domingo, dezembro 27, 2009

EU TAMBÉM QUERO IR!

domingo, dezembro 20, 2009

Regresso ao pedal - Ainda a Maratona de Canha




O meu regresso à competição de BTT deu-se depois de uma noite em claro, um treino de 40km a meio da semana e meses de "inactividade" ( apenas umas voltas ao coreto). Não foi mau, pelo menos deu para perceber que pedalar com os meus actuais 87kg exige um esforço comparado aos meus primeiros raides de pasteleira até Sesimbra na altura em era um "puto" de 13 anos, a bina pesava o dobro da que tenho agora e o "cabedal" era o de "peso pluma".
Bem, não é só isso, há pequenas diferenças: experiência, mudanças e... gel energético! Experiência em gerir o esforço por 100km, desmultiplicação de mudanças que quase levam um tipo a pedalar até ao cume do K2 e um gel, que na altura certa " revitaliza o corpo e a mente", como um bom café quando se está "bêbado de sono", com algumas (pequenas) diferenças claro.
Não há muito mais para contar sobre esta maratona de BTT, mais de 700 participantes divididos pelas duas provas, a de 40km ( 630 betetistas) e a de 100km ( 82 finais), local vasto com caminhos pouco técnicos, muita prozada, sobretudo triatletas em pré-época, bom comportamento da minha malta do CAB com tempos excelentes (tem mais uns meses de treino e competições do que eu) e um "finish" pessoal abaixo das "razoáveis" 5h ( média aproximada de 20km/h). Uma organização à portuguesa - nem boa nem má, ou seja muito trabalho organizativo mas a errar nos aspectos mais simples, sobretudo na atenção aos atletas da prova mais longa ( os 100km) entre outros. A destacar um original troféu artesanal feito de uma telha e uma bicicleta construída em papel de jornal colada em cima, bonito, sugiro cortiça da próxima vez com material dominante.

sábado, dezembro 19, 2009

OTV Julho - Flashbacks

A partir do minutos de 7.36s algumas imagens de provas de aventura em Portugal com um grande plano de uma das atletas do CAB.

Magazine OTV Julho from activideoTV on Vimeo.

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Raid Aventura de Sesimbra - Abril 2009

Tinha dúvidas se tinha colocado este video aqui no blog. Se repeti, paciência, pertence aos melhores momentos 2009 e o que é bom, repete-se e recorda-se!

A partir do minuto 17.38s da peça o Raid Aventura de Sesimbra prova organizada pelo Ori Azóia e etapa da Taça de Portugal de Corridas de Aventura 2008/09.
A meio, uma entrevista aqui ao Zen.



Magazine OTV - Abril from activideoTV on Vimeo.

sexta-feira, dezembro 04, 2009

Não se morre do mal morre-se da cura



Isto de não andar de BTT como deve ser há uns meses tem um efeito que todos devem saber, sobretudo os que conhecem a difícil adaptação ao selim do início de cada época.
Saído de uma lesão e de um longo período de preguiça desportiva ( com outras prioridades a imporem-se) eis-me de regresso aos treinos e às competições. Como não faço as coisas pelo meio, defeitos de ser um pouco "excessivo", inscrevi-me na Maratona de BTT de Canha e logo na prova maior, os 100km! Certo, certo, vai ser o desconforto da referida adaptação ao componente da bicicleta onde sentamos o rabioque e uma dor de pernas garantida para recuperar na semana que vem. Como diz o ditado popular "não se morre do mal,morre-se da cura", ao que o meu irmão contrapõe com o antídoto, " eh pá, treina que isso passa"!

Até breve.

quarta-feira, dezembro 02, 2009

MIUT 2009 da Encumeada até ao Machico


Não apareço aqui há mais de um mês e o MIUT 2009 já se realizou vai para 3 meses. De maneira que, se não acabo o relato dos 105km pela pérola do atlântico agora, corro o risco de me esquecer de pormenores que podem ser interessantes contar, além de importantes dicas para quem quiser dar-lhe uso. Contudo agora vou ser mais breve, ou seja, menos "literário".

Depois do bonito troço da Bica da Cana cheguei à Ecumeada -CP5 na companhia do António, Esmeralda e Ângela. Vinha deveras impressionado com toda a paisagem natural que até agora desfilara pelos meus olhos e com a consciência que ainda me faltava mais de metade do percurso para chegar ao fim. Talvez a metade mais dura de roer, pois se no último troço tinhamos descido dos 1500mts para os 1000mts, agora em pouco mais de 10km iríamos subir destes até aos 1780 do Pico Ruivo e com o maior desnível de toda a prova 1176mts(!). À chegada à Ecumeada houve quem dissesse " a prova começa aqui", pude comprová-lo!
Seria para ai 18hrs quando nos fizemos ao caminho "atacando" o Pico Ruivo depois uma boa canja com canela(?) oferecida pela organização. Nos primeiros metros tomei a consciência que este seria, não o derradeiro, mas o grande teste à resistência em toda a prova, pois os degraus que íamos subindo não paravam de surgir, além de que nenhum era igual ao anterior o que aumentava a dificuldade. Segui neste troço na companhia do Rui e de outro camarada que agora não recordo o nome e assim pudemos ir trocando "impressões de viagem". Todos concordávamos que estávamos numa espécie de paisagem "himaliana", faltando só a neve. Se olhávamos para cima viamos os imponentes picos que ainda tinhamos de conquistar, se olhávamos para baixo víamos de um lado os pontinhos luminosos da povoação de "Curral das Freiras" que já se ia iluminando e do outro um pôr-do-sol por cima de um manto de nuvens que cobria toda a face norte da ilha, simplesmente belo!
Foi já com a noite a cerrar e com frontais acessos que chegámos ao Pico Ruivo. Encontro ai a Analice ( uma senhora ultramaratonista de 63 anos de idade) desesperada porque o seu frontal havia avariado, empresto-lhe um que trazia como "suplementar" e pude ver a sua enorme alegria pelo meu gesto, queria fazer os restantes 50km, desse por onde desse, que grande senhora!Depressa a Analice "fugiu" para o Pico do Arreiro e nós também que o frio e o vento aquela altitude já nos gelava o corpo, o que não é nada desejável por esta altura da competição.
Os 8km que se seguiam até aos 1800mts o ponto mais alto da ilha foram para mim o primeiro grande momento de dificuldade ( os piores viriam a seguir). Atraso-me relativamente aos meus companheiros para poder recuperar, sinto dores nas pernas e alguma sonolência. A paisagem é soberba, estou entre penhascos num sobe e desce estonteante, a lua avista-se a espaços dando uma tremenda força natural a toda a paisagem, um momento inesquecível! Ao transpor os últimos metros até ao local onde estava o CP5 - Pico do Ruivo- reparo numa placa evocativa da morte de alguém aquela altitude, não pude deixar de pensar que apesar das boas condições destes trilhos, o vento forte que sobra frequentemente, o nevoeiro e o frio imprevistos, a irregularidade do piso, as faces escarpadas que em caso de quedas serão no "abismo" e a falta de experiência de muitos que se traduz pela falta do equipamento básico para aquelas condições, podem ter ocasionado este e os muitos acidentes que sabemos acontecerem na montanha. A prova disso é que nas notícias de há pouco só neste mês nos bonitos trilhos que esta prova percorreu já morreram três pessoas.

Até breve

sexta-feira, outubro 16, 2009

REGRESSO COM O TEJO EM FUNDO



FOTO: No final do MIUT no Machico e após mais de 25hrs de prova.

Eu sei que não há maneira de acabar o relato do MIUT, mas ando um bocadito preguiçoso....e pouco inspirado.

