sábado, dezembro 31, 2011

TOMA LÁ 2011!

(Foto- Luiz Assis Pacheco)

quinta-feira, dezembro 29, 2011

LEITURA DE CABECEIRA


A minha actual leitura de cabeceira. Lá vou sonhando, sonhando, sonhando... Há por ai alguém que queira alinhar?

CLUBES PARA A NOVA ÉPOCA

TERRA LIVRE

Depois de falhadas as minhas negociações de renovação pelo grande clube que são as Lebres do Sado e não havendo contactos  de empresários para a minha transferência imediata para outros clubes ;-) ( sou bom, muito bom e continuo aberto a propostas vantajosas), optei por competir na próxima época em tudo o que forem participações desportivas individuais com a camisola do meu clube do coração ( este mais o Sporting pois claro), o CLUBE AVENTURA DO BARREIRO (CAB), com o fantástico patrocínio da TERRA LIVRE. 
Nas provas colectivas de orientação e aventura representarei em primeiro lugar o GDU AZÓIA, uns grandes amigalhaços dispostos a ensinar muita coisa!

Obrigado às Lebres por alguns anos de, apesar de intermitente, saudável convívio. Desejo de continuidade do projecto e sucessos!

Comiseração...

A propósito de baldas a treinos, nocturnos e outros, escrevo aqui um pouco ao jeito do que o árbitro Duarte Gomes escreveu no facebook ( coitadito). Um pouco de comiseração fica sempre bem aos homens de bem...

«A evidência da minha barriga aniquila friamente o momento em que, um tanto ao quando inadvertidamente, decidi escrever aqui no Trilhos Míticos que ia participar na S. Silvestre Pirata Nocturna de Monsanto que tão bem me iludiu quanto à possibilidade de fazer um treino que não faço há mais de 15 dias e conviver com alguns vestustos amigos da corrida: Sim falhei, não fui e sim falhei. Falhei e já segui em frente e hoje proponho-me a comer uma feijoada ao almoço, regado com um Piriquita Tinto de 2009 e a não voltar a fazer ponta de corno até que um dia destes não consiga ver a cor da roupa interior que visto em baixo"

Texto original de Duarte Gomes para que não seja acusado de plágio:

https://www.facebook.com/FCPfans/posts/127940083988101


;-)


Fiquem bem!


Abraços

sexta-feira, dezembro 23, 2011

FESTAS FELIZES


MADEIRA ULTRA TRAIL ISLAND

Prova reeditada em 2012 com o percurso original, mas desta vez Machico - Porto Moniz.  A rara e lindíssima Floresta de Laurisilva a subida aos Picos do Arreiro e Ruivo, a Encumeada e as levadas são inesquecíveis. Vale 3 pontos para o Monte Branco.

 http://madeiraultratrail.com/

Aproximadamente 105 km com 5% de desnível positivo. Sobe do nível do mar aos 1818mts ( Pico do Arreiro)





RECORDAR É VIVER



Recordando uma das mais bonitas Corridas de Aventura em Portugal e uma vitória no escalão de Elite Mista.

domingo, dezembro 18, 2011

O PROMETIDO É DEVIDO

Está prometido, não me posso escapar da 2ª edição desta prova na Serra da Lousã. Um dos organizadores é meu colega e já há muito que me disse, " este ano não te escapas!", nem que faças aquilo a andar. Tinha-lhe prometido no ano passado, não fui, nem de gatas tinha condições de a fazer. As condições são as mesmas, de gatas ou a pé, o prometido é devido!
Não me assustam os 45km em floresta e os quase 4000mts de acumulado, antes pelo contrário, é o meu habitat de excelência (a Lousã é linda e eu adoro trepar montanhas). A distância e a dureza não fosse o facto de estar com 90kg(!) e sem treino, caia que nem uma luva.
Em Janeiro se fugir da neve que de vez em quando por ali cai no mês de Janeiro, não devo escapar-me da chuva e do frio, mas felizmente as recordações que tenho dos rigores climáticos já sofridos noutras circunstâncias e desafios superiores a este, são suficientes para ficar vacinado contra o que o dia nos oferecer, pode ser neve que a adoro ver cair e não encharca tanto, mas solinho, sempre!
Tenho 8 hrs de tempo limite para concluir o empreendimento, o que em princípio dará para fazer metade a correr, metade a andar ( de gatas não dá, definitivamente). Sim, porque condições para mais não tenho e a ver vamos...
Estou a correr praticamente uma vez por semana e não mais que 1h. Ontem perdi a vergonha e lá fui para o trabalho a correr atravessando uma Lisboa animada pelos turistas, sobretudo jovens, mas de espírito natalício tristonho, o que não é habitual nesta quadra. Em anos anteriores a cidade agitava-se pelo consumo, fervilhava de alegria, música, montras fartas de gulodices tradicionais, entre outros "fetiches". Enfeitava-se de luzes multicolores das avenidas novas à baixa, subindo o velho e bonito Chiado, um espetáculo nocturno imperdível aos olhos de quem vinha à capital. Mas este ano não, está nua, as lojas vazias, as pessoas cabisbaixas, ausentes. Não querendo ser pessimista, mas isto vai durar até lá para o Verão, altura em que a malta se estica na praia e esquece momentaneamente as agruras da "condição de se ser português".
O meu treino foram 12km de Belém à Penha de França, um terço deles a subir na Almirante Reis e a finalizar com uma rampa da Calçada do Poço dos Mouros. Uma noitada a trabalhar e hoje de manhã o retorno com a mesma distancia e percurso num dia que amanheceu frio mas radioso, com a beleza do Tejo prata em fundo e um Pastél de Belém para pequeno-almoço. Grande treino urbano!
Espero conseguir fazer um treinito durante esta semana, pois apesar das exigências da quadra e do muito trabalho, ainda assim estou mais livre que o habitual. Só tenho de evitar olhar-me nas montras, pois noto sempre a barriga proeminente e um correr arrastado o que  dá-me um ar pouco atlético e um bocado à "cromo". Percebo agora porque é que a malta mais fit que corre aqui no passeio marítimo de Belém, no alto dos seus Ipod´s, dos seus nikes e dos seus "bons nomes de família", não me passa cartão, é como se dissessem " o meu caro está um bocado, balofo para tão nobre actividade, não?! Que horror!".

terça-feira, novembro 15, 2011

A ARRÁBIDA É ZEN!

