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Travessia do túnel até ao CP3


Do CP 2 ao CP 3 ( 34km) subia-se outra vez dos 1000 até aos 1200mts para depois descer 300mts mergulhando novamente na floresta de Laurissilva. Aqui atravesso os primeiros túneis que trazem as levadas e permitem progredir naquele relevo acidentado, são fantásticos! Por serem compridos, alguns até perto de 1km, tenho de acender o frontal e lá vou eu a exercitar a imaginação com outras épocas, outros mundos, outras realidades nomeadamente o labor duro de quem escavou aquelas passagens, terão sido escravos? Colonizadores da ilha na ânsia de domar uma paisagem extremamente agreste? Trabalhadores? De onde? Escavaram com picaretas? Explosivos? Enfim, os meus pensamentos vagueiam entre os livros de história e os do Tim-Tim.
Chego então ao CP3 e espero novamente pelo resto da equipa. Até então sabia-me bem progredir sozinho,tirava fotografias, fazia pequenos filmes e sobretudo insuflava a beleza da paisagem. O resto da malta também não estava nada atrasada, ainda eu mordiscava o primeiro pedaço de pão e eis que chegam e logo com vontade de arrancar para o CP4 na Bica da Cana (48km). Por lapso na mensagem anterior, referi a zona entre a Fonte do Bispo e o Rabaçal como a do "Paúl da Serra", mas não, este começa após a curta e desnivelada subida de aproximadamente 2km do Rabaçal até à Bica da Cana.




CP3 a "parede" até ao Paúl da Serra

Como disse sobe-se. A partir do CP3 vamos dos 950mts até aos 1550mts da Bica da Cana numa paisagem mais inóspita de planalto montanhês, mas fresca, arejada e de vistas largas. Diria não ser tão deslumbrante como a anterior que para mim era mais ou menos uma novidade ( pelos pequenos e variados detalhes nunca vistos), mas era igualmente bela pois identifico sempre esta com o facto de me encontrar já a uns bons metros do nível do mar e assim poder admirar tudo em profundidade.
Do CP 4 ao CP5 da Encumeda (58km) passamos dos 1550 para os 1000 mas através duma paisagem inesquecível. Quedas de água, escadas que descem sem fim, túneis, levadas, verde, verde, verde. Foi dos trechos mais belos da "música" madeirense! As referidas escadas levavam-nos quase em espiral para o coração verde da Madeira. A espaços, quando a vegetação era mais aberta, via o que me rodeava e sentia estar numa espécie de "mundo perdido", remoto, ideia que se adensava pela neblina que cobria o vale e remetia para imagens só vistas em ecrã, em filmes da National Geografic sobre o Bornéu, a zona andina da Amazónia e outras zonas tropicais e equatoriais nas quais o verde, a água, os cheiros, o barulhos as aves, a neblina e os mistérios e o imprevisto excitam os sentidos como as 4 estações do Vivaldi!
Depois de uma crescente dor de pernas causada pelo efeito "descida íngreme em escadas e trilhos irregulares" e a impressão que as primeiras bolhas estavam a chegar, chegamos também à Encumeada CPnº4 aos 58km de prova, foi aqui que nos disseram que a prova só agora iria começar!


O "Mundo Perdido"

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