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sexta-feira, abril 08, 2016

ALMOUROL 2014

Descobri este texto nas "memórias do facebook", acho que não o postei aqui. Os tempos agora são muito diferentes. Tenho uma hérnia discal, estou de baixa há mais de um mês e não treino vai para muito tempo. A operação cirúrgica está eminente e estas actividades, de maior impacto como o Trail, farão inevitavelmente parte do passado. Recordemo-lo...

"Nada de fotografias por favor", o gesto e a expressão pouco amigáveis, parecem o de uma vedeta surpreendida por um paparazzi indiscreto. Não foi nada disso, em legenda, caso não tenham reparado está escrito: " qualquer semelhança com a realidade é pura ficção". A outra "realidade" é que no momento desta fotografia estava certamente no primeiro terço do pelotão usando a minha habitual estratégia de "trás para a frente, a mesma "ficção" foi achar que podia durante 44km manter-me assim. Trocando isto por "miúdos": a partir dos 30km "dei o berro", "finito", "kaput", acabou-se o "combustível", "morri"! Renasci, mas ainda com os pés "prá cova" lá para os trinta e tal quilómetros, não com os dois "gel energéticos" que engoli ao longo do percurso, mas só depois de encontrar uma fonte no meio da floresta para me refrescar e meditar acerca, não do "sentido da vida", mas do significado de estar ali depois de 16 horas de trabalho ininterrupto com duas horas de sono mal dormidas e pensar que me faltavam mais 16 horas de trabalho e uma noite em branco depois de acabar aquele empeno. Conclui: só podia ser um tolo e nem precisava de "papa e bolo" para estar naquele rebanho. Depois da minha longa paragem, esta foi a quarta ultramaratona no espaço de 6 meses, nada mau para quem parou durante tanto tempo. Mas o sofrimento ainda é demasiado para ser convertido em "prazer" ( isto parece uma frase de um masoquista refinado smile emoticon, mas quem gosta de longas distâncias sabe do que estou a falar. Seguem-se os 100km de Portalegre em Maio, seduzido pelo desafio e pela beleza da Serra de São Mamede ( conversa de masoquista refinadíssimo). Acerca dos "Trilhos de Almourol", apesar da boa organização não fiquei "cliente" da prova. Ah, já me lembro do que disse ao fotografo: " quando quiser que o seu filho coma a sopa, mostre-lhe uma fotografia minha a fazer uma prova de trail".

sexta-feira, março 18, 2016

BOLETIM CLÍNICO

E o "cenário" é este ao fim de duas semanas de sofrimento muitas horas de urgências hospitalares e drogas em "overdose". Vai levar mais algum tempo até estar recuperado para um dia-a-dia normal, mas há mudanças de hábitos a fazer e terapia, holística sobretudo!

Um fonte acerca do problema: aqui

domingo, fevereiro 21, 2016

NOTÍCIAS

Diagnóstico: Hérnia inguinal (pequena ainda). Causa: rompimento dos tecidos pélvicos por esforço abdominal. Tratamento: cirurgia com prazo de recuperação até 3 meses.
Decisão: começo amanhã com pequenos esforços e depois logo se vê. Se conseguir levar uma vida normal com algum condicionamento físico ( natação, reforço muscular, bicicleta) é adiar a intervenção médica até não poder mais

