segunda-feira, novembro 08, 2010

Raid Transpeninsular - Raidbook já disponível!


Já está disponível o Raidbook Raid Transpeninsular.

A uma semana do termo das inscrições, estão inscritas no Raid Transpeninsular e Barreiro Urban Challenge 32 equipas. Este indicador leva-nos a encarar com muita expectativa e responsabilidade a organização deste evento que encerra a época de Corridas de Aventura.
 Atraídos pela adrenalina das actividades verticais, pelo desafio da Orientação ou pela oportunidade de competir lado a lado com as melhores equipas nacionais, estamos convictos de que em breve estarão preenchidas as 18 vagas em aberto. Aos que já se inscreveram podem desde já planear a vossa estratégia e consultar o Raid Book, que, embora provisório, já tem elevado grau de confiança.

Fruindo a natureza e o património; optando pelo percurso mais curto; ou “trincando a carótida” para concluir 150 km em 12horas, no final do dia todos, em salutar convívio, vão receber o seu troféu de finisher, com as três melhores equipas de cada escalão a ser premiadas pelo seu mérito, com troféus e equipamento desportivo. Um fim-de-semana de férias será sorteado pelos presentes.

Queremos também enaltecer as instituições públicas e empresas que “remando contra a maré” tornam este evento possível, apoiando o Raid Transpeninsular e o Barreiro Urban Challenge.
 
Aos atletas das equipas inscritas, em particular às mulheres, agradecemos a confiança em nós depositada. Para todos, 40 elementos da organização integram uma equipa entusiasta e generosa, que está a trabalhar para vos proporcionar um dia pleno de actividade desportiva, aventura e convívio. 

sábado, novembro 06, 2010

Barreiro Urban Challenge - Aventurem-se!!!

O “Barreiro Urban Challenge”, é uma aventura urbana dirigida para toda a população independentemente da sua condição física (modelo popularmente conhecido por City Chase) que se desenvolve no território do concelho do Barreiro e tem como objectivo principal divulgar o seu património histórico, cultural e natural através da prática desportiva.

É um desafio de equipa (equipas de 2 elementos femininas, masculinas ou mistas) caracterizado pela vertente lúdica, mas onde a competição está presente enquanto factor motivacional e social. Está indicado para quem se quer iniciar nas corridas de aventura e orientação. Para amigos, famílias ou associações que pretendam experimentar a adrenalina das actividades verticais e de ar livre. Destina-se também aos grupos/equipa de jovens do Desporto Escolar.

Esta actividade física desportiva insere-se na modalidade de Orientação, onde os mapas são, portanto, o elemento sempre presente embora sem dificuldade técnica. No mapa estão assinalados os postos de controlo (CP’s), materializados no terreno por balizas de Orientação e uma estação electrónica. Alguns postos de controlo (CP’s) estão representados no terreno por elementos da organização que dinamizam actividades.As actividades não são obrigatórias mas o sucesso da sua realização implica obter o CP correspondente.
Este é o grande jogo de aventura e estratégia, para promover a cooperação e coesão das equipas e gestão das capacidades individuais ao serviço do grupo. Participem e divirtam-se!

sexta-feira, novembro 05, 2010

Apresentação do Raid Transpeninsular - Aventurem-se

Pontua e encerra a Taça de Portugal de Corridas de Aventura desta época, tutelada pela Federação Portuguesa de Orientação. Vai decorrer na Península de Setúbal a 20 de Novembro de 2010 e tem como objectivo principal divulgar o património histórico, cultural e natural da região através da prática desportiva.


É uma iniciativa do Clube Aventura do Barreiro que em estreita parceria com o Grupo Desportivo União da Azoia e municípios do Barreiro e Palmela partilham a organização da 2ª edição do Raid Transpeninsular e o 3ª Barreiro Urban Challenge.

Estrutura da Prova e Modelo competitivo

A prova tem a duração de 12 horas em regime no stop. Desenvolve-se por etapas, com partida às 9:00 horas do centro histórico do Barreiro e termina pelas 21:00 horas no centro histórico de Palmela, onde decorrerá em cerimónia de encerramento.

As equipas constituídas por 3 elementos progridem através de meios não motorizados (BTT , Canoagem, Pedestre , Natação), utilizam técnicas verticais e manobras de corda para superar obstáculos (Escalada, Espeleologia, Slide, Rappel), e ainda são testadas em competências de Tiro-com-Arco e Jogos de Cooperação (team building).

No mapa estão assinalados os postos de controlo (CP’s), materializados no terreno por balizas de Orientação e uma estação electrónica, que vão levar atletas de todo o país a percorrer os mais belos trilhos entre o Tejo e o Sado com a serra da Arrábida sempre no horizonte.

A vertente competitiva vai estar ao rubro com as equipas a disputarem os últimos pontos que irão consagrar os vencedores do ranking da Taça de Portugal de Corridas de Aventura. O sistema de cronometragem electrónica – Sport Ident - permitirá actualizar as classificações no final de cada etapa e imediatamente após o final da prova, prometendo prova muito disputada nos escalões de elite e aventura. O Sítio de Internet da prova será actualizado permanentemente com classificações e imagens, o que facilitará o acompanhamento online.
 

quinta-feira, outubro 14, 2010

UTMB -Partida, cancelamento e esperança.

Rostos Felizes.