(Fotografias do último treino Arrabidino em Agosto)

Nós os portugueses temos uma atitude curiosa face à nossa realidade colectiva, mesmo quando poucos nos espoliam de muito, daquilo que por direito é um direito, mesmo quando sabemos de uma justiça incapaz de travar os mais altos índices de corrupção da Europa, uma escola que não resolve a absurda e permanente taxa de abandono escolar, um rácio polícia/cidadão suficiente para nos proteger em dobro e que não protege nem na metade, um sistema de saúde com orçamento de ricos mas que não oferece "saúde" aos pobres, a mais escandalosa diferença entre aqueles que mais ganham e os que menos recebem, entre outras coisas que certamente tornam  infeliz um qualquer cidadão com fé na democracia, nós dizemos com um sorriso cândido nos lábios e um ar decidido de que "prescreve" uma verdade insofismável :" epá isto pode ser mau, mas não há país mais bonito, pacato e com o melhor clima do mundo como o nosso!". Sou forçado a concordar em parte, temos um país lindíssimo, um clima invejável que nos deixa ir à praia grande parte do ano, a "rusticidade" de uma paisagem conservada pelos anacronismos do desenvolvimento, a bonomia dos que ainda não foram contaminados pelos processos racionais do trabalho do capitalismo moderno, mas a afirmação serve, a meu ver e comigo incluído, de estratégia para o alheamento de uma sociedade fragmentada na qual vivemos e que de "pantufas" nos rouba a esperança, a vontade e responsabilidade colectivas...
Uma das minhas estratégias de alheamento ao longo dos anos são os frequentes "mergulhos" na paisagem Arrábida. Sozinho ou acompanhado tenho os cinco sentidos extasiados e as paredes da memória forradas por bons momentos passados a deambular pelos quatro cantos da serra. No próximo domingo estarei lá novamente e com boa companhia para um treino que vai do Vale de Azeitão ao dos Picheleiros e deste ao ponto mais alto da serra, o Formosinho. Depois é a descer até El Carmen, um salto ao "santuário" que é o Fojo e por ali fora cruzando o "caminho" com uma torta ou um "s" de Azeitão para abastecimento...

Para quem quiser aparecer:    Dia:   Domingo 20 Novembro
                                             Local: Bombas de Gasolina de Azeitão
                                             Hora: 9h
                                             Duração: 3hrs/4hrs
                                             Previsão Metereológica: Chuva
                                             
                                           Altimetria:  Grafico altimetria.jpg

segunda-feira, novembro 14, 2011

AGORA É QUE É

Entre começos, recomeços e paragens, motivação e perda desta no dia seguinte, há dias nos quais digo: " agora é que  é!". Confesso que tenho saudades deste lado B da minha vida, o tal "lado"  de libertário desportista e aventureiro. Aprendi e vivi muitos momentos felizes da minha vida a desempenhar este papel. Seja de que forma for, quero mais, liberdade! A verdade é que não estou parado, lá vou fazendo qualquer "coisita" e mais verdade ainda, é que não arranco por diversas condicionantes externas, afinal e principalmente, não são só os factores "internos" ( tem a sua cota parte) que me "obrigam" às paragens longas de que falo.
Bem, mas se esta é hora da tal mudança não sei. O que sei é que as dores que me atormentavam, sobretudo quando corria são "menos dores" agora, e por isso, "arrastar" os meus quase 90kg, já não são um calvário, são "apenas" um suplicio :-) Digo isto como se corresse todos os dias, o que é mentira. Corro uma vez por semana, se é que posso chamar a 30m de por um pé à frente do outro, "correr". Ontem foi diferente, alguns camaradas destas andanças sensíveis ao meu "estado", vieram da margem sul e de Sesimbra propositadamente para "puxarem por mim", e conseguiram! Da minha parte dei-lhes em troca e durante aproximadamente 2h20 os mais bonitos e "trialeiros" caminhos aqui de Monsanto e também um Pastel de Belém no final do treino para que "Lisboa não fosse só paisagem". Pouca coisa para o seu tão grande gesto é certo, mas tenho a certeza que a satisfação foi mútua. 
Não sei se embalado por me ter aguentado a um treino que não fazia desde há mais de um ano ou no contágio de projetos sonhados e partilhados (corridas de aventura, Trails e regresso ao Monte Branco), hoje já me inscrevi nos "Ultra Trail dos Abutres" na Serra da Lousã e penso fazer a Meia da maratona de Lisboa já em Dezembro ( que coincide com a Maratona de BTT de Canha e portanto estou em dúvida qual escolher), pelo meio fica o informal "Tróia - Sagres" de bicicleta próximo do Natal. 
No próximo fim-de-semana tenho combinado um dos treinos que mais gosto de fazer, o "trip trail" da Arrábida, com direito à subida da cascalheira até aos Formosinho e passagens por El Carmen, Fojo, Risco e por ai fora...um delicioso empeno para mais de 4hrs. Bora lá!

sábado, novembro 12, 2011

GET UP...

Há uma canção dos Yes que ouvia repetidamente na adolescência, pois além do seu fantástico "rock psicadélico", tinha um refrão que naquele momento "sensível" da minha existência, muito fazia sentido: "Down at the edge, round by the corner,Close to the end, down by a river,Seasons will pass you by, I get up, I get down..."
Continua a fazer... Amanhã depois de um período de treinos "down", "I get up" para ir correr com um grupo de amigos aventureiros que tiveram o gesto fraterno de vir até Monsanto para treinarmos juntos. Espero ter pedalada para as programadas duas horas de "trip trail" e, se houver tempo, uma curta sessão de orientação.

