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SAIR DA "ZONA DE CONFORTO"

 XPD 2009 - Com aproximadamente 30hrs de prova em Santana - Sesimbra
XPD 2009 A "união faz a força" - ao 4º dia em Valada do Tejo - Cartaxo

Nestes dias em que se ouve e reflecte intensamente as palavras "crise", "austeridade", os cortes nos (parcos) rendimentos e as opções de muitos ( eu incluído) em nos mantermos ( ou porque é que nos mantivemos, acreditando) neste país aferrolhado por uma "lógica" ( é claro que existem termos mais concretos, mas para mim a "lógica" deriva da aceitação dessa mesma realidade) de funcionamento social tão desigual, vem a propósito, quase em jeito de metáfora, discutir aquilo que poucos ouvem falar, menos reflectem e raros sentem: sair da "zona de conforto". 
Não me vou alongar muito... Hoje com faço na maioria das vezes vim para o trabalho de bicicleta. A minha "Mustang", uma bicicleta de estrada do princípio dos anos 90 que equipei com alforges para poder trazer, livros, roupa e a lancheira com o almoço ou o jantar aqui para o trabalho entre outras coisas que me fazem falta, conquistou o espaço da minha GT nas frenéticas estradas aqui da capital. À hora que venho, aproximadamente 19hrs, o trânsito costuma "infernal", o ar irrespirável e o perigo criado pelos meus "homicidas de estimação": taxistas muito parecidos com as caricaturas dos homens de Neandethal e outros "hominídeos" de telemóvel em punho falando ou a enviando SMSs isto além de estarem também a conduzir, aumenta! 
Mas pronto, estou a desviar-me do essencial, ou talvez não. Continuando... cheguei então ao meu trabalho que fica no final de uma espécie de contagem de 2ª categoria, suado, hoje muito por culpa do calor abrasador que fez e do "final da etapa" e tomei uma banhoca rápida ( é um privilégio não é?). No vestiário cruzei-me com os colegas que vou substituir e meto a habitual conversa de caserna, "então meu, como é que correu o dia?", um deles diz-me, "está calor", eu digo, "é verdade, um bocado anormal para a época" ele diz com uma voz que me pareceu de desalento, " isto está mau, espero bem que não aconteça nada de grave", eu digo-lhe, " pois... a continuar podemos ter problemas de seca, é tramado para todos, sobretudo para os agricultores", ele " não, grave no sentido de acontecer algum desastre terrível para a humanidade, isto é estranho", eu reformulo o meu raciocínio tentando aproximar-me mais do dele, " pois... se estás a falar de que os nossos estilos de vida estão a provocar  desequilíbrios sociais e alterações ambientais, eu concordo, a continuar assim..." ele interrompe-me, talvez achando que as minhas palavras não estavam a ir de encontro às dele, " não pá, há qualquer coisa, vai acontecer qualquer coisa de muito grave", eu desdramatizo " bem, acontece sempre qualquer coisa... umas boas outras más e o mundo ( nós) avança", ele faz um silêncio que eu aproveitei para rematar "é preciso que as pessoas saiam da zona de conforto, tenham vontade de mudar, de experimentar, de aprender, depois tudo o resto vem por acréscimo", o silêncio agora dura mais tempo, talvez porque espere que ele comente o que acabei de dizer, questionando ou enriquecendo este ponto de vista, mas em vez disse ouvi um lacónico, tão inconsistente e na moda "é complicado"! 
Pois é, "complicado" é sair da "zona de conforto".

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Se cá nevasse fazia-se cá ski...
Se cá nevasse fazia-se cá ski...
Se cá nevasse fazia-se...fazia-se...

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Se cá nevasse fazia-se cá ski...
Se cá nevasse fazia-se...fazia-se..."

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