Recebi hoje um mail da organização a dizer-me que em virtude da prova ter sido cancelada e de não ter estado no recomeço no dia seguinte iria receber uma "compensação financeira". Porreiro pá, sempre dá para atenuar o défice cá em casa ( sim, também estamos em recessão).
Pois é, depois de ler a mensagem apeteceu-me voltar aqui ao "Trilhos" e dar por concluída a " Odisseia UTMB 2010". Para os que ainda tem a pachorra de vir até este "espaço" vou procurar ser breve para que a leitura não canse.
Chamonix é um paraíso para aventureiros de diferentes modalidades. O espaço envolvente (a montanha), a forma como estão organizadas as actividades com boas informações e meios de transporte para todo o lado ( até para próximo dos 3000mts) e a "logística" que se encontra na cidade permite a qualquer um, seja caminheiro, alpinista, ciclista, corredor de montanha ou o que for ( há para ai muita "multidisciplinaridade" nos dias que correm) passar uns dias inesquecíveis. A propósito desta última, a logística, digo-vos que Chamonix é um paraíso para quem procure material técnico associado às actividades em natureza, algum ao alcance de um "português teso", como eu. O dinheiro disponível deu-me pois para algumas coisas úteis mas faltou-me uma que se revelou essencial, um bom casaco para trail mountain, ou seja, qualquer coisa impermeável, leve e funcional, mas já lá vou.
A meteorologia do dia de partida não era a mesma que a dos dias anteriores. O sol que antes brilhava no cume do Monte Branco, dera lugar a uma chuva que de miúda passou a grossa já no decurso da prova. Recuando, quero referir que a partida é dos momentos mais emocionantes do UTMB, certamente que muitos já o devem ter visto no Youtube, mas uma coisa é estar em casa, outra coisa é ao vivo, é como ir ao concerto da "nossa banda favorita" ou ao jogo do "clube do coração", emocionante!
Bem... e lá fui eu numa massa enorme de gentes de toda a parte que se propunham a fazer uma das mais famosas corridas do planeta. Nos primeiros quilómetros não queria acreditar que estava ali, a situação parecia-me surreal, mas pouco a pouco lá fui "acreditando", estava a concretizar um dos sonhos da minha vida enquanto atleta, pena era que não tinha treinado para tamanho empreendimento.
Os primeiros sete quilómetros até "Les Houches" eram praticamente planos e alternavam entre trilhos de bosque e alcatrão. Apesar da chuva que ia caindo, o ambiente era fantasticamente festivo ( inesquecível o apoio em toda a prova). Muitos dos atletas vestiam já os seus "corta vento", eu pensava que se o vestisse logo nos primeiros quilómetros ia ficar demasiado suado e por isso preferi ir à chuva. 
Veio o anoitecer, veio o 1º cume de 1800mts o "Le Charm" . Vesti o casaco sensivelmente próximo do cume, já fazia frio e ainda chovia. A qualidade deste ( o casaco) era "miserável", depressa comecei a sentir que estava mais molhado por dentro do que por fora o que aumentava o desconforto.
Descer, descer, descer... as descidas quando enlameadas e inclinadas são muito piores que as subidas e as dores nos músculos também. O meu pensamento procurava focar os motivos que me fizeram partir, chegar até próximo dos 100km vencendo mais dois "picos" de 2400mts, depois logo se via, mas era quase certo que "morreria" nos "cut off", não estava em "good shape" como diziam os "camones".
Pelo ambiente de festa e pelas luzes sabia que me estava a aproximar da povoação de St- Gervais ao 21km. Quando cruzei o pórtico deste CP alguns corredores disseram-me que a prova tinha acabado. "Porquê" perguntei, por "questões de segurança". Soube mais tarde que nos cumes nevara, e que além da chuva que destruíra parte dos trilhos, também o vento era demasiado forte para que existissem condições de segurança para as milhares de pessoas na montanha, ainda por cima de noite. As organizações depois do recente falecimento de alguns atletas em prova por hipotermia e vítimas de quedas passaram a ter "receios" de mais acidentes graves que lhes ponham em causa o patrocínios de grandes marcas e a consequente concretização dos respectivos eventos, bem ou mal visto discutirei isso oportunamente.
De volta a Chamonix, sentia um misto de dever cumprido e desilusão. Dever, porque apesar dos "maus tratos" que dos meses que antecederam a prova, isso não me impediu de ir para a montanha, desilusão, porque afinal tinha pernas para mais uns quilómetros.À minha espera tinha uma cama de campanha e cobertores no enorme pavilhão desportivo da cidade, mais uma vez a organização mostrava que, quando se pensa nas pessoas e nas suas necessidades tudo corre ás mil maravilhas. Tudo, cinco estrelas, e o staff até merecia mais uma!
Ás duas da manhã tocou o meu telemóvel, era um SMS da organização ( foram vários os que recebi com informações acerca da prova) que avisava os atletas para o recomeço da prova em Couermayor no dia seguinte, ou seja, a organização "cortara" pouco mais de 60km de prova e criara condições de segurança para uma nova partida. Olhei para os camaradas que estavam comigo, ambos estavam a dormir, decidi dizer-lhe isso no dia seguinte, ainda iríamos a tempo para "decisões". 
Eles foram e terminaram no dia seguinte, eu não. Na altura achei que não tinha condições para arrancar, sobretudo as do vestuário que estava encharcado. Hoje acho que se estivesse bem preparado e com força anímica, a decisão teria sido outra, ont va, paciência, fica para a próxima com a certeza que voltarei em breve a Chamonix para concluir o que já comecei!

PS - Este texto não foi revisto, se tiver alguns erros ou incongruências, desculpem lá qualquer coisinha ;-)
Espírito UTMB

segunda-feira, setembro 06, 2010

UTMB Turísmo nos Alpes - Estar na partida - Parte II

Genéve ( Suiça) vista da cidade e do lago Le Man

Annecy ( França) também chamada a "Veneza dos Alpes"

