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CRÓNICA DE UMA VITÓRIA OU ESTE DESPORTO NÃO É PARA NOVOS




Depois de mais esta prova da TPCA e inspirada na frase da minha camarada de aventuras e equipa a Esmeralda “ já viste Zé “nós” os cotas vamos ganhar isto”( claro que se referia a mim e ao António) cheguei a uma conclusão acerca das CA,s: ESTE DESPORTO NÃO É PARA NOVOS (para os irmãos Cohen, “O País não é para velhos”)! “Nós”, somos portanto o Clube Aventura do Barreiro vencedores na elite mista da última etapa da Taça de Portugal de Corridas de Aventura realizada em Odemira. “Nós” somos os apaixonados pela aventura que apoiados por uma grande equipa onde reina um forte espírito de camaradagem, dão o máximo para superar os inúmeros desafios que cada prova encerra. “Nós” somos aqueles que com a complacência dos nossos familiares saímos de casa para treinar às 6hrs da manhã, voltamos tarde e enlameados para o almoço e passamos fins-de-semana fora a deixar saudades em casa. “Nós” somos os que fazem milhares de quilómetros por ano para ir a “mais uma prova”, carregados com caixas de equipamentos e abastecimentos, os que não dormem, ou fazem-no algumas horas por noite num saco de cama num pavilhão apinhado de aventureiros que ressonam e/ou suspiram de ansiedade pelo que se vai passar no dia seguinte, os que cozinham ( quando temos tempo para isso) uma frugal “massa com cogumelos” em fogão de “camping”, comendo-a de cócoras ou sentados no chão a rir do “filme do dia”. “Nós” somos os tremem de frio, pois acabamos de sair de uma etapa de canoagem com -5º, ou porque a chuva nos ensopa a roupa e a alma” numa pedestre de 40km e ainda os que adormecem em cima da bicicleta porque já estamos em prova há 15hrs. "Nós" somos aqueles que se“atrelam” com as mãos, cordas, buffs e tudo o que há para "puxar" quando o rosto mas não a boca diz “ajuda-me que temos de acabar isto!”. “Nós” somos o Zé, a Esmeralda, o António, oNélson, a Carla, a Ângela, o Júlio, o Rui, a Sónia, a Joana, o Pedro, e perdoem-me os que ficaram esquecidos, somos o CAB, pronto!
O "Troféu Clube Brisa", decorreu na zona do “sudoeste alentejano”, num terreno com inúmeras e belas variáveis para a aventura. A prova foi bem delineada, a meu ver apelando mais à capacidade estratégica das equipas do à sua capacidade física ( se bem que a gestão física faça também parte da estratégia). Tomamos isso em conta apesar de termos abordado a 1º etapa com algum nervosismo. De facto o O.BTT não estava a correr muito bem e por isso decidimos não arriscar muito e partir para a 2º etapa de canoagem+ pedestre que se revelaria decisiva para a maioria das equipas em prova. Aqui, a Esmeralda e o António fizeram o 1º troço de canoagem até à localidade de Casa Branca, enquanto eu fazia a pedestre com 2 cps que felizmente me correram muito bem, apesar de no 13º cp me ter metido numa linha de água que era uma autêntica floresta de silvas, safou-me o facto de irmos “à molhada” e de um ter descoberto um caminho alternativo a meia encosta, senão corríamos o risco de sair dali em carne viva. A parte final desta etapa, decorria nas margens de lodo do mira, onde os meus sapatos passaram a pesar mais uns quilos, mas “ no way”, era mesmo por ali que tínhamos de ir. A troca com a Esmeralda na canoagem (manteve-se o António), foi pacífica (apesar de nos termos esquecido de um colete o que nos obrigou a fazer mais 1km). Fazia ela agora a pedestre e nós a parte mais difícil da canoagem, pois o mira sofre muito os efeitos de maré e estava a começar a vazar, o que significava que teríamos a um dado momento de remar contra a corrente. Foi o que fizemos, a partir sensivelmente do meio da etapa, esforço duro que nos valeu chegarmos antes do limite do tempo da etapa, apesar de termos perdido o cp de chegada. A mesma sorte não tiveram algumas equipas directamente nossas adversárias que perderam todos os cps amealhados ( canoagem+pedestre) e não puderam partir para a etapa seguinte.
No score 100 que se seguiu acalmamos ( até aí estávamos a meu ver um pouco “no ar”) e partimos para uma bonita etapa de BTT com “direito” a lindos “postais” alentejanos. Um dos quais, ver dezenas de leitões a correr em campo aberto, o que nos fez libertar uma boa (e necessária) gargalhada. Seguiu-se uma canoagem com natação na barragem de Santa Clara com a Esmeralda a fazer os 400mts de natação com rappel no paredão da barragem e eu e o António a fazer a canoagem ( estava a ver que nunca mais largava a pagaia). Finda esta, seria a vez de uma pedestre.
Até aí estávamos comedidos, ou seja a fazer uma gestão económica da prova. Chegávamos sempre dentro dos tempos limite de etapa sem pressas e com tempo de meter algum “combustível” (tudo o que fosse hidrato, se bem que os salgados já sabiam divinalmente). Sabíamos que em relação às outras equipas tínhamos uma ligeira margem (pois as nossas mais directas adversárias tinham rebentado na canoagem realizada no Mira), no entanto nada estava ganho. Para isso, arriscámos na pedestre nocturna ( que bela noite!). Digo “arriscámos”, mas para mim foi mais que isso. As minhas desculpas ao António, pois cheguei duvidar e a temer que rebentássemos ( “fantasma” das provas anteriores) quando vi que estávamos no limite ( do tempo e das forças). Felizmente o nosso capitão é o “ o mais sábio navegador de toda a região que vai de Trás- os- Montes até ao Cabo de Sagres” e encontramos a tempo o final da etapa e com um “tesouro” cps que serviriam para gerir confortavelmente a vantagem que tínhamos das outras equipas. Gestão que fizemos na etapa seguinte, onde pouco faltou para a Esmeralda adormecer em cima da bina e eu tornar-me perito em mímica, pois parece que tinha esquecido que afinal tenho voz. No pavilhão de Odemira, onde passámos a noite tivemos conhecimento do que já suspeitávamos: que estávamos em 1º lugar. Teríamos apenas de gerir a vantagem no dia seguinte e foi o que fizemos.
O dia amanheceu radioso ( parece o inicio de um romance, mas é o relato do final de uma aventura feliz) neste Alentejo que já se coloria de tons primaveris ( aqui chega mais cedo que nos resto do país). A etapa de BTT foi portanto feita com luz, cheiros e cores e “com tranquilidade” que até nos deu direito a um café e pastel de nata ( só para mim que sou apelidado do guloso cá do grupo). Os últimos cps foram picados junto à orla costeira e nas praias tal como os da pedestre final. Esta, a final, começava na Zabujeira e tinha um percurso quase na totalidade junto à costa até Odexeixe. Um percurso extremamente belo que me deixou muito feliz. Emoção que reconheço ampliada pela sensação de vitória numa tão dura modalidade desportiva e também pela satisfação por pertencer a uma equipa de “vencedores” nos quais me reconheço.
Somos uma equipa fantástica com uma média aproximada de 40 anos e uma “pica” do “caraças” o que me leva a repetir ESTE DESPORTO NÃO É PARA NOVOS.

PS- Depois de 2hrs a escrever isto, tenho de fazer alguma coisa. Erros, ou incongruências, digam-me que eu corrijo mais tarde. À parte disso, espero que gostem do relato ( apesar de um pouco tardio).

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