Finamente voltei a treinar corrida e BTT com a regularidade de um adrelinodependente ( sim pertenço à categoria dos tóxicoindependentes, porque este "material" não se compra a nenhum traficante) e portanto esta semana além dos treinos diários de natação anárquica, corri duas vezes e hoje pedalei pela primeira vez depois da aparatosa queda em Agosto. O que posso dizer? Que a maleita ou ainda cá está, ou então está o fantasma dela, porque ainda dói, sobretudo após os treinos ( e isto do pensar que dói quando não dói também acontece, buuuuu).
Certo, certo, é que ando "em baixo" com isto, não há maneira de voltar a ter aquela força, bem-estar e motivação de outrora.Depois, porque com isto perdi a primeira prova da época de corridas de aventura, ainda por cima quando esta até parece que está bem organizada com multiactividades quanto baste e etapas pedestres e de BTT durinhas em mais de 20hrs de prova ( voz embargada e aperto na peitaça enquando escrevo isto). Enfim, não há mal que sempre dure... e bem que não comece ( alterado ao provérbio original;-).
Uso a máxima do meu irmão, "Epá, treina que isso passa"! É o que parece...

Mais duas coisas, a primeira um forte abraço para os meus companheiros do CAB que vão estar em prova este fim-de-semana em Lamego, a segunda, pedalar na nova ciclovia à beira do Tejo entre Belém e Xabregas numa manhã soalheira de Outono é um prazer que gostava que experimentassem, não pelo treino em si ( o meu teve de ser esticado até ao Estádio Nacional e Monsanto para que rendesse), mas pela enorme beleza deste estuário iluminado com uma luz tão única como a que se nos oferece em Lisboa uma boa parte do ano.

Segue-se um interregno forçado e uma ida para sul onde espero encontrar uns trilhos porreiros para treinar.

Até breve.

quarta-feira, outubro 07, 2009

BACK TO BASICS



Depois de mais de um mês parado e alguns meses com limitações, hoje recebi ordem do médico para voltar a treinar.

Um regresso ao essencial!

terça-feira, outubro 06, 2009

Travessia da Baía de Sesimbra 2009



Interrompo o relato do MIUT para escrever umas linhas acerca da já mítica "Travessia da Baía de Sesimbra".

Mítica porque fez no dia 4 de Outubro 54 anos ( 1946) que se realizou a sua primeira edição com a participação de 22 atletas, 20 homens e 2(!)mulheres. Remonta portanto a uma época na qual as piscinas rareavam e as águas abertas seriam os espaços de treino de eleição, época de gente que aprendeu a nadar no Tejo ou nas praias por este país fora, época em que ver duas senhoras a nadar a este nível e esta distância ( 1500mts) era de facto uma "ousadia" deste género numa sociedade fortemente "masculinizada". Mítica ainda porque fica numa praia (para mim outrora), de rara beleza e forte cultura ligada ao mar e da qual guardo memórias felizes desde que me conheço.

Já fiz esta travessia algumas vezes não sabendo precisar quantas, mas é raro o ano em que não proponho à malta do CAB uma ida a Sesimbra. Quando fiz o convite, ainda estavam gravadas na minha memória as imagens do ano passado em que rimos do Velez porque não conseguia parar de tremer após a saída da água ( uma maldade claro está). Desta vez compareceu apenas a Esmeralda com a sua habitual determinação no dia do seu aniversário, formando assim equipa para enfrentarmos as habituais águas frias de Sesimbra entre mais 245 nadadores, dos quais 30% ( longe dos 5% de há 54 anos) eram senhoras de todas as idades.
Apesar de estar a nadar com alguma regularidade,tive dificuldades em me adaptar ao meio e ao esforço nos primeiros 500mts. Ia muito ofegante e implicava frequentemente com os óculos ora porque os achava embaciados, ora porque tinham gotas de água o que me obrigou a parar algumas vezes. As causas desta dificuldade em regular a respiração ( e talvez irritação), atribuo-a há falta de exercício nestes últimos tempos ( por lesão) e a uma consequente redução da capacidade cardiorespiratória. Juntando a isto, o facto de estar no pico das minhas crises de rinite frequentes nesta época do ano e que me fazem estar permanentemente a "soprar". Depois deste momento mais "trapalhão"lá consegui meter um ritmo regular de crawl esquecendo a minha técnica de costas especial pela falta da pinça para o nariz . Apesar de achar que este ano a corrente até à fortaleza era mais forte ( penso que o tempo dos primeiros explica um pouco isso) o tempo final até nem foi mau com 36m55s (a 16m do 1º classificado). Outro aspecto positivo, foi estar sempre acompanhado o que se torna motivador e não quebra o ritmo. Fazendo o balanço final, o desempenho ficou um pouco aquém das minhas expectativas pois pensava em tirar uns 4m ao tempo final(estou a nadar próximo de 1k=20m), no entanto, este foi um bom teste para os 3000mts da Travessia Batista Pereira já no próximo fim-de-semana, esta sim, uma distância de meter respeito...sem fato de neopreno e com correntes a sério!
Quanto há minha camarada fez uma bela prova atingindo o 3º lugar no seu "agegroups", duplos parabéns, pelo resultado e aniversário!
Um excelente dia desportivo rodeado paisagem, movimento, beleza e alegria.

Até breve com o que falta contar do MIUT.

quarta-feira, setembro 30, 2009


Travessia do túnel até ao CP3


Do CP 2 ao CP 3 ( 34km) subia-se outra vez dos 1000 até aos 1200mts para depois descer 300mts mergulhando novamente na floresta de Laurissilva. Aqui atravesso os primeiros túneis que trazem as levadas e permitem progredir naquele relevo acidentado, são fantásticos! Por serem compridos, alguns até perto de 1km, tenho de acender o frontal e lá vou eu a exercitar a imaginação com outras épocas, outros mundos, outras realidades nomeadamente o labor duro de quem escavou aquelas passagens, terão sido escravos? Colonizadores da ilha na ânsia de domar uma paisagem extremamente agreste? Trabalhadores? De onde? Escavaram com picaretas? Explosivos? Enfim, os meus pensamentos vagueiam entre os livros de história e os do Tim-Tim.
Chego então ao CP3 e espero novamente pelo resto da equipa. Até então sabia-me bem progredir sozinho,tirava fotografias, fazia pequenos filmes e sobretudo insuflava a beleza da paisagem. O resto da malta também não estava nada atrasada, ainda eu mordiscava o primeiro pedaço de pão e eis que chegam e logo com vontade de arrancar para o CP4 na Bica da Cana (48km). Por lapso na mensagem anterior, referi a zona entre a Fonte do Bispo e o Rabaçal como a do "Paúl da Serra", mas não, este começa após a curta e desnivelada subida de aproximadamente 2km do Rabaçal até à Bica da Cana.




CP3 a "parede" até ao Paúl da Serra

Como disse sobe-se. A partir do CP3 vamos dos 950mts até aos 1550mts da Bica da Cana numa paisagem mais inóspita de planalto montanhês, mas fresca, arejada e de vistas largas. Diria não ser tão deslumbrante como a anterior que para mim era mais ou menos uma novidade ( pelos pequenos e variados detalhes nunca vistos), mas era igualmente bela pois identifico sempre esta com o facto de me encontrar já a uns bons metros do nível do mar e assim poder admirar tudo em profundidade.
Do CP 4 ao CP5 da Encumeda (58km) passamos dos 1550 para os 1000 mas através duma paisagem inesquecível. Quedas de água, escadas que descem sem fim, túneis, levadas, verde, verde, verde. Foi dos trechos mais belos da "música" madeirense! As referidas escadas levavam-nos quase em espiral para o coração verde da Madeira. A espaços, quando a vegetação era mais aberta, via o que me rodeava e sentia estar numa espécie de "mundo perdido", remoto, ideia que se adensava pela neblina que cobria o vale e remetia para imagens só vistas em ecrã, em filmes da National Geografic sobre o Bornéu, a zona andina da Amazónia e outras zonas tropicais e equatoriais nas quais o verde, a água, os cheiros, o barulhos as aves, a neblina e os mistérios e o imprevisto excitam os sentidos como as 4 estações do Vivaldi!
Depois de uma crescente dor de pernas causada pelo efeito "descida íngreme em escadas e trilhos irregulares" e a impressão que as primeiras bolhas estavam a chegar, chegamos também à Encumeada CPnº4 aos 58km de prova, foi aqui que nos disseram que a prova só agora iria começar!


