terça-feira, janeiro 08, 2008

CHAVES/MONTALEGRE - CAMPEONATO IBÉRICO




Esq. António Neves - Centro. Esmeralda - Direita. Eu

CHAVES/MONTALEGRE - CAMPEONATO IBÉRICO DE CORRIDAS DE AVENTURA

Pois é, cá estou eu de volta depois de uma longa ausência. Entretanto, 2007 já acabou e com ele ficaram algumas histórias por contar. É isso que vou tentar fazer agora de forma resumida já neste novo ano de 2008 que desejo que seja pleno de aventuras para todos aqueles que gostam de vir a este espaço dar uma vista de olhos.

Começo pela minha participação na 1ª prova da Taça de Corridas de Aventura realizada no passado dia 19 de Novembro na região entre Chaves e Montalegre, denominada: " 2º Campeonato Ibérico de Corridas de Aventura Alto Tâmega Barroso".
O Clube Aventura do Barreiro/XPD Race esteve presente com duas equipas, uma no escalão aventura com quatro elementos, outra na elite mista, onde eu e a Esmeralda fizemos a nossa estreia em conjunto com o meu irmão A. Neves, o cromo mais experiente nestas andanças e também campeão nacional de ori-btt.
As expectativas eram muitas, eu apesar de não ter muito treino específico para a prova sentia-me motivado, a Esmeralda também à qual somava a sua alegria pela estreia nestas andanças ( eu já lhe tinha tomado o gosto havia dois anos) e o António a fazer aquilo que mais gosta, transmitia-nos a todos uma confiança inabalável e um querer indomável que quase fazia de nós à partida uma equipa na luta pelos lugares cimeiros,não se enganou.
Partimos para a 1ª etapa debaixo de -2º graus de um dia gélido mas solarengo. Esta era composta por muiti-actividades em orientação e valia 4cps. Fizemos 3, a patinar constantemente no gelo que se acumulava nas rotundas da cidade e partimos para a 2ª de 34km de BTT. A etapa subia dos 350mts até próximo dos 1000 e a adaptação não foi fácil, ainda assim, num terreno difícil conseguimos os objectivos propostos através de uma estratégia de contenção e concentração, o importante era não rebentar a etapa seguinte, fazer boas transições e ir somando CP´s. Seguiu-se uma "run&bike" de 14km a todo o gás entre subindo e descendo entre os 1000 e os 700mts, com direito a um rappel de 200mts sobre uma falésia. A Pedestre seguinte de 10km também não comprometeu a boa prestação que estavamos a conseguir e que muito nos alegrava, nem a (novamente) dura etapa de BTT de 20km que seguiu, onde nos vimos inesperadamente e caricatamente rodeados de bois e vacas com chifres de 1/2 metro, felizmente os bichos eram mansos e não provocaram danos maiores do que um ligeiro atraso. Ainda assim partimos a "horas" para a seguinte: canoagem+BTT. Esta dividia pela primeira vez a equipa, 2 elementos faziam os CP´s de canoagem e outro (eu) fazia os de BTT encontrando-nos depois no último antes da chegada que deveria ser "picado" pelos três. Nesta altura da prova o cansaço já se fazia sentir, mas pior que isso foi frio que tinha voltado. Desde a partida a temperatura "amenizara-se" alguns graus acima de 0, nesta etapa desceu para um insuportáveis -5º graus. Quem mais sofreu foi o António e a Esmeralda na canoagem, chegando a "nossa" menina num estado próximo da hipotermia à meta. Mas a sua tremenda determinação, coragem e capacidade atlética ficaram demonstrados aí, passado pouco mais de 20m, entrava a sorrir na derradeira etapa do dia ( a 7ª), 12,5km de orientação pedestre, grande mulher! O primeiro dia terminara com mais de 130km feitos, era tempo de comer e dormir, pois na manhã seguinte às 5.30 da manhã esperava-nos aquela que viria a ser uma das mais duras e ingratas etapas da prova. Na classificação estavamos a disputar o top três das equipas portuguesas, as espanholas com maior experiência internacional estavam em primeiro e portanto nada de sonhar muito alto.
Mas já dizia o poeta "o sonho comanda a vida" e o nosso era ir o mais longe possível sem quedas, avarias mecânicas ou "estoiros monumentais". Foi com esse espiríto numa madrugadada gelada que partimos para a etapa do nosso "descontentamento". A beleza de subir de bicicleta aos 1400mts e ver o sol nascer na montanha é inarrável. Outro momento único foi chegar ao vale galego entre as serras do Larouco e Gêres com uma temperatura de -14º graus(!). Podemos imaginar melhor como é estar sobre esta temperatura através da visão do congelador do nosso frigorífico. Tudo estava congelado, as fontes, os ribeiros, os nossos bidões de abastecimento e "camelbags", tudo até o rio onde deveriamos ter feito a etapa seguinte de canoagem. O barulho do gelo a estalar sobre as rodas das nossas bicicletas era constante e o nosso corpo ía reagindo a estas condições extremas:as mãos e os pés estavam dormentes( a Esmerada ainda hoje não recuperou a sensibilidade na ponta dos dedos das mãos). Apesar disso a etapa corria-nos bem, até ao antepenúniltimo CP´s. Aí o deficiente e pouco actualizado mapa espanhol pregou-nos uma partida, perdemos muito tempo e "rebentamos" a etapa por 58s. A consequência disso foi o não partirmos para a etapa seguinte de canoagem+orientação pedestre e perdermos todos os 9 Cp´s conquistados. Não desmoralizados fizemos as etapas últimas duas etapas seguintes em grande estilo. A 1ª pedestre a subir dos 800 até aos 1400mts sempre em ascenção. A 2ª em BTT a "abrir" num downhill desenfreado dos 1400mts aos 800mts. No final o resultado foi claramente positivo, apesar da "degraça" da 1ª etapa do dia, acabamos por ser a 4ª melhor equipa portuguesa ( entre 9) a 7 CPs da 2ª e a 10 da 3ª o que mostra que estamos mais próximo de disputar os lugares cimeiros do circuito. Mas esta convicção só é possível pelo dois grandes elementos que comigo fazem a equipa CAB/Estoril XPD Race: O António e a Esmeralda, sobretudo esta última que deita por terra qualquer teoria machista ou sexista mais empedernida que explique jocosamente as "diferenças óbvias" entre os desempenhos masculino e feminino nestas andanças... "ah ganda atleta"!

Próximo relato: Maratona de LIsboa

1 comentário:

Joaquim Margarido disse...

Fiquei deslumbrado com as imagens da prova no Magazine de Orientação do passado sábado, na 2. Este complemento, vivido e sentido na primeira pessoa, é "a cereja em cima do bolo". Parabéns, Zen, e obrigado por continuar a trazer até nós prosa de altíssima qualidade. E para quando esse "Visconde de Borba"?

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