terça-feira, janeiro 19, 2016

PORTO DE MEMÓRIAS - MARATONA DO PORTO 2016






Bem, isto parece estranho para quem está como eu a fazer projectos de reforma das corridas e afins. Neste momento, uma boa aula de RPM ou Pilates seguida de umas braçadas na piscina do ginásio e também alguns exercícios de musculação "enchem-me as medidas". Claro que não dispenso o convite de um amigo para ir fazer águas abertas, uma volta de bicicleta de estrada ou BTT, dar umas pagaiadas ( aqui já é mais difícil encontrar quem queira), fazer uns trilhos a pé de máquina fotográfica em punho e sempre uma, mesmo que doa a valer, Corrida de Aventura, mas treinar para uma maratona de estrada com a motivação de estar à hora e data marcada no meio de uma multidão excitada a cheirar a "bálsamo para aquecimento dos músculos" e suor mascarado com "axe" , com olhos fixos no relógio como se fosse um terço, de facto, não parecia não estar mais nos meus horizontes. Enganei-me.
O pretexto, digo agora eu, para visitar uma cidade da qual gosto muito, o Porto foi inscrever-me na sua maratona, prova que já corri no longínquo ano de 2007. Podem dizer: "pretexto"?! Sim!É que ir ao Porto sem "motivo" não é a mesma coisa que dizer: "vou ao Porto fazer uma maratona e aproveito para matar saudades da Ribeira e de uma francesinha, daquelas que só no Porto é que sabem à coisa "original". Além disso, a corrida é uma forma de ver uns recantos da cidade que de outra forma seria mais demorada visitar, uma espécie de "instantâneo" a 6min/ por Km. 
Mas não é só isso que me faz voltar a esta cidade, por lá ( no Porto) tenho memórias da minha juventude ( umas mais saudáveis que outras). Lembro-me depois de uma excursão à "Citânia de Sanfins" no meu 11º ano de escolaridade, ter ficado alojado no Porto aproveitando para comer caldos e vinho verde até "sair pelas orelhas", na companhia do "chanfrado" Ziggy ( por onde andará este gajo agora? A última vez que soube dele tinha mulher e filhos holandeses). Penso também na Isabelinha, uma das minhas mais "curtidas" namoradas da adolescência, que um dia amei livre numa madrugada morna de verão nas cascatas de Milfontes e que agora imagino deva ser uma "vivida" cinquentona a governar os negócios de mobiliário da família ou realizando o papel de antropóloga que já preparava na Universidade de Lisboa nos anos em que ainda fomos conversando aqui por baixo. Ou na Mizé, solitária, afável, com os seus reconfortantes "chazinhos Zen" e sugestões de ternura "lúbrica" na sua casa ali para os lados das Antas e que certamente desiludi ao não corresponder, talvez por tão ter os "predicados" da minha nortenha paixoneta de verão, nem outras que pulsassem a libido de um ex-soldado devolvido à liberdade aos 21 anos. Isso passou-se em 88 quando após 16 longos meses de "serviço militar obrigatório", "mudei-me " do Barreiro para uma pensão da baixa do Porto e fui vender umas bugigancas que chamávamos "artesanato" na Rua de Santa Catarina durante a época natalícia ( naquela altura as "lojas dos 300" não existiam). O "lucro do negócio"dava-me para comer nos então bons, baratos e fartos restaurantes do Porto e beber copos até "cair de cú" na "ribeira", no"Industria" ou mesmo nas "afamadas" discotecas do "Centro Comercial Dallas", onde me tornei "persona non grata" com o Tó Russo e o Zé. Não porque tivéssemos violado as "regras da etiqueta" ( nem sei se os meus ténis tinham "marca", mas desconfio que eram "marca c."), mas porque o "etílico" dava-nos para coisas do "arco da velha", como mandar beijos às betas da Boavista... só que com os seus "Bruces Springtines" ao lado. A coisa esteve mesmo feia, três tipos do Barreiro à solta naqueles tempos, eram uma versão ligeira dos "irmãos Cavaco", de norte a sul a populaça tremia de terror com estes "cavaleiros do subúrbio". Nós fazia jus à fama, diga-se!
Mais tarde, já casado e pai de filhos, atleta de duatlos e triatlos que corriam o país lés a lés e após um corre/pedala/corre que fez "piscinas" na Avenida da Boavista, por razões"xenofobas" que penso tinham como motivo uma radical "ideologia futeboleira", um empregado de mesa do conhecido café Luso não nos serviu uma francesinha afirmando que: "os de Lisboa têm a mania que são melhores que os outros...". "Eu que nem sou de Lisboa ó morcon"
O Porto é sempre aquela sensação de estar num outro país "cá dentro": os cheiros, as pessoas, as casas, os majestosos cafés ( entre eles o Majestic), os azulejos da Estação de S. Bento e até o Douro, "amostra" do "meu" Tejo me parece terno, acolhedor, fazendo fluir alegremente o "barco" das minhas memória, onde ainda a Isabel, de pele tostada da cabeça aos pés ( da cabeça aos pés sim!) partilha comigo o eterno "leme" da fantasia púbere.
Maratona do Porto 2016, aqui vou eu!

