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UMA GLÓRIA MAIS AGRESTE II PARTE



Depois da pedestre com desnível acumulado de 1000 mts, seguía-se uma etapa de BTT mais "suave" que a primeira apesar dos 31km de distância máxima ( 850mts acumulado). Tinha também um ingrediente diferente, 2cps facultativos que deveriam ser feitos com mapa pedestre, ou seja, os participantes tinham de deixar as bicicletas num parque de transição onde lhes era distribuído um novo mapa, regressando depois para retomar o BTT. Estes 2cps eram na realidade 4 balizas, ou seja, só era contabilizado 1cp se a equipa fizesse um par de postos de controlo ( A1+A2 e/ou B1+B2). Abdicámos do 2º cp, pois chegámos à conclusão que estávamos a perder tempo que podia ser precioso para os cps que ainda podíamos controlar no BTT.
Percorremos nesta etapa o planalto da Freita com chuva, frio e raros momentos de sol num percurso de sobe e desce constante que alternava entre o estradão, o trilho pedregoso de montanha e as estradas alcatroadas que atravessavam algumas aldeias onde as casas eram construídas com enormes blocos de granito e/ou finas camadas de xisto de aparência tosca. Os habitantes destas trabalhavam nos campos em redor e acenavam a nossa passagem ou cumprimentavam-nos com um tradicional "ide com deus" ( sobretudo as mulheres). Cabras, ovelhas e vacas deambulavam sem pastores por perto compondo o cenário rústico que a primavera ajudava a colorir. Esta sucessão de imagens fez crescer em mim uma estranha sensação que vivia num anacronismo, tal era a impressão de que havia recuado inesperadamente no tempo. Não fossem as bicicletas e os nossos equipamentos modernos acordar-me para o presente, quase diria que era um viajante medieval.
Até aí tudo corria bem. O nosso capitão/navegador continuava em grande forma mantendo uma sábia estratégia sem erros e a equipa mantinha a força, o espírito de união e a moral elevada. Não sabíamos ainda qual a nossa posição na tabela classificativa, mas estávamos certos de estar a fazer uma boa prova apesar da contrariedade inicial Esta impressão ( fazer uma boa prova) passou a constatação aquando da transição para a pedestre seguinte. O nosso elemento da assistência disse-nos que estavámos em 1º, mas que as equipas que estavam nas posições seguintes nos "mordiam os calcanhares", ou seja tinham poucos cps de diferença.
A etapa que se seguia prometia ser uma das mais duras pedestres que já tínhamos feito na época, tinha "apenas" 16km, mas um acumulado de 1100mts. Começamos com um frio de rachar e chuva miudinha, o que digamos não foi lá muito agradável para quem já trazia o corpo gelado ( odeio o frio desde a tropa, pois por maldade obrigaram-me a suportá-lo até quase ao insuportável) . Contudo, com o passar dos quilómetros o tempo foi melhorando, a disposição também ( as más memórias também se esfumaram) o que nos permitiu saborear um fim de tarde com planos de serra fantásticos, alguns já meus conhecidos, como o trilho dos Incas e o Covêlo de Paivô e descobrir outros, como as minas de Regoufe e a aldeia histórica de Drave. Foi portanto uma dura mas lindíssima etapa na qual atravessamos rios agitados, ribeiras e lameiros, subimos e descemos montes cobertos de flores e aromas e percorremos aldeias, pontes, minas e ruínas cheias daquela história que pertence apenas aos homens e fica quase sempre por escrever( refiro-me aos que nunca são heróis, reis, ou pertencem a qualquer outra categoria que os "entroniza"). Num dado momento, pelas equipas que nos passaram pensamos que estávamos a perder o controlo da prova, mas não estava tudo bem e nas contas finais somámos mais cps do que as equipas concorrentes reforçando assim a nossa liderança. Nada estava ganho, seguía-se a etapa de BTT mais dura do dia ( 45km - 1700mts de acumulado). Dureza esta agravada pelo facto das condições climatéricas se tem agravado, o desgaste já ser muito e o lusco fusco anunciar uma noite escura que sobre nós iria inevitávelmente cair ( continua)

Comentários

Anónimo disse…
Olá Zé:

Força nessas pernas; muita energia nesse físico! Glória ao nosso desporto e aos atletas que o praticam.
Continuação de boa sorte e que sejam sempre os primeiros!

Sua admiradora incondicional.
Raquel Salema disse…
... será necessário dizer-lhe quem fez esse comentário? ... creio que não.

... mas pelo sim pelo não... foi a Raquel. ( há tantas Marias e "Maneis" neste mundo que admiram os vossos feitos).

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