Avançar para o conteúdo principal

TRIATLO DO AMBIENTE, REBATIZADO ( DE OEIRAS)



Não sei em quantas edições estive no "Triatlo do Ambiente", agora rebatizado "Triatlo de Oeiras". Comecei a praticar Triatlo em 1996 e esta foi a primeira prova em que participei. Lembro-me perfeitamente: natação na Praia de Paço de Arcos, com uma ida ao mar, retorno em terra e novamente natação até ao Porto de Abrigo onde começava o caminho até ao Parque de Transições no Jardim de Paço de Arcos, passando por um túnel que atravessava a marginal. Depois iniciava-se o segmento de ciclismo em duas voltas e corria-se finalmente pelas ruas de Paço de Arcos. Esta era a prova do calendário do Triatlo português que tinha mais triatletas, sobretudo estreantes na modalidade ( tal como agora), não devíamos ir além dos 100 "loucos", porque nadar, correr e pedalar numa só prova era suficiente para ter este adjectivo. 
A organização, do melhor, oferecia sempre "almoço convívio" para atletas e família na Escola da Marinha Mercante, uma saco cheio de prémios, onde cabia um pólo alusivo ao evento muito bonito e sorteava almoços nos restaurantes da zona, peças de equipamento desportivo, entre outras coisas oferecidas pelos empresários do concelho de Oeiras. Um luxo que custava pouco mais de 5€ ( na moeda actual)! Numa das edições, a "sorte" bafejou-me com quatro almoços no afamado e chique na altura "Restaurante Mónaco", agora encerrado há uns anos. Outros tempos...
Dizia, não sei quantas participações tive neste 19 anos de "triatleta", mas aproxima-se muito certamente da dezena. A última vez que o completei foi em 2009 e no ano passado, num regresso falhado à modalidade, desisti com problemas respiratórios na natação, quer por causa do meu problema crónico que se agrava na primavera/inicio do verão, quer porque o meu velhinho "Aquaman" deixou de servir a alguém que agora pesa mais 10kg do que há 19 anos atrás, os meus pulmões parecia que tentavam respirar numa armadura.
Este ano comprada fatiota nova ( um ORCA S5) em época de saldos, desempoeirada a bicicleta de estrada  parada no hall lá de casa e comprados uns ténis, também de estrada ( nos últimos anos só tinha comprado material para trail e afins) e paga a inscrição de 20€, decidi lançar-me outra vez na "aventura" ( só um reparo: em 2015 eu não ganho 4X mais que em 1996, maldito euro!). Tive também a companhia nos treinos do motivado triatleta Tigre, da regressada Esmeralda e do aventureiro das águas abertas, o Narciso, trio a quem agradeço profundamente, a companhia e a amizade.
No dia D lá estava mais uma vez, este ano outra vez com claque de apoio da minha filhota e mãe, pronto para reviver todo o ritual do triatlo. Só que agora, não estavam 100 na praia a meu lado para iniciar a natação, estavam mais de 400(!). Já não estou habituado a tanta gente a nadar ao mesmo tempo. Os primeiros 300mts foram um verdadeiro calvário, levei pontapés, muros, chapadas e nunca consegui atinar com a braçada e com a respiração. Houve até um momento que pensei em desistir novamente, estava verdadeiramente desorientado! Quinze dias antes fizera aproximadamente 2000mts em águas abertas no "swim challenge" de Cascais, mas o comportamento dos atletas na água foi bem mais sereno. Desta vez, acho que havia testosterona a mais e começo a pensar seriamente que a andam a tomar à colherada.
Lá me aguentei até ao final da "aventura marítima" e saio da água numa "multidão" que se dirige para o parque de transições. Tiro o fato, ponho o capacete, os óculos e calço os sapatos de ciclismo... que maravilha, não escorregam no alcatrão porque agora a organização alcatifa todo o perímetro do parque de transições e ala para o ciclismo. Numa primeira fase apanho boleia de um atleta que pela qualidade da bicicleta e definição muscular das suas pernas imaginei ser um "pró" no segmento. Nos primeiros quilómetros provou isso, mas o combustível esgotou-se logo na primeira subida e apanho outra boleia, desta vez juntando as características e adereços do primeiro atleta, este tinha um capacete de contrarelógio. Este sim, andava forte, fortíssimo e "agarrado" a ele outra lapa como eu. Lá fui no "xupa rodas" até à subida de Caxias em médias acima dos 40km/h, só que ai, o meu peso e falta de treino revelaram-se, fico colado ao chão. Apanho depois disso uma terceira boleia, desta vez de um grupo mais numeroso, num ritmo mais "modesto" e portanto mais adequado à minha condição e venho com eles até ao PT, umas vezes a puxar outras a ser "puxado" e ai inicio a corrida. Não me custou a transição como imaginei, mas este segmento trouxe-me a consciência de que estou pesado demais para a modalidade e claro, muito mais cota, os anos não perdoam! Ainda assim faço um tempo total de 1h15 ( o melhor que fiz em tempos foi 1h09), o que me classificou em 266º entre 460 atletas masculinos e femininos, nada mau!
Fiquei com vontade de repetir, talvez fazer um Iron para o ano que vem, mas em provas com menos gente ou menos ansiosa, sobretudo na natação. A ver vamos...