http://trilhosmiticos.blogspot.pt/2007/10/maratona-do-porto-melhor-maratona_25.html

terça-feira, dezembro 22, 2015

ABUTRES 2016 - DAS QUATRO, TRÊS

Na edição de 2013

Abutres 2016 aqui vou eu! Na edição que a organização promete ser "épica" ( como se as outras não o tivessem sido) vou pela quarta vez para tentar acabar a terceira. No ano passado fiquei-me pelo abastecimento intermédio da Senhora da Piedade, não por falta de vontade de continuar, mas porque a organização não deixou passar ninguém acima da "caixa de tempo" das 5h30 neste controlo por razões compreensíveis de segurança dos atletas.


Depois do "floop" no Trail da Lousã em Outubro ( com estrondo!) e a "não comparência" no Trail do Zêzere", regresso às lides trailistas, novamente para acabar, provavelmente de rabiosque ainda pesado pela gula natalícia, mas melhor fisicamente, embora sem treino específico para a "coisa", ah, e na companhia do meu irmão, estreante nos Abutres, apesar do longo currículo em empenos e afins.

Bom Natal a tod@s!

sexta-feira, outubro 16, 2015

CHECK OUT TRAIL DA LOUSÃ VERSÃO 2015


Este foi o "check Out" de 2013 para o Trail da Lousã.

http://trilhosmiticos.blogspot.pt/2013/10/pronto-para-os-trilhos-da-serra-da-lousa.html

Este é a versão 2015.


Agora descubram as diferenças ;-)

segunda-feira, outubro 12, 2015

COMEÇAR A ÉPOCA - TRAIL DA LOUSÃ


Quando mudei de casa e vim viver para Lisboa, há aproximadamente 10 anos, pensei que iria ter dificuldades em encontrar "companheiros para treinar", ou seja, malta disposta a fazer umas corridinhas, dar umas voltas de bina ou mesmo umas braçadas na praia. De facto não correspondeu à verdade, depressa encontrei "camaradas" dispostos a isso, muitos deles que já conhecia antes e por isso tornaram-se ainda mais "próximos". Outros, vieram um pouco através dos méritos das "redes sociais" ( os desméritos destas não vêm aqui nada a propósito), primeiro através dos agora primitivos "fóruns de discussão" e actualmente pelo vasto e tentacular, facebook. Na imagem estão esses, os que mais recentemente me fizeram sair da toca e correr de noite em Monsanto ou em Sintra ou ainda combinar partilhas de boleias para as provas um pouco por todo o país. Malta como eu, cheia de vontade de correr, boas vibrações e com a sabedoria de que " a vida começa aos 50", como dizia recentemente o meu amigo António de partida para a India, e claro, eu concordo com ele.
Não vale a pena enumerar as dificuldades que a minha vida social, como por exemplo o  meu trabalho por turnos, afectam muitas vezes a regularidade destas actividades e o fortalecimento destas amizades. Isso agora não interessa. O que importa é que, ontem, ao sair para um treino longo sozinho, num domingo cinzento, ao final da tarde em Monsanto, onde normalmente com estas condições que não se encontra vivalma, encontrei estas quatro a treinar para a mesma prova que eu no próximo fim de semana, o UTAX/TSL na Serra da Lousã. E o que supunha vir a ser uma solidão de duas horas, passou a ser uma tertúlia animada que ignorou o tempo e respirava os eflúvios da floresta depois de um fim de semana de chuva. Bem, corrijo-me, neste grupo eu e a Eugénia vamos aos 51km e os outros aos 100km. Um empeno garantidissimo que começa à meia noite e tem como tempo limite 24hrs. Boa sorte rapazes, eu por agora fico-me pela "curta", que tendo a metade da distância, vai certamente obrigar-me a um esforço acima das 9hrs.
Dores no pé esquerdo atenuadas, nas costas sem remédio, peso acima do aconselhável, lá vou eu começar a minha época de trail no próximo fim de semana. Graças a esta rapaziada, vou ainda mais confiante!




