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FLORESTA NEGRA E AS RHEIN FALLS ( PARTE II)

A Fábrica da Rothaus em plena Floresta Negra 


A Amazona da ZR7 junto ao Schu
O turista acidental

Rheinfalls
Pôr do sol no Reno


(CONTINUAÇÃO)

De Geisingen seguimos em direcção a Hüfingen pela nacional 31 e daí até Löffingen, onde começamos a nossa odisseia pela Floresta Negra, cruzando aldeias tipicamente alemãs e bonitas estradas sinuosas de sobe e desce constante, na sombra dos predominantes abetos de copa alta. Foi o primeiro teste a sério e não correu nada mal. Alguns sustos pelo meio é certo, sobretudo em autênticos cotovelos que obrigavam a reduções rápidas e a melhorar o meu comportamento de entrada e saída em curva ( o maior desafio técnico do motociclista), autocarros e carros que surgiam inesperadamente nas estradas estreitas ( mas com um comportamento dos condutores sem mácula) e de ter como líder uma autêntica amazona com quase quinze anos de experiência em duas rodas, muitas viagens pelo meio, a mais longa delas da Alemanha a Portugal e volta. É preciso muito nervo, ou seja concentração no máximo, uma ligação umbilical à máquina e um dose qb de loucura ( para o saboroso "boost" de adrenalina) o resto, fé no self!
A primeira paragem foi na fábrica de cerveja da Rothaus em pleno coração da Floresta Negra, onde nos deliciamos com comida tipicamente alemã ( uma cozinha que vai resistindo à globalização das Pizzas e pastas, Kebabs e noodles) e uma excelente cerveja em doses generosas servida por meninas vestidas à Bávara, o que significa umas mamocas a entrar pelos "olhos dentro" com o propositado efeito de provocar mais sede  nos convivas e aumentar o consumo de cerveja... estes alemães pensam em tudo, não admira que apanhem umas pielas valentes!
A digestão da lauta refeição foi feita com uma paragem na margem do Lago Schluchsee, um dos muitos da região que apesar da dimensão inferior ao Bodensee possui igual beleza. Depois foi sempre a "descer", pelo mesmo cenário natural e lugarejos, deixando a Alemanha na direcção do Catão suiço de Schaffhausen onde se situam as famosas "Rhein falls". Ali o Reno dá um "salto" de 23 metros entre enormes blocos de rocha, o efeito é electrizante, uma torrente bruta de água que revela a força da natureza, a liberdade dos elementos. Fabuloso!
O local é turístico, como o são muitos locais da Suiça, onde o custo de uma garrafa de água nos cria a ideia que estamos a beber um D. Perignon de mil nove e troca o passo ( como se alguma me tivesse passado pelo estreito pomada desta qualidade), mas está limpo, organizado e têm locais para fazer churrascos e piqueniques. No dia em que fomos o espaço estava cheio de turistas Indianos de classe média ( sim só estes podem sair da Índia e vir até à Suiça gastar uns cobres). Ainda pensei que a quantidade corresponderia a algum mito religioso Hindu, uma espécie: " foi neste local que rebentaram as águas a Shiva e assim nasceu o mundo"( não me perguntem nada, porque não percebo nada de teologia hindu, estou apenas a inventar). Mas além de olharem a paisagem com enternecimento ( com uma "soundtrack" de sinhinhos, ai, ai, ais e uma flauta de pan...), olhavam com insistente interesse para a catraia que estava comigo ( olhar que de enternecido não tinha nada). Não quero fazer generalizações acerca dos indianos, sobretudo das suas relações sociais de género, muito menos reduzir-los a Sharis coloridos com pintas na testa e bigodes lustrosos cor de azeviche à Sandokan, mas julgo que um espécime feminino vestido de cabedal não abunda do Punjab a Querala. Talvez os entenda...
O dia acabou com mais contenção nas acelerações fruto da selva de radares limitadores de velocidade que os Suiços plantaram um por todo o lado e direito a pôr do sol e mergulho numa praia fluvial já virada para a cidade de Constance, ou seja, no Reno suiço a olhar a margem alemã. Dá gozo pensar no significado subjectivo das fronteiras quando as cruzamos, sobretudo aqui onde se esbatem elementos étnicos e culturais.
Foi portanto um belo dia de muitos que estariam para vir!

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