sexta-feira, setembro 07, 2007

CAMINHO DE SANTIAGO TRAIL AVENTURA I PARTE


Ao entrar a correr na Praça de Obradoiro com o faixa que indicava a meta ao fundo desta a ouvir aplausos entusiastas de “atletas peregrinos” e os de um inesperado “público” constituído por aqueles que ali visitavam a monumentalidade da catedral de Santiago de Compostela, percebi que finalmente a aventura de 3 dias e mais de 150Km ( 154, mais exactamente) estava prestes a chegar ao fim. Não consigo ainda descrever as emoções que senti naquele instante tão especial, posso apenas compará-las às que senti em alguns momentos da minha vida: o dia do nascimento dos meus filhos, a minha primeira maratona ou o “finisher” no Ironman de Ibiza em 2001. O abraço caloroso do mentor do evento José Moutinho no instante em que transpus a linha da imaginária chegada, ajudou a emoldurar de um profundo sentido humano esta aventura designada muito originalmente por “ Caminho de Santiago Trail Aventura”.

Quando em Setembro de 2006 os “Caminhos de Santiago” foram anunciados num participado “fórum” sobre atletismo, não me mostrei muito entusiasmado isto porque estava a treinar pouco e tinha até aí falhado a minha participação na I edição do Ultra Trail Serra da Freita e principalmente no Raid Tróia Melides, prova para a qual tinha começado a treinar desde o início do ano. O motivo fora uma “arreliadora” e persistente lesão em ambos os joelhos designada por “condromalacia patelar” (um desgaste anormal na cartilagem dos joelhos) que pôs fim aos meus projectos desportivos da época e que parecia querer igualmente hipotecar os futuros. Apesar disso, alguns dos habituais camaradas de treino trataram de me “contagiar” com o seu entusiasmo, ajudando-me a recuperar algum do optimismo perdido até então, perguntando-me com frequência “então vens”? A resposta era difícil no momento, mas a “semente” fora lançada, esperava que germinasse. Para isso, continuei os tratamentos á lesão e fui acompanhando as novidades que iam surgindo acerca deste original evento bem como o aumento da lista de inscritos. No mês de Novembro, pensei, embora que timidamente, lançar-me à aventura de treinar para uma prova desta natureza. Há medida que os meses foram passando, os problemas físicos foram sendo debelados e os treinos longos puderam ser feitos em boa companhia e em lugares diversificados como a Arrábida, Sintra ou a Praia da Fonte da Telha. A Maratona Carlos Lopes 15 dias antes dos “caminhos”, transformou o que restava das dúvidas em certezas e esta transformaram-se em numa viagem na véspera para o alto Minho numa bela manhã de Primavera ao som da canção dos “Heróis do Mar” tocada no rádio do carro: “dos fracos não reza a história”, ia fazer a minha primeira ultra maratona.*
* Artigo publicado na Revista Atletismo de Junho

sábado, setembro 01, 2007

Caminhos de Santiago 2007 - Apresentação

O REGRESSO



Depois de cinco meses de ausência eis-me de regresso às actividades bloguisticas.
No dia 18 de Abril fiquei pelo prólogo desta aventura, nas próximas mensagens o relato completo daquilo que foi o "I Caminho de Santiago Trail Aventura".
Obrigado a todos aqueles que apesar da falta de "trilhos" contribuiram para mover o counter deste blog.
Até já

quarta-feira, abril 18, 2007

O PRÓLOGO DE SANTIAGO



Foto AMA MAGAZINE

Gerir os diferentes “tempos” que temos na vida não é tarefa fácil. Escrever aqui no blog em alguns períodos é deixar muitas outras coisas igualmente importantes por fazer. A minha ausência neste espaço explica a necessidade de estabelecer algumas prioridades na gestão desse “tempo”. Agradeço a todos os que, mesmo sem terem o “alimento” das histórias que aqui coloco, souberam deixar comentários de amizade e incentivo. Prometo estar “presente” mais vezes.

