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2º ETAPA DE CORRIDAS DE AVENTURA: IDANHA RAID – I parte



Foto: Eu (esq), António e Esmeralda a estudar a estratégia para a 2ª etapa.


A região da Beira-Baixa pertence na actualidade às regiões que sofrem dos designados “problemas da interioridade”: o envelhecimento da população, a baixa natalidade e o pouco emprego e a carência de determinados serviços públicos fundamentais. Não sei se é a minha visão de um suburbano à procura desesperadamente de raízes (elas de facto existem nesta região), se é o facto de tomar consciência que a dita “interioridade” começa aqui na margem sul do Tejo onde resido (e por isso “interioridade” por “interioridade”…), se a ideia de que para além da cidade tudo é idílico, o facto é que depois de dois dias de aventura em Idanha-a-Nova apeteceu-me ficar lá para sempre. Tudo é limpo, vasto, bonito e tranquilo e tem tudo o que um “bom selvagem” suburbano quer, como um hipermercado e uma estação de serviço, por exemplo (só falta mesmo a decat****). Bem, mas vou ao que interessa: o relato na 1ª pessoa da 2º prova do circuito da Taça de Portugal de Corridas de Aventura – Idanha Raid- organizado ( e muito bem) pela ADFA na qual mais uma vez estive presente na equipa do CAB/ESTORIL XPD RACE – elite mista.
Desta vez partimos e chegamos cedo a Idanha (esta “interioridade” de hoje é uma maravilha pela auto-estrada) de maneira que (ao contrário de outras ocasiões) tivemos tempo de abrir o saco-de-cama no “solo duro” do pavilhão municipal de Idanha e dormir uma “boa soneca”, o que diga-se antes de uma prova desta natureza na qual os atletas passam largos períodos sem dormir é de facto um “luxo” inigualável e um bálsamo para o “day after”. Neste o habitual frenesim próprio de mais uma jornada de aventura: as equipas de assistência e atletas ultimam equipamentos os abastecimentos a prova estava prestes a começar. O “raidbook” informava-nos que começaríamos com uma orientação urbana em Idanha que valia 1 CP por elemento caso completássemos um percurso com 4 balizas para um tempo total de etapa de 1h. Começou o nosso “capitão” António, que em 14m “despachou” o referido CP e de seguida eu que demorei sensivelmente o dobro ( pois… esta orientação não é famosa). Desta forma abdicámos do 3º CP que seria feito pela Esmeralda e partimos para a etapa seguinte, uma duríssima etapa pedestre de mais de 40km que valia 17 CPS +1 rappel + 1 de chegada para 5h30m.
A meteorologia condizia com Janeiro: frio, nevoeiro e um chão ensopado pelas chuvadas que haviam caído copiosamente durante a semana que passara. O terreno não era de progressão muito difícil, pois os declives não eram acentuados, mas estava “semeado” de calhaus escorregadios, silvas, linhas de água que tinham engrossado nos últimos dias e a juntar a isto e a outros pequenos pormenores, constantes vedações de arame farpado ( quando cheguei ao fim devo ter saltado dezenas que os arranhões nas mãos, pernas e rasgões no equipamento podiam comprovar). O mapa apesar de muito técnico estava há medida do nosso campeão em orientação, pois tudo nos estava a correr muito bem até próximo do final da etapa quando o cansaço e a fome nos começaram a “dominar” especialmente à Esmeralda. A dureza da etapa era uma “evidência” em muitas equipas, pois uma das imagens vivas que guardo, é a de próximo de um dos últimos CPS, reparar que muitos atletas já só marchavam “atrelados” aos colegas de equipa em melhores condições, o esgotamento era portanto total. Foi também desta forma, atrelados uns aos outros (num quadro fabuloso do nosso grande espírito de equipa), que acabamos a etapa a 58s do seu limite mas com uns “saborosos” 14 CPs contabilizados. Seguia-se uma etapa de canoagem+pedestre (…)

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