quinta-feira, dezembro 06, 2012

Berlim de bicicleta ( parte I)



Dois anos depois de Hamburgo, foi agora a vez de conhecer a capital do país mais influente da Europa, pouco grato na actualidade para os portugueses, Berlim. Há muito que a cidade, sobre a qual fui lendo durante anos alguns fragmentos da sua história, exercia em mim um certo fascínio. Berlim é a cidade a partir da qual podemos melhor reflectir os efeitos do totalitarismo moderno e as suas horríveis consequências, mas também, a cidade de vanguarda dos movimentos intelectuais, culturais e artísticos da Europa do início do século XX e os contemporâneos. A minha estadia foi infelizmente demasiado curta para o poder apreciar isso em pleno. Até um dia destes...
Depois de pedalar em Amesterdão por uns dias a ideia era continuar a fazê-lo em Berlim. Como disse a estadia iria ser breve e havia muito para olhar, mais do que para ver, repito, ficará para outra oportunidade. Apesar de conhecer as vantagens de me deslocar por Lisboa de bicicleta há muito, confesso que nunca o tinha experimentado na condição de "turista urbano". (Re) afirmo: a bicicleta é o meio de transporte ideal para os viajantes sustentáveis e de curta estadia, a melhor forma de "navegar" numa cidade, sobretudo com a dimensão das que visitei. Permite ir a todo o lado, desenvolve-nos um importante sentido de orientação ( onde não costumo ser nada bom) e traz-nos a todo o instante a surpresa de uma permanente e saudável descoberta dos lugares, mesmo com o mapa na mão e depois de ver muitas fotografias na internet. Tive sorte com a meteorologia, em Amesterdão pouco choveu e em Berlim, apesar do frio, estava um dia de Outono extraordinário com os reflexos do sol a dourar as diferentes tonalidades de castanho nas folhas das muitas árvores, um lindo poema que não deve ter escapado a Goethe, certamente. Outro aspecto importante, são as muitas ciclovias onde o perigo de sofrer acidentes é reduzido, embora Amesterdão seja melhor que Berlim, nesta o automóvel ainda é rei, apesar da cidade estar, julgo eu, em mudança para que esse reinado acabe. ( continua).


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