A cidade de Genéve não deslumbrando tem aspectos que muito me fascinam nas cidades do centro e norte europeu, muitas ciclovias, espaços verdes, transportes públicos "ecológicos" e gente que não sendo "exuberante" parece "bem com a vida". Percorri agradado a cidade numa bela tarde soalheira com temperatura de verão, gente nas esplanadas e muitos ciclistas. A visão da "transparência" do lago Le Man que banha a cidade, deu-me logo vontade de dar um mergulho, o que fiz assim que tive oportunidade numa praia fluvial da cidade com muitos banhistas. Assim que entrei na água percebi que esta teria acabado de descongelar de um qualquer glaciar da zona de tão fria que estava, mas, para mim que ansiava há meses alguma liberdade e equilíbrio, o espaço e o momento foram o primeiro passo ( os pequenos passos são o inicio dos grandes).
Chegado a Chamonix de noite não percebi a beleza sobranceira ao sítio onde eu e os companheiros de viagem iríamos ficar instalados. Só na manhã seguinte percebi que estava aos pés do ponto mais alto da Europa Ocidental, o Monte Branco. Não me cansava de olhar para tamanha imponência, tanto mais que o dia limpo de sol permitia ver o cume de 4800 mts coberto pela neve e mais abaixo, um pouco acima da cota a que estávamos ( mais 600mts), um dos glaciares que dele "escorre". Uma visão lindíssima de alta montanha que não esqueço e desejo repetir!
A cidade de Annecy foi nos dias que antecederam o UTMB um dos nossos destinos turísticos. A chamada "Veneza dos Alpes", assim apelidada porque os braços do Lago Annency e do rio Thiou que lhe dá origem "obrigaram" a que cidade ainda com muitas características medievais fosse construída sobre as suas águas dando por isso origem a inúmeras pontes, canais, açudes e cais "particulares", em muito parecida à conhecida cidade de Itália mas em ponto muito mais pequeno e claro salvando as devidas diferenças arquitectónicas e culturais. Uma cidade decorada com flores de muitas cores, característica de muitas povoações dos Alpes, com um ambiente moderno, alegre e descontraído. A juntar a este facto, o "trânsito" ininterrupto em redor do lago na ciclovia ali existente de ciclistas, patinadores(as) ( mães a patinar e a empurrar carros de bebé), corredores e de muitas pessoas em plena actividade física e de lazer, uma "roda viva" que deu gosto ver! Lembrei-me da beira Tejo entre Belém e o Cais do Sodré e pensei que o nosso ainda tímido passo rumo a esta "qualidade de vida" poderia um dia adquirir a dimensão que agora via em Annency, um dia, quem sabe...
A viagem inesperada aos Alpes estava a fazer cada vez mais sentido, estava a adorar e sentia-me agora muito mais "leve" da "carga" trazida de Portugal ( continua).

sábado, setembro 04, 2010

UTMB Mudança de Planos - Estar na partida ( Parte I)


Foto 1 Hugo Velez ( amanhecer no UTMB)  Foto 2 Maindrufoto ( na ascensão ao primeiro cume o Délevret a 1800mts entre milhares de atletas enquanto a noite do 1º dia já caia).

Sabia que as condições para fazer o UTMB eram... nenhumas. Tinha esta impressão há muito tempo e passou a certeza no último mês, quando fiz raros esforços para treinar para tamanho empreendimento. Pior, a cabeça não estava "sintonizada" para a participação num dos trails mais duros e fascinantes do mundo, o que para mim é o elemento principal, mesmo quando não "há pernas".
Em Janeiro, principalmente ( e não só) por causa da lesão que me afectava ( e afecta), havia dito, "este não é o meu ano" e pensei em voltar atrás na minha então "candidatura". Mas já era tarde, o sorteio no final desse mês ditou a minha "sorte", seria portanto um dos 2800 atletas à partida do UTMB 2010 entre mais de 4000(!) pré- inscritos. "Bora lá" pensei eu, ainda faltavam uns meses, podia recuperar do que me impedia de estar bem e em Agosto estaria a ver o ponto mais alto da Europa ocidental, o Monte Branco. Mas não foi assim...
Vou não vou, uma viagem marcada para outro ponto da Europa na mesma data e uma súbita ( na véspera já ao final do dia) decisão de ir, pelo menos, apanhar ar para a montanha e pensar um pouco na "vida", fizeram-me voar até Genéve ( continua).



sexta-feira, agosto 20, 2010

UTMB - ADIADO

Caros amigos

O blog e os projectos desportivos, ficam adiados até o autor resolver questões fundamentais da sua vida pessoal.

Obrigado a todos os que "frequentaram" este blog e que me deram força para continuar nos trilhos.

Até breve, breve, mas mesmo "breve".

Abraços

sexta-feira, julho 23, 2010

No trilho do Monte Branco ( Parte I)

No trilho do Monte Branco ( Parte I)

As conversas são como as cerejas, na nossa equipa ( O CAB), não é difícil sobretudo quando falamos de aventuras. Perco a conta a quantas vezes já viajamos num avião feito de sonho pelo mundo a fazer provas de BTT, Ultramaratonas, corridas de aventura... e sei lá que mais que nos levem a estar envolvidos por natureza e a conviver. Quando o “combustível” se esgota, “aterramos” na realidade dos nossos condicionalismos pessoais mas também numa “possibilidade” (para que possamos descolar de novo no tal avião). A ideia de viajar até ao Monte Branco para fazer um dos ultratrails mais duros e conhecidos do mundo nasceu desta forma, na possibilidade de podermos viajar até à Suiça em Agosto de 2010.
A ida ao Monte Branco é um desejo antigo, daqueles que precisa de um “empurrão” para pegar. Este foi dado pelo crescente numero de portugueses que tem vindo a participar na prova, sobretudo por amigos ligados ao clube e pôs-se em marcha depois de uma época de competição saudável em diversas provas de aventura, uma delas o Estoril XPD Race que durou 5 dias consecutivos. O mais curioso disto, é que a ideia consolidou-se definitivamente após uma participação “acidentada” no Campeonato Nacional de Corridas de Aventura, prova de final de calendário e para a qual nos tínhamos preparado arduamente obtendo o título de vice-campeões nacionais de Corridas de Aventura 2008/09 no escalão de elite mista. Não sei se foi a frustração de não ter atingido o lugar cimeiro, o projecto que já era embrionário ou se foi o facto de queremos transferir o que sabemos para uma prova de outra natureza, decidimos avançar com o projecto UTMB 2010 com todas nossas energias, isto sem que o trail ou as ultramaratonas sejam propriamente a nossa “especialidade”... ( continua)

quinta-feira, junho 10, 2010

O dia começa cedo.


Na Arrábida em 2006 com o dia a começar.

António e Ana, existem linguagens que só nós entendemos! Obrigado pelas vossas palavras.