O "Mundo Perdido"

quinta-feira, setembro 24, 2009

A Partida - Entre a face norte e a sul da ilha


Briefing no observatório de Porto Moniz


Porto Moniz depois da partida e ao amanhecer

A partida deu-se às 7h00 na vila de Porto Moniz. Tínhamos pela frente 105km ( diria quase de certeza que foram mais) e um desnível acumulado de 3880 mts para vencer. Guardávamos na memória os relatos de alguns participantes na edição anterior e da dificuldade de alguns troços do percurso como também dos "humores" do clima em altitude. A manhã estava fresca mas não fria e o céu ameaçava chuva (que acabou por cair logo após a partida). Chegara a minha vez de atravessar a Madeira ao longo do seu paralelo!
O pelotão de imediato se alongou, seleccionando os mais afoitos que enfrentaram logo as primeiras subidas a correr e os mais cautelosos que as faziam a marchar. Eu estava nestes últimos, preferi dar logo uso aos meus bastões para que também pudessem "aquecer", iria utilizá-los na maioria do percurso porque "cautela e caldos de galinha"... sabia que tinha muitos quilómetros pela frente.
O primeiro café aberto e toca a "matar o bicho", fazem-me companhia os camaradas de vício e lá vamos nós outra vez na cauda do pelotão como na Freita o que não nos chateia nada pois começar a prova de "trás para a frente" começa a ser uma estratégia motivadora. Vamos ultrapassando os mais lentos, admirando a paisagem ao amanhecer, tirando fotografias, em suma, estamos mais em turismo desportivo que em competição, melhor assim para quem não planificou o desafio de forma mais "competitiva".
De Porto Moniz até ao 1º CP na Fonte do Bispo distavam 17km que subíamos praticamente do nível do mar até aos 1250mts. Se numa 1º fase o percurso cruzava estradas de alcatrão e caminhos regulares, passados poucos quilómetros entramos na 1º levada e tivemos o contacto com a paisagem luxuriante da floresta autóctone da face norte da ilha, a Laurissilva. Para quem não sabe, é uma flora que remonta até à cerca de 20milhões de anos, numa fase em que esta floresta de características subtropicais ocupava toda a bacia do mediterrâneo. Com as sucessivas alterações climáticas e movimentos tectónicos ( glaciações, avanço do deserto africano, formação definitiva do mar mediterrâneo) este tipo de espécies vegetais de uma época tão remota acabou por "sobreviver", com as naturais adaptações é certo, em apenas 3 regiões do planeta, Canárias, Madeira e Açores. A partir da visão desta massa verde já podem imaginar porque é que os primeiros descobridores lhe chamaram "Madeira". Um paraíso que felizmente é agora património mundial da humanidade para bem da conservação da biodiversidade e transmissão de riquezas às gerações futuras.
Do CP1 descíamos para o CP2 aos 26km e a 1000mts de altitude no chamado "Paúl da Serra", uma zona semidesértica de pastagens e muitas vacas indolentes. Daí avistava-se a "face sul" da ilha e o mar, um oceano azul a perder de vista, tapado apenas por algumas nuvens que abaixo de nós emprestavam mais beleza à paisagem, dir-se-ia que era como estar na Serra da Estrela com vistas de Arrábida...

Até já.

( Ainda não passei do CP 2 ;-)






A visão da face sul até ao mar



Face sul, serra e mar

quarta-feira, setembro 16, 2009

E o Clube de Montanha do Funchal criou o MIUT


Se Deus criou a mulher, a malta do Clube de Montanha do Funchal criou o MIUT. Mas se a analogia serve quando quero referir que ambos são belos, misteriosos, fanscinantes e desafiantes, não sei se servirá quando afirmo que são também duros de roer e não estão isentos de uns "defeitositos" ( aqui é que eu divido opiniões). Apesar disso, bendita maçã!
Pecado, pecado, foi eu ter partido para a Madeira para fazer 105km com 3880 de desnível acumulado sem treinos dignos de tamanho empreendimento pelos motivos que já carpi nas mensagens anteriores, mas pronto, com os pés nuns trambolhos, mau humor, vontade de comer um pequeno almoço inglês, a sonhar com uma cama de dossel ( epá gosto do efeito das cortinas) a tendinite a dormir há muito com brufenes, lá cheguei ao Machico depois de um "bailinho" de 25h e 48m ( estes para fazer os últimos 1500mts) por um dos cenários naturais mais espectaculares que já tive o prazer de conhecer, Oh god, I´m alive!!!
( Já volto)

quarta-feira, setembro 02, 2009

MIUT - Lisboa Funchal



Pico do Arreiro - o tecto da Ilha da Madeira

Será aqui aos 74km que segundo as previsões de tempo de prova estarei às 01h00 de dia 5 de Setembro ( a prova começa dia 4 às 8h).

A preparação não foi famosa, as dores de uma tendinite recém diagnosticada ( mas que anda por cá há 3meses) e as férias da família em Agosto não deixaram. A juntar a isto uma queda de bicicleta no domingo passado também quase comprometia o investimento ( bastava que onde a minha bicicleta ficou encaixada tivesse ficado eu), felizmente tudo não passou de queimaduras do alcatrão e roupa com buracos.
Apesar disto, considero-me um tipo de sorte, vou conhecer a pérola do Atlântico ainda por cima com uma travessia integral da ilha pelos seus pontos mais altos. Uma aventura que se correr bem ( chegar ao final no tempo limite de 25hrs) dará os pontos necessários para o UTMB 2010 e a quase garantia de estar presente no maior evento mundial de ultratrail, a ver vamos...

Comigo viajam o "núcleo duro" do CAB e da secção dos ultraempenos, a Esmeralda, Ângela e o António.

Até breve, agora vou fazer o chek (in) out ( of here).

Wish us luck!


terça-feira, agosto 25, 2009

ISTO ESTÁ BERA




Depois dos muitos sofridos 39km nocturnos do TNLO ( Trail Nocturno Lagoa de Óbidos), fiz uma paragem forçada para ver se atenuava ( porque curar já vi que tenho de ir a um médico)as dores que tenho vindo a sentir na perna, nádega e quadril esquerdo. Confesso que aproveitei e meti férias de todo o exercício físico o que me valeu uns dias de "puro e duro" sedentarismo notados agora através de uma ligeira proeminência estomacal ( entenda-se "barriguinha" para os menos eruditos ;-).
Voltei a treinar hoje um marcha-corre de 2h30 em Monsanto e... ui, estou preso, pesado, cansado e a malditas dores afinal não ficaram de férias.
A Madeira vai ser para acabar dentro do tempo limite (24hrs), depois logo se vê como é que se vão superar as maleitas. Espero que bem depressa, é que já tenho saudades de uma boa, dura e louca corrida de aventura!

PS- Saudações e desejo boa sorte ao Hugo Velez e a todos os portugas que se vão aventurar dia 28 no UTMB, força!

sábado, agosto 01, 2009

SEGUE-SE O MIUT - 105km


MIUT ( clicar para ver o site da prova) - Madeira Island Ultratrail

Com o objectivo UTMB 2010 ( Ultratrail du Mont Blanc) o pessoal vai em Setembro até à Ilha da Madeira tentar conquistar os 3 pontos que faltam para conseguir uma pré-inscrição no afamado trail dos Alpes. Pelo gráfico de altimetria não vai ser pêra doce trazer para casa os referidos slots, mas também porque os treinos tem sido os possíveis numa altura em que temos de dar muita "assistência à familia" ( eu penso que todos sabem porquê).

Como preparação competitiva, segue-se o Trail Nocturno Lagoa de Óbidos 38km no próximo sábado.