Muitas “águas correram debaixo das pontes” depois de eu ter aqui escrito pela última vez. Falemos daquelas que ainda levam intacta a esperança de começar dia 28 deste mês uma das aventuras de corrida mais originais até agora organizadas em Portugal: o “Caminho de Santiago Trail Aventura”.
Como puderam ter acompanhado ao longo de 5 meses aqui e no meu anterior blog o “Homem da Maratona”, a minha preparação para esta prova vai na 23ª semana. Recordo agora que se está a aproximar a data do seu início, os momentos mais marcantes desta preparação ao qual dei o nome de “Prólogo de Santiago”. Dividirei estas histórias por cinco, correspondem ao número de meses de preparação para a aventura. Voltarei desta forma oferecer o “alimento” que muitos desejam quando me visitam: a leitura da história singular de uma experiência de vida, visão do mundo e amor pela aventura de um atleta do pelotão, isso, a minha!
Começo este prólogo quase por um dos seus episódios finais, a minha participação na Gold Marathon Carlos Lopes realizada no passado domingo em Lisboa. Esta foi uma prova para a qual não me preparei, mas estava preparado. Não preparado porque nunca manifestei a intenção de estar presente, não fosse um convite de última hora. Preparado porque os treinos dos últimos tempos deram-me o suficiente “background” para enfrentar qualquer prova de distância longa.
A prova correu-me bem apesar das já habituais vicissitudes da sua organização. Corri em boa companhia, revi amigos e tive o prazer de completar uma Maratona depois do “desastre de Badajoz” em Janeiro. Desde 2003 que não completava uma prova desta distância, foram quase três anos de sucessivas lesões a mais próxima a que no ano passado a um mês do Raid Melides Tróia me impediu de vencer esta aparente malapata. Foi agora, finalmente! Como disse, esta maratona apesar de não conseguir afirmar-se como uma grande prova de Maratona, não deixa de ser realizada num excelente percurso. Percurso este que venci em 3h48m em ritmo de treino não fosse pesarem-me as pernas para Santiago caso metesse o “pé no acelerador”. À chegada à meta, a minha filhota, fã nº 1 de um Pai que muitas vezes permuta a sua companhia por uns treinos (necessários) ao de fim-de-semana, gritava entusiasmada á minha chegada. Peguei nela e juntos ultrapassamos o pórtico, linha que demarcava os 42.195mts vencidos. Foi um dos momentos mais felizes da minha vida. Espero que juntos possamos cortar muitas metas pela vida fora!

Até breve.

domingo, março 04, 2007

ARRÁBIDA - TRAÇAR PERCURSOS (continuação)


A norte a "margem sul".

A Primavera já seduz na Serra

A subida no seu início junto à "Secil" tem aproximadamente 8km até ao topo. Será esta distância ida e volta que me proponho agora fazer no "treino do dia" ( mais o circuito da lama). Assim, à medida que vou subindo os horizontes alargam-se, já vejo Tróia, costa da Galé, Setúbal e um imenso oceano que aos meus olhos parece não ter fim. Mais acima depois do quartel, debruço-me sobre uma "varanda" do que deve ter sido um antigo posto avançado de observação militar costeira e tiro ai as primeiras fotos em automático comigo em fundo nesta paisagem fantástica. Continuo, reparo que o incêndio de há dois anos destruiu bastante a zona, talvez de forma irreparável. Mas a natureza resiste e por todo lado flores amarelas anunciam a Primavera não muito distante. Chego ao ponto em que acaba a subida junto ás antenas, mais à frente o miradouro sobre toda a península de Setúbal, a ocidente o Meco, Lagoa de Albufeira, Costa da Caparica, a norte o Tejo e a suburbana "margem sul", perto, Azeitão, mais para oriente Palmela e além desta, as vastas planícies de parte daquilo que "além Tejo" já se chama "riba Tejo". Olho para o "Formosinho" coberto de uma nuvem que vai descendo na minha direcção e que rapidamente parece estar prestes a alcançar-me. Para evitar sentir mais frio do que já venho a sentir desde que estou ali no "tecto" da serra, arranco para um "downhill" desenfreado de distância igual à subida no qual pareço ter assas. No final do treino ainda tempo para explorar mais uns caminhos junto ao Vale da Rasca e a desilusão de encontrar parte destes vedados com cercas que indicam propriedades particulares.
Total aproximado de 20km para 2h45 de treino ( nunca mais recebo como prenda um GPS)

Agradeço ainda aos leitores do Trilhos Míticos as palavras de incentivo, fica aqui a promessa que para breve responderei ás questões que o Lucas e o André aqui me colocaram.

Desejo de muitas aventuras.

quinta-feira, março 01, 2007

ARRÁBIDA - TRAÇAR PERCURSOS

No horizonte muitos "horizontes"

Agora, subir, subir, até a estrada ficar plana, sinal que cheguei ao topo.


Em casa hoje, decidi que o meu treino diário seria algures na Arrábida. Assim fiz-me à estrada e durante algum tempo estive indeciso na direcção a tomar. Quinta do Anjo? Palmela? Azeitão? Decidi, Vale da Rasca! A minha intenção era traçar possíveis percursos de treino, quer para o grupo que vai a Santiago, quer para a malta do fórum " O Mundo da Corrida" que tem prometido um treino/convívio para estas bandas. Escolhi o Vale da Rasca por me oferecer duas alternativas, a primeira a possibilidade de traçar um percurso em estrada a segunda fazer o mesmo mas nos trilhos que atravessam aquela zona até comenda e caminhos paralelo à ribeira que aí desagua.
Comecei pela segunda alternativa e depressa percebi que os caminhos, apesar dos ténis "todo o terreno" que tinha calçados, estavam intransitáveis. É que na serra a maioria do seu solo é de barro, ou greda, que quando molhado se transforma numa lama que se cola aos sapatos de forma persistente formando uma dupla sola que impede qualquer indómito aventureiro de progredir. Foi o que me aconteceu. Retorno, decido ir no sentido contrário ao inicialmente planeado. Atravesso uma ribeira aproveitando para lavar os ténis e tomo um caminho que entronca com a estrada para o alto da serra (...) continua.

REGRESSA AO LUGAR AONDE FOSTE FELIZ

  É bem provável que já não encontre ninguém por aqui, naquilo que há uns anos chamávamos de "blogoesfera". A blogosfera era uma e...