O dia começa cedo. Há muitas coisas para fazer ao longo deste, será preciso arrumá-las para que não fique a sensação que somos derrotados pelo tempo. Uma delas é treinar para uma prova de 166km. Não se adivinha uma tarefa fácil, mas tenho de a levar a cabo. São 04h20m e já estou acordado, são 05h00 e já estou a treinar, objectivo, um treino pedestre com mais de 4h. Não defino muito o percurso, vou um bocado como gosto de ir, " ao sabor do vento". A zona que tenho para treinar, nas imediações da minha casa, é o espaço descontinuado entre a urbanização selvática e o que felizmente se protegeu desta.
Se escolhêssemos o "rio da nossa vida" eu escolhia o Tejo, todos os meus sentidos estão-lhe associados, faz parte da minha identidade e julgo que já da minha genética. O outro seria o rio da terra do meu pai, o Nabão, do qual guardo memórias felizes da infância.
Vou com duas horas de treino, primeiro junto ao rio, depois Dafundo, Cruz Quebrada e agora aproveitando o perímetro do Estádio Nacional (explorado tem bons trilhos para treinar).Ainda não vejo vivalma, sinto-me um bocado "único", oiço apenas carros, o rumor característico da cidade. 
Três horas de treino, cruzo a antiga "Pedreira dos Húngaros", um dos maiores e mais perigosos bairros de lata dos arredores de Lisboa nos anos 80 e 90, agora um descampado prestes a ser "invadido" por condomínios privados da classe média. Irrito-me com os muros, as grades, os sinais de "proibida a passagem". Antes, era recebido a tiro, mas progredia bairro acima, de vez em quando ainda conseguia beber uma cerveja e comer uns torresmos num bar "crioulo", agora não, não arrisco, ainda posso ser atingido por um segurança zeloso em "legítima defesa" pela "invasão da propriedade". Os "muros" culturais e sociais, deram origem... aos mesmos muros culturais e sociais, mas em tons cor-de-rosa.
Próximo das quatro horas de treino e depois de fazer a " Mata de Caselas" ( sobras de Monsanto), bebo um café no Hospital São Francisco Xavier. Reforço a ideia de que nos hospitais não há noites, toda a vida decorre como num longo dia.
Depois um salto à Decatlhon desbravando trilhos cortados por Autoestradas e IC´s e o regresso por Monsanto a casa onde chego com quase cinco horas de um misto de marcha/corrida ( mais da primeira). A perna dói-me, mas os alongamentos, água quente e uma massagem ajudaram a aliviá-la.
Esta semana depois de dois treinos de 2hrs de corrida, este pedestre, um curto de BTT e três de natação, encerrará amanhã com mais um longo de corrida. UTMB allez, allez!

 
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terça-feira, junho 08, 2010

Uma determinação do tamanho do Monte Branco


Fonte: UTMB


Caros amigos,
Obrigado pelas palavras que escreveram aqui, muito me sensibilizaram.

Pois é, voltei aos trilhos porque nem só de pão vive o homem ( só falo assim porque pertenço à parte do mundo que pode satisfazer outras necessidades que não as vitais). Eu, apesar do carrossel da vida com o seu vertiginoso quotidiano, nunca deixei de correr, pedalar e dar umas braçadas. Momentos houve em que pouca vontade tive de o fazer, mas lutei contra esse "comodismo" cerebral que nos está sempre a apontar o "caminho mais fácil" para a resolução de um dilema. Em tempos e durante uma fase má na vida, lembro-me de correr várias vezes com um nó na garganta, contrariando um corpo que em obediência ao cérebro queria deitar-se e nunca mais se levantar. Nos dias que correm, tenho os "altos e baixos" de sempre, mas tenho igualmente a determinação de sempre! E ainda, nos dias que correm e outros que já correram ( vai para 1 ano) tenho uma lesão na perna que faz estremecer a vontade e ir pelo atalho da preguiça. Estremece.... como já disse, não cai! Voltei a correr, tenho Ultratrail do Monte Branco para fazer,166km e mais de 9000mts de desnível para vencer e tenho uma determinação tão grande que já está a cortar a meta!
Até breve.

quarta-feira, abril 21, 2010

ATÉ BREVE


Não tem sido o meu blog mais conseguido. O Homem da Maratona foi-o, mas foi "deletado" num acesso fugaz de fúria por ter trilhado caminhos que considerei não estarem de acordo com os objectivos da sua criação. Hoje estou arrependido da sua prematura "morte" ( com 1 ano atingiu na altura mais de 7000 visitas).
 Nasceu depois aqui o "trilhos", com a vontade de dar asas à escrita e à memória das aventuras que tanto sentido dão aos meus dias. No entanto, nunca teve a vivacidade do anterior por motivos que contrariam o óbvio ( a sinceridade é assim). Em tempos quase foi vítima da mesma emoção destrutiva, salvou-se, está novamente, diria, em estado "vegetativo". Pondero se valerá a pena insuflá-lo de vida ou deixá-lo na eternidade do universo virtual, pontualmente encontrado por quem navega na busca de uma palavra ou imagem que lhe sirva como "interesse". Quem sabe se num futuro mais distante seja gratamente recordado e elevado à categoria de algo com interesse histórico ( é a vantagem dos objectos ante os sujeitos se bem que este desejo tem a presunção de um mortal quando julga que só ele na natureza tem direito ao divino).
Até sempre.
Abraços.

PS . Inspirei-me no botão do "desligar" do blog do AB Tartaruga.

domingo, abril 04, 2010

CRÓNICA DO MIUT NO FÓRUM O MUNDO DA CORRIDA EM 2009

Estava a ler o Fórum O Mundo da Corrida e um bocado inesperadamente dei com o que tinha escrito em 2009 acerca do Madeira Ultra Trail Island. Apeteceu-me "colá-lo" aqui.

Olá a todos.


Depois de tratadas as bolhas e a preguiça, aqui estou para escrever algumas linhas acerca do MIUT 2009.


Em primeiro lugar quero reafirmar que o que é nacional é bom ( as massas também ;-)! Este ano assistimos a alguns bons eventos de trail nacional, se investirmos com a nossa participação eles certamente que crescerão tornando-se ainda melhores. Só temos vantagens em "ir para fora cá dentro" ( julgo que me estão a perceber...), é bom, mais barato e valorizamos o que é nosso!


Em segundo, o MIUT teve uma organização que pela sua excelente qualidade global merece que se perdoem algumas pequenas falhas que julgo serão corrigidas numa futura edição. Isto porque a organização soube na altura certa ouvir as críticas dos participantes, e quem sabe ouvir, sabe fazer melhor!


Em terceiro, a chamada "Pérola do Atlântico" ( Ilha da Madeira) faz juz do apelido, cada quilómetro mesmo desde duro trail é feito com o prazer de se estar a percorrer um património natural de inigualável beleza e com uma excelente conservação dos trilhos e das heranças do passado. Palavras para quê, vão até lá.


Com isto tudo até parece que estou comprometido com a organização ou com a região de turismo da Madeira, mas não, o meu único compromisso é de alguma forma transmitir-vos o que vivi e possibilitar através da minha experiência outras.

