em toda a minha vida. Nasceu no interior pobre português durante os anos 30, resignou-se à condição de ser uma mulher dessa geração numa família de poucos recursos, trabalhou desde muito nova, não aprendeu uma letra, emigrou para França na dura experiência da emigração do final dos anos 60, perdeu aí o marido num acidente de viação, criou duas filhas, uma delas doente crónica nos últimos anos, viu nascer dois netos que acarinhou todos os dias, morreu de cancro no dia 14 de Dezembro sem nunca lhe ouvir um queixume, ver uma expressão de medo, ouvir uma palavra de ódio à sua "sorte", apenas..." Deus assim quis", que Deus este!

No Domingo finalmente um treino digno de maratonista e em boa companhia. Foram 3hrs com 30Km feitos numa manhã fria mas luminosa "condimentados" com muita conversa. Digo aos restantes companheiros " sinto-me tão livre quando corro"!

Ontem num instituição pequena, num país pequeno de pessoas pequenas alguém pequeno que se acha grande diz por força da necessidade de me ver pequeno também ( como ele) que eu sou um "incompetente". Devolvo-lhe o epíteto dizendo-lhe que a sua formaçãmoral e intelectual não lhe permitia avaliar-me dessa forma, apenas a força da prepotência e despotismo dos seus galões nesta instituiçãpequena, num país pequeno com gente pequena lhe dá direito de o fazer. Voltou a carregar sobre mim com ameaças de regulamentos que legitimam poderes alarves, imposições arbitrárias de códigos de uma democracia podre e eu calei a revolta e a vontade de ser tão pequeno, de ser pequeno o suficiente para lhe quebrar alguns ossos e arrancar-lhe à força do ódio uma soberba estúrdia, mas não, moí-me por dentro até sangrar de culpa por ter tomado decisões que neste "país pântano" muito dificilmente poderei reformular sem pôr em risco a segurança dos "meus". Fui mais uma vez o "vazadouro" para uma projecção frustrada de mais um egocêntrico convencido da sua posição "distinta" numa qualquer "ordem" inventada para se defender do perigoso exército de "invejosos" que ameaçam todos os dias fazer ruir as muralhas da sua vida fútil de funcionário público com as seus galões de "chefe" subordinado prenhes de subserviência e cinismo, da sua "cultura" que considera sólida e eu idiota e preconceituosa, da sua vivenda suburbana, do seu cão de raça, do seu carro “topo de gama”, dos filhos que estudam empenhados em ser doutores, “a sério”, não como os outros incompetentes, de enfim “proteger” a sua "merda" de vida que fede tanto como a minha…ah maldita condição de se ser “idiota”!

Avanço... nesta semana de Natal eu e os meus camaradas “ Machada Runners” combinamos outro treino longo na Mata da Machada dia 24 pelas 9h00.

Semana de 6hrs de treino. Os meus joelhos estão melhor que nunca, a minha condição física nem por isso, mas o pior parece ter passado.

Boa semana.


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Posted By Zen to O Homem da Maratona at 12/19/2006 04:54:00 AM

