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CAMINHO DE SANTIAGO TRAIL AVENTURA I PARTE


Ao entrar a correr na Praça de Obradoiro com o faixa que indicava a meta ao fundo desta a ouvir aplausos entusiastas de “atletas peregrinos” e os de um inesperado “público” constituído por aqueles que ali visitavam a monumentalidade da catedral de Santiago de Compostela, percebi que finalmente a aventura de 3 dias e mais de 150Km ( 154, mais exactamente) estava prestes a chegar ao fim. Não consigo ainda descrever as emoções que senti naquele instante tão especial, posso apenas compará-las às que senti em alguns momentos da minha vida: o dia do nascimento dos meus filhos, a minha primeira maratona ou o “finisher” no Ironman de Ibiza em 2001. O abraço caloroso do mentor do evento José Moutinho no instante em que transpus a linha da imaginária chegada, ajudou a emoldurar de um profundo sentido humano esta aventura designada muito originalmente por “ Caminho de Santiago Trail Aventura”.

Quando em Setembro de 2006 os “Caminhos de Santiago” foram anunciados num participado “fórum” sobre atletismo, não me mostrei muito entusiasmado isto porque estava a treinar pouco e tinha até aí falhado a minha participação na I edição do Ultra Trail Serra da Freita e principalmente no Raid Tróia Melides, prova para a qual tinha começado a treinar desde o início do ano. O motivo fora uma “arreliadora” e persistente lesão em ambos os joelhos designada por “condromalacia patelar” (um desgaste anormal na cartilagem dos joelhos) que pôs fim aos meus projectos desportivos da época e que parecia querer igualmente hipotecar os futuros. Apesar disso, alguns dos habituais camaradas de treino trataram de me “contagiar” com o seu entusiasmo, ajudando-me a recuperar algum do optimismo perdido até então, perguntando-me com frequência “então vens”? A resposta era difícil no momento, mas a “semente” fora lançada, esperava que germinasse. Para isso, continuei os tratamentos á lesão e fui acompanhando as novidades que iam surgindo acerca deste original evento bem como o aumento da lista de inscritos. No mês de Novembro, pensei, embora que timidamente, lançar-me à aventura de treinar para uma prova desta natureza. Há medida que os meses foram passando, os problemas físicos foram sendo debelados e os treinos longos puderam ser feitos em boa companhia e em lugares diversificados como a Arrábida, Sintra ou a Praia da Fonte da Telha. A Maratona Carlos Lopes 15 dias antes dos “caminhos”, transformou o que restava das dúvidas em certezas e esta transformaram-se em numa viagem na véspera para o alto Minho numa bela manhã de Primavera ao som da canção dos “Heróis do Mar” tocada no rádio do carro: “dos fracos não reza a história”, ia fazer a minha primeira ultra maratona.*
* Artigo publicado na Revista Atletismo de Junho

Comentários

ironneves disse…
Para quem não teve a oportunidade de ler na revista, agora que não faz "concorrência", vamos ter a oportunidade de lêr as tuas impressões. Digo "impressões" no sentido Queirosiano: vou esperar para ver mais pinceladas de cor e luz.

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