Na sequência da assistência, lá vou eu a caminho da praia da Torre ( sem direito a contestar a decisão da maioria), treinos só mesmo fora de horas, bye, bye.




quinta-feira, julho 30, 2009

41º 66 José Neves Lebres do Sado M-40 09:11:47








Fotos: Joaquim Margarido - AMMA Magazine

Mais de nove horas em prova no UTSF não são o meu recorde de permanência em competição, nem o mais longo que tive numa actividade pedestre. No entanto o UTSF foi uma das mais duras e igualmente uma das mais bonitas em que já estive.
Acerca do tempo de permanência em provas, faço aqui o "histórico": comecei em 96 com uma 1/2 maratona em 2hrs ( já não fazia uma prova de corrida desde os meus 13 anos), depois e no mesmo ano fiz um triatlo "Olímpico" em 3h30 ( 1550mts x 40km x 10km). No ano seguinte um triatlo longo em Odemira fez-me "gastar" mais de 7hrs ( 3100mts x 120km x 25km). Atingi o máximo já neste século em 2001 em Ibiza no Iromman "Hombre de Hierro" com 13hrs25m ( 3800mts x 180km x 42,125mts). Mas a descoberta das corridas de aventura em 2006 e depois o retorno em 2008 com raids de 2 dias e mais de 26hrs ( a maioria interrompidos durante a noite para descanso dividindo este tempo em 2 dias, ou mais recentemente em versões non stop por mais de 22hrs ) continuam a "pulverizar" tempos. O mais recente recorde foi no Estoril XPD Race 2008 no qual estive mais de 42hrs (!) consecutivas em competição, isto é, sem descansar ( apenas travado por uma indisposição, se continuasse chegaria até próximo das 60hrs, mas isso é uma história que ainda está por contar). Aonde e como será o próximo?

Mas vamos lá finalizar esta série com o último episódio.

Depois do Covelo do Paivô, atacamos o difícil trilho de pedra a meia encosta que vai até Regoufe. Já o tínhamos feito em 2008 na prova das CA´s de boa memória ( 1º lugar elite mista). É um trilho técnico e duro que vai subindo, para depois descer até se avistarem as primeiras casas da Aldeia. A partir desta entra-se no trilho que nos leva a Drave e as perspectivas da Serra abrem-se a cada passada. Percebe-se que estamos num cenário único e vasto que contrasta com a pequenez que habitualmente nós os portugueses por defeito cultural, tratamos tudo o que é nosso. A Aldeia de Drave descobre-se numa súbita viragem do trilho para a esquerda. Parece que o tempo parou ali e se não fosse ser despertado pelas cores garridas da roupa e aplausos dos escuteiros que tomaram recentemente o espaço para refúgio permanente e exercitarem os ensinamentos do Baden Powell, diria que era naquele instante um viajante do tempo a entrar numa aldeia do séc. XII.
A partir daqui começa o chamado "empeno", sobe-se a garra que vai até próximo do alto de Drave e voltamos a descê-la até à Aldeia da Coelheira. Esta mais uma aldeia abandonada que parece "hibernada" na história ( a espera que alguém lhe devolva a vida, sem esquecer a vida de outrora). Daqui segue-se num trilho fantástico junto a uma ribeira para depois começar a maior subida continua de toda a prova. Nesta, fomos passando por malta que nitidamente havia estoirado e amaldiçoava a prova e respectivo organizador com palavras feias, algumas impreceptíveis ditas entre a tomada de fôlego o cansaço e a surpresa da encosta que tinham pela frente. Ria-me dos impropérios e incentivava os mais desanimados quando ainda falavam mais de 25km, mas falar da distância em falta, era tabu naquele momento.
O bastão que levei e que arrumo rapidamente quando não preciso dele, ajudou-me bastante a poupar o desgaste que já ia sentindo nos joelhos e músculos após estas duas subidas. No entanto sentia-me animado, o facto de estar a fazer a prova com o meu irmão e de estarmos quase sempre a conversar, impedia-me de "tropeçar" em maus pensamentos. Desta forma a impressão foi a de que chegamos depressa ao abastecimento dos 40km, onde pouco estivemos apesar da abundância de petiscos que nos convidavam a ficar mais um pouco. Ali apenas descalcei as meias para tirar as pequenas pedras que ainda trazia da travessia do rio, comi umas bolachas e "enchi-me" da mistura de coca-cola com água que nos abastecimentos anteriores já tinha provadoe que me estava a saber muito bem sem provocar a habitual azia da bebida causada pelo excesso de gás.
Uns quilómetros mais à frente começa uma descida pedregosa que se tornou mais dolorosa que as subidas anteriores, era a Freita a deixar a sua marca! Depois do abastecimento dos 50, juntamo-nos a um grupo com o qual fizemos todo o planalto serrano até quase à meta. Isto sem antes dar mais uma queda sem consequências de maior, apenas um joelho ensaguentado , sou um tipo com sorte. Reparo que no meio de tanto calhau já não levanto muito as pernas para transpor os obstáculos mais altos, as pernas já pesam cada 1 tonelada cada! Um curva, outra, a Frecha da Mizarela aos nossos pés e a certeza que estamos próximos da meta. Ei-la com o som ambiente de muitas palmas que me souberam tão bem como a sopa quente que depois me foi servida pela organização. Um abraço ao meu irmão e agradecimentos aos meus recentes companheiros de prova deixaram transparecer a enorme alegria que sentia, não por ter acabado, mas por ter estado durante mais de 9hrs num ambiente "naturalmente" fantástico.
Até para o ano!

À Esmeralda, Ângela, António e Velez, obrigado, são excelentes companheiros para estas andanças ( nada que eu já não soubesse).
Ao Joaquim Margarido, aquele abraço.
Ao Zé Moutinho - a coisa desta vez estava bem esgalhada!

PS - Desculpem se há imprecisões, mas isto de escrever decorridas mais de 15 hrs de trabalho não é pêra doce, serão corrigidas em breve, agora não há tempo.

quinta-feira, julho 16, 2009

UTSF - Mergulho na serra



Perguntava há dias a uma amiga quando para mim ainda era difícil descer 5 degraus seguidos: "então, já recuperaste?" ela " nem queiras saber, agora compreendo o que passam as pessoas com limitações físicas, ir para o trabalho de transportes públicos é um tortura e depois quando lá chego, idas à casa de banho ou para almoçar são a 2ª parte da tortura". Fartei-me de rir, imaginei-a agarrada às paredes nas galerias do metro, a subir penosamente os três degraus do autocarro, ou a descer de "mansinho" as escadas de acesso ao refeitório do seu local de trabalho. Eu estava com melhor sorte, tinha ido de carro para o trabalho e quando lá cheguei sentei-me e até levei o almoço, sorte a minha, não passava pela mesma compremetedora pantomina que a minha amiga. O que originava isto explicava-se com o facto de ela e eu termos feito 60km de marcha/corrida uns dias antes. Se esta distância já é "muita fruta", imaginem se adicionarmos um desnível positivo acima dos 4000 mts então a "fruta" torna-se um pouco ácida. Se a isto juntarmos ainda a travessia de um leito de rio pedregoso com 3km de extensão, trilhos de pastores forrados a xisto e granito onde a cabras são atletas de alta competição, ribeiros de águas cristalinas e frias, aldeias com o pavimento abundantemente "estrumado" pelas rotinas do pastoreio e outros "complementos circunstanciais de lugar" que se deduzem do ambiente serrano e ajudam a construir a prosa do espaço, então, a fruta além de ácida, fica também um pouco azeda e esta chama-se “Ultra Trail Serra da Freita”. Para que a fruta volte a ser agradável ao paladar, tem os intervenientes de "adocicá-la". Como? Com muito prazer pela prática desportiva, convívio, amor pela natureza e liberdade que esta oferece e ainda nutrir um espírito sagaz e aventureiro capaz de explorar o incerto. Só assim as longas e difíceis provas de corrida e aventura serão uma rica salada de frutas, esta foi-o! Percebe-se depois desta descrição porque é que ambos tinhamos um "andar novo".