quarta-feira, setembro 23, 2015

TRAIL DO ZÊZERE 2015 - K70 - INSCRITO



 Corria o ano de 2013 e eu corria regulamente há cerca de 3 meses, quando depois de uma bem sucedida participação no Trail da Lousã em Outubro, decidi atirar-me de cabeça para um novo trail em Novembro, o do Zêzere. E não me correu nada mal, apesar de estar cada vez mais consciente que o esqueleto está cada vez mais gasto, as articulações não tem a elasticidade de outros tempos e a condição física, motivação para treinar, disponibilidade ( repetia "tempo") para o fazer, também não são seguramente os mesmos de "outros tempos" ( o maldito tempo!), vamos lá, que tal como diz o ditado: " que a vida são dois dias e o Carnaval dura três". 
Gostei da prova e sobretudo da companhia da Ana Groznik e do Vasco durante a prova ( que grande "bigode" levei no final) e antes, durante a viagem e estadia, do João Campos e do Natesh, entre outros da "jovem tribo" trialeira. Foram por isso dois dias bem passados! 
Depois do Zêzere, repetiu-se a história dos anos anteriores: os "Abutres" em Janeiro "sofríveis" mas a realizar o meu segundo "finisher" na prova e depois "estoiros" atrás de "estoiros", nos 100km de Portalegre, no Triatlo do Ambiente e no regresso uns meses depois. Repetia-se o "quadro" dos últimos cinco anos, "altos e baixos", mas a predominarem os "baixos". A "meteorologia da vida" tem destes ciclos mais "tempestuosos".
Como não desisto facilmente, apesar de umas quantas derrotas na vida, volto à carga este ano e voltarei sempre, adaptando-me às circunstâncias que a vida me vai proporcionando ( e eu esforçando para tal) e sobretudo cultivando alguma tolerância comigo, afinal todos nós temos as nossas "fraquezas", os nossos "dias", a nossa "distintividade". Concentro-me por agora nos "pontos fortes" e sem falsa modéstia, não me faltam. De regresso pois, sem o treino adequado ( mais uma vez), mas com vontade e saudade dos desafios e da imersão na natureza. Em Outubro a "irrevogável" Serra da Lousã, serão 51km de pureza e dureza na "cápsula do tempo" das aldeias históricas desta Serra. Julgo que dará para aguentar-me nas canetas ( apesar de ser uma prova com um acumulado jeitoso) e descolar para um empeno maior, os 70km do Trail do Zêzere em Novembro ( Il en sera)! Aqui, se chegar "dentro" das 16hrs propostas para o tempo limite da prova, tenho como "prémio" dois pontos para o UTMB e quem sabe se estes não me adoçam a boca para voltar ao Monte Branco em 2017, quem sabe... Ficarão a faltar-me mais seis pontos divididos em duas provas de três ( provas acima dos 100km) durante o ano de 2016, logo eu que ando a prometer a uns amigos repetir um Ironman no final do ano, comemorando os meus 50 anos e eles fazendo a estreia na distância. Se penso que "estou a ir com muita sede ao pote" é melhor ficar no sofá, o melhor é mesmo atirar-me com a "gula" toda, depois logo se vê se a cabeça, o esqueleto, a família e a carteira aguentam. Os próximos meses darão uma ideia. Abraços



 Em 2013 foi assim:

http://trilhosmiticos.blogspot.pt/2013/11/trail-do-zezere-o-album.html

 http://trilhosmiticos.blogspot.pt/2013/10/trail-do-zezere-inscrito.html

terça-feira, setembro 15, 2015

20 ANOS E 20 QUILOS DEPOIS

Foto: MBM Run&Foto TeAM/ Miguel Batista



Foto: Paula Fonseca/Carlos Fonseca


20 anos e ( quase) 20 quilos depois de fazer a minha primeira meia-maratona, ainda por cá ando, perdão, corro. "Foi bonita a festa pá" da Meia Maratona de São João das Lampas!


