quarta-feira, dezembro 02, 2009

MIUT 2009 da Encumeada até ao Machico


Não apareço aqui há mais de um mês e o MIUT 2009 já se realizou vai para 3 meses. De maneira que, se não acabo o relato dos 105km pela pérola do atlântico agora, corro o risco de me esquecer de pormenores que podem ser interessantes contar, além de importantes dicas para quem quiser dar-lhe uso. Contudo agora vou ser mais breve, ou seja, menos "literário".

Depois do bonito troço da Bica da Cana cheguei à Ecumeada -CP5 na companhia do António, Esmeralda e Ângela. Vinha deveras impressionado com toda a paisagem natural que até agora desfilara pelos meus olhos e com a consciência que ainda me faltava mais de metade do percurso para chegar ao fim. Talvez a metade mais dura de roer, pois se no último troço tinhamos descido dos 1500mts para os 1000mts, agora em pouco mais de 10km iríamos subir destes até aos 1780 do Pico Ruivo e com o maior desnível de toda a prova 1176mts(!). À chegada à Ecumeada houve quem dissesse " a prova começa aqui", pude comprová-lo!
Seria para ai 18hrs quando nos fizemos ao caminho "atacando" o Pico Ruivo depois uma boa canja com canela(?) oferecida pela organização. Nos primeiros metros tomei a consciência que este seria, não o derradeiro, mas o grande teste à resistência em toda a prova, pois os degraus que íamos subindo não paravam de surgir, além de que nenhum era igual ao anterior o que aumentava a dificuldade. Segui neste troço na companhia do Rui e de outro camarada que agora não recordo o nome e assim pudemos ir trocando "impressões de viagem". Todos concordávamos que estávamos numa espécie de paisagem "himaliana", faltando só a neve. Se olhávamos para cima viamos os imponentes picos que ainda tinhamos de conquistar, se olhávamos para baixo víamos de um lado os pontinhos luminosos da povoação de "Curral das Freiras" que já se ia iluminando e do outro um pôr-do-sol por cima de um manto de nuvens que cobria toda a face norte da ilha, simplesmente belo!
Foi já com a noite a cerrar e com frontais acessos que chegámos ao Pico Ruivo. Encontro ai a Analice ( uma senhora ultramaratonista de 63 anos de idade) desesperada porque o seu frontal havia avariado, empresto-lhe um que trazia como "suplementar" e pude ver a sua enorme alegria pelo meu gesto, queria fazer os restantes 50km, desse por onde desse, que grande senhora!Depressa a Analice "fugiu" para o Pico do Arreiro e nós também que o frio e o vento aquela altitude já nos gelava o corpo, o que não é nada desejável por esta altura da competição.
Os 8km que se seguiam até aos 1800mts o ponto mais alto da ilha foram para mim o primeiro grande momento de dificuldade ( os piores viriam a seguir). Atraso-me relativamente aos meus companheiros para poder recuperar, sinto dores nas pernas e alguma sonolência. A paisagem é soberba, estou entre penhascos num sobe e desce estonteante, a lua avista-se a espaços dando uma tremenda força natural a toda a paisagem, um momento inesquecível! Ao transpor os últimos metros até ao local onde estava o CP5 - Pico do Ruivo- reparo numa placa evocativa da morte de alguém aquela altitude, não pude deixar de pensar que apesar das boas condições destes trilhos, o vento forte que sobra frequentemente, o nevoeiro e o frio imprevistos, a irregularidade do piso, as faces escarpadas que em caso de quedas serão no "abismo" e a falta de experiência de muitos que se traduz pela falta do equipamento básico para aquelas condições, podem ter ocasionado este e os muitos acidentes que sabemos acontecerem na montanha. A prova disso é que nas notícias de há pouco só neste mês nos bonitos trilhos que esta prova percorreu já morreram três pessoas.

Até breve

1 comentário:

Xutos disse...

Ficamos à espera da conclusão do relato. Até breve

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