(já me estou a perder em “rococós”)

Perto dos 7km passo a Célia numa ultrapassagem irregular e dou a 1ª queda. Nada de anormal, nas corridas de aventura são raras as etapas em que não vou “ao tapete” uma ou duas vezes. Acho até que estou a ficar um perito no "tralho". Nesta, depois de escorregar na rocha, apoie-me com uma mão que ajudou a impulsionar-me para a frente e “voilá”, estava em pé de novo! Continuamos a correr num pequeno grupo de forma lenta e descontraída. A paisagem é soberba, paro algumas vezes para a admirar e lamento não termos feito um Canyon no dia anterior como tínhamos combinado há uns meses atrás. Passamos a Aldeia de Frades e encontro a senhora que me serviu um “café de saco” na edição de 2007. Desta fez não o tem feito, vai fazê-lo, se quisermos esperar… Agradecemos e continuamos, o café feito na cafeteira demoraria perto de 20m, não é que não fosse agradável estar a li a conversar com alguém que vive num lugar tão especial como este, mas estamos em prova.
Competição é competição e tomo definitivamente consciência que estou numa quando dizem a minha posição antes de entrar no trilho do rio “101º”. Sei que estão em competição aproximadamente 120 atletas e penso, “tenho de fazer a minha prova”. Chegado ao rio, começo a que eu chamo de “progressão agressiva”. As corridas de aventura dão-nos a capacidade de progredirmos em diferentes terrenos, este era muito difícil. Tínhamos de frequentemente saltar para a água, ultrapassar enormes pedras e zonas muito escorregadias. Presenciei alguns acidentes, felizmente menos graves e vi e senti a entreajuda ( ajudei e fui ajudado a transpor obstáculos) entre os atletas nestas circunstâncias. Acima da competição o factor humano, aspecto que nunca devemos esquecer na vida. O que presenciei ali renova a minha convicção na condição do homem traduzida num dos seus mais nobres valores, a solidariedade.
O meu irmão segui-me nesta decisão de acelerar a corrida, os restantes companheiros foram ficando para trás. Ultrapassamos com a nossa progressão experiente ( talvez até mais a dele que tais vivências de montanha que eu), dezenas de atletas neste trilho e chegámos ao 1º abastecimento no Covelo de Paivô.
(continua)

domingo, julho 12, 2009

UTSF 2009 - Ultra Trail Serra da Freita 60km






Foto:João Alves UTSF 2009

Comprei pela segunda vez o bilhete para a melhor prova do trail nacional, o Ultra Trail Serra da Freita. Se na 1ª viagem em 2007 os 50km foram feitos em pouco mais de 10 horas com muitas desilusões pelo meio, agora em 2009 com 60km e aumento do desnível positivo a expectativa com o que se iria passar desta vez era muita. Uma coisa sabia ser certa, iria novamente mergulhar numa das mais belas e inóspitas paisagens portuguesas, um quadro fantástico que merece transformar-se em Parque Natural.
Mas se em 2007 não fui feliz, um ano depois ( 2008) foi bem diferente, com mais e melhor treino e numa modalidade diferente ( Corridas de Aventura) a minha equipa CAB/Terra Livre/Elite subimos ao lugar mais alto do pódio naquela que foi considerada a prova mais dura da Taça dessa época (2007/2008). Estava empatado, o UTSF 2009 seria a oportunidade para vencer definitivamente os "fantasmas" de 2007!
Depois do fim da época de corridas de aventura a 13 de Junho, o objectivo seria nas três semanas que faltavam para o UTSF fazer uma boa recuperação e um ou outro treino acima das 3hrs. O 1º foi atingido com algumas sessões de natação, o 2º, uma arreliadora inflamação no nervo ciático e muita solicitação profissional e familiar deixaram apenas espaço para uma sessão de treino acima das 2hrs e uma ou outra de pouco mais de 1h, o que seria insuficiente para uma prova como esta. O mais importante passou a ser então acabar a prova amealhando o slot que esta oferece dos 3 necessários para participar no UTMB 2010 ( ULtra Trail Mont Blanc), o grande projecto do próximo ano. Contudo, sabia que apesar destas contrariedades dificilmente excederia as 12h30 de tempo limite de prova, pois apesar de algumas lesões e altos e baixos durante a época de corridas de aventura, encontrava-me razoavelmente bem mesmo sem grandes treinos de corrida.
Foi com este pensamento confiante que comecei a prova às 6 da manhã entre mais de 100 participantes envoltos no já habitual manto de nevoeiro característico das zonas serranas. Digo comecei mas não foi ao mesmo tempo que o restante pelotão, enquanto eu o António e a Ângela fomos beber um café era dado o sinal de partida e zás, eis que de repente toda aquela gente tinha sido engolida por aquele manto branco enquanto nós ainda estavamos a satisfazer o habitual viciozinho matinal.
Lá bebi a respectiva droga apressadamente e amachuquei o copo de plástico que guardei na mochila e começo finalmente a correr para a desejada aventura. Durante uns bons metros não vimos vivalma, parecia que todos tinham arrancado para uma prova de 10km, o que não era bem assim. Depois da subida inicial encontramos a Esmeralda e o Velez que tinham feito um compasso de espera para que fossemos juntos de início e reconheço de forma inesperada mas feliz o "fotografo" Joaquim Margarido de quem recebo um abraço fraterno ( obrigado camarada, foi como nos conhecessemos desde sempre). Depedidas feitas e promessas de bebermos o tal tinto alentejano num convívio oportuno algures no mundo, lá fomos os 5 a respirar o ar fresco mas suave do planalto da Freita absorvidos pela forte impressão mítica do espaço, esperava-nos 60km e muito mais para sentir... (continua)

quinta-feira, julho 02, 2009

UTSF - Ultra Trail Serra da Freira



Foto: em 2007 com o João Martins no final dos 50km do UTSF

A Confraria Trotamontes liderada pelo seu confrade José Moutinho vão organizar já no próximo dia 5 de Julho a 3ª edição daquele que para mim é até este momento a melhor prova de Trail Nacional, o Ultra Trail Serra da Freita.
Nesta edição a distância passou de 50 para 60Km aumentando a já considerada extrema dureza do percurso que decorre nos habituais trilhos mineiros e de pastorícia da Serra da Freita. Uma paisagem de grande beleza, com vales profundos cavados pelos afluentes do Vouga, Paiva e Caima e aldeias remotas totalmente construidas em xisto onde os seus habitantes e respectivos modos de vida nos fazem embarcar numa viajem etnográfica ( e claro antropológica) bem como histórica que nos ajuda a perceber melhor como evoluiu a sociedade portuguesa através dos tempos.
Paisagem, convívio, cultura, competição, esta última para tentar melhorar a má prestação de 2007 ( antepenúltimo com um tempo acima das 10h) e ganhar "slots" para o UTMB de 2010. A condição física é melhor a preparação, nem por isso.

Wish me luck!

quarta-feira, junho 17, 2009

Campeonato das CA´s – A expectativa


E lá se passou o fim-de-semana para o qual eu, o Iron e a Green tanto treinamos nestas ultimas semanas, o momento em que competimos no II Campeonato Nacional de Corridas de Aventura. Em retrospectiva posso dizer que fizemos nestes últimos tempos “ das tripas coração” e entre lesões, afazeres profissionais, compromissos familiares e viroses inesperadas, conseguimos a forma física capaz de disputar nesta competição os lugares cimeiros. Foi com esta convicção que rumamos na direcção do Gerês e com a certeza que os bons resultados que fomos alcançando durante a época, apesar de termos mudado de elementos na equipa por 3 vezes, foram fruto do nosso trabalho, mérito e forte espírito de equipa que abrange todos os elementos do CAB. Em todas elas alcançamos o 2º lugar, à excepção do XPD, mas isso foi outra “conversa”.
O calendário deste ano não fora tão generoso como o do ano passado no qual todas as provas foram de boa ou razoável qualidade ( no top a Costa Vicentina e a Serra da Freita). Este ano, as duas primeiras provas foram razoáveis, mas tiveram alguns percalços organizativos e meteorológicos e só a prova de Sesimbra me encheu verdadeiramente as medidas e à qual pela primeira vez atribuo um “excelente”.Saltamos a de Alcobaça (que pelos vistos também teve algumas situações menos agradáveis) porque a equipa precisava de recuperar o “efeito XPD” e apontámos baterias à final, o Extreme Challenger! Esperavamos que a derradeira prova da época fosse uma “cereja em cima do bolo” tanto mais que a designação “extreme” e o local em que iria decorrer (baixo Gerês e Serra D`Arga) deixavam adivinhar o ingrediente mais desejado, desafio físico! Este, quando bem dimensionado pelas organizações, também significa desafio estratégico e técnico, a “salada rica” à qual habitualmente se dá o nome de Corrida de Aventura.
(continua)