Quem quiser aparecer, há ritmos para todos ( espero que haja um lentinho para mim). 9hrs junto no estacionamento que indica a mensagem. Apareçam.

sexta-feira, novembro 11, 2011

O TRILHOS MÍTICOS ESTÁ NO AR

Depois dos muitos emails recebidos, senti que seria precipitado terminar este projecto.Agradeço a todos as extraordinárias, motivantes e de certa forma comoventes palavras de estima e amizade. Um forte abraço fraterno e um "até breve" não um "até sempre"!






terça-feira, novembro 01, 2011

Campeonato Nacional de Corridas de Aventura - Abrantes

Campeonato Nacional de Corridas de Aventura - Abrantes
"No passado fim de semana, no concelho de Abrantes e com a organização do COA, realizou-se o Campeonato Ibérico de Corridas de Aventura, sob a égide da FPO e FEDO. Com o intuito de colocar à prova equipas nacionais e castelhanas, a organização escolheu os melhores cenários e percursos que aquela zona do Ribatejo tem para oferecer, e assim achar as melhores equipas da Península nesta modalidade. Na manhã de sábado, a partida deu-se em Abrantes em BTT, para 40 km de estradão e trilho em direção a Norte até à Aldeia do Mato, local sobranceiro à Albufeira de Castelo de Bode. Aqui realizaram-se mais duas etapas, uma pedestre com 15 km e outra de Canoagem. Esta terá sido a etapa decisiva, já que foi aqui que a equipa espanhola Campeã do Mundo, AA Buff ThermoCool, levou a vantagem que a colocaria até ao final da prova fora do alcance dos campeões portugueses C.P. Armada que terminariam em segundo. Acabando a canoagem, as equipas tiveram que fazer um percurso de BTT em linha de volta a Abrantes, primeiro numa rede de caminhos florestais e mais tarde numa sequência muito agradável de trilhos. Ainda no sábado, mas já de noite, as equipas tiveram que vencer tembém o escuro para fazer os Cp’s que a organização colocára para uma etapa pedestre e outra de run&bike. Já no domingo e com partida novamente de Abrantes, o percurso rumava a Sul para uma etapa com mais de 40 km de BTT nas zonas de montado de sobreiro. Esta etapa terminava na aldeia de S. Facundo, onde as equipas teriam que largar duas BTT’s e calçar uns patins. Nesta etapa que decorreu por estradas secundárias, levou aqueles que dominam os patins a fazer uma etapa rápida com os outros dois elementos da equipa a trocar na BTT. Para terminar uma etapa de orientação urbana, de volta a Abrantes, ao tipo score100. Como já referimos a equipa que levou de vencida a prova foram os espanhois da equipa Buff, que assim se sagraram Campeões Ibéricos de Corridas de Aventura em Elite, com o C.P. Armada em segundo lugar, embora esta tenha vencido no escalão Elite Mista. Será importante referir que esta prova conta também para o ranking da Taça de Portugal de Corridas de Aventura, que continua no próximo mês com o Raid Aventura – Trilhos Saloios, a 26 e 27 de Novembro. http://raidaventuratrilhossaloios.orienta-te.com ," 

Revista Sportlife  

sexta-feira, outubro 28, 2011

HOJE É DIA DE MASSA CRÍTICA

WE´RE NOT BLOCKING TRAFFIC, WE ARE TRAFFIC!

Hoje é dia de Massa Crítica! Logo às 18hrs no Marquês de Pombal - Lisboa e em muitas cidades portuguesas e do mundo em simultâneo. Cidadãos conscientes para a necessidade de uma nova mobilidade urbana e um melhor ambiente, apareçam a pé, de patins, skate, trotinete, mas sobretudo, de bicicleta!

PS - Vou aparecer mais tarde, mas estarei lá!



quarta-feira, outubro 26, 2011

E COMO DIZ O VELEZ À TERCEIRA FOI DE VEZ, GANHAMOS!!!

Uma notícia que encontrei nos "rascunhos" aqui do blog e que tem quase 4 anos!


E COMO DIZ O VELEZ À TERCEIRA FOI DE VEZ, GANHAMOS!!!



Antes de finalizar o relato da aventura em Idanha ( 2ª prova das TPCA), quero celebrar a 1ª vitória do CAB/ Terra Livre ( Esmeralda Câmara, António Neves e eu) na TPCA (Taça de Portugal de Corridas de Aventura) na prova do Sudoeste Alentejano organizado pelo clube Brisa. Para breve o relato deste grande momento.





TAÇA DE PORTUGAL DE CORRIDAS DE AVENTURA IDANHA-A-NOVA 2008 II PARTE

A equipa de Elite Mista do CAB, chegou no limite, após perfazer 14 CP´s, num inequívoco 3º lugar; a 1 CP da segunda classificada (Clube Millennium BCP5) e a 2 CP’s da primeira (A2Z Haglofs/Spiuk1).
Na etapa seguinte, canoagem na barragem de Idanha, a equipa C.M.BCP5 passou para 1º com o CAB a conservar o 3º lugar, mercê da vantagem de 1 CP sobre a 4ª classificada, o Clube Millennium BCP1.
A 3ª etapa, 77 km de BTT nocturno, apresentou um traçado muito estratégico dificultado pelo denso nevoeiro que se voltou a sentir. A nossa equipa, empenhada em atacar a classificação, imprimiu um forte andamento chegando a rebocar um pelotão constituído por 5 equipas. Com três horas de etapa forçámos a descolagem e, imprudentemente, tentámos controlar postos de controlo muito distantes. Pelas 22 horas tudo parecia estar sob controlo, quando um erro de navegação forçou-nos a “pastar” 1 hora e chegar a Monsanto pelas 24:34 h, 4 minutos após o limite e, consequentemente, perder os 10 CP´s obtidos na etapa.
Partindo para o segundo dia em 4º, e quando todas as equipas já acusavam grande desgaste, a nossa equipa não desmoralizou e ainda ganhou 5 CP´s à 2ª classificada e 2 CP´s à 3ª, mas sem alterar as posições, fruto da elevada penalização de 10 CP´s sofrida na véspera.