quinta-feira, dezembro 12, 2013

[O Homem da Maratona] AS CIDADES SÃO... 2006

Posted By Zen to O Homem da Maratona at 12/14/2006 05:15:00 PM






A Professora e Arquitecta Maria de Celeste Ramos  é uma velha senhora de ar excêntrico que um destes dias apareceu na faculdade convidada por um outro professor para nos dar uma aula sobre os " os territórios naturais das cidades". A sua pergunta inicial para a plateia foi: " o que são as cidades"? O grupo, sobretudo constituído na sua maioria por jovens ( no qual eu sou excepção), emudeceu.  " As cidades são as pessoas!”, respondeu alegremente, quebrando um silêncio que para mim já começava a ser incómodo e que me punha na eminência de soltar um disparate. Depois de sabermos que "somos a cidade", a cativante oradora, esteve duas horas a falar da importância das árvores nas cidades e da forma como elas contribuem para perspectivar o espaço urbano, das plantas que encontrou no "nosso" mal tratado jardim da faculdade", do Sol na cidade coado pelas árvores e plantas, do calendário Maia e um sem numero de assuntos que eu considerei preciosidades mas a maioria, uma "seca". Mas a frase, "a cidade são as pessoas" martelou-me o espírito durante estes últimos dias. Ontem nos meus raros treinos urbanos nocturnos, lembrei-me dela novamente ao tentar atravessar uma pequena praia de areia branca da minha infância, a praia privada da "Quinta do Alemão" ( um estrangeiro, industrial da cortiça do inicio do séc XX), hoje aterrada para fazer um moderno "Projecto Polis". Durante a travessia os meus ténis ficaram atolados na lama e ao recuar para tentar libertar-me, tropecei num ferro, cai, desamparado ganindo de dor ao mesmo tempo que berrava uns impropérios contra os filhos de mães rameiras que o tinham lá deixado. Recomposto e na solidão da noite olhei atentamente e em desespero a paisagem onde outrora existiam coisas concretas na minha infância e hoje sobram apenas destroços e muitas memórias. Uma delas, a da "caldeira do alemão" a dois passos dali e onde os putos como eu há 40 anos mergulhavam em acrobacias e quando vazava apanhavam berbigão graúdo. Atrás mim ainda sobram as ruínas de uma fábrica de cortiça ( sempre a conheci assim) e uma outra caldeira que já não recordo o nome e onde íamos às enguias com pedaços de tubo e que vi , ainda na minha juventude, ser aterrada para fazer um campo de futebol. A longo desta, a muralha ( ainda existente), onde atracavam as fragatas carregadas ou vazias das trocas que se faziam nas margens do Tejo. Atracado a estas o bote do bom Ti João Fragateiro, pronto para nos levar por este rio salgado acima e abaixo ao sabor da corrente conforme a maré enchia e vazava, atirando-nos para ela para nos ensinar a nadar mas sempre sem dizer " ó rapaz agarra-te ao remo se estiveres em aflição". A muralha foi também o local onde primo do Chico ( que uma overdose de heroína tratou de levar do mundo dos vivos faz há pouco), morreu afogado depois de um mergulho mais arrojado e a imagem que guardo da tragédia ao ver o seu corpo franzino de 11 anos tapado por um plástico deitado entre as salgadeiras e os restos de ostras próximo desta praia onde agora ainda estou caído. Ao largo a malha dos cercos plantada no lodo e um “enxame” de putos enlameados a apanhar savelhas, enguias, tainhas, robalos e outros peixes que os donos da "arte" deixavam para trás. A pedra aonde nos sentávamos para lançar o “carrapichel” com uma cabeça de peixe-espada lá dentro para apanhar caranguejos que cozíamos na rua numa fogueira improvisada, ainda lá está, não chegou a sua vez de ser "devorada" pela ferocidade da "modernidade".
"As cidades são as pessoas"... continuo a correr, entro no areia húmida deixada pela maré vazia da "Praia da Copacabana" onde tantas vezes nadei e também namorei, corro 600 metros até ao pontão da "seca do bacalhau", "o melhor sítio para apanhar lamejinhas" e regresso, olho na outra margem a Siderurgia onde o alto forno a vazar já não liberta como antes os urros do ferro quente a arrefecer nas calhas e moldes, vejo o meu belo Tejo espelhado na noite por muitas luzes que o rodeiam e lá ao fundo, Lisboa como uma espécie de cidade prometida. Faço 1 hora de corrida neste cenário que vou recompondo, ligando o passado ao presente para que a vida faça sentido e regresso a casa passando pela "Telha Velha", uma pequena localidade agora com os edifícios arruinados, casas vazias entaipadas, mas que já teve correios, mercearia, taberna e um largo cheio de pessoas, muitas velhotas de lenço negro e onde um rapaz deficiente mental me impressionava porque batia repetidamente as costas e a cabeça contra uma parede ( por vezes punham-lhe um capacete). Cruzo o que resta de campos de cultivo, quintas com oliveiras e árvores de fruto abandonadas, e pequenas matas de pinheiros e sobreiros, agora esmagados por prédios de gosto duvidoso e hipermercados que vendem fruta do Chile e bugigangas da China. Corro depressa para chegar à casa da minha Mãe antes de ir para a minha e perguntar-lhe numa mágoa mal disfarçada: “Mãe as cidades são as pessoas, não são?”

