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MEMÓRIAS...


"Epá, quanto tempo tem esta fotografia? Três anos! Três anos?! Como o tempo passa..." 
Esta fotografia foi tirada não sei por quem, o Rui mostrou-ma há uns dias através do Facebook. Lembro-me perfeitamente da situação em que foi tirada, estávamos no mês de Janeiro de 2008 no final de uma corrida de aventura chamada "I Caminho da Egitânea" e era a segunda vez que a equipa ( Eu o António e a Esmeralda) estávamos a competir juntos, a primeira tinha sido numa prova gélida em Trás-os Montes (Chaves - Montealegre) dois meses antes com, alguns vão achar exagerado mas há testemunhos que corroboram,-14º, isso mesmo! Desta vez a prova apesar das temperaturas baixas do mês não fora tão "agreste", ainda assim...
A prova teve poucas etapas, no 1º dia um ortofotomapa para cada elemento da equipa com um percurso urbano distinto, a seguir uma pedestre durinha de 42km, uma canoagem na Barragem de Idanha e a acabar um BTT acima dos 70km. O segundo dia foi mais "soft", começou com 35km de BTT e terminou com 20km pedestres se não estou em erro ( posso estar enganado mas estou lá perto).
Guardo na memória a longa e dura pedestre na qual picamos no último minuto o fim da etapa e a entrada para a etapa seguinte ( um final quase dramático) e do BTT nocturno, longo, longo, com frio e chuva e no qual rebentámos por... cansaço, pois estávamos dentro do tempo para o fecho da etapa, mas tivemos um lapso colectivo de memória acerca do regulamento de prova. Recordo também a sopa quente que nos serviram após quase sete horas em cima da bicicleta e o madeiro que me aqueceu os pés que julguei já não ter, tal era o estado de dormência em que estavam; recordo as infindáveis cercas de arame farpado que tivemos de saltar e que deixaram algumas marcas intemporais no corpo; recordo a atitude da equipa que soube no dia seguinte dar o seu melhor esquecendo a "derrota" de umas horas antes que muito provavelmente nos levaria ao pódio; recordo o companheirismo, o "odioso" sono, e as dores que se mitigam com a vontade de ultrapassar "limites" e uma dose certa de boa disposição; recordo tudo isto com muitas saudades de estar ali de novo a "dar tudo" e a mergulhar os sentidos na natureza numa liberdade inigualável. 
Curioso que nesta fotografia estou com um equipamento que já não tenho, o Buff foi engolido num "despiste" de canoa na praia de S. Cruz em Torres Vedras ( que ia engolindo o dono do Buff e &), os calções foram rasgados durante uma queda num calhau do Minho e os Supernova TR da Adidas ( um verdadeiros "todo o terreno") "morreram de velhice" depois de terem calcorreado muitos trilhos e ribeiros.
E depois deste exercício de escrita mas sobretudo de (boa) memória, até sempre camaradas!



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