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QUEM ARRISCA NÃO PETISCA (PARTE II)



Eu com o queixo "remendado" (depois da navegação "épica") com a malta a estudar a "cábula" para a última etapa do 1º dia

Após as acidentadas etapas do dia e depois de um período mais alargado de descanso ( fruto da anulação da etapa de canoagem), partimos para a última etapa do dia: BTT nocturno com 55km de distância máxima, 13 cps para 3h15m. Achamos que podia ser esta a oportunidade de recuperarmos ( já que a canoagem não o foi), a distância entre as equipas da Haglofs e Azóia Ciclomarca e chegar ao segundo lugar já que seria improvável alcançarmos o Clube de Praças que continuava em 1º com mais 7cps que nós. Separava-nos nesta altura um recuperável cp da 2º classificada e estávamos empatados com a terceira, classificação que nos daria o título de vencedores da Taça de Portugal de Corridas de Aventura.
O BTT é das nossas melhores especialidades e a etapa apesar de não nos correr da melhor maneira (fizemos 9 cps quando sem stress podias ter feito 10) colou-nos ao 2º classificado mas com menos tempo o que nos tornava os virtuais vencedores da referida taça. Chegamos nessa condição à meta já próximo da uma da manhã e recebemos uma retemperadora sopa, que longe de se comparar com às da minha Mãe,ainda assim soube divinalmente depois de tanto esforço. Seria agora hora de comer uma massa ( os tais hc que a malta queimou o dia todo), e dormir alguma horas pois o relógio anunciava o despertar para as 6h15 do dia seguinte com 1ª etapa pedestre a iniciar-se às 7H00.
A organização havia bonificado (mal) as equipas que se fizeram ao mar, com a diferença de tempo entre a entrada da etapa e o tempo limite para o fecho da mesma, não contabilizando o tempo passado no mar ( mais de 1h), nem as equipas que tinham conseguido chegar ao 2º cp ( e foram poucas). Com esta decisão fomos, “bonificados” com 30 m, ou seja entramos este tempo mais cedo na etapa do dia. Esta era uma etapa ( a 6º) com 31km de distância máxima 13cps mais 1 de chegada para um tempo limite de 3.15 ( mais o 30m).
Foi uma etapa dura mas na qual nos mantivemos num grande ritmo e sempre em bloco, mostrando que estamos uma equipa cada vez mais homogénea. Fizemos aquilo que seria normal fazer numa boa prova de aventura, aliar a estratégia com o melhor desempenho físico. No entanto esta parecia não ser a melhor forma de abordar esta competição na qual arriscar não era sinónimo de “petiscar”. Fizemos pontos distantes que nos exigiram um enorme esforço e deixamos pontos próximos da chegada que certamente nos aumentariam a contabilidade e poupariam esforços desnecessários. Um mau alinhamento das etapas, uma espécie de “zig-zag” pouco lógico para quem se habituou a fazer da sua grande capacidade de resistência ( aliada a uma boa navegação) a sua melhor arma. Fizemos 8 cps ( achamos que fizemos 9) quando as nossas directas adversárias, fizeram 9 sem moerem muito, estávamos agora novamente em 3º, mas algo esgotados da etapa e, digamos, também um pouco desiludidos.
Animamos na etapa seguinte, um BTT de 30km, 7+1 cps para 2h. Digo isto porque decidimos descomprimir sem levantar o pé do acelerador, o que foi bom para "relaxar". Apesar desta descontracção que nos ajudou mais psicologicamente que fisicamente não conseguimos passar para 2º, isto porque os Haglofs fizeram também 5 cps. Desta forma mantínhamos-nos até ao SCORE 100, última etapa da prova em 3º lugar, o que digamos para a quantidade de “azares” do dia anterior até nem era mau de todo ( digo azares, porque efectivamente o foram).
O SCORE 100 era constituído por um percurso urbano ( no Cadaval) no qual estavam em jogo 2 cps. Estes tinham cores diferentes e a estratégia era a de que cada elemento da equipa “picasse” uma só cor e desta forma a soma dos valores atribuída a cada baliza totalizasse no final 100 pontos. Podíamos ainda fazer os percursos em separado pois eram distribuídos 3 mapas ou ainda juntos caso quiséssemos. Optámos pela 1ª alternativa que nos pareceu ser a melhor isto apesar da pouca experiência minha e da Esmeralda, pois o percurso parecia ser relativamente fácil.
Não nos correu bem e rebentamos a etapa chegando já depois da hora do seu fecho. A inexplicável ansiedade e até nervosismo com que iniciamos este último segmento da prova, fez com que não tivesses a serenidade de definir a melhor estratégia que seria a de a termos feito em conjunto. No entanto a maior consequência deste estado de espírito foi a falta de concentração da equipa relativamente às horas de chegada, é que normalmente temos cábulas que nos auxiliam a dizer uns aos outros o tempo dispomos na etapa o que já “consumimos” e quais a actividades a realizar, desta vez, todos(!) nos esquecemos de “cabular”!
Foi-se o campeonato, a taça e o pódio, mas reforçamos a certeza que para o ano continuaremos a lutar por um lugar cimeiro nas corridas de aventura em Portugal. Uma maior experiência, melhores desempenhos e algumas disciplinas técnicas ( canoagem, cordas, orientação, outros), melhor preparação física e psicológica e reforço do espírito de equipa serão os grandes “trunfos”.
Aprende-se errando é certo ( e esta prova foi um bom exemplo disso), mas penso que a frase que melhor define esta competição aziaga para o CAB que não colocou à prova as suas maiores valias é a contrária da linguagem proverbial original: QUEM ARRISCA NÃO PETISCA, n melhor condição física da época foi que fizemos




O 1º momento da equipa CAB/ Terra Livre em Chaves. A época define-se para mim como: estou a fazer o que gosto com quem gosto e onde gosto!
Obrigado pelo companheirismo e espírito competitivo, beijos e abraços!

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