Vamos a alguns pormenores...


Secretariado, transportes de atletas, convívio inicial ( em conjunto com o aniversário do observatório de Porto Moniz), marcação de percurso diurno e nocturno, percurso, simpatia e disponibilidade e assistência aos atletas na grande maioria dos elementos do Clube de Montanha do Funchal, abastecimentos, locais de abastecimento ( espero não ter esquecido nada), foram aspectos que estiveram muito bem, o que demonstra uma organização que esteve no terreno, que conhece a modalidade e se mobilizou para bem receber todos aqueles que quiseram descobrir o MIUT09, parabéns!


Menos conseguido esteve a questão dos "cut offs", a meu ver demasiado apertados para os atletas mais lentos, a distância mal medida em algumas das etapas finais, sobretudo entre o 8º e 9º CP´s e a alteração do regulamento no final da prova que classificou quem passou "fora de tempo" ou chegou além da hora limite de prova ( eu incluído). Esta benevolência talvez se tenha ficado a dever aquilo que acabei de enunciar,mas pronto, "tudo está bem quando acaba bem" e o futuro certamente irá reservar-nos finais ainda mais felizes.
Relativamente à minha participação, reservo pormenores para o meu blog, mas deixo aqui um esboço.


Sexta-feira, eu e a equipa estudamos a táctica durante uma massada de bacalhau regada com um " Coral Tónica" na Pousada da Juventude de Porto Moniz. De tarde relaxamos com uns mergulhos nas piscinas naturais da cidade e ganhamos reservas com uns croquetes e bolo de mel no beberete da organização ( os elementos masculinos exercitam também uma zona do cérebro olhando para uma bonita e sensual madeirense que por ali esvoaçava). Regressamos ao Machico na galhofa ( a boa disposição ajuda à digestão).


Sábado, o despertador toca depois de 3 horas de mau sono. O primeiro pensamento é " onde é que me vim meter, não treinei para isto". Resignado avanço para o transporte que nos leva a P. Moniz.


Partimos... um café aberto, ufa, vou matar o vício. Sou o último e lá vou apanhando os lentos na subida posicionando-me com aqueles com quem fiz a maior parte da prova...


( continua, agora vou apanhar fresco na varanda).

II PARTE


A 1ª parte da prova tem uma subida muito inclinada até deixarmos as belas vistas de Porto Moniz e a imensidão marítima que a abraça. A partir dai, um pouco de estrada e depois o contacto com a 1ª levada. Os trilhos paralelos a estes cursos de água feitos pelo homem são fantásticos. Vou com o meu grupo, ou um pouco mais à frente sozinho. Ora ultrapasso ora sou ultrapassado pelos mesmos rostos, uns mais simpáticos e descontraídos, outros mais concentrados na competição. Paro frequentemente e tiro fotografias, dá-me um certo gozo ir ali um pouco ao sabor do meu ritmo a fazer uma prova descomprometida. Sei que não estou em forma e por isso nada de loucuras, fruir do espaço e chegar ao fim são os grandes objectivos.



A partir do CP da Encumeada começa a Encumeada, o trilho mais difícil e técnico do MIUT até ao Pico do Ruivo. Agora estou com o Rui Marques e o Duarte e vamos progredido entre muitos dedos de conversa que ajuda a aligeirar o esforço de percorrer centenas de escadas assimétricas que descem e sobem entre cumes. Vou observando uma paisagem de altitude que me deixa perplexo pela sua dimensão e profundidade. Observo um mar de nuvens a norte num horizonte que parece infinito e que me remete para as fotografias que vejo frequentemente das expedições ao Tibete que tanto admiro. A sul a povoação de Curral das Freiras emparedada pela altivez da rocha que a circunda e imersa numa ligeira penumbra que acentua a quietude do espaço.


Tivemos sorte, o dia foi fantástico com sol, boa temperatura e sem muito nevoeiro. Chegamos ao Pico Ruivo de noite. Encontro a Analice com quem já me havia cruzado noutros CPs, está desesperada. Não tem luz e a organização impediu-a de continuar em prova. Empresto-lhe o meu 2º frontal, ao qual mudo as pilhas explicando-lhe o seu funcionamento. Parte feliz e ligeira, que mulher corajosa!Quase a 1700mts de altitude e em trilhos que exigem apuro técnico e com 78km nas pernas, eis que esta senhora de 64 anos se lança ao desafio com uma determinação exemplar. A senhora não tem ainda uma idade profética, mas se todos nós com esta idade fizermos o que ela faz... os nossos netos vão adorar ter um avozinho radical e os nosso filhos vão andar com o coração nas mãos, ehehehe.


O trilho do Pico do Ruivo ao Areeiro é fabuloso. Está uma lua cheia que quase dispensa a utilização do frontal nas vertentes que ilumina. Cá mais em cima muito vento que nos obriga a agarrar à balustrada para não cairmos no abismo, uma visão de cortar a respiração e a sensação de ter conquistado o 3º ponto mais alto de Portugal ( continental e insular). Aqui sinto-me já cansado e a impressão que os pés não estão bem começa a afectar-me, mesmo após ter trocado de meias 2 vezes.


"Conquistado" o Pico do Arreiro ficam a faltar pouco menos de 30km, agora a descer. Parece fácil, mas não é. As bolhas que tenho na planta dos pés junto aos dedos pioram a descer. Começo a ter ser dominado pelo terrível pensamento de "isto nunca mais acaba". A ajudar a isso, estivemos de acordo em que houve etapas esticadas e por isso estávamos a fazer mais uns quilómetros extra. Na etapa final quebro definitivamente com dores nos pés, tornaram-se insuportáveis sobretudo a descer. Tenho a companhia da Esmeralda que está na mesma. Na última grande descida que além de inclinada estava cheia de obstáculos, levamos uma eternidade. Com isto atrasamos o grupo que pacientemente esperou por nós. Tínhamos ainda pela frente uma levada que circundava toda a zona Machico. Amanheceu ai, num trilho que parecia não ter fim. De repente todos tomamos consciência que estávamos em o risco de não concluir dentro do tempo limite ( que raio tínhamos entrado em todos os cut-off com larga margem e agora...). Começaram todos a correr, excepto eu, não dava mais, os meus pés escaldavam, deviam estar uns "trambolhos". A Esmeralda um pouco mais à frente, também estava em sofrimento. Os outros seguem e desaparecem depois duma descida que não lembra o diabo e que nos fazia sentar a cada passo. Dava vontade de rebolar por ali a baixo para não termos de assentar os pés nós chão. A Esmeralda trazia no rosto alguma desilusão, a prova tinha-lhe corrido bem, mas os pés traíram-na. O UTMB, o seu projecto de 2010 estava agora longe. Eu estava igual, mas talvez um pouco mais desligado da realidade. Só pensava que tinha acabado de atravessar a Madeira de lés-a-lés e que me apetecia um bom pequeno almoço inglês e um sono que não tinha há largas horas.


