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Pedalar por Lisboa

Pedalar por Lisboa ao domingo é descobrir os recantos improváveis que o diabólico trânsito torna difícil durante os dias da semana. É ver uma cidade como só a bicicleta permite: "cidades" dentro da "cidade veloz", intimas, a cidade das pessoas.


Nos "trilhos" do antigo Casal Ventoso. "Casas fantasma" onde ainda moram alguns fantasmas, vivos. Todo o bairro foi abaixo, sobraram as deterioradas casas "legais" do Casal Viúva Teles sobranceiro à Rua Maria Pia, mas esvaziadas de habitantes. Estão agora "arrumados" nas "casas caixa" da Quinta da Cabrinha no vale de Alcântara.
A "meia laranja", a antiga "porta do bairro" e ainda centro da economia "marginal" ( como as offshores) da zona ( além dos cafés, clubes e mercearias) é ali mais à frente.


Se rebaptizasse o sítio, chamar-lhe-ia agora "Casal Vistoso ou da "Bela Vista". Imagino a original toponímia, os ventos dominantes de noroeste vindos do mar, que nem a Serra de Monsanto travava, a soprarem sobre os telhados e paredes frágeis do bairro.

"Casal Ventoso de Baixo", o epicentro do antigo Bairro. Mais abaixo a "nova" Quinta da Cabrinha.

O Centro Social do Vale de Alcântara  ladeado de uns alinhados cedros e pinheiros.
As impressões das antigas casas encostadas a um muro. Atrás de mim situava-se o palco dantesco da vida recente do Bairro, o "muro das lamentações" onde muitos toxicodependentes consumiam dia e noite as drogas compradas na então pujante economia dominante do bairro. Ao longo da encosta depois do muro, habitavam os que "vício" já não dava forças para sair dali, os que andavam aos "algodões", a fazer "lavagens", utilizando o que restava das seringas deitadas fora por outros. Ao espaço falta memória, mesmo trágica, é sempre necessária. 

Umas escadas que em tempos ligavam ao vale e aos caminhos que o atravessavam, agora "cortadas" por muitas estradas, viadutos, linhas de comboio...

Já não se pode ir de Campolide ao Bairro da Liberdade a pé. Os carros criaram ilhas na cidade, insularizaram pessoas, romperam laços de vizinhança.


Pilar do Aqueduto das Águas Livres. Quem é afinal Danielle? Podemos imaginar porque é que um dia quis escrever num lugar público ( pena tê-lo feito num monumento nacional): " e nós faremos do mundo a nossa cama".


Criam-se agora novas "proximidades".











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