No final a classificação na Elite Mista ficou assim ordenada:
1º A2Z Haglofs/Spiuk1 54 CP’s
2º Clube Millennium BCP5 49 CP’s
3º Clube Millennium BCP1 46 CP’s
4º CAB/Estoril XPD 38 CP’s
5º Team Green Land 26 CP’s
6º Estoril XPD1 26 CP’s
7º Exército1 25 CP’s
8º ATV Mista 22 CP’s

No escalão Elite Masculina venceu o Clube Praças da Armada com 53 CP’s, e no escalão Aventura venceu a A2Z Haglofs/Spiuk2. Todas as classificações em http://idanharaid.no.sapo.pt/

A próxima prova é já nos dias 15 e 16 de Março em Odemira para o « I Troféu Aventura Clube Brisa», onde contamos marcar presença com as duas equipas do CAB, toda a informação em http://www.torneiosbrisa.com/aventura/home.asp

TERRA LIVRE

Vou ser genérico, não tenho muito tempo, mas não deixei de achar este assunto muito interessante. A postagem deste video reintroduz a discussão daquilo que em parte já reflecti num post recente ( Massa Crítica - Fell Alive). Um cidade e uma sociedade (re)pensada para novas formas de mobilidade sustentável. O incremento da bicicleta e do transporte público. Este é um exemplo holandês do passado que podíamos ter reflectido, pois muitas das onerosas infraestruturas que agora temos de pagar penosamente tem uma construção recente, como é o caso do "polémico" túnel do Marquês que, entre outras megalomanias do então governo da cidade, deixou as suas finanças depauperadas. Mas citando mais exemplos, hoje temos a cidade de Lisboa "rasgada" por inúmeras "vias rápidas ", autênticos livros de tragédia nas quais morrem ou ficam estropiadas muitas pessoas por ano ( basta ver as estatísticas oficiais). Os custos sociais e económicos de tudo isto são elevados, por muitas campanhas de prevenção rodoviária e repressão da polícia que se façam, entre outras medidas políticas para reduzir a sinistralidade ( existem variáveis que nunca foram observadas nestas políticas), o fenómeno pouco se altera. A revolução do automóvel obrigou progressivamente a que a cidade se alterasse para o receber. Viadutos, túneis, parques subterrâneos em zonas históricas, obras que descaracterizaram a cidade, obrigado ao corte de árvores, à redução de passeios, ao redesenho do seu centro histórico, desligaram identidades de bairro, relações de vizinhança, espaços de lazer e convívio, reduzindo as proximidades "cosmopolitistas". Pergunto, para quê? Para que caibam na cidade milhares de automóveis todos os dias que transportam na sua maioria uma só pessoa? O que lucramos nós cidadãos com isto? Alguns sim, a Brisa, a Emel, a Bragaparques, já para não falar da BP da Galp e dos fabricantes de automóveis claro, entre outras "minorias". Os restantes aceitam a "ordem das coisas" . Não há nisto nenhum fundamentalismo "anti-automóvel", eu próprio o vou utilizar daqui a pouco para entrar na cidade, estacionando na periferia e apanhando transporte público para o local onde devo estar daqui a pouco ( estou atrasado :-), isto apesar de na maioria das vezes circular de bicicleta. O que eu pretendo dizer é que podemos fazer melhor, podemos mudar, podemos agir alterando os paradigmas actuais. Terra livre!

segunda-feira, outubro 17, 2011

OUSADIA PARA SONHAR






Há coisas na vida que são para cumprir sob pena de perdermos a capacidade de sonhar. O Nelson Picado não quis que isso acontecesse e iniciou há uns meses uma viagem pela a Europa em bicicleta Durante os muitos anos que o conheço, foi-me dizendo que um dos seus sonhos era esse, o de "conhecer o mundo", se possível de bicicleta. Há poucos fez um dos seus primeiros "ensaios" e percorreu o sul de Portugal e meses mais tarde o norte, completando a sua "volta a Portugal em bicicleta". O Nelson é um entusiasta da bicicleta e de tudo o que se desloca em rodas utilizando a "força motriz humana" ( se assim podemos chamar), anda de patins e ainda constrói os carros de rolamentos que faziam as delicias da nossa juventude endiabrada. Durante anos fizemos em comum parte de uma equipa de triatlo/duatlo, percorremos serras e vales de BTT, descemos rios, competimos em corridas de aventura, cruzamos baías a nadar, entre outras coisas sempre em saudável comunhão. O Nelson é um excelente companheiro, capaz de partilhar o "precioso" queijo caseiro que a avó lhe enviava com mimo do Alentejo e ao mesmo tempo saber aceitar humildemente o que lhe oferecem. Sabe portanto partilhar com simplicidade, sabe conversar e é amigo do seu amigo. Acima de tudo, vive deslumbrado com a vida e as pessoas e trata os animais com o mesmo respeito e espírito fraterno. Acompanhei o seu percurso académico, os seus trabalhos esporádicos, as suas frustrações com a carreira, os amores e as goradas expectativas de desenvolvimento do país em que nascemos. "Desenganos" que sempre se superam pela vontade de seguirmos "em frente", capacidade para descobrir e fazer coisas novas e a experiência acumulada de frequentes saídas da "zona de conforto" adquiridas na sua maioria através das nossas aventuras "outdoor" que referi. Foi com esta "bagagem", alforges e demais apetrechos, como o familiar saco-de-cama que um dia partiu na sua velha bicicleta. Viajou desde então por nove países da Europa, em estradas, ciclovias, caminhos de terra batida. Percorreu florestas, cidades, lagos, mares nunca vistos, viu chover, nevar e teve saudades do "seu" sol português. Sentiu hostilidades, más vontades, mas preferiu destacar antes as muitas solidariedades inesperadas que viveu e que procura cultivar correspondendo. Dormiu nos alpendres de igrejas com vista para os cemitérios de aldeia em Espanha e França, em casas de súbitos amigos do momento ou antes conhecidos na internet, em abrigos de floresta dinamarqueses, nas montanhas norueguesas abrigando-se de uma tempestade de neve, em palheiros germânicos... Fui sabendo dele dizendo-me que a vida fazia agora mais sentido após esta experiência. Chegou há pouco à Noruega, país que ele diz ( e nós sabemos) de rigores climáticos, mas de pessoas que ele diz justas, fraternas, despidas segundo ele de preconceitos próprios da "malta do sul". Novas formas de viver, de relacionar, de organização social e oportunidades de trabalho e talvez por isso tudo teve vontade de ficar por uns tempos. Está feliz mas cheio de saudades do sol quente no Portinho da Arrábida enquadrado pela serra e o seu único mar azul. Pareceu-me bem, pois na balança pesam coisas mais importantes que o deslumbre e a beleza da nossa paisagem "caseira". Ontem em conversa e a propósito desta demanda de muitos portugueses, sobretudo jovens, pelo mundo à procura de melhores condições de vida que o país teima em não oferecer há muitas gerações, falei dele. Não que "caiba" na ideia estereotipada do emigrante, mas no sentido em que para muitos e sobretudo para ele, a coragem de partir é uma atitude exemplo. O que torna o Nelson mais especial foi que antes disso teve a "ousadia" para, sonhar!