Bem espero que os erros não tenham sido muitos.


Parabéns aos meus companheiros de aventura mais próximos, Rui, Esmeralda, António e Angêla e também ao Duarte que nos "traiu" e fugiu na última etapa.






Abraços

quinta-feira, março 25, 2010

Taça de Portugal de Corridas de Aventura 2009/10 II Raid "Pelos Caminhos da Egitânea"




Taça de Portugal de Corridas de Aventura 2009/10
II Raid "Pelos Caminhos da Egitânea"

Decorreu na região de Idanha nos dias 20 e 21 de Março a 3ª prova da época 2009/10 da Taça de Portugal de Corridas de Aventura organizada pela ADFA e FPO. O CAB- SUPERBIKES esteve presente no escalão de elite com os atletas Ângela Cruz, Esmeralda Câmara, José Neves e António Neves, disputando a sua segunda participação nesta temporada. A leitura antecipada do Raidbook não advinhava facilidades para as 33 equipas em competição, pois eram esperados mais de 200km multidisciplinares, sobretudo orientação pedestre - 74km, e em BTT -156km, mas também actividades de cordas, natação e canoagem.
A prova começou com 12km pedestres circulares à localidade do Rosmaninhal e o CAB-SUPERBIKES entrou determinado em fazer jus do seu valor demonstrado em épocas anteriores. Apesar de um pequena desconcentração de inicio, fruto do habitual esforço para "entrar bem no mapa" que nos fez perder alguns minutos, a equipa realizou os 5 CPs da etapa dentro do tempo previsto, partindo para a etapa seguinte composta por 46km de BTT.
A altimetria da prova não denunciava as dificuldades de um terreno pesado pela chuva que caíra nos dias/meses anteriores à prova nem o sobe e desce constante, o chamado pela gíria desportiva como "rompe pernas" pela sucessão continua de subidas e descidas. Apesar do BTT ser das disciplinas mais fortes do grupo, a aposta em fazer a totalidade dos CPs, gorou-se por segundos fruto do desgaste inesperado pelos factores que foram referidos. Esta contrariadade não abalou a equipa que seguiu para a que podia ser considerada a "etapa decisiva", uma pedestre de 42km e 14CPs. A paisagem de montado e a razoável rede de caminhos pareciam ser favoráveis para que as equipas pudessem rolar rápido, contudo algum desnível e sobretudo a longa distância da etapa, impunham uma boa estratégia de navegação e gestão do esforço. O CAB-SUPERBIKES conseguiu unir esses factores, mas teve contra o facto de estar a partir atrasado nas etapas, encurtando o tempo disponível para "atacar" CPS e o défice físico de alguns atletas que acusaram uma época de lesões e menor preparação. Esta dura etapa "rendeu" 10Cps, seguia-se a última etapa do dia, um BTT nocturno de 62km que entrava em discussão para qual seria a "etapa decisiva" da prova.
Debaixo de uma forte chuva, com trovoadas e relâmpagos que iluminavam de forma súbita uma noite de breu, conferindo ao desafio, mais dureza, mistério e beleza, esta etapa trouxe à tona as dificuldades físicas acumuladas ao longo dia. Problemas esses que se foram superando pela experiência e entreajuda da equipa, mas que constituíram um obstáculo para recuperar o tempo que já vínhamos a perder ao longo de toda a prova. Dos 16CPs possíveis ( 1 CP duplo) a equipa realizou 9 Cps, chegando à 01h00 debaixo de um autêntico "dilúvio" ao santuário da " N. Srª. do Almordão" perto de Idanha-a-Nova. Em circunstâncias normais, a equipa estaria em condições de realizar mais 3Cps neste mapa, contudo é aqui que reside a chave das Corridas de Aventura, as muitas variáveis competitivas em jogo aliadas às competências multidisciplinares dos atletas, pontêncial físico, gestão de equipa, estratégia e claro também os factores considerados como "inesperados", são os ingredientes decisivos para se "chegar à frente". Não estávamos "cá atrás", mas tínhamos perdido o comboio dos lugares cimeiros, restava-nos lutar pela classificação "mista" ( elementos masculinos+femininos) no dia seguinte.
Com partida em Alcafozes, o dia começava ás 7h00 com uma etapa de 38Km de BTT com 11Cps. Quatro mapas distribuídos, dois para o percurso maior e outros dois para uma secção de ORI-BTT dentro da etapa que valia 3CPS. Estratégicamente optamos por fazer esta secção, considerando que podia ser uma vantagem competitiva pelas valências de alguns membros na disciplina. Não se revelou como tal, o terreno excessivamente pesado, cortado por linhas de água que frequentemente nos faziam atravessar com a bicicleta às costas, o relevo "rompe pernas" e o tempo disponível para a realização da etapa, cedo frustraram as nossas aspirações, amealhando "apenas" 6Cps. Seguia-se a penúltima etapa, um score 100 com multiactividades, entre elas rappel, natação e canoagem, realizadas em "descompressão" e que renderam 2Cps. Na entrada para a última etapa, sabíamos que pouco havia para decidir na classificação, ainda assim procurámos realizar os 4Cps da etapa e não fosse o alguma incongruência da organização em marcar os referidos Cps, esse objectivo tinha sido alcançado, o que premiaria todas as equipas que tiveram a ousadia de avançar pela antiga "via romana", primeiro num downhill técnico e depois num uphill de dificuldade muito elevada.
Concluindo: apesar deste aspecto menos conseguido, entre outros lapsos de menor importância a organização AFDA, esteve muito bem, oferecendo uma prova de elevando desafio físico e técnico. Quanto à nossa equipa CAB - SUPERBIKES classificou-se em 8º lugar no escalão de elite  que teve como vencedor o Exército 1, e foi ia 3ª equipa mista logo atrás do Exército 2 e  do ADA Desnível I.
Em Maio - Campeonato Nacional de Corridas de Aventura- esperamos estar mais fortes para mais um momento de desafio e aventura, convívio e sobretudo, amizade.

