Avançar para o conteúdo principal

CAMINHO DE SANTIAGO PARTE III






Da crónica jornalística já muitos devem ter conhecimento. Escuso-me de comentar os números, os tempos, os vencedores (se bem que sejamos todos aqueles que por ali estiveram de uma forma ou de outra apesar de uns chegarem primeiro que outros), o que tenho vontade de relatar são as sensações e vivências e estas começaram como já disse no dia anterior da partida com o meu carro cheio de aventureiros rumo a Ponte de Lima… “brava dança dos heróis”; “dos feitos a glória há-de perdurar”.

Chegados à Vila que teima não querer ser cidade preservando assim o epíteto da “Vila mais antiga de Portugal” e à qual também podemos juntar sem falta de rigor, “das mais bonitas de Portugal”, aproveitamos para desentorpecer as pernas e o estômago com um passeio à beira do Lima seguido de uma das famosas iguarias gastronómicas da vila: um arroz de sarabulho divinamente acompanhado de um vinho verde tinto digno de altar ( acho que por esses púlpitos se bebe “porto” de finíssima qualidade, perdoem-me o exagero mas o néctar era delicioso). Cansados da viagem e da batalha com uma travessa que alimentaria um regimento, instalamo-nos para pernoita naquele que seria o primeiro “quartel-general” da organização: a pousada da juventude de Ponte de Lima. Aí já noite adiantada, ouvimos o primeiro “briefing” de apresentação do evento e recebemos os dorsais que transportaríamos durante os três dias que se seguiriam. Esta reunião deixou perceber pelos rostos e palavras de todos os candidatos a “atletas peregrinos” a ansiedade traduzida em expectativa com o que se iria passar dali a horas, mais propriamente no largo principal junto à ponte romana de 12 arcos que atravessa o rio Lima para norte. Era portanto nessa direcção que todos queríamos correr no dia seguinte e por consequência daquilo que parecia uma espera interminável para a maioria, foi difícil “pegar no sono” naquela noite, eu incluído.

Ao amanhecer a azafama e a boa disposição era enorme. Eu, atrasado como sempre, engulo apressadamente o madrugador pequeno-almoço, ponho a mochila com água, líquidos e outros abastecimentos às costas e faço um aquecimento digno de quem vai correr 10 quilómetros e não 148 em direcção ao referido largo. Para trás ficou a restante bagagem que seria “deslocada” pela organização etapa após etapa.

“Bons dias a todos” e nova palestra com o organizador descrevendo-nos a etapa que teríamos pela frente. Seria até Valença com a distância prevista de 38km, teria alguma montanha e trilhos difíceis atravessados por lameiros de pedras soltas e alguns riachos. Recomendava-se portanto cuidados redobrados na prevenção de acidentes e gestão do esforço.

E assim foi, com a Primavera a “explodir” num Minho adornado pelo efeitos multicolores das flores, profusão de cheiros e musicalidade dos “chilreares” que começou a I edição dos “Caminhos de Santiago Trail Aventura”, ou seja, num momento de rara beleza experimentado pelos amantes das corridas em natureza… eu estava lá (!) …” sagras a vida quando guerreias, à luz macia das luas cheias”




(continua)

Comentários

António Neves disse…
Imagino o frenesim, 148 km pela frente, por um caminho calcado nos últimos 1000 anos por humanos em movimento idiossincrásico. Eu diria que cada pessoa se move, utilizando um "combustível" único.
Fico à espera das 'revelações', eu que até 'sou Ateu, graças a Deus' :-)
Zen disse…
Obrigado mano

Pois foi também essa "idiossincracia" reflectida nas tuas palavras que te fez mover por duas vezes na direcção destes caminhos.
Como diz o também cantor e poeta " entre as dúvidas do que sou e onde quero chegar..."

Abraço

Mensagens populares deste blogue

SE CÁ NEVASSE FAZIA-SE CÁ SKI

Zé Neves a fazer SKU desde 2010 (sempre a descer)!

Salada de frutas - Se cá nevasse fazia-se cá ski
"Sebastião cá voltasse
Se a moleza se cansasse
Se o Eusébio 'inda jogasse
Ai que fintas que ele faria um dia...
Se o imposto não subisse
Se o emprego não fugisse
Se o presidente sorrisse
Outro galo cantaria um dia...
Se cá nevasse fazia-se cá ski...
Se cá nevasse fazia-se cá ski...
Se cá nevasse fazia-se...fazia-se...

Há sempre um "se" no caminho
Que me deixa as mãos tão presas
Se eu cortasse o "se" daninho
Talvez me livrasse das incertezas...
Se cá nevasse fazia-se cá ski...
Se cá nevasse fazia-se cá ski...
Se cá nevasse fazia-se...fazia-se..."

MERGULHO DE ANO NOVO 2016

Mais um ano se foi e outro começa. Que tenha mais dias felizes que 2015! Afectos, projectos, aventuras e claro, muito desporto! Hoje em Sesimbra, num dia de chuva, sem frio e com o mar a 14º fomos 13 os que decidiram "renovar-se" para 2016 com um mergulho de mar. Destes, 5 valentes entre 3 e os 13 anos experimentaram as águas agitadas da Praia do Ouro, a Laurinha ( na foto em baixo) a mais jovem do grupo, ficou-se por um "lava pés". Um ano desportivo a todos os seguidores do "Trilhos"

ALMOUROL 2014

Descobri este texto nas "memórias do facebook", acho que não o postei aqui. Os tempos agora são muito diferentes. Tenho uma hérnia discal, estou de baixa há mais de um mês e não treino vai para muito tempo. A operação cirúrgica está eminente e estas actividades, de maior impacto como o Trail, farão inevitavelmente parte do passado. Recordemo-lo...
José Neves8 de Abril de 2014 "Nada de fotografias por favor", o gesto e a expressão pouco amigáveis, parecem o de uma vedeta surpreendida por um paparazzi indiscreto. Não foi nada disso, em legenda, caso não tenham reparado está escrito: " qualquer semelhança com a realidade é pura ficção". A outra "realidade" é que no momento desta fotografia estava certamente no primeiro terço do pelotão usando a minha habitual estratégia de "trás para a frente, a mesma "ficção" foi achar que podia durante 44km manter-me assim. Trocando isto por "miúdos": a partir dos 30km "dei o…