Seguem-se os 51km do Trail da Lousã, mas antes, a minha 13ª Travessia da Baía de Sesimbra a nadar.

"O tempo corresponde a regular o presente a partir do futuro deduzido do passado."
August Comte ( Sociólogo)




segunda-feira, janeiro 31, 2011

UMA CRÓNICA QUE FICOU POR PUBLICAR

António Neves, Fernando Feijão e José Neves)

(A propósito de uma crónica que ficou por publicar em 2007 - Sem revisão)

Não é fácil trabalhar com uma autêntica “fábrica de ideias” como é o meu irmão. E não o é, porque frequentemente a superprodução dá origem à acumulação de stocks de ideias por falta de “escoamento”. Boas ideias arrumadas na prateleira, é triste de se ver, especialmente para quem aprecia a criatividade. Os responsáveis disto não são os membros do clube, nem os amigos que frequentemente se empenham nas “linhas de montagem dos produtos das suas ideias”, os responsáveis talvez sejam … os que estão pouco habituados a que para além deles outros também tenham ideias. O que é chato nisto tudo, é que estes também têm o chamado “capital” (sobretudo o social e o simbólico), ou seja aquilo que é caro a todos os homens: o poder! É preciso lutar portanto para que a distribuição deste seja mais equitativa ( e não um poderzinho para ti, dois para mim).
Divagações sociológicas irónicas à parte, a ideia de fazer um quadriatlo já é antiga e “desenpoeirou-se” quando alguns membros do CAB empenhados em treinar para as corridas de aventura, mas também para um halftriatlhon quiseram fazer um treino mais competitivo que incluisse os vários ingredientes das duas modalidades. Desta forma surgiu o “Quadriatlo Terra Livre Aventura com 1.200mts de natação, 8km de canoagem, 68km de BTT e 10km de corrida. Tratou-se ainda de aprimorar o acontecimento com um almoço convívio, troca de presentes e prémios aos 1ºs classificados feminino e masculino e o dia tornou-se por direito próprio pertencente à galeria dos “inesquecíveis”.
Fazer os relatos na primeira pessoa, dá-me sempre um “gozo do caraças”. O contrário, é sempre para mim um “parto difícil”, pois a “coisa” tem de ter ares de notícia e francamente apesar de um dos meus sonhos de adolescente ser o de me tornar jornalista em adulto (projecto que resultou apenas em fazedor dos pasquins aqui de casa), confesso que acho que tenho mais jeito para os “géneros literários”, naturalmente para os mais “caseiros” diga-se.
Bem, então aqui vai o relato da minha participação no quadriatlo:
A preparação específica foi pouca, mas confesso que apesar das duas últimas semanas terem sido catastróficas por motivos de doença, tenho vindo a treinar “alguma coisa”. Nado pelo menos uma vez por semana, corro duas a três vezes, pedalo duas e de vez enquando aproveito a borla” num ginásio e vou lá tratar do caparro. Além disso, como e bebo “à vontade”, respiro e sorrio e lá me chateio de vez em quando. Perante este quadro faltava qualquer coisa para se ser quadriatleta: a canoagem. Apesar de não a treinar (confesso que por preguiça e porque normalmente fico meio empenado das costas) arrisquei confiando na minha experiência anterior e na actual boa condição física, não me enganei.
