quarta-feira, outubro 26, 2011

TERRA LIVRE

Vou ser genérico, não tenho muito tempo, mas não deixei de achar este assunto muito interessante. A postagem deste video reintroduz a discussão daquilo que em parte já reflecti num post recente ( Massa Crítica - Fell Alive). Um cidade e uma sociedade (re)pensada para novas formas de mobilidade sustentável. O incremento da bicicleta e do transporte público. Este é um exemplo holandês do passado que podíamos ter reflectido, pois muitas das onerosas infraestruturas que agora temos de pagar penosamente tem uma construção recente, como é o caso do "polémico" túnel do Marquês que, entre outras megalomanias do então governo da cidade, deixou as suas finanças depauperadas. Mas citando mais exemplos, hoje temos a cidade de Lisboa "rasgada" por inúmeras "vias rápidas ", autênticos livros de tragédia nas quais morrem ou ficam estropiadas muitas pessoas por ano ( basta ver as estatísticas oficiais). Os custos sociais e económicos de tudo isto são elevados, por muitas campanhas de prevenção rodoviária e repressão da polícia que se façam, entre outras medidas políticas para reduzir a sinistralidade ( existem variáveis que nunca foram observadas nestas políticas), o fenómeno pouco se altera. A revolução do automóvel obrigou progressivamente a que a cidade se alterasse para o receber. Viadutos, túneis, parques subterrâneos em zonas históricas, obras que descaracterizaram a cidade, obrigado ao corte de árvores, à redução de passeios, ao redesenho do seu centro histórico, desligaram identidades de bairro, relações de vizinhança, espaços de lazer e convívio, reduzindo as proximidades "cosmopolitistas". Pergunto, para quê? Para que caibam na cidade milhares de automóveis todos os dias que transportam na sua maioria uma só pessoa? O que lucramos nós cidadãos com isto? Alguns sim, a Brisa, a Emel, a Bragaparques, já para não falar da BP da Galp e dos fabricantes de automóveis claro, entre outras "minorias". Os restantes aceitam a "ordem das coisas" . Não há nisto nenhum fundamentalismo "anti-automóvel", eu próprio o vou utilizar daqui a pouco para entrar na cidade, estacionando na periferia e apanhando transporte público para o local onde devo estar daqui a pouco ( estou atrasado :-), isto apesar de na maioria das vezes circular de bicicleta. O que eu pretendo dizer é que podemos fazer melhor, podemos mudar, podemos agir alterando os paradigmas actuais. Terra livre!

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