quinta-feira, outubro 13, 2011

SAIR DA "ZONA DE CONFORTO"

 XPD 2009 - Com aproximadamente 30hrs de prova em Santana - Sesimbra
XPD 2009 A "união faz a força" - ao 4º dia em Valada do Tejo - Cartaxo

Nestes dias em que se ouve e reflecte intensamente as palavras "crise", "austeridade", os cortes nos (parcos) rendimentos e as opções de muitos ( eu incluído) em nos mantermos ( ou porque é que nos mantivemos, acreditando) neste país aferrolhado por uma "lógica" ( é claro que existem termos mais concretos, mas para mim a "lógica" deriva da aceitação dessa mesma realidade) de funcionamento social tão desigual, vem a propósito, quase em jeito de metáfora, discutir aquilo que poucos ouvem falar, menos reflectem e raros sentem: sair da "zona de conforto". 
Não me vou alongar muito... Hoje com faço na maioria das vezes vim para o trabalho de bicicleta. A minha "Mustang", uma bicicleta de estrada do princípio dos anos 90 que equipei com alforges para poder trazer, livros, roupa e a lancheira com o almoço ou o jantar aqui para o trabalho entre outras coisas que me fazem falta, conquistou o espaço da minha GT nas frenéticas estradas aqui da capital. À hora que venho, aproximadamente 19hrs, o trânsito costuma "infernal", o ar irrespirável e o perigo criado pelos meus "homicidas de estimação": taxistas muito parecidos com as caricaturas dos homens de Neandethal e outros "hominídeos" de telemóvel em punho falando ou a enviando SMSs isto além de estarem também a conduzir, aumenta! 
Mas pronto, estou a desviar-me do essencial, ou talvez não. Continuando... cheguei então ao meu trabalho que fica no final de uma espécie de contagem de 2ª categoria, suado, hoje muito por culpa do calor abrasador que fez e do "final da etapa" e tomei uma banhoca rápida ( é um privilégio não é?). No vestiário cruzei-me com os colegas que vou substituir e meto a habitual conversa de caserna, "então meu, como é que correu o dia?", um deles diz-me, "está calor", eu digo, "é verdade, um bocado anormal para a época" ele diz com uma voz que me pareceu de desalento, " isto está mau, espero bem que não aconteça nada de grave", eu digo-lhe, " pois... a continuar podemos ter problemas de seca, é tramado para todos, sobretudo para os agricultores", ele " não, grave no sentido de acontecer algum desastre terrível para a humanidade, isto é estranho", eu reformulo o meu raciocínio tentando aproximar-me mais do dele, " pois... se estás a falar de que os nossos estilos de vida estão a provocar  desequilíbrios sociais e alterações ambientais, eu concordo, a continuar assim..." ele interrompe-me, talvez achando que as minhas palavras não estavam a ir de encontro às dele, " não pá, há qualquer coisa, vai acontecer qualquer coisa de muito grave", eu desdramatizo " bem, acontece sempre qualquer coisa... umas boas outras más e o mundo ( nós) avança", ele faz um silêncio que eu aproveitei para rematar "é preciso que as pessoas saiam da zona de conforto, tenham vontade de mudar, de experimentar, de aprender, depois tudo o resto vem por acréscimo", o silêncio agora dura mais tempo, talvez porque espere que ele comente o que acabei de dizer, questionando ou enriquecendo este ponto de vista, mas em vez disse ouvi um lacónico, tão inconsistente e na moda "é complicado"! 
Pois é, "complicado" é sair da "zona de conforto".

quarta-feira, outubro 12, 2011

CA Serra da Estrela e Sabugal II

Vídeo da prova emitido no passado Sábado na RTP2 programa "Desporto 2". PS - O homem da canoa sou eu ;-)