No dia D, lá estava eu com 11 “gandas malucos” que após o gong das 10hrs se lançaram à água da Lagoa de Albufeira. A ideia era atravessar a dita lagoa, contornar uma bandeira na outra margem, agarrar um puxo que estava junto à referida bandeira e nadar na direcção da “partida” e aí iniciar a canoagem. A natação como sempre para mim é o momento em que substituo a força da técnica pela técnica da força. Normalmente o resultado é que chego sempre ao fim com a sensação de que, apesar de ser um tosco, lá me aguento à “bomboca”. Cheguei em 3º ainda com a imagem do Pedro Roque a fazer a travessia de colete e a pensar que ele iria demorar uma eternidade a chegar à margem da partida, enganei-me, pois passados alguns minutos ei-lo a iniciar a canoagem, que técnica! Claro que a esta altura já eu ia embalado na cola dos estavam à minha frente: o Velez e o Silva. Durante os 8km fui olhando por cima do ombro na expectativa de quanto tempo aguentaria até ser ultrapassado pelos prós que seguiam atrás: o meu irmão e o Feijão. Mas tal não aconteceu e ainda consegui ultrapassar o Velez, isto apesar do desconforto e dormência das pernas, não há maneira de me habituar ao barco, chiça!
O BTT começou com estas 4 feras a partir a “loiça toda” nos primeiros quilómetros. Aguentei-me, afinal não estava nada mal! O pior foi quando começou a orientação ( vulgo desorientação). Os primeiros pontos ainda fui bem sucedido, mas a partir de Sesimbra, nicles! Aí o António e o Feijão apanhando-me “distraído” no controlo intermédio com um problema de corrente deram uma grande “sapatada”. Pensei que o mini pelotão iria ficar partido a partir daí, mas não, pois tiveram um rebate de consciência e reagruparam o grupo. Contudo, essa “boa vontade” não durou muito, no pinhal entre a Quinta do Peru e a Cotovia o andamento era de “TGV” e o Silva ficou para trás. Três “sobreviventes” chegaram portanto ao parque de transições para a disciplina final, a corrida, eu, o Velez o António e o Feijão. Mais uma vez distraí-me e estes dois últimos saíram a todo o gás do parque de transições ( a ratice fruto da experiência). Fiquei eu e o Velez que me disse estar a passar mal com as cãibras. Despedi-me dele na tentativa de alcançar os líderes, mas o esforço cedo se revelou em vão quando me deparei com a dificuldade do percurso, areia da praia dunas e até uma travessia por água a nado ( 5mts). Para mim um percurso fantástico, original, belíssimo, mas o cansaço já fazia das suas e além disso estavam na frente dois bons atletas… que também tinham partido à minha frente. A prova acabou, obtendo eu um honroso 3º lugar, o 1º foi do Feijão e o segundo do meu irmão. É claro que quando for com malta mais competitiva ainda, este pódio será apenas uma miragem.
A prova terminara para mim, mas não para a maioria. O Velez foi o 4º, o Silva o 5º o Ricardo o 6º e a Esmeralda a 7º (vencedora feminina). Os restantes ( Os Ruis, a Filomena, o Roque, a Ângela) sentiram que os 10km de corrida seriam um empeno que poria em risco as provas que se avizinham e portanto não fizeram a totalidade do percurso de corrida.
No convívio final o Roque ficou com o epíteto de “lambão”, pois foi surpreendido com uns bigodes de chocolate em resultado de um saboroso bolo “abandonado” á mercê dos gulosos. Eu safei-me de pertencer ao "clube", fui mais discreto, usei um guardanapo.
Abraços a todos e obrigado pelo excelente dia que me proporcionaram.

terça-feira, junho 08, 2010

Uma determinação do tamanho do Monte Branco


Fonte: UTMB


Caros amigos,
Obrigado pelas palavras que escreveram aqui, muito me sensibilizaram.