Comentário nos fóruns PEA e FPO acerca do Camp. Nacional das CA´s

Companheiros de aventuras
Confesso que ando por aqui há relativamente pouco tempo. Contudo a minha experiência de praticante desportivo ao longo de alguns anos e em diferentes modalidades, dá-me algum espaço para me pronunciar acerca do que se passou no passado fim-de-semana mas também do que julgo passar-se actualmente nas corridas de aventura.
Começando pela prova do Gerês, o essencial já aqui foi dito pela maioria de vocês. Resumo numa palavra esta “espécie de corrida de aventura” – aldrabice! Não nos resultados que presumo terem sido produzidos por uma melhor interpretação da “marosca” por parte das equipas vencedoras, antes sim, na forma como todo o staff organizativo quis convencer pessoas que por aqui andam há muitos anos de que “aquilo” era uma corrida de aventura. Teria sido melhor ter posto de lado os mapas e usar meios de progressão de moto 4, jipe, burro e outras actividades que servem para entreter alguns grupos urbanos ávidos de “desporto radical” e assim provavelmente até vínhamos mais satisfeitos se bem que sem a nossa amada “corrida de aventura”.
Depois de uma brilhante demonstração de organização que foi a prova de Sesimbra ( não fui a Alcobaça, nem quero retirar mérito ao esforço das organizações que a antecederam), esperava que a derradeira e talvez a mais decisiva prova da época até pudesse melhorar relativamente a alguns aspectos menos conseguidos no campeonato do ano passado ( na qual faltou a meu ver uma estratégia que premiasse as equipas mais fortes física e tecnicamente, bem como a capacidade de antecipação das consequências de algumas etapas de risco como foi o caso da canoagem em S. Cruz). Mas não! Cedo se percebeu que alguma coisa “não estava bem”, a falta de actualização do site ( apesar de nos querer encher os olhos com a profusão de menus, estes nunca foram actualizados e ainda hoje nada tem), o reduzido numero de equipas, a escassez de “newsletters”, entre outras informações que íamos recolhendo aqui e ali e que nos deixavam cada vez mais de “pé atrás” . No entanto como apaixonados que somos lá partimos em direcção ao Gerês até para justificar junto dos nossos o sacrifício das inúmeras horas em que estão sem a nossa companhia a cuidar dos filhotes e/ou a jantar sozinhos, enquanto nós por vezes com inúmeras responsabilidades adiadas e “rotos” depois de um dia de trabalho vamos treinar até às tantas. Sabemos que esta contabilidade entre o prazer e a responsabilidade não tem fórmula que a explique, mas as paixões são mesmo assim, irracionais. Escusado será dizer o que se passou a partir de Ponte da Barca, a única coisa que digo é que nas provas que fiz com uma das pessoas mais experientes deste pelotão, nunca o vi tão desiludido e olhem que ele não quebra assim tão facilmente!
Responsabilidades? Muitas! Para mim sobretudo de quem avalizou esta prova para que integrasse o calendário nacional de Corridas de Aventura, já para não dizer, quem a tornou campeonato nacional e também de todos aqueles que ao aperceberem-se de que as coisas estavam menos bem não tiveram a coragem de interromper o processo, por amizade, conveniência e/ou talvez ( o que é grave) por laxismo.
Soluções? Devem ser debatidas em reunião com todos os interessados. Não sou apologista de “abandonar o barco” quando este parece estar a afundar, quem o abandona normalmente são os ratos, ou aqueles que depois querem aparecer como salvadores no meio dos destroços ( refiro-me aos que dizem “nunca mais cá apareço” e aos “apologistas da desgraça”- alheia). Os que gostam das Corridas de Aventura (às quais alguns velhos do Restelo teimam em não chamar de disciplina da “orientação” sendo que o que difere das restantes disciplinas são apenas os meios de progressão e por vezes a cartografia, de resto tem por base sólidos conhecimentos de orientação aprendidos ao longo dos anos em muitas provas do calendário FPO), devem constituir a tal “massa crítica” necessária á valorização de uma modalidade de enorme beleza e tão desafiadora dos limites e competências humanas como são as corridas de aventura.
Sem parecer presunçoso pela pouca experiência que tenho, avanço com o meu contributo:
Credibilização das organizações através da constituição de uma comissão avaliadora constituída por elementos da federação e outros com experiência e interesse demonstrado pela modalidade e/ou forte contributo para o desenvolvimento da mesma.
Apoios financeiros e técnicos à organização do Campeonato Nacional, sobretudo a clubes com sucessos organizativos anteriores.
Estabelecimento de protocolos com outras entidades para apoio à modalidade ( e ai podem estar as empresas).
Relativamente aos escalões, a maioria não sabe o trabalho que é constituir equipas mistas. Não proponho o seu fim, antes sim e se necessário, reformular-se o seu modelo participativo.
Quanto às inscrições, compreendo que se os mapas fossem mais acessíveis ( como? Perguntem à FPO, IGOE, etc), o preço destas podia baixar mais um pouco.
Convívios: não são umas bifanas e um caldo-verde que fazem o “rombo” no orçamento da prova.
Abraços.
José Neves
CAB - Clube Aventura do Barreiro

segunda-feira, junho 15, 2009

Nota de imprensa do CAB

Clube Aventura do Barreiro é Vice Campeão Nacional de Corridas de Aventura

E equipa de Elite do CAB subiu ao 2º lugar do pódio no Extreme Challenger, disputado este fim-de-semana na região minhota do vale do Lima, prova que apurou os campeões nacionais da época 08/09 e encerrou o ranking da Taça de Portugal de Corridas de Aventura.
Esta corrida de aventura teve início em Ponte da Barca pelas 13 horas de sábado e terminou em Viana do Castelo às 12 horas de domingo, depois de percorridos ininterruptamente cerca de 190 km em BTT, Orientação pedestre, Canoagem e Canyoning.
A equipa barreirense apenas foi superada pela forte equipa do “Exército 1” (que curiosamente se classificou em toda a época no lugar imediato ao “CAB-Elite”) e deixou o 3º lugar do pódio para a equipa da “Desnível”.
José Neves, Esmeralda Câmara, Ângela Cruz e António Neves foram os protagonistas desta façanha e referiram com agrado o formato no stop, a inclusão do canyon do rio Âncora, talhado na serra de Arga, e a descida nocturna dos rios Vez e Lima, entre Arcos de Valdevez e Ponte de Lima, onde apesar do risco assumido, se experimentou pela primeira vez saltar “às cegas” os inúmeros açudes que ainda existem nestes rios.
Com registo menos positivo esteve o traçado das etapas pedestres e em BTT, onde as equipas mais confiantes foram penalizadas ao aventurar-se num terreno extremamente desnivelado, iludidos por uma organização que não fez o “trabalho de casa”, facto reconhecido por todos os participantes. Ao entrar em primeiro nos longos 27 km de orientação pedestre que compunham a 3ª etapa, a equipa barreirense atacou confiante a montanha por entre mato cerrado e pedregoso, mas pôde comprovar tardiamente que a etapa não fora testada, pois seria impossível cumprir qualquer opção de traçado razoável. Depois de digerir o mau humor provocado pela desclassificação na etapa e consequente perda de todos os CP’s obtidos, José Neves gracejava: “... ainda gostava de saber que foi o super-homem que organização contratou para testar a etapa!”, aludindo o facto de ser impossível realizar a etapa na janela temporal proposta. António Neves por sua vez, referiu: “As poucas equipas que terminaram esta etapa correram por asfalto directamente para a meta e sem controlar nenhum CP, o que obviamente não pode ser confundido com estratégia...”
Ao culminar de mais uma época na modalidade, o Clube Aventura do Barreiro reforçou a sua posição no seio das equipas mais competitivas no panorama nacional, ao posicionar-se em 2º no ranking da Taça de Portugal, ladeado pelos “profissionais” do Clube de Praças da Armada e do Exército Português, respectivamente o 1º e 3º classificado.