CA Serra da Estrela e Malcata

 Solo duro em Manteigas - a dormir umas preciosas 2hrs
 Na aldeia do Sabugueiro - ponto de troca de elementos da 1ª etapa pedestre
 Na segurança da natação na Barragem do Rossim - aqui a "salvar" um atleta com cãibras
 Idem
 Junto à Barragem do Sabugal ( rio Côa) no ponto de troca da etapa de canoagem do 2º dia
O Dream Team que ajudou a dois dias de muita aventura

sexta-feira, outubro 07, 2011

TRAVESSIA DA BAÍA DE SESIMBRA


E lá fui eu mais uma vez atravessar a Baía de Sesimbra a nado, prova que funciona como rentrée para os meus tímidos treinos de piscina todos os anos. Perdi a conta às vezes que já fiz esta travessia, mas recordo-me de algumas circunstâncias "insólitas", como fazê-la com nevoeiro cerrado, chuva, frio de rachar, água gelada e muita malta a sair dela a "tremelicar", boa companhia, entre outras "particularidades" que ficam na memória melhor que a contagem das vezes que ali estive. O prazer é sempre o mesmo e a certeza fica, "para o ano estarei cá outra vez"! No ano passado isso não foi possível, mas este foi-o e ainda por cima coincidiu com um bonito dia de verão tardio português, que muito agrada a quem tem tempo e dinheiro para fazer praia, comer umas belas sardinhadas e dormir a sesta ( sim porque aqui nesta jardim à beira mar maltratado começa a ser para muitos uma "preciosidade").
Muitos atletas na partida, a maioria malta da natação de competição e uns quantos "cromos" como eu pouco fit(s), muito pelo na peitaça ( e branco) e pouca vaselina para "deslizar" na água, no meu caso nenhuma que aquilo só polui a água. A minha habitual "técnica da força" e o estilo misto, costas de remada simultânea e crawl, foi mais uma vez suficiente para transpor os 1500mts ( mais coisa menos coisa) com a alegria de me ver momentaneamente peixe. O tempo a rondar os 38m ( 38.08) no relógio da chegada, 37m no meu, ligado só quando entrei na água no fim do "pelotão" evitando assim os pontapés dos quase 400 que entraram à minha frente.
Curiosidade: não entrava numa prova desportiva desde AGO2010 (UTMB), o que mesmo sem treinar não deixa de ser um excelente indicador de saúde e de que alguma coisa está a mudar, para melhor claro!
De resto, desejo uma boa época desportiva, e não só, a todos os que por aqui vêm espreitar o Trilhos. Abraços.

PS - A crónica de 2009
http://trilhosmiticos.blogspot.com/2009/10/travessia-da-baia-de-sesimbra-2009.html

domingo, outubro 02, 2011

MASSA CRÍTICA - FELL ALIVE


Há dias da nossa vida em que na simplicidade (re)encontramos algumas dos fundamentos da nossa existência colectiva e apetece-nos gritar de plenos pulmões - sinto-me vivo! Eu tive essa impressão na sexta-feira passada quando mais uma vez participei na Massa Crítica.
O nome para alguns pode parecer estranho, mas denomina em linhas gerais, um movimento mundial pacífico e apolítico ( no sentido ideológico do termo, não no de participação na vida pública) que congrega espontaneamente pessoas de diferentes condições, idades e profissões e que fundamentalmente reivindicam uma utilização segura da bicicleta em espaço urbano, e não só... Se reflectirmos um pouco "criticamente", percebemos facilmente que o uso da bicicleta impõem-se nos dias que correm com a grande pertinência dos seus argumentos: melhor e maior e preservação ambiente, estilos de vida saudável, utilização racional e funcional dos espaços colectivos e por ai fora. Se continuarmos a "cavar" nesta reflexão abrem-se múltiplas perspectivas de discussão: a "ditadura do automóvel" que transformou e descaracterizou as nossas cidades com "rios de alcatrão" e outras infraestruturas nas quais se gastou em grande parte o dinheiro que hoje obriga a vermos reduzidos os salários, a protecção social, os apoios à educação, projectos de construção de zonas verdes e incremento de transportes públicos na "gaveta", isto além do consumo excessivo e catastrófico do petróleo e, mais uma vez, por ai fora... 
Podia passar dias a fio a escrever sobre isto. Sobre a certeza de que a grande maioria de nós foi condicionada a estilos de vida perniciosos sobretudo associados ao consumo que comprometem o frágil equilíbrio entre nós, nas relações que estabelecemos em comunidade e sobretudo com o mundo natural.
Na questão mais específica, a utilização da bicicleta em espaço urbano, a postura reivindicativa é de uma legitimidade que muitos dos que buzinaram "contra" os ciclistas na sexta-feira deviam corar de vergonha se pensassem que os custos da utilização intensiva do "seu" automóvel ( poluição, acidentes e as suas horríveis consequências, infraestruturas, segurança, etc, etc) que pesa muito nos seus bolsos de contribuintes, pesa ainda mais naqueles que utilizam a bicicleta frequentemente nas suas deslocações diárias, porque o " custo benefício" é substancialmente reduzido nestes! Quantas ciclovias há em Lisboa?! Poucas, más, inseguras! Eu sei porque já circulei na maioria delas. Não pergunto quantos túneis, vias rápidas, estacionamentos, etc, etc, etc, vi surgirem entretanto. Podemos apelidar isto de um grosseiro défice democrático.
Imaginemos pois uma cidade das pessoas para as pessoas, e nesta quase utopia, cabem certamente as nossas bonitas bicicletas e a sua simbólica liberdade.
MASSA CRÍTICA, andar de bicicletas todos os dias, celebrarmos juntos uma vez por mês.
Parabéns a todos, I fell alive!

sexta-feira, agosto 26, 2011

Hoje é dia de Massa Crítica


http://massacriticapt.net/

Disse-me um amigo há dias a propósito de eu lhe ter dito " epá nunca estive em tão má forma. Não treino, estou gordo e pior estou sem vontade para treinar e quando o faço não tenho o prazer que tinha antes". Ele simplesmente respondeu-me: " tem calma, primeiro vem a vontade e depois o prazer. Será bom que consigas a primeira (lembro-me que para isso é necessário uma forte disciplina), a segunda vem por acréscimo". Pois... bem, para já estabeleci alguns objectivos: conseguir fazer alguma actividade física pelo menos três vezes por semana a partir de agora ( Ciclismo, Natação e Corrida/Caminhada). Depois tentar (re) socializar-me, isto é (re)encontrar grupos para treinar e ir a provas pelo prazer de conviver, depois... bem, o resto vem por acréscimo. Para já hoje vou treinar BTT para Monsanto e depois dar um salto ao encontro mensal da "Massa Crítica" aqui em Lisboa no Marquês de Pombal às 18hrs. Se não estou de regresso, pelo menos estou com vontade e enquanto dura... pode ser que o prazer a subsidie durante muito tempo ;-). Abraços


domingo, junho 26, 2011

Campeonato das CA´s – A desilusão apesar do lugar no pódio

Uma crónica que ficou por publicar há dois anos.

