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A Partida - Entre a face norte e a sul da ilha


Briefing no observatório de Porto Moniz


Porto Moniz depois da partida e ao amanhecer

A partida deu-se às 7h00 na vila de Porto Moniz. Tínhamos pela frente 105km ( diria quase de certeza que foram mais) e um desnível acumulado de 3880 mts para vencer. Guardávamos na memória os relatos de alguns participantes na edição anterior e da dificuldade de alguns troços do percurso como também dos "humores" do clima em altitude. A manhã estava fresca mas não fria e o céu ameaçava chuva (que acabou por cair logo após a partida). Chegara a minha vez de atravessar a Madeira ao longo do seu paralelo!
O pelotão de imediato se alongou, seleccionando os mais afoitos que enfrentaram logo as primeiras subidas a correr e os mais cautelosos que as faziam a marchar. Eu estava nestes últimos, preferi dar logo uso aos meus bastões para que também pudessem "aquecer", iria utilizá-los na maioria do percurso porque "cautela e caldos de galinha"... sabia que tinha muitos quilómetros pela frente.
O primeiro café aberto e toca a "matar o bicho", fazem-me companhia os camaradas de vício e lá vamos nós outra vez na cauda do pelotão como na Freita o que não nos chateia nada pois começar a prova de "trás para a frente" começa a ser uma estratégia motivadora. Vamos ultrapassando os mais lentos, admirando a paisagem ao amanhecer, tirando fotografias, em suma, estamos mais em turismo desportivo que em competição, melhor assim para quem não planificou o desafio de forma mais "competitiva".
De Porto Moniz até ao 1º CP na Fonte do Bispo distavam 17km que subíamos praticamente do nível do mar até aos 1250mts. Se numa 1º fase o percurso cruzava estradas de alcatrão e caminhos regulares, passados poucos quilómetros entramos na 1º levada e tivemos o contacto com a paisagem luxuriante da floresta autóctone da face norte da ilha, a Laurissilva. Para quem não sabe, é uma flora que remonta até à cerca de 20milhões de anos, numa fase em que esta floresta de características subtropicais ocupava toda a bacia do mediterrâneo. Com as sucessivas alterações climáticas e movimentos tectónicos ( glaciações, avanço do deserto africano, formação definitiva do mar mediterrâneo) este tipo de espécies vegetais de uma época tão remota acabou por "sobreviver", com as naturais adaptações é certo, em apenas 3 regiões do planeta, Canárias, Madeira e Açores. A partir da visão desta massa verde já podem imaginar porque é que os primeiros descobridores lhe chamaram "Madeira". Um paraíso que felizmente é agora património mundial da humanidade para bem da conservação da biodiversidade e transmissão de riquezas às gerações futuras.
Do CP1 descíamos para o CP2 aos 26km e a 1000mts de altitude no chamado "Paúl da Serra", uma zona semidesértica de pastagens e muitas vacas indolentes. Daí avistava-se a "face sul" da ilha e o mar, um oceano azul a perder de vista, tapado apenas por algumas nuvens que abaixo de nós emprestavam mais beleza à paisagem, dir-se-ia que era como estar na Serra da Estrela com vistas de Arrábida...

Até já.

( Ainda não passei do CP 2 ;-)






A visão da face sul até ao mar



Face sul, serra e mar

Comentários

Isto promete!!!

Esplêndida descrição de um trilho mítico!!!

Ficamos ansiosamente à espera da continuação.

Abraço
RM
Tigre disse…
Agora só falta a mentalização (e a capitalização) para a deslocação a Euskadi. Parece que a prova será uma...bomba ! hehe

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