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Posted By Zen to O Homem da Maratona at 12/14/2006 05:15:00 PM

segunda-feira, dezembro 09, 2013

SE TODOS OS DIAS FOSSE DOMINGO EM LISBOA...

Um treino de corrida domingueiro numa manhã fria mas soalheira pelas ruas de Lisboa. Ah como eu era feliz nesta cidade se todos os dias fossem domingo!

 Av da Índia - Os Cantos dos Lusíadas



 Tons de Outono nos muros antigos de Lisboa
 A indignação encontra espaço nas paredes da cidade



 Lisboa é neste momento a capital da Street Art europeia - qual Berlim qual carapuça
 Meia Maratona dos Descobrimentos

 Ruas vazias
 Cais do Sodré renovado


 Jamaica ainda na berra 35 anos depois
 O Copenhagem para a história do que foi em tempos o Cais do Sodré - Marujos, prostitutas e muito álcool ( mas sempre com um nicho "alternativo", com os ainda sobreviventes Tokio - Shangri-Lá e Jamaica)
 "Manhã Submersa"
 Além das colunas...

 Arca renovado da Rua Augusta
 Eu
 Tuk, Tuks em Lisboa, ainda bem que não estamos no caos de Bangkok
 Rossio

 Manuelino tardio

 Tons de Outono da Av da Liberdade
 "Pela cultura do espírito, o domínio da força"
 O corredor verde de Lisboa
 Aqueduto das "ágoas livres"
 Continuação do corredor verde
 Xuxu . hortas no coração de Lisboa
 Que belas couves, paredes meias com o centro financeiro da cidade. Cidade plural!

 Bairro da Liberdade- treino de escadarias
 Viva a...
 Afinal "maré alta" não passou por aqui. Nem paz, nem pão, nem habitação, nem....
 O "enclave" do Bairro da Liberdade, onde a única ligação à cidade é o aqueduto e o autocarro ( as estradas cortaram o vale que anteriormente ligava o bairro a Campolide). Pobreza e traficantes à luz do dia.
 O que faz um tipo que foi ex. combatente, está reformado por incapacidade psíquica, que morre de  cancro na garganta e a quem tiraram parte da reforma... 
 Do velho se fez novo, respeitando a beleza do primeiro.

quinta-feira, dezembro 05, 2013

[O Homem da Maratona] RUMO AO TRAIL " CAMINHOS DE SANTIAGO"- SEMANA Nº 3: AS ESCADINHAS DO QUEBRA COSTAS

 Posted By Zen to O Homem da Maratona at 12/06/2006 12:35:00 AM

Uma semana de maleitas e causas desfeitas. 

