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SUBAM LÁ ACIMA A IDANHA...



" Subam lá acima a Idanha
Até as silvas dão rosas..."


Esta fotografia é do tempo em que a equipa do CAB "comia CP´s ao pequeno almoço" e estava, como foi no caso do Estoril XPD de 2008, quase 60 horas em prova "como quem limpa o rabiosque a meninos" ( ou qualquer basófia do género, porque na verdade uma Corrida de Aventura com esta duração, são uns quantos "ironmans" ao quadrado). Os tempos agora são outros, não de tanto "comer" CP´s mas "comida portuguesa", há uns quilos a mais e os outrora "meninos(as), tornaram-se agora uns "quase" (para não ofender susceptibilidades), "curtidos" quarentões e cinquentões. Apesar destes avanços "históricos" ( coisas da imparável marcha do tempo), as Corridas de Aventura ainda contam com a presença do CAB e aqueles que teimosamente as organizam (com uma "overdose" de boa vontade) recebem a "equipa do Barreiro", sempre com uma "privilegiada" simpatia, que nós naturalmente esperamos retribuir.
Foi na certeza que as paixões nunca morrem ( apenas nascem outras) que subimos "lá acima a Idanha" pela terceira vez com esta equipa, onde afinal nem todas "as silvas dão rosas", mas quase, tal é a beleza da região beirã, que esquecermos os efeitos, sobretudo nas pernas e braços, desta planta espinhosa que por ali abunda. Como dizia ( e espero que com tantos "soluços" no texto, tenham a paciência de o ler até ao fim), o CAB chegou este Raid de Aventura de Idanha com o mesmo espírito das anteriores vezes em que por ali correu, pedalou e pagaiou: dar o "coiro e o cabelo" nas sete etapas da prova distribuídas pelo Sábado e Domingo, com Oripedestre, OriBTT, Canoagem, cordas e jogos tradicionais. Um belo "petisco" com aproximadamente 200km para 18horas de prova. No final esperava-nos um convívio almoço com distribuição de prémios, "brinde" a que as boas organizações da ADFA ( Associação dos Deficientes das Forças Armadas) nos habituaram há muito.
Vamos à prova: fomos os quatro com a intenção de ficar um na assistência e os restantes a "curtir" o mapa. No entanto o "figurino" desta CA tinha apenas dois escalões, o de Promoção, que reduz distâncias e duração para permitir a captação de novos "aventureiros" e o de Aventura, para os mais experientes ( no tempo em que as CA´s estavam em "grande", havia ainda o da "elite masculina" e "mista" e estes obrigavam a que os elementos estivessem sempre em prova, eram portanto os escalões mais competitivos). Nos regulamentos actuais o escalão de "Aventura" têm dois elementos em prova e um na assistência, podendo a equipa trocar de elemento em cada final etapa ou mesmo, no caso de etapas circulares como scores, jogos, cordas ou canoagem, implicar a participação dos três. No nosso caso, um dos elementos nada faria, enquanto os outros três alternariam no decorrer da prova. Pareceu-nos pasmaceira a mais, para gente que "comeu CP´s ao pequeno almoço" e propusemos à organização a constituição de duas equipas de Aventura, até porque, a etapas eram circulares ( começavam e acabavam todas no mesmo sítio) e por isso o problema da assistência, quando temos de levar a logística da equipa de um lado para o outro, estava resolvido com a permanência no mesmo local. E foi desta forma, com a "dolorosa" certeza que, ao contrário das outras equipas, teríamos um empeno "contínuo" pelos dois dias de prova, que partimos os quatro ( divididos em duas equipas) para a primeira etapa, uma Oripedestre que teve início na bonita localidade de Penha Garcia, zona por onde andaríamos até às 23hrs desse mesmo dia.
A zona de Penha Garcia revelou-se uma extraordinária surpresa. Declive quanto baste, beleza natural até ao "tutano"e horizontes que se estendiam da Serra da Malcata à da Gardunha no lado oposto. Da bonita etapa de Opedestre de aproximadamente 20km, saltamos para a etapa seguinte, uma OBTT com 43km a realizar na herdade do Vale Feitoso, palco do recente Campeonato da Europa de OriBTT, um quase Parque Natural que se estende dali até à fronteira espanhola e onde se avistam diferentes espécies animais selvagens, como cabras, veados e grifos. Seria, mas com mais árvores parecida com a paisagem da etapa anterior, em altitude, sobranceira sobre as bonitas planície beirãs e as suas aldeias e muitas serras até onde a vista alcança, as que já referi, mas também a Estrela e a Sierra Gata em terras de Espanha.