José Neves

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

AS DUAS ÚLTIMAS SEMANAS - O INVERNO DO NOSSO DESCONTENTAMENTO.


Durante o "Quadriatlo Terra Livre" (natação, canoagem, BTT/orientação e corrida) - Lagoa de Albufeira 2008 - Antes da partida para o segmento de natação da esquerda para a direita - Fernando Feijão,Rui, Filomena, Ricardo, Pedro, Velez, Silva, A. Neves, Rui Marques, J. Neves, Ângela e Esmeralda.

" O Inverno do nosso descontentamento" a par de " Vinhas da Ira" do John Steinbeck fazem parte dos livros da "minha vida" ( o segundo para mim mais marcante que o primeiro).
Rebusco o titulo retirando-o da história do livro para que dê sentido ao que eu e muita gente tem vindo a sentir este inverno. Desgraças à parte, para quem gosta de fazer uns treinos fora de portas, sobretudo de bicicleta, isto está mesmo um "descontentamento". Raras são as vezes em que saio de casa para dar "umas pedaladas" e não comece a chover. Na corrida suporta-se, agora a treinar BTT é mais complicado, caminhos intransitáveis, roupa ensopada, frio, perde-se depressa a "pica". Salva-me a natação e as minha sessões tri-semanais.
De facto esta meteorologia deixa-me com uma lassidão que se não contrario, evolui para uma preguiça vegetativa perigosa. Estas duas últimas semanas são o exemplo disso, alternei fases regulares de treino com outras "mais para menos" ;-). Bem, além dos condicionalismos climáticos existem outros é claro, estes talvez até mais importantes como o trabalho a família e a "lesão de estimação" que tenho de avaliar correctamente, pois disseram-me os entendidos através da palpação da zona dolorosa que isto "deve ser uma fibrose". O facto é que esta mói, dói e chateia, chiça!!! Em resumo: continuo a rolar e a treinar para os objectivos de época; para já daqui a 3 semanas em Idanha ( TP CA ADFA) depois lá mais para Maio com o Camp. Nac. de Corridas de Aventura... buga!

1ª semana:

3x natação - aprox. 4000mts
2X BTT - aprox 90km ( metade do que na semana anterior)
1X Ginásio
2x corrida - 1h30/ outra 2h30 + 30m marcha ( a penar da perna)

2ª semana

3X natação - aprox. 4.500mts
1x BTT - 50km
1X Ginásio
2X Corrida - total 2h30
1X marcha - 3h30

Locais: Monsanto, Restelo, Passeio Marítimo Álges - Carcavelos, Arrábida Serras do Louro e S. Francisco, Lisboa by night ( com direito a uma cervejola na Trindade - treinar e beber uns copos 2 em 1 ;-).
Música: David Bowie, Bob Dylan, Humanos, Cocteau Twins.
Maleitas: Nádega/ perna/ quadril e joelho direito ( controlado com glucosamina)
Peso: a comer como sempre mas a "derreter" qq coisa.

Oração para fazer parar a chuva:

"Senhô meu Jesus, amado de todo meu coração, trago-vós. A chuva que vóis mandô, pra nós já chega, agora peço, peço pra vóis uns dias de sor pra tempero da chuva (pede-se o número de dias de sol que se quer: 10 ou 15) e depois o Senhô Amado meu Jesuis vós sabe do meu coração e eu não sei do coração de vóis, pela santa fé que tenho em vós, tenho certeza que vóis me favorece, por este meu pedido que peço pra vóis. Pelas dores de vossa mãi, pelo amô da Virgi Santíssima nossa soberana, pelo amô de vóis que este meu pedido será aceito que vóis está aqui no meu coração guardado e vóis me favorece Sinhô Deus de Misericordi."

In- Jangada Brasil Almanaque.

Ehehehehehehehe ;-)

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

RESUMO DA SEMANA - A ÉPOCA COMEÇOU FINALMENTE


Durante um treino na Lagoa de Albufeira em 2005.

 Depois de alguns meses a "pastar" e um Janeiro de adaptação ao treino ( uma espécie de mês zero), o Fevereiro tem de ser para "dar no osso". Por isso, vou postar aqui todas as semanas o resumo da minha semana de treino&afins. Serve de motivação para mim e também para quem a quiser "apanhar".

Domingo 31 - Domingo 7/2

As baldas sucessivas aos deveres familiares levaram-me a cortar o Duatlo/Raid de Orientação do Espichel e a substituí-lo por uma corrida de 25km com um grupo de malta ali para os lados do Vale do Trancão no domingo 31. Assim a semana começou com o que já não fazia à muito tempo, um treino longo de corrida como deve ser, em boa companhia. No dia seguinte, com problemas em recuperar e ainda a queixar-me de "qualquer coisa na nádega esquerda que não sei se é o isquitibial, se síndrome do piriforme, se ciático mas que dói lá isso dói", fiz natação. Na terça népia, na quarta um treino de corrida+natação, na quinta, um treino de BTT de jeito. Farto de chuva e de não conseguir treinar BTT como devo, saio de casa ao encontro do meu irmão no Barreiro. Cheguei lá molhado e com a chuva a não querer dar tréguas, ainda assim saímos para "rolar um bocadito", que se lixasse, molhado já eu estava e o António com companhia para aventura vai a todo o lado. 5hrs depois estávamos de regresso ao ponto de partida com um treino porreiro para recordar, sobretudo o meu mergulho de corpo inteiro numa poça de água com 1/2 metro de profundidade ( só não dei banho ao capacete). Na sexta natação e no sábado 2hrs de corrida nocturna porque no domingo não ia haver direito a nada.

