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RIA FORMOSA - UM PARAÍSO AMEAÇADO

Na "Torre de Aires", um cais público de embarque e desembarque perto da Vila da Luz de Tavira.
A navegar na direcção do "canal da Fuzeta", um dos muitos que ligam o mar ao sapal e onde se avistam numerosas ilhas habitadas por muitas aves marinhas.

Berbigão.
Em miúdo apanhava-os na "caldeira do alemão" no Barreiro ( Tejo).
Na Ria Formosa há-os nesta época em abundância na maré baixa, basta escavar com os dedos em forma de ancinho aqui e ali que vão aparecendo. Depois escolho os maiores  e devolvo os restantes ao meio. Basta apanhar o suficiente para a refeição do dia, amanhã há mais, a Ria é generosa.
Das ilhas que se formam com a maré vazia avista-se o "continente".

Na faina durante a maré vazia são muitos os que "lavram" com os ancinhos a terra e o lodo em busca de bivalves.

O recente elevado desemprego na região, sobretudo das profissões ligadas à construção civil, atirou para a Ria novos "pescadores" além daqueles que já viviam há gerações da pesca. Intensificou-se assim a pressão sobre a Ria e a utilização de técnicas ilegais que permitem apanhar em quantidade e qualidade. Os ancinhos na fotografia por exemplo, destroem estes fundos marinhos sensíveis que dificilmente recuperam nas épocas em que são impostas as proibições da apanha de bivalves. Mas mesmo assim nestes períodos arrisca-se a "sorte", multas e fugas às autoridades são frequentes. 
No dia anterior ao final da tarde na tasca do Abílio durante uma "mini", petiscando uma "tapa", enquanto meto conversa com os locais que fui conhecendo nestes últimos anos, percebo que aumentaram os conflitos, disputa-se o que a natureza dá a todo o custo noite e dia. Há também novas (ou velhas) solidariedades, dá-se ao vizinho parte do que se apanha, paga-se um "copo" aos que nem à pesca conseguem ir. A pobreza espreita além do horizonte da Ria, 

Um dia radioso, uma atmosfera azul como nunca vi em lado nenhum, um momento de paz único.
Não é o símbolo da "Shell Oil" é antes o da bonita "Shell Formosa"
Oiço as aves da ria e as vozes distantes dos que andam na faina. Tudo parece fluído...
É assim que um sol "distraído" com a beleza do dia se põe na Serra Algarvia ( que irá lamentavelmente arder um dia depois de forma catastrófica, com muitas responsabilidades ainda por atribuir).
Regresso já quase de noite. Não levei frontal, nem outras luzes que me sinalizem. Há barcos que reduzem a velocidade na aproximação ao caiaque e acenam num velho cumprimentos dos "marítimos", outros não, passam a toda a velocidade, ignorando a minha presença ainda visível. Estou habituado a estas atitudes, vejo-as por todo o lado, todos os dias e sinto pioraram nos últimos tempos. O aprofundar da crise... da "velha" crise de "respeito pelo próximo", uma doença portuguesa que de tão feia não cabe nesta paisagem.
Penso enquanto recolho o caiaque depois de uma tarde memorável a pagaiar na Ria Formosa: se a biodiversidade da Ria fosse explorada sustentavelmente daria para muitas gerações, como deu no passado. É um ambiente tão rico, tão diverso e belo... um paraíso! 

Comentários

É de facto, um lindo cenário.

Continuação de boas férias para ti e família.

Beijinho
Zen disse…
Olá Ana

Sim é um cenário fantástico!

Estou a trabalhar agora. Voltarei em breve ao "paraíso" :-)

Beijinhos para ti e para a Maf
Anónimo disse…
olá Zen :)
lindo, lindo. fiz os mesmos passeios também de kayak nesta semana que passou em cabanas de tavira.
a descrição é em tudo subscrita. vou voltar lá para a semana depois de uns dias em Londres a puxar pela equipa Portuguesa de ... kayak :). quem sabe não nos encontramos numa dessas tardes de marés vivas de agosto em plena ria? forte abraço.
António Bento
Zen disse…
Grande António

Como é que isso vai?
Eu tb voltarei daqui a uma semana e com a promessa de mais umas pagaiadas. Tenho de mudar a direcção das minhas viagens para esse lado ( Tavira, Cabanas)por enquanto tem sido só na direcção da Fuzeta/ Olhão.
Tenho a certeza que nos vamos encontrar em breve! Abraço

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