 Treinei pouco ( UM total de 4hrs repartidos em três treinos) pois tive um encontro inesperado com alguns "vírus", um microscópico outro de "olho nu". No entanto pasme-se, sem medicamentos, dias de baixa e sentimentos de culpa, estou já curado e pronto para voltar à luta... contra os "vírus correr, correr"! Foi-me entregue hoje uma encomenda inesperada, uma caixa de chocolates enviada pelo meu amigo belga Dominique Diricq. O Dominique é um corredor belga, admirador de Portugal e leitor do meu blog que tive o prazer de conhecer durante o raid Melides - Tróia do ano passado. Obrigado Dominique espero poder retribuir o teu bonito gesto. O meu joelho direito contínua a "moer-me" o juízo apesar das doses de Glucosamina tomadas durante 5 meses consecutivos. Estou convencido que este meu problema foi um castigo divino. Cheguei a esta conclusão depois de fotografar os meus pés (como o divino pode estar ligado aos nosso pés é uma "evidência" que achei surpreendente :-) e ao reparar que o meu pé direito está torto (não se nota? Vá lá, não se riam), recuo no tempo e lembro-me do acidente esteve na origem desta”deficiência”: uma queda de BTT em Alfama em 2004. Eu conto: aos fins-de-semana aproveitava a "tolerância" do transporte de bicicletas nos transportes públicos para levar a bicicleta para o trabalho. O meu trabalho fica numa das colinas de Lisboa, com uma vista fantástica que muitos gostariam de ter sobre a cidade e o rio Tejo e chegar lá a pedalar é para mim motivo de satisfação e de admiração dos meus colegas: que me perguntam insistentemente, “epá como é que tu consegues?”, eu fazendo-me um “expert” no assunto digo “ é preciso treinar muito!". Para lá chegar tenho de atravessar o bonito Bairro de Alfama, zona que conheço e onde vivi aventuras próximas às narradas na série ( para quem se lembra) "Hill Street Blues" mas com nuances à portuguesa, claro. 
No dia fatídico, subi como sempre a inclinada Rua da Regueira e continuando, cruzei a das Escolas Gerais, chegando a S. Tomé, para só acabar a subida no Largo da Graça. No final do dia o regresso, vinha como sempre pelo mesmo sítio, num "downhill" desenfreado pela Voz do Operário para novamente atravessar as ruelas do bairro saboreando as sua “particularidades”, nas casas, nas cores, nos cheiros, nas gentes... Um dos meus trajectos preferidos era pelo Largo de S. Miguel, onde descia as respectivas escadinhas sem desmontar da bicicleta. Este largo era o mais recordado, pois foi cenário de um episódio da minha vida trágico ( na altura) e cómico ( no presente) que agora não vou contar, mas que me faz rir sempre que ali passo. No dia insólito que remontam estas minhas palavras, lembro-me de estar a rir sozinho e de pensar" que grande maluco que eu era pá! e as palavras de então, “podem vir todos, podem vir todos" dizia eu. Movido por este pensamento de homem destemido de outrora, continuei a descer escadas até avistar por coicidência um dos personagens da minha aventura nesse dia ( e noutros dias), que por clara divergência de estilos de vida e discordância de “pontos de vista”, não pertence ao meu quadro de relações de amizade. Lembro-me de ter passado por ele e pensado "este tipo ainda por cá anda"?! É um fenómeno de longevidade sem dúvida ( ele e eu)! Talvez tenha recuado nesse momento no tempo e voltado a vestir um papel que jurei não mais querer vestir. A única coisa que tenho a certeza é que nesse momento fui assaltado por sentimentos que julguei arrumados nas gavetas do espírito e com eles por companhia segui o meu trajecto pelas Escadinhas do “Quebra-Costas” em mais uma arriscada manobra “ciclística”. A meio das referidas escadas, com que fulminado por um raio, que numa outra versão dos acontecimentos imagino ter sido por falta de perícia, na a travessia de um "patim" mais estreito, perco o controlo da “máquina e, “catrapum” estatelo-me "juntinho" no chão. Teria sido o castigo por ter esfregado a lamparina da memória? No início não achei estranho, esta não era a primeira vez que dava um "tralho" dos grandes, mas o problema veio depois. Já no chão começo a palpar o corpo e vejo que aparentemente estava tudo bem, o capacete não se partiu (coisa que já me aconteceu) e o resto... espera aí.. o pé estava a ficar um "tabolho"! Completamente virado para um dos lados e desgraça das desgraças parti a escora traseira da bicicleta! A recuperação demorou meses, o pé ficou torto, a bina arranjou-se mas nunca mais foi a mesma, comecei novamente a correr mas sempre com dores, desenvolvi o problema nos joelhos... O “personagem” ainda existe, sentado na soleira da porta de casa. Vi-o um dia destes quando voltei a subir de bicicleta por Alfama. Quanto às escadinhas do quebra-costas fiz como fiz à memória dos meus “destemidos tempos", evito-as, é que não vão os "Deuses" tecê-las novamente, livra-te! 

 Posted By Zen to O Homem da Maratona at 12/06/2006 12:35:00 AM

À VOLTA DO SANTIS ( PARTE I)

Como o planeado saí de Konstanz para passar uns dias com um amigo nos arredores do cantão suiço de Sankt Gallen. Não tinha...