Classificações: Masculina
                       Feminina

Comentários

Mensagens populares deste blogue

MEMÓRIAS DA SERRA DA CARREGUEIRA

( Legendo só a última fotografia - este era um tanque de água próximo do quartel onde vínhamos tomar banho no verão na esperança de vermos também umas miúdas que por lá apareciam de vez em quando)

Por vezes basta uma palavra, um encontro com uma pessoa ou o regresso a um lugar, para que a memória se abra como um livro e revele parte da história da nossa vida que afinal, ao contrário do pensamos, ainda está bem viva em nós. Foi o que me aconteceu esta semana com o convite do Luis Miguel para um treino na Serra da Carregueira - Sintra, local onde há 27 anos atrás, estive às ordens do Estado pelo período de 16 meses a cumprir o então "serviço militar obrigatório". Chamava-se na altura "Regimento de Infantaria nº 1", que incluía um dos chamados "Batalhões operacionais de primeira linha" do Exército português, o que significava, homens prontos para uma eventual intervenção militar imediata, isto apesar da guerra colonial ter acabado na altura havia 12 anos e …

A VIDA O AMOR E OS... TRILHOS

Pois é, o "Trilhos Míticos" está de volta. A vida neste tempo em que estive ausente deu as suas "voltas", os "amores" também mas os trilhos continuaram a percorrer-se, agora também de mota como podem ver nas imagens. Ficará por contar aqui as minhas voltas entre a Suiça, Áustria e Alemanha, durante o último ano e meio, a referência aos seus bonitos trilhos de montanha e lagos onde me fundi de corpo e alma ( e por lá deixei parte deste/a).  Durante muitos anos o Trilhos Míticos foi essencialmente o espaço aonde escrevia acerca das minhas aventuras desportivas, que não podendo-do recuperar as muitas histórias que tenho destas desde o inicio dos anos 90, falava das que vivia na "actualidade" e foram muitas! Mas isso mudou desde há dois anos num processo que se adivinhava há muitos mais. Como a vida é dinâmica e este blogue também, este passará a incluir todos os trilhos percorridos por mim, seja a pé, a nadar, de bicicleta, de mota, de canoa e ago…

NÃO HÁ ALMOÇOS GRÁTIS

Finisher na Maratona de Lisboa 2007
(Fotodesporto)
Depois de duas consultas no CMD ( Centro de Medicina Desportiva) com RX´s e ressonâncias na mão e algumas horas de espera, sou recambiado para uma consulta no Hospital da Cuf com o argumento de que o meu problema era "complexo". Habituado às "complexidades" da vida e sobretudo a perceber como estas alimentam as diferenças de poder e "afirmam" crenças, neste caso de que todas as opiniões médicas são prescritivas ( entre outras opiniões de "especialistas"), pensei, "já vou ficar a arder com mais uns tostões". Mas fui, não fujo ao grupo dos "crentes", mesmo que tenha consciência dos dogmas de uma ciência quase transformada em religião, e confesso que os referidos especialistas são para mim ( e para mais) uma espécie de pastores evangélicos que nos libertam sempre um "aleluia", afinal, algo existe além desta enfadonha ignorância quotidiana na qual a maioria de nós chaf…