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CAMINHO DE SANTIAGO TRAIL PARTE V



Foto: Trotamontes

Quanto os “atletas peregrinos” partiram para a etapa da tarde, a grande maioria tinha a confiança em alta. Afinal tínhamos completado parte do percurso, seguia-se a última e derradeira etapa do dia com uns (mal) previstos 28 Km (medidos pelo Road book oficial do caminho). Esta distância não seria novidade para a maioria dos atletas já habituados a aventuras do género, contudo a temperatura havia subido, o caminho tinha mais “alcatrão”, exigia-se roupa mais fresca e maior consumo de líquidos (facto que não foi muito acautelado por alguns). Na partida a já habitual boa disposição e mais uma “fragmentação” do pelotão, desta feita ainda dentro da cidade de Valência, seguiu-se a travessia do Rio Minho pela antiga ponte de ferro e a entrada na zona histórica da cidade Tui, finalmente estávamos em Espanha!
Era aqui que se iria desenrolar a maior parte da prova. Há semelhança do que acontecera de manhã, eu segui com um chamado “segundo grupo”, inicialmente o mais numeroso, mas que também se foi dividindo pouco a pouco ainda dentro das ruelas da referida cidade galega em grupos menores de dois, no máximo três a quatro atletas.
Após as duas cidades, a paisagem nos primeiros quilómetros continuou a ser campestre e ricamente “decorada” com motivos arquitectónicos ligados caminho. Contudo isso depressa acabou à medida que nos aproximávamos da cidade industrializada de Põrrino onde a travessia das estradas em alcatrão começou a ser cada vez mais frequente. Aqui cometo o meu primeiro erro, na tentativa me juntar a outros dois atletas mais à frente, eu e o companheiro que estava comigo no momento, acabamos por prestar pouca atenção à sinalética que indicava o caminho e enganámo-nos no percurso. Afinal, um erro grosseiro também cometido por aqueles que “perseguíamos” . Como resultado disto vimo-nos os quatro inesperada e perigosamente “dentro” de uma auto-estrada que nos levaria a Santiago… mas só de carro.
Não sei se foi este facto que nos vez correr mais uns quilómetros, se o calor que apertava e como consequência aumentava as necessidades de abastecimento, se a informação de que a etapa afinal era mais comprida que o previsto, a minha confiança e a dos meus companheiros foi afectada de forma muito particular traduzida pela forma como se encararam as etapas que se seguiriam. Apesar disso e depois de sucessivas “trocas” de parceiro ( o primeiro "rebentou" aos 25km), cheguei ao final da etapa na cidade de Redondela na companhia do veterano e pioneiro das “Voltas ao Minho” o José Ribeiro (que lamentavelmente no dia a seguir teve de desistir por lesão num pé), que com a sua experiência ajudou-me a superar uma das etapas mais duras destes caminhos, curiosamente aquela em que fiz a melhor média por quilómetro (3:58:55 - 6:38 m/km, isto se calcularmos "apenas" 36km). O sucesso de ter chegado ao fim da etapa a correr teria sido certamente do andamento mais “económico” da manhã e que tinha permitido a poupança de forças para a tarde. Estava pois feliz pela estratégia.
A dureza da etapa tinha consumido o stock de energia do dia. Estava desgastado muscular e articularmente à semelhança da maioria dos companheiros e isso estava patente nos rostos e no “andar novo” ao estilo do de “Charlie Chaplin” (espero que consigam ver a caricatura) que todos ostentavam. Uma das causas seria o inegável facto de que o inesperado aumento da distância de 28 para 36 km (somando os que alguns fizeram a mais) fizera “mossa”, outro seria a “contabilidade” da prova que nesta altura já somava uns “bonitos” 70km.
Entregues aos cuidados das “comezainas” e do massagista Valdemar Damião, o grupo recuperou a boa disposição e a certeza de chegar a Santiago, mas surgiram as primeiras baixas no grupo dois atletas tinham desistido de completar o “Trail Caminho de Santiago Aventura”. Agora restava-nos descansar para o "dia seguinte".

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