Pois é, voltei aos trilhos porque nem só de pão vive o homem ( só falo assim porque pertenço à parte do mundo que pode satisfazer outras necessidades que não as vitais). Eu, apesar do carrossel da vida com o seu vertiginoso quotidiano, nunca deixei de correr, pedalar e dar umas braçadas. Momentos houve em que pouca vontade tive de o fazer, mas lutei contra esse "comodismo" cerebral que nos está sempre a apontar o "caminho mais fácil" para a resolução de um dilema. Em tempos e durante uma fase má na vida, lembro-me de correr várias vezes com um nó na garganta, contrariando um corpo que em obediência ao cérebro queria deitar-se e nunca mais se levantar. Nos dias que correm, tenho os "altos e baixos" de sempre, mas tenho igualmente a determinação de sempre! E ainda, nos dias que correm e outros que já correram ( vai para 1 ano) tenho uma lesão na perna que faz estremecer a vontade e ir pelo atalho da preguiça. Estremece.... como já disse, não cai! Voltei a correr, tenho Ultratrail do Monte Branco para fazer,166km e mais de 9000mts de desnível para vencer e tenho uma determinação tão grande que já está a cortar a meta!
Até breve.

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

AS DUAS ÚLTIMAS SEMANAS - O INVERNO DO NOSSO DESCONTENTAMENTO.


Durante o "Quadriatlo Terra Livre" (natação, canoagem, BTT/orientação e corrida) - Lagoa de Albufeira 2008 - Antes da partida para o segmento de natação da esquerda para a direita - Fernando Feijão,Rui, Filomena, Ricardo, Pedro, Velez, Silva, A. Neves, Rui Marques, J. Neves, Ângela e Esmeralda.

" O Inverno do nosso descontentamento" a par de " Vinhas da Ira" do John Steinbeck fazem parte dos livros da "minha vida" ( o segundo para mim mais marcante que o primeiro).
Rebusco o titulo retirando-o da história do livro para que dê sentido ao que eu e muita gente tem vindo a sentir este inverno. Desgraças à parte, para quem gosta de fazer uns treinos fora de portas, sobretudo de bicicleta, isto está mesmo um "descontentamento". Raras são as vezes em que saio de casa para dar "umas pedaladas" e não comece a chover. Na corrida suporta-se, agora a treinar BTT é mais complicado, caminhos intransitáveis, roupa ensopada, frio, perde-se depressa a "pica". Salva-me a natação e as minha sessões tri-semanais.
De facto esta meteorologia deixa-me com uma lassidão que se não contrario, evolui para uma preguiça vegetativa perigosa. Estas duas últimas semanas são o exemplo disso, alternei fases regulares de treino com outras "mais para menos" ;-). Bem, além dos condicionalismos climáticos existem outros é claro, estes talvez até mais importantes como o trabalho a família e a "lesão de estimação" que tenho de avaliar correctamente, pois disseram-me os entendidos através da palpação da zona dolorosa que isto "deve ser uma fibrose". O facto é que esta mói, dói e chateia, chiça!!! Em resumo: continuo a rolar e a treinar para os objectivos de época; para já daqui a 3 semanas em Idanha ( TP CA ADFA) depois lá mais para Maio com o Camp. Nac. de Corridas de Aventura... buga!

1ª semana:

3x natação - aprox. 4000mts
2X BTT - aprox 90km ( metade do que na semana anterior)
1X Ginásio
2x corrida - 1h30/ outra 2h30 + 30m marcha ( a penar da perna)

2ª semana

3X natação - aprox. 4.500mts
1x BTT - 50km
1X Ginásio
2X Corrida - total 2h30
1X marcha - 3h30

Locais: Monsanto, Restelo, Passeio Marítimo Álges - Carcavelos, Arrábida Serras do Louro e S. Francisco, Lisboa by night ( com direito a uma cervejola na Trindade - treinar e beber uns copos 2 em 1 ;-).
Música: David Bowie, Bob Dylan, Humanos, Cocteau Twins.
Maleitas: Nádega/ perna/ quadril e joelho direito ( controlado com glucosamina)
Peso: a comer como sempre mas a "derreter" qq coisa.