A prova começou em Ponte da Barca depois de um "briefing" no qual foram dadas além de algumas explicações sobre as características das etapas, algumas "certezas" quanto ao traçado que depois vieram a confirmar-se não passarem afinal de intenções trapalhonas para credibilizar o evento. Refiro-me às palavras do director de prova que afirmava durante este habitual "prefácio" de cada corrida de aventura, serem as etapas "fazíveis para as equipas mais fortes", o que me levou no final a dizer à minha equipa que gostava de conhecer o "super-homem(s) que testou a prova", é que nem as equipas mais fortes do pelotão nacional conseguiram fazer 2/3 do referido traçado(!), mas já lá vamos.
A 1ª etapa começou com um score urbano e a atribuição de 1 CP de bonificação para as equipas que o fizessem em 30m. Achamos fácil demais, mas pronto, temos um bom navegador e não rolamos nada mal, se bem que... A 2ª era um BTT em linha de pouco mais de 27km em "terreno montanhoso e de desnível significativo". Não começamos muito bem, fazia muito calor e de facto as subidas eram significativas, mas como já é habitual, fomos crescendo de forma e confiança. Notei que o António referia com frequência a desacualização do mapa e reparei pela parte que me toca, que havia alguma incoerência na colocação das balizas. Mas pronto, é um percurso em linha e desta forma ( e a meu ver) é sempre difícil fazer uma crítica mais objectiva às intenções da organização em fazer-nos descer 4km e depois subir o mesmo sem encontrar neste troço um CP.
Fomos a 2ª equipa a partir para os 27km da 3ª etapa pedestre que decorreria como dizia o raidbook em" desníveis acentuados com zonas pedregosas".Efectivamente depois de uma transição muito rápida, partimos confiantes para esta etapa, mesmo sabendo que tinhamos deixado por fazer 2CPs na etapa anterior, mas que dada a nossa antecipação contávamos recuperar mais tarde.
Os CPs desta etapa começavam na travessia a nado do rio Lima, 400mts com mergulho a meio e que valia 3cps ( 2 pela travessia e 1 pelo mergulho). Como nadamos todos bem ( mesmo carregados com equipamento e calçados), chegamos ao outro lado a tempo de sermos a 1ª equipa a partir para o que restava da etapa ( a equipa que lá estava tinha acabado de chegar e estavam a tirar a roupa molhada) quando ainda se avistavam poucas equipas no rio. Confiantes na experiência e boa forma, começamos a "devorar" a serra apesar de uma anciã nos ter dito para termos "cuidado com os lobos", afinal os devorados podíamos ser nós ( é falso que os lobos devorem homens, é um mito, estou portanto a brincar)! Mais uma vez o acentuado declive provocou de início as habituais "adaptações", mas nada demais e enquanto a paisagem fantástica nesta zona desfilava aos nossos olhos as nossas pernas( mais as minhas que levava calções), arranhavam-se nuns espinhos que devem ser da mesma espécie que os que colocaram na cabeça de Cristo na via sacra., abriram não riscos, mas sulcos na pele.
Mais um habitual trambolhão, mais uns calções rasgados e mais CPs, mas um diferente desconforto quanto à qualidade do mapa e opções. A desilusão só tomou conta de nós quando nos apercebemos que esta etapa só tinha como "estratégia" correr da partida para a chegada e... por estrada(!), só assim seria "fazível"! Duas equipas ( as que tomaram esta decisão) não rebentaram e puderam partir para a etapa seguinte, uma delas e um tanto ao quanto estranhamente, os nossos directos adversários. Digo "estranhamente" porque em 1º lugar, ninguém competitivo vem a uma prova para ter como "melhor opção" correr pela estrada da meta até à chegada e 2º porque nenhuma equipa que tem na frente uma equipa competitiva e que ainda por cima ficou toda a época à sua frente nas classificações, toma uma opção destas sabendo que pode perder ai muitos CPs. Estou intrigado com isto e nem quero pensar que houve uma conduta anti-desportiva ( como por exemplo alguém da organização ter passado informações, desvirtuando a competição), prefiro antes pensar que a referida equipa foi antes, brilhante ( pois era mesmo preciso sê-lo)(!) e percebeu bem e depressa a marosca desta etapa ( isto foi mais que marosca, foi "ciganice"), se sim ( e quero acreditar nisso) ,com todo o fair-play, parabéns, se não, eu sempre fui um tipo muito crédulo e é por isso ainda hoje não acredito em apararições, milagres e outros fenómenos que não sejam produzidos pelo génio ou pela malícia dos homens!
Sentimos que após esta "espécie de etapa de corridas de aventura que até podia ser se fosse traçada e testada por homens comuns", a prova estava comprometida e que o título nos fugiria. Para quem tem o trabalho de ler a minha prósapia eu explico: quando se "rebenta uma etapa", perdem-se todos os CPs que se fazem nessa etapa e não se pode partir para a seguinte, ou seja, perdem os CPs de ambas.
Na altura da partida para a canoagem nos rios Vez e Lima, já a insatisfação se instalara na maioria dos participantes, ponderando já algumas equipas abandonar a prova em protesto pelas sucessivas "incoerências" ( facto que veio a acontecer mais tarde pelo cumular das mesmas). Nós, partilhando a crítica e o sentimento a ele subjacente com o resto do pelotão, repetimos em coro a mesma frase: "deixamos ver o que isto vai dar"...
E deu, numa canoagem fantástica ( com saltos de açudes, acelerações e viragens com mapas a "navegarem" rio abaixo e a serem resgatados antes que desaparecessem levados pela corrente), mas perigosa porque foi feita de noite e com árvores atravessadas no leito ( onde algumas equipas se embrulharam) e onde foi mais uma vez fácil concluir que ninguém da organização havia testado a travessia. Se assim fosse, teriam alertado os participantes para estes perigos, ou melhor ainda, tinham suprimido a etapa anterior para que as equipas pudessem ir mais cedo para o rio, mas nada disso aconteceu e felizmente nada de muito grave também, amén.
Depois... bem depois tirando o nascer do sol na Serra D´Arga e o canyoning no puro Rio Âncora (com tobogãs e destrepes e rappel a acabar), nada de mais há a dizer. Bem, nada não, o Clube Aventura do Barreiro é vice-campeão nacional de Corridas de Aventura, parabéns aos meus 5 companheiros de aventura a Esmeralda, o António, a assistência da "incansável" Ângela, o camarada Zé ( a dar ânimo e assitência também) e à ante-projecto de aventureira, a Sara, que a todos conquistou com a alegria própria das meninas da sua idade, ao grupo, obrigado pela vossa companhia!
Para o ano há mais, mas espero que de melhor qualidade!