Fonte: http://clubeaventuradobarreiro.blogspot.com/



segunda-feira, junho 08, 2009

II CAMPEONATO NACIONAL DE CORRIDAS DE AVENTURA


Score 100 Urbano
BTT em Linha

Trekking + Natação + Mergulho

Trekking
Canoagem
BTT
Trekking
Canyoning
BTT
10ª Urbano

É já nos dias 13 e 14 de Junho que se realiza o II Campeonato Nacional de Corridas de Aventura. Também será decidido nesta prova os vencedores da Taça de Portugal 2008/2009.

As inscrições estão abertas até ao próximo dia 08 de Junho, por isso faz já a tua inscrição em www.extremechallenger.com

A prova terá 10 Etapas, várias modalidades (BTT, Canoagem, Trekking, Canyoning, Multi-Actividades, etc.) e passará por 4 Concelhos (Ponte da Barca, Arcos de Valdevez, Ponte de Lima e Viana do Castelo), num total aproximado de 180km, 6500m de desnível acumulado e 23 horas non-stop (Valores máximos para a categoria de Elites, na Aventura será aproximadamente 80% destes valores).

As categorias decidem os Campeões Nacionais são as Elites Masculinas e Mistas, mas os menos experientes podem optar por participar em Aventura (80% do percurso das Elites) ou em Promoção (Apenas em algumas etapas, seleccionadas pelas equipas).

Inscreve-te e vêm participar nesta grande aventura no coração do Vale do Lima e na fronteira do Gerês e da Galiza.

domingo, junho 07, 2009

DREAM TEAM






Foto: Hugo Velez mais conhecido no meio nacional como "O Espanhol" e no internacional como "The Spanish" ( pois, pois... ;-)

Pois é, longas ausências aqui no blog nem sempre significam grandes treinos. Aliás muitas das vezes significam o contrário, que tudo bem arrumadinho no quotidiano sobra pouco tempo para aquilo que mais gosto, treinar e escrever ( também gosto de dormir umas sestas na praia, mas isso tornou-se nestes últimos anos um momento raro). Ainda assim não me posso queixar, a uma semana do Campeonato Nacional de Corridas de Aventura o grande objectivo desta época, encontro-me em razoável forma.
Rebobinando... após a CA de Sesimbra em Março senti-me cansado, as provas da época sobretudo o XPD trés meses antes ainda "pesavam" (também o rabioque, mas isso é outra conversa) e além disso tinha algumas "maleitas" que ameaçavam tornar-se "crónicas". Decidi então parar umas semanas e ir a um médico que senteciasse aquilo que já julgava ser os efeitos precoces do PDI. Entre análises, prova de esforço e tratamentos de fisioterapia a duas tendinites ( ombro e braço) lá recomeçei a custo a treinar, ao princípio ainda com sintomas de cansaço, depois cada vez com mais energia e motivação e finalmente a "morder-me todo". Procurei fazer aquilo que rende mais para este tipo de provas, o treino de conjunto, sobretudo os de BTT ( os mais longos) nos quais se conseguiram ritmos próximos da competição e muita e boa conversa. O restante dividi entre excelentes e recuperadoras sessões de natação, passeatas de 5hrs em Sintra e na Arrábida, corridas em Monsanto e uma ou outra prova para afinar os platinados. Ficaram por fazer as sempre difíceis sessões de reforço muscular e os "saborosos" treinos de canoagem. Foi o possível não o desejável, não se pode ter tudo, se assim fosse era o Cristiano Ronaldo das corridas de aventura... "penso que"... "acho que"... ehehehe.
O DREAM TEAM nesta foto foi o mesmo que na época passada ganhou 2 provas em 5 ficando em 2º lugar do ranking nacional na categoria de Elite Mista, à esquerda o capitão Iron, ao meio a powergirl Green e à direita vocês já sabem quem é o cromo, não da bola, mas destas andanças.
Which us luck!

terça-feira, maio 26, 2009

XPD DO MEU DESCONTENTAMENTO

Video retirado.

Para o visualizar clicar em ARWC 2009

Ainda não tive oportunidade de escrever umas linhas acerca da maior corrida de aventura que se realiza em Portugal ( 5 dias/4 noites). Não, porque ainda tenho em "carne viva" as muitas emoções vividas. Apesar do título deste post ( que é fruto de alguns aspectos pessoais menos conseguidos na competição), o Estoril XPD Race 2008 foi uma fantástica, memorável e desafiante aventura multidisciplinar!
Até um dia destes com um relato mais pormenorizado da aventura, para já o vídeo.

PS- Este video só mostra o 1, 2 e 3 dia de prova, faltam mais 2 que não encontro no site do XPD. Chega para ter um "cheirinho" do que foi o "empeno". Ah, e no "menu" podem ver outros videos também da prova.
Hasta!

segunda-feira, maio 25, 2009

MAIS "APURADINHO"



Depois de no passado fim-de-semana ter "metido" duas cargas competitivas, a semana que passou seria logicamente de "recuperação", tanto mais que me esperava uma maratona de BTT ( 80km). Assim os treinos da semana foram de natação (2X = 80m)), caminhada( 2X = 20km), corrida (2X =2h50) e apenas um treino de BTT ( 87km). Este último até foi mais "puxado" que o desejável por causa dos meus já habituais "sprints" para apanhar o barco a horas decentes ( o treino a meio da semana é nocturno e na margem sul). Estive ainda dois dias de "papo para o ar" e num deles, almoço de família, abusei de um "capão" de cabidela regado por um "Chaminé" ( Vidigueira) e um "Quinta de Catralvos" ( Terras do Sado), iguarias e néctares que nem as "fases mais competitivas da época" ( períodos em que me imagino um atleta a sério) me fazem abdicar destes prazeres,  porque dão-me saúde, mental sobretudo! O problema é que a data do banquete foi na véspera de uma competição e a consequência a de que quando cheguei a casa a minha boca cheia das iniciais "notas musicais" do bom tinto português, tinham-se transformado num um animado concerto musical na minha cabeça que pelo  ano de colheita, selecção das castas e estágio, diria ser qualquer coisa entre Bach, Ravel com ligeiros acordes de Pink Floyd na época mais psicadélica ( em vez de Escanção, tornei-me um Étilico-musicólogo ;-). Resultado, água, água, água, na tentativa de limpar o "palco" da festa!
Festa foi também no dia seguinte durante a " IV Maratona de BTT do Barreiro", prova dividida em duas distâncias 45 e 80km (207 participantes chegados na primeira e 99 no segundo) e com um percurso que foi da cidade do Barreiro até às subidas mais íngremes e descidas técnicas da Serra da Arrábida,um bom momento de BTT! A organização está portanto de parabéns ( Fidalbike, QGV Team em parceria com a CM Barreiro)! Quem também está de parabéns é a minha camarada de equipa Esmeralda que nada mais nada menos arrebatou o 1º lugar a quase uma hora da 2ª classificada, está cá uma pró esta miúda! Já lhe disse que é ela que leva a trela na bicicleta para o Gêres, porque se eu der o "berro" já sei quem me vai rebocar!
Por dentro da prova, além das subidas e descidas que falei, a estratégia era inicialmente "de equipa", ou seja, treinar a cooperação que tanta falta faz nas corridas de aventura. Resultou nos 15km iniciais até o meu irmão ter um furo, altura em que parei para lhe dar a minha bomba e câmara de ar. Uns quilómetros à frente, após o "reagrupamento" e numa subida daquelas que "se alguém tira o rabiosque do selim cai de costas", novo furo e nova separação ( a Esmeralda tinha ficado ligeiramente para trás na subida). Combinamos então que cada um fazia a sua prova, sendo que a estratégia original se mantêm para o futuro, a da cooperação em algumas provas que assim o exigam. Lá fui à minha vida e a "bombar" na tentativa de recuperar algum tempo perdido ( que também não era assim tanto) fazendo uma prova de trás para a frente ( o que é hábito).Ia concentrado neste propósito de "talega" metida até que numa das zonas do percurso em consequência da chuvas da noite anterior, uma poça de lama me fez ficar indeciso entre passar pelo meio e tomar meio banho ou contornar por cima de umas pedras na extremidade desta. Dilema ao qual a velocidade de pensamento não respondeu da melhor forma ( será o PDI?), porque não decidi mudar para uma mudança mais leve e o resultado foi o de "embrulhar-me" nas pedras com uma valente banhoca em toda a extensão do lado direito do corpo na dita poça, um momento que disse a alguém mais tarde ser afinal "terapêutico" ( não é a lama que faz bem à pele?).
No final, 32º com 4h02 não está nada mau para quem ia só para um treino mais competitivo. Segue-se um inicio de semana a recuperar e lá mais para o final os últimos longos de pedestre e BTT antes do campeonato nacional. A epicondilite parece estar a desaparecer, vamos ver se também já consigo treinar canoagem e algum reforço muscular na semana que vem.
Até à vista!