Oração para fazer parar a chuva:

"Senhô meu Jesus, amado de todo meu coração, trago-vós. A chuva que vóis mandô, pra nós já chega, agora peço, peço pra vóis uns dias de sor pra tempero da chuva (pede-se o número de dias de sol que se quer: 10 ou 15) e depois o Senhô Amado meu Jesuis vós sabe do meu coração e eu não sei do coração de vóis, pela santa fé que tenho em vós, tenho certeza que vóis me favorece, por este meu pedido que peço pra vóis. Pelas dores de vossa mãi, pelo amô da Virgi Santíssima nossa soberana, pelo amô de vóis que este meu pedido será aceito que vóis está aqui no meu coração guardado e vóis me favorece Sinhô Deus de Misericordi."

In- Jangada Brasil Almanaque.

Ehehehehehehehe ;-)

terça-feira, janeiro 12, 2010

UTMB 2010 - O projecto do ano além fronteiras



UTMB® (Tour du Mont Blanc)

Mountain race, with numerous passages in high altitude (>2500m), in difficult weather conditions (night, wind, cold, rain or snow), that needs a very good training, adapted equipment and a real capacity of personal autonomy.

É já amanhã que encerram as inscrições para o UTMB 2010. Nesta edição e ao contrário da do ano passado, foi depressa atingido o limite de inscritos e por isso vai haver sorteio o que ocorrerá também esta semana. É com alguma ansiedade que aguardo por saber se pertenço ao lote de eleitos que estará no Monte Branco ( Suiça) em Agosto para disputar um dos trails mais duros e emblemáticos de todo o mundo. Como é que cheguei aqui? Amealhando no último ano os "slots" necessários para estar presente na pré-inscrição para UTMB, ou seja, 1 ponto nos 60km da Serra da Freita - 9h14m ( Ultra Trail Serra da Freita) e 3 pontos nos 105km da Madeira - 25h49m ( Ultra Trail Madeira Island ).
Somos 47 portugueses "neste estado de ansiedade", sorte, sorte, sorte!

PS - A imagem foi retirada de um site de uma prova de qualificação para o UTMB.

segunda-feira, janeiro 11, 2010

Está frioooooooooooo





Habituados que estamos a que durante grande parte do ano faça sol e boa temperatura, quando aparecem os dias mais frios refugiamo-nos "cobardemente" entre mantas , sacos de água quente, meias de esqui ( tenho umas, são uma maravilha) e desculpas esfarrapadas que só nos convencem a nós. Confesso que eu sou um destes, sou o que se diz, um "friorento". Tenho de lutar interiomente para pôr os pés fora de casa quando os termómetros baixam dos 10º e quando os ponho, vou por vezes tão agasalhado que passado pouco tempo estou a suar em bica e a "alivar a carga em excesso" para que não aconteça o contrário, não "morra de calor". Não sou propriamente uma "flor de estufa", adoro sentir os elementos, já passei por dias e noites geladas em locais e situações onde as possibilidades de encontrar calor ou agasalho eram remotas a ainda assim resisti com um sorriso, gracejando com os que estavam comigo e continuando a perseguir o objectivo que me fazia estar ali. Também já estive perto da hipotermia, a deixar que a dor me dominasse a mente, sem sentir os pés nem as mãos, a tremer sem conseguir parar. No entanto, há em todas estas experiências momentos de profundo desafio e reflexão, de novas resistências descobertas e também de sofrimentos recordados, uma aprendizagem física e mental que considero importante na a minha existência. Mesmo assim "volto à casa de partida" quando chega o frio todos os anos, este "maldito frio" que me faz lutar de novo entre o desejo de hibernar e a vontade de liberdade. Apesar de tudo, opto pela segunda, mas nem sempre...

PS - A propósito de um grupo de saudáveis loucos que treinou ontem na Serra da Lousã debaixo de um nevão.

REGRESSA AO LUGAR AONDE FOSTE FELIZ

  É bem provável que já não encontre ninguém por aqui, naquilo que há uns anos chamávamos de "blogoesfera". A blogosfera era uma e...