Segue-se a Freita (UTSF - 60km), talvez a Ultramaratona Melídes-Tróia( se o ciático quiser colaborar) e a certeza dos 105Km da Madeira em Setembro!

Até breve.

PS - Foi sem convívio e público e portanto sem dignidade que decorreu a entrega de prémios de um Campeonato Nacional de Corridas de Aventura, o 2º sob a égide da FPO. Uma prova "desastrada" chamada Extreme Challenger promovido pela empresa Geapro, ACRAP e FPO.
Depois disto tudo, partimos com a esperança de pelo menos repetirmos a refeição de sexta-feira em Ponte de Lima, agora em Viana do Castelo( um tradicional "Arroz de Sarabulho"), mas até nisso tivemos azar, escolhemos umas sardinhas à "Extreme Challenger", bolas!

;-)


sábado, junho 25, 2011

Monsanto e o Jorge I ( Abril 2011)

Caminhada em Monsanto com duas copiosas molhas pelo meio a meio de um bonito trilho de quercus 

Monsanto e o Jorge aparentemente não tem em nada em comum. O primeiro é o espaço habitual onde caminho, corro, ando de bicicleta, brinco com a minha filha e passeio com a família, o segundo, um amigo de infância falecido recentemente. Não sei se algum dia o Jorge esteve em Monsanto com a família, se aqui brincou com os filhos ou andou de bicicleta, espero que sim, mas se não, ao evocar ali ontem a sua memória, foi como estivesse estado, pelo menos durante as 3hrs que por ali andei sozinho, ou melhor, com o Jorge.
Foi meu parceiro de aventuras da infância e adolescência até que lhe perdi o rasto, o que acontece muito frequentemente com muitas das pessoas significantes deste período da vida .Quando reaparecem explodimos de contentamento por vezes (mal) disfarçado em trejeitos de adulto, quando desaparecem deixa-nos uma mágoa que estranhamente carregamos por dias a fio. Eu não via o Jorge há mais de 25 anos, soube da sua morte pela minha mãe durante aquelas visitas de "cortesia" familiar, que depois percebemos são cheias de amor e saudade e por isso se tornam cada vez mais difíceis de suportar à medida que nos apercebemos das inevitabilidades da vida." Zé Manel, o Jorge tem um cancro, está a morrer, não vais visitá-lo?!" Eu, a pretexto de afazeres estéreis " Um dia destes quando for ao Algarve" ( estava internado no hospital de Faro), cobardias... (continua)

segunda-feira, junho 06, 2011

UM MUSTANG DE DUAS RODAS SEM EMISSÕES DE CO2.

MBK "Made in France", comprada na IBA em 1996 e que até 2001 fez a maioria das provas do circuito de Triatlo
 Selim Rolls em pele o melhor da altura ( comparado com os de agora é um "banco de pau")
 Um Cromoalloy 501 Reynolds não era o Ferrari dos quadros mas era um verdadeiro "carro de combate"
 Panorâmica geral, agora com "porta-bagagens"
 "Pedais de encaixe"
 

Uma "estradista citadina old fashion" com muita pinta

Depois de alguns anos ao abandono na garagem dos meus pais, decidi recuperar a minha velha bicicleta de triatlo dos anos 90 para a utilização na cidade transformando-a numa "estradista citadina". Correspondeu a dois anseios, o de recuperar um objecto com "história" reclicando-o para novas funções e também poder deslocar-me rápida e ecologicamente aqui por Lisboa. Assim, com um orçamento baixo e peças em 2ª mão eis o meu novo/velho "veículo" que servirá para testar, com algum risco é certo, as estradas de uma cidade frenética onde toda a gente utiliza o carro, nem que seja para se deslocar uns metros além da porta de casa. Sinal de uma vaidade provicianista que tarda em desaparecer e que torna uma cidade bonita  num espaço alcatroado onde abundam as "vias rápidas" e onde o ar que se respira às 17h em plena Av. da Liberdade é dos mais poluídos da Europa. 
Em testes hoje aqui entre Angés, Pedrouços e Restelo portou-se muito bem! Apenas de sentir que bato com os calcanhares no porta-bagagens por causa de um suporte traseiro que não é propriamente adequado para este modelo e das mudanças que "arranham" quando subo, uma questão de pericia, pois ainda são do tempo em que todas eram "manuais", o resto está uma maravilha, pois quando lhe dou "corda" ultrapassa muitos carros engarrafados ou em marcha lenta. Ou seja, um verdadeiro "mustang" de duas rodas sem motor e emissões de CO2!

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