quinta-feira, março 25, 2010

Taça de Portugal de Corridas de Aventura 2009/10 II Raid "Pelos Caminhos da Egitânea"




Taça de Portugal de Corridas de Aventura 2009/10
II Raid "Pelos Caminhos da Egitânea"

Decorreu na região de Idanha nos dias 20 e 21 de Março a 3ª prova da época 2009/10 da Taça de Portugal de Corridas de Aventura organizada pela ADFA e FPO. O CAB- SUPERBIKES esteve presente no escalão de elite com os atletas Ângela Cruz, Esmeralda Câmara, José Neves e António Neves, disputando a sua segunda participação nesta temporada. A leitura antecipada do Raidbook não advinhava facilidades para as 33 equipas em competição, pois eram esperados mais de 200km multidisciplinares, sobretudo orientação pedestre - 74km, e em BTT -156km, mas também actividades de cordas, natação e canoagem.
A prova começou com 12km pedestres circulares à localidade do Rosmaninhal e o CAB-SUPERBIKES entrou determinado em fazer jus do seu valor demonstrado em épocas anteriores. Apesar de um pequena desconcentração de inicio, fruto do habitual esforço para "entrar bem no mapa" que nos fez perder alguns minutos, a equipa realizou os 5 CPs da etapa dentro do tempo previsto, partindo para a etapa seguinte composta por 46km de BTT.
A altimetria da prova não denunciava as dificuldades de um terreno pesado pela chuva que caíra nos dias/meses anteriores à prova nem o sobe e desce constante, o chamado pela gíria desportiva como "rompe pernas" pela sucessão continua de subidas e descidas. Apesar do BTT ser das disciplinas mais fortes do grupo, a aposta em fazer a totalidade dos CPs, gorou-se por segundos fruto do desgaste inesperado pelos factores que foram referidos. Esta contrariadade não abalou a equipa que seguiu para a que podia ser considerada a "etapa decisiva", uma pedestre de 42km e 14CPs. A paisagem de montado e a razoável rede de caminhos pareciam ser favoráveis para que as equipas pudessem rolar rápido, contudo algum desnível e sobretudo a longa distância da etapa, impunham uma boa estratégia de navegação e gestão do esforço. O CAB-SUPERBIKES conseguiu unir esses factores, mas teve contra o facto de estar a partir atrasado nas etapas, encurtando o tempo disponível para "atacar" CPS e o défice físico de alguns atletas que acusaram uma época de lesões e menor preparação. Esta dura etapa "rendeu" 10Cps, seguia-se a última etapa do dia, um BTT nocturno de 62km que entrava em discussão para qual seria a "etapa decisiva" da prova.
Debaixo de uma forte chuva, com trovoadas e relâmpagos que iluminavam de forma súbita uma noite de breu, conferindo ao desafio, mais dureza, mistério e beleza, esta etapa trouxe à tona as dificuldades físicas acumuladas ao longo dia. Problemas esses que se foram superando pela experiência e entreajuda da equipa, mas que constituíram um obstáculo para recuperar o tempo que já vínhamos a perder ao longo de toda a prova. Dos 16CPs possíveis ( 1 CP duplo) a equipa realizou 9 Cps, chegando à 01h00 debaixo de um autêntico "dilúvio" ao santuário da " N. Srª. do Almordão" perto de Idanha-a-Nova. Em circunstâncias normais, a equipa estaria em condições de realizar mais 3Cps neste mapa, contudo é aqui que reside a chave das Corridas de Aventura, as muitas variáveis competitivas em jogo aliadas às competências multidisciplinares dos atletas, pontêncial físico, gestão de equipa, estratégia e claro também os factores considerados como "inesperados", são os ingredientes decisivos para se "chegar à frente". Não estávamos "cá atrás", mas tínhamos perdido o comboio dos lugares cimeiros, restava-nos lutar pela classificação "mista" ( elementos masculinos+femininos) no dia seguinte.
Com partida em Alcafozes, o dia começava ás 7h00 com uma etapa de 38Km de BTT com 11Cps. Quatro mapas distribuídos, dois para o percurso maior e outros dois para uma secção de ORI-BTT dentro da etapa que valia 3CPS. Estratégicamente optamos por fazer esta secção, considerando que podia ser uma vantagem competitiva pelas valências de alguns membros na disciplina. Não se revelou como tal, o terreno excessivamente pesado, cortado por linhas de água que frequentemente nos faziam atravessar com a bicicleta às costas, o relevo "rompe pernas" e o tempo disponível para a realização da etapa, cedo frustraram as nossas aspirações, amealhando "apenas" 6Cps. Seguia-se a penúltima etapa, um score 100 com multiactividades, entre elas rappel, natação e canoagem, realizadas em "descompressão" e que renderam 2Cps. Na entrada para a última etapa, sabíamos que pouco havia para decidir na classificação, ainda assim procurámos realizar os 4Cps da etapa e não fosse o alguma incongruência da organização em marcar os referidos Cps, esse objectivo tinha sido alcançado, o que premiaria todas as equipas que tiveram a ousadia de avançar pela antiga "via romana", primeiro num downhill técnico e depois num uphill de dificuldade muito elevada.
Concluindo: apesar deste aspecto menos conseguido, entre outros lapsos de menor importância a organização AFDA, esteve muito bem, oferecendo uma prova de elevando desafio físico e técnico. Quanto à nossa equipa CAB - SUPERBIKES classificou-se em 8º lugar no escalão de elite  que teve como vencedor o Exército 1, e foi ia 3ª equipa mista logo atrás do Exército 2 e  do ADA Desnível I.
Em Maio - Campeonato Nacional de Corridas de Aventura- esperamos estar mais fortes para mais um momento de desafio e aventura, convívio e sobretudo, amizade.

José Neves

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