Totais aproximados:

Natação 3X - duração total 2h30 - aprox - 4km
Corrida 3X - 6h15 - aprox. 55km
BTT 1X - 5.30hrs - 130km ( regresso a casa a pedalar)

Total km em treino - 189km
Total de horas em treino - 14h15m

Locais: Monsanto (Lisboa), Restelo ( Lisboa), Margem sul - Barreiro, Pinhal-Novo, Pegões, Poceirão, Montijo, Moita, Penalva.
Música no MP3 ( passei a ser fã, sobretudo quando treino sozinho e quero evitar o rumor do trânsito de Lisboa) - REM - Reckoning -U2 - B sides - Talking Heads - Best off- Gorrilaz 2001- Massive Attack-Collected.

Lesões/queixas - Base da nádega esquerda, quadril, perna - joelho direito ( "treina que isso passa")

Peso: 87kg + 5 que o normal + 7 que o ideal ( "reconchudo" como diz a Esmeralda)

terça-feira, janeiro 19, 2010

UTMB - EU VOU!




Bonjour,



Vous êtes pré-inscrit pour l’UTMB / la CCC.


Le tirage au sort a été effectué et nous avons le plaisir de confirmer votre inscription à l'UTMB® / la CCC®.


Vous devez maintenant finaliser votre inscription, à partir du 22/01/2010 et avant le 31/01/2010.
 
Depois de ontem à noite ter sabido do resultado "positivo" do sorteio para o UTMB, hoje recebi este mail para dar seguimento ao processo de inscrição.
Se tudo correr bem a 28 de Agosto estarei em Chamonix na linha de partida para tentar "conquistrar" o Monte Branco. Por agora posso dizer: UTMB, EU VOU!
 
 
 
 

sexta-feira, janeiro 15, 2010

ORI BTT Grândola 16 e 17 Janeiro



Próximo fim-de-semana com dose dupla num regresso à Orientação onde não tenho estado com a regularidade que gostaria e devia para melhorar outros desempenhos desportivos, sobretudo nas Corridas de Aventura.
Um mês que está a  ser de regularidade nos treinos, mas com muita falta dos de bicicleta ( maldita chuva). O balanço é até agora o de alguém depois de uma paragem longa e uns quilos a mais, tudo pesa, tudo dói, mas, "estou aqui" ( faz-me lembrar a expressão habitual de uma camarada de clube nas corridas de aventura durante as etapas pedestres mais longas e com mais declive nas quais estávamos um bocado mais "desligados" uns dos outros, eu como elemento do meio e de "ligação" chamava-a com frequência pelo nome e de imediato ouvia uma voz determinada, "estou aqui"!. Sim, "estamos aqui" camarada!
Para a semana o sorteio UTMB, depois, volume, volume, volume! Ah, e uma prece zangada ao ao S. Pedro " chega de água pá" ;-)!


terça-feira, janeiro 12, 2010

UTMB 2010 - O projecto do ano além fronteiras



UTMB® (Tour du Mont Blanc)

Mountain race, with numerous passages in high altitude (>2500m), in difficult weather conditions (night, wind, cold, rain or snow), that needs a very good training, adapted equipment and a real capacity of personal autonomy.

É já amanhã que encerram as inscrições para o UTMB 2010. Nesta edição e ao contrário da do ano passado, foi depressa atingido o limite de inscritos e por isso vai haver sorteio o que ocorrerá também esta semana. É com alguma ansiedade que aguardo por saber se pertenço ao lote de eleitos que estará no Monte Branco ( Suiça) em Agosto para disputar um dos trails mais duros e emblemáticos de todo o mundo. Como é que cheguei aqui? Amealhando no último ano os "slots" necessários para estar presente na pré-inscrição para UTMB, ou seja, 1 ponto nos 60km da Serra da Freita - 9h14m ( Ultra Trail Serra da Freita) e 3 pontos nos 105km da Madeira - 25h49m ( Ultra Trail Madeira Island ).
Somos 47 portugueses "neste estado de ansiedade", sorte, sorte, sorte!

PS - A imagem foi retirada de um site de uma prova de qualificação para o UTMB.

segunda-feira, janeiro 11, 2010

ANO NOVO, VIDA NOVA




E pronto, lá entramos em 2010 com o tradicional mergulho na praia de Sesimbra entre amigos de aventuras renovando os votos de sempre, saúde, amizade e muito desporto aventura em natureza! Um brinde da minha ginja, chá e bolos da Esmeralda e a minha vontade de superar algumas das dificuldades dos últimos meses ganham asas do tamanho das de um... Condor! Isto porque esta quase metamorfose acontece pelo efeito de um grupo onde se cultiva o respeito pelas diferenças individuais e a paixão por aventuras comuns. Obrigado camaradas um BOM ANO DE 2010!

PS - Na praia de Sesimbra, Alentejano, Zen, Iron, Green, Espanhol, Julyus e & e Sarita. Fotos Zé da Green

Está frioooooooooooo





Habituados que estamos a que durante grande parte do ano faça sol e boa temperatura, quando aparecem os dias mais frios refugiamo-nos "cobardemente" entre mantas , sacos de água quente, meias de esqui ( tenho umas, são uma maravilha) e desculpas esfarrapadas que só nos convencem a nós. Confesso que eu sou um destes, sou o que se diz, um "friorento". Tenho de lutar interiomente para pôr os pés fora de casa quando os termómetros baixam dos 10º e quando os ponho, vou por vezes tão agasalhado que passado pouco tempo estou a suar em bica e a "alivar a carga em excesso" para que não aconteça o contrário, não "morra de calor". Não sou propriamente uma "flor de estufa", adoro sentir os elementos, já passei por dias e noites geladas em locais e situações onde as possibilidades de encontrar calor ou agasalho eram remotas a ainda assim resisti com um sorriso, gracejando com os que estavam comigo e continuando a perseguir o objectivo que me fazia estar ali. Também já estive perto da hipotermia, a deixar que a dor me dominasse a mente, sem sentir os pés nem as mãos, a tremer sem conseguir parar. No entanto, há em todas estas experiências momentos de profundo desafio e reflexão, de novas resistências descobertas e também de sofrimentos recordados, uma aprendizagem física e mental que considero importante na a minha existência. Mesmo assim "volto à casa de partida" quando chega o frio todos os anos, este "maldito frio" que me faz lutar de novo entre o desejo de hibernar e a vontade de liberdade. Apesar de tudo, opto pela segunda, mas nem sempre...

PS - A propósito de um grupo de saudáveis loucos que treinou ontem na Serra da Lousã debaixo de um nevão.

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