Para quem como eu ultimamente pedala pouco, mas sobretudo porque acusa mais desgaste ( a idade não perdoa) o BTT foi um etapa muito dura, sobretudo para as minha lombar que tratou de se queixar nas etapas seguintes, como foi o caso da de canoagem+ cordas+ score+ jogos tradicionais onde as actividades de cordas foram para esquecer. Este corpanzil, em condições, não se dá com escaladas e tirolesas, em estado de lombalgia em que me encontrava, muito menos, é um sofrimento! Fiquei-me só pelo Rappel, o meu irmão, rijo, pelo pleno. Fizemos ainda uns quantos pontos no score e a canoagem foi à vida, curiosamente uma das disciplinas onde habitualmente "estamos acima da média", má estratégia portanto, mesmo queixoso, tenho a certeza que íamos buscar mais uns CPs. A etapa seguinte, uma Opedestre de 12km tornou-se insuportável para mim, foi com uma grande alegria que a terminei, correr num terreno irregular, era coisa de masoquista.
Entretendo a noite caíra e com ela toda a região mergulhou no Inverno. Estava de facto frio, mas suportava-se com roupa quente, já passámos por muito pior com as "célebres" temperaturas negativas do XPD e de Chaves. Apesar do cansaço de um dia sempre em prova e da escassa alimentação, combustível necessário para estas coisas de "longa duração", o BTT seguinte de 37km ( na melhor opção entre todos os CP´s, distância que apenas as equipas que fazem o pleno cumprem) foi feito sempre a "abrir", e só não deu melhores resultados porque a pouca luz nas bicicletas não permitia "ver um boi" a 10 mts de distância. Lembrei-me das muitas etapas nocturnas que fiz nestas condições: frio, fome, cansaço, pés e corpo molhado e aquele pensamento negativo persistente, que estaria bem melhor debaixo de um duche quente, a comer uma iguaria qualquer e/ou deitado na minha cama confortável. Mas o que é que me faz regressar ao que até parece não me fazer feliz? É precisamente compreendendo que este é um ingrediente fundamental para entender essa mesma felicidade! É isso que me faz voltar! É entre outras coisas ( que não interessa agora estar a racionalizar), o pedalar de noite sob um céu infinitamente estrelado a ouvir os misteriosos e sábios murmúrios da natureza e respirar um ar tão puro que ferem os pulmões poluídos deste "animal urbano" há mais de quatro décadas. É qualquer coisa que recomendo, vivamente!
Depois de mais de 14 horas em prova e de um banho quente, "desliguei todos os circuitos" assim que puxei o fecho do saco de cama num pavilhão desportivo de uma escola de Idanha que mais parecia uma arca congeladora em ponto grande. O cansaço era tanto que, se no dia estivesse "congelado", não faria mal, pelo menos tinha dormido "a noite de justos".
Às 7h30 era a hora de começo da primeira etapa do dia seguinte, desta vez em Proença a Velha. Mantinha-se o modelo circular da prova do dia anterior e nós mantínhamos o "non stop", valentes! Uma Opedestre com 12km e uma OBTT com 26, fariam as mais de 17hrs de prova para as duas equipas do CAB que mesmo apesar de terem dois excelentes navegadores, não quiseram deixar de fazer o "brilharete" de rebentarem a última etapa, colocando-nos no fim da tabela classificativa ( os "dois excelentes navegadores" é mesmo a sério!). Nada que beliscasse a alegria de podermos estar de volta às Corridas de Aventura  e muito menos abalou a convicção de repetiremos estas "doses" devez em quando.
Mais uma boa organização da ADFA numa região onde tenho parte das minhas raízes familiares e aonde, cada vez que regresso, apetece-me ficar mais ainda.
Até breve!

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