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À VOLTA DO SANTIS ( PARTE I)



Como o planeado saí de Konstanz para passar uns dias com um amigo nos arredores do cantão suiço de Sankt Gallen. Não tinha ainda nada parecido com um saco de viagem ( que vim a adquirir dias depois na loja da Louis Mottorrad em Bregenz Austria - cidade fronteira com a Suiça e Alemanha) e por isso improvisei a minha bagagem com a mochila e um saco estanque que uso para a canoagem. O dia estava bonito, mais fresco que os anteriores, mas rolar nas estradas suiças e cruzar aldeias e campos é como viajar num imenso jardim ( que cheira um bocadinho a vacaria em alguns sítios). Só tem um senão, os limites de velocidade e os radares na estrada são uma constante e ultrapassar os limites de velocidade em 10km/h por exemplo, dá direito a uma soma "simpática" de 200 francos de multa. Para isso é preciso ir com uma atenção redobrada, sobretudo quando se viaja numa máquina com mais de 100cv pois perde-se faciulmente a noção dos limites de velocidade. É que para eles não há choradinhos, nem contestações em tribunal, "paga-se e não se bufa".Tem a suas vantagens, a Suiça é bem capaz de ser o país com a menor sinistralidade do mundo e os suiços fazem questão de cumprir as regras da estrada com um zelo que aborrece de morte um alemão, quanto mais um latino.
Apesar da boa sinalização, faltou-me o GPS e como já era de noite, andei um bocado às cascas entre as Will, Uzwill e as Fauwill. Quando cheguei o meu amigo estava preocupado. Apesar de saber que eu tenho alguma experiência de viajante, conduzir uma mota de noite e como frio não é lá muito aconselhado ( estava gelado). Os stresses resolveram-se à mesa com um tinto português e o matar das saudades pondo os assuntos em dia.
No dia seguinte fizemos umas incursões na zona para compras e ver as vistas. Tínhamos planeado ir até Lindau, cidade alemã à beira do Bodensee aonde nunca fora, cruzando a fronteira austríaca e voltando a entrar na alemã, pelo local onde o Reno desagua no lago, mas uma chuva diluviana impediu-nos e a hora já ia adiantada de maneira que voltamos a casa. Pelo caminho paramos numa quinta aonde compramos cerejas deixando o dinheiro numa caixa, fazendo nós o troco sem para isso o dono estivesse por perto, pratica corrente em muitas quintas da região. Uma honestidade e confiança que deixa qualquer um maravilhado.
No terceiro dia o tempo melhorou, o meu amigo foi trabalhar e eu peguei na mota e decidi regressar ao cantão de Apenzeller para rever o Santis, uma montanha pré-alpina que domina a região e aonde tinha estado em 2016 a caminhar sem atingir o cume. Viagem que recordo com um enorme prazer, sobretudo por estas divagações pré alpinas e mergulhos em lagos cristalinos, tudo imerso numa paz que ao principio até aparecia assustadora vindo eu de uma sociedade e momentos da minha vida particular tão agitados... (continua)

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Se cá nevasse fazia-se cá ski...
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