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UTSF - Mergulho na serra



Perguntava há dias a uma amiga quando para mim ainda era difícil descer 5 degraus seguidos: "então, já recuperaste?" ela " nem queiras saber, agora compreendo o que passam as pessoas com limitações físicas, ir para o trabalho de transportes públicos é um tortura e depois quando lá chego, idas à casa de banho ou para almoçar são a 2ª parte da tortura". Fartei-me de rir, imaginei-a agarrada às paredes nas galerias do metro, a subir penosamente os três degraus do autocarro, ou a descer de "mansinho" as escadas de acesso ao refeitório do seu local de trabalho. Eu estava com melhor sorte, tinha ido de carro para o trabalho e quando lá cheguei sentei-me e até levei o almoço, sorte a minha, não passava pela mesma compremetedora pantomina que a minha amiga. O que originava isto explicava-se com o facto de ela e eu termos feito 60km de marcha/corrida uns dias antes. Se esta distância já é "muita fruta", imaginem se adicionarmos um desnível positivo acima dos 4000 mts então a "fruta" torna-se um pouco ácida. Se a isto juntarmos ainda a travessia de um leito de rio pedregoso com 3km de extensão, trilhos de pastores forrados a xisto e granito onde a cabras são atletas de alta competição, ribeiros de águas cristalinas e frias, aldeias com o pavimento abundantemente "estrumado" pelas rotinas do pastoreio e outros "complementos circunstanciais de lugar" que se deduzem do ambiente serrano e ajudam a construir a prosa do espaço, então, a fruta além de ácida, fica também um pouco azeda e esta chama-se “Ultra Trail Serra da Freita”. Para que a fruta volte a ser agradável ao paladar, tem os intervenientes de "adocicá-la". Como? Com muito prazer pela prática desportiva, convívio, amor pela natureza e liberdade que esta oferece e ainda nutrir um espírito sagaz e aventureiro capaz de explorar o incerto. Só assim as longas e difíceis provas de corrida e aventura serão uma rica salada de frutas, esta foi-o! Percebe-se depois desta descrição porque é que ambos tinhamos um "andar novo".

(já me estou a perder em “rococós”)

Perto dos 7km passo a Célia numa ultrapassagem irregular e dou a 1ª queda. Nada de anormal, nas corridas de aventura são raras as etapas em que não vou “ao tapete” uma ou duas vezes. Acho até que estou a ficar um perito no "tralho". Nesta, depois de escorregar na rocha, apoie-me com uma mão que ajudou a impulsionar-me para a frente e “voilá”, estava em pé de novo! Continuamos a correr num pequeno grupo de forma lenta e descontraída. A paisagem é soberba, paro algumas vezes para a admirar e lamento não termos feito um Canyon no dia anterior como tínhamos combinado há uns meses atrás. Passamos a Aldeia de Frades e encontro a senhora que me serviu um “café de saco” na edição de 2007. Desta fez não o tem feito, vai fazê-lo, se quisermos esperar… Agradecemos e continuamos, o café feito na cafeteira demoraria perto de 20m, não é que não fosse agradável estar a li a conversar com alguém que vive num lugar tão especial como este, mas estamos em prova.
Competição é competição e tomo definitivamente consciência que estou numa quando dizem a minha posição antes de entrar no trilho do rio “101º”. Sei que estão em competição aproximadamente 120 atletas e penso, “tenho de fazer a minha prova”. Chegado ao rio, começo a que eu chamo de “progressão agressiva”. As corridas de aventura dão-nos a capacidade de progredirmos em diferentes terrenos, este era muito difícil. Tínhamos de frequentemente saltar para a água, ultrapassar enormes pedras e zonas muito escorregadias. Presenciei alguns acidentes, felizmente menos graves e vi e senti a entreajuda ( ajudei e fui ajudado a transpor obstáculos) entre os atletas nestas circunstâncias. Acima da competição o factor humano, aspecto que nunca devemos esquecer na vida. O que presenciei ali renova a minha convicção na condição do homem traduzida num dos seus mais nobres valores, a solidariedade.
O meu irmão segui-me nesta decisão de acelerar a corrida, os restantes companheiros foram ficando para trás. Ultrapassamos com a nossa progressão experiente ( talvez até mais a dele que tais vivências de montanha que eu), dezenas de atletas neste trilho e chegámos ao 1º abastecimento no Covelo de Paivô.
(continua)

Comentários

António Bento disse…
Parabéns e excelente descrição.
Vamos aguardando os próximos capítulos.
Abraço
AB - Tartaruga
Zen disse…
Obrigado António pelas mensagens que vai deixando aqui no blog e pelo interesse em ler o meus fastidiosos relatos. Gabo-lhe a paciência.

Abraço

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Se o Eusébio 'inda jogasse
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Se o imposto não subisse
Se o emprego não fugisse
Se o presidente sorrisse
Outro galo cantaria um dia...
Se cá nevasse fazia-se cá ski...
Se cá nevasse fazia-se cá ski...
Se cá nevasse fazia-se...fazia-se...

Há sempre um "se" no caminho
Que me deixa as mãos tão presas
Se eu cortasse o "se" daninho
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Se cá nevasse fazia-se cá ski...
Se cá nevasse fazia-se cá ski...
Se cá nevasse fazia-se...fazia-se..."

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