quinta-feira, maio 21, 2009

BIMBACHE EXTREM -ARWC SERIES



Cinco dias, 450km com 14.000mts de desnível positivo acumulado a realizar em orientação e nas progressões pedestre, BTT, canoagem, espeleologia, rafting, canyoning entre outras, o BIMBACHE EXTREM é uma das provas do circuito ARWC ( da qual faz também parte o Estoril XPD Race) de aventura mais duras do mundo! 
A equipa portuguesa GLOBAZ PT esteve presente com Elo Sue ( participou na mesma equipa no Estoril XPD e com um excelente desempenho), mas um dos seus elementos lesionou-se gravemente e tiveram de desistir. Neste momento ( último dia da prova) já foi declarado um vencedor, são os filandeses da MULTISPORT FI, lideres logo a partir do 1º dia. Entre diferentes acidentes, lesões e exaustão, terminaram 12 equipas das 21 que iniciaram a aventura.

Um vídeo do 1º dia ( outros no Youtube desta e de edições anteriores).
A página da prova http://www.meridianoraid.com/index.html
O blog dos GLOBAZ http://raids-aventura.blogspot.com/

Boa recuperação!

segunda-feira, maio 18, 2009

FIM DE SEMANA EM GRANDE





Depois de uma semana com os totais de 170km de BTT, 50km pedestre e 4,5km de natação, o fim-de-semana seria de "apuro de forma e/ou apuro técnico" com duas competições, um ORI-BTT em Monsanto e uma prova de corrida de montanha na Serra de Sintra.
No sábado, o principal objectivo foi o de aprender mais sobre uma modalidade que continuo a praticar menos do que seria desejável e na qual continuo a cometer muitos erros de palmatória. A prova foi composta de duas mangas, uma de manhã em sequência e outra à tarde em escolha livre, ambas no bonito mapa de Monsanto ( que agradeço ao CPOC para futuros treinos). 
A primeira manga do dia teve um começo idêntico ao de outras provas passadas, parto com a "pica" toda e passado pouco tempo já estou a questionar-me "mas aonde é que eu estou?". Neste caso valeu-me uma gentil colega de prova que apesar de andar perdida, pelos vistos estava mais concentrada no mapa que eu. Recomposto do susto e recolocado no mapa, estive afinadinho até ao 4º CP, altura em que a tentar concentrar-me no meu porta mapas de má qualidade atirei-me para o 6º CP sem fazer o 5º. Percebido o erro antes de "picar" o cp, no entanto na me livrei de tempo precioso até pôr tudo na ordem estabelecida. Mas, logo quando ganhava novo fôlego, mais um imprevisto surgia, a perda da bússola que estava (mal) colada no porta-mapas, sim, o tal de fabrico duvidoso! Não fosse nestes últimos meses em que resido na zona ter feito alguns treinos em Monsanto e a dificuldade para concluir a prova seria maior. Assim no final, consolei-me por não ter feito nenhum "missing point" e por não estar em último antes sim em antepenúltimo.
Eu posso ser um nabo nestas andanças, mas a concorrência é feroz ( desculpa de coxo quando fala do maneta)! A maioria de quem por ali anda faz provas de orientação o ano todo, sejamelas  pedestres de BTT ou corridas de aventura e há vários anos ( eu também mas no máximo 2 ou 3 por ano, isto tirando as CAs nas quais navego muito raramente, sobretudo quando as etapas obrigam a que a equipa faça também orientação individual). Bem, mas dando continuidade ao essencial do relato, referi que a 2º manga era de escolha livre o que significa que o atleta escolhe um percurso no mapa num conjunto aleatória de cps. Este tipo de mapa tem por fim apurar os que com melhor capacidade de interpretação dos mapas de orientação, escolhem no percurso as "melhores opções". Ganha quem pedala bem, mas sobretudo ganha quem entra bem dentro do mapa. As minhas opções foram o oposto destas, em vez de começar como a grande maioria o percurso pela esquerda, escolhi a direita. Para além da teimosia em "ser diferente" (confesso que foi um bocadinho de propósito), perdi o resto dos alfinentes que ainda me iam permitindo acompanhar o percurso sem estar a fazer um esforço permanente de focagem do mapa ( continuava sem bússola). A isto somei ainda um erro no percurso que me fez perder cerca de um a inventar um trilho inexistente, negociei pelo telemóvel uma casa que tenho em venda,  e "pastei" 15m à procura de uma baliza que foi vítima ( é nós também) da maldade de um qualquer bipede com personalidade de quadrúpede que certamente a roubou. Baliza que procurei insistentemente num perímetro demasiado alargado ( falta de esperiência em decidir que efectivamente ela não estava mesmo lá). O resultado deste "mix" de ocorrências, foi o 13º e a penúltima posição ( um acima do último e 8 acima dos desistentes e desclassificados). Nada mau! Aprendi bastante e certamente que a próxima prova será ainda melhor. Claro se tambémme decidir a comprar um porta-mapas de jeito e uma bússola que não voe a meio das provas.

13km do Guincho

No domingo levantei-me com a impressão que me ia doer as canetas  do dia anterior. Seria por isso melhor correr em ritmo de treino, ou seja nas calmas apreciando a bela paisagem do local. 
Cheguei cedo como gosto, aqueci bem, cumprimentei os ilustres conhecidos e entrei feliz dentro da festa ( gosto das boas vibrações deste tipo de corridas). Já sabia que o percurso ia ser diferente da edição de 2007, a última que fiz, o que não sabia era que este seria mais rápido e também ( é a minha opinião) mais bonito. Numa zona em que já existem bastantes obstáculos que vão limitando os bonitos trilhos da região, a organização soube encontrar soluções criativas que muito agradaram. Exemplos, o correr dentro da seca ribeira do Guincho, passar por um túnel de 50mts iluminado com tochas, atravessar o todo o areal da praia do Guincho e reencontrar os trilhos das edições anteriores, estes igualmente fantásticos, foram belos "retratos".
Quanto ao meu desempenho, fiz os primeiros 1000mts "a ver o que é que isto dá" e depois a sentir-me bem, "assapei" para ir ultrapassando muita e boa gente nestas andanças. Na parte mais difícil, o acesso ao Cabeço do Vento, a subida não deixava ninguém correr ( era de bater com o nariz no chão), foi o único momento em que andei, depois foi sempre a "rasgar pano" até á meta para 1h03m, 60º na geral ( entre 227 concorrentes) e 11º V2 ( falhei uma medalhita por um lugar). Nada mau, estou próximo da melhor forma da época, vamos ver se a tenho no "ponto" daqui a 1mês para o campeonato nacional das CA´s no Gerês.
Esta semana será de recuperação e no próximo fim-de-semana a dose será uma maratona de BTT ali